O balé dos coletivos | Digestivo Cultural

busca | avançada
83383 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
Temas
Mais Recentes
>>> Maffesoli, Redes Sociais e o Mundo Reencantado
>>> Clube de leitura da Livraria Zaccara: um ano!
>>> Os EEUU e o golpe de 64
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Família e Maldade
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> José Luiz Tejon no #MitA
>>> Araquém Alcântara #EuMaior
>>> John Huston: cinema e armas
>>> Paulo de Tarso Lima #EuMaior
>>> The Doors Live at The Bowl 68
>>> The Doors com Eddie Vedder
>>> Ricardo Lindemann #EuMaior
>>> AnaE lança novo livro em SP
>>> Professor Hermógenes #EuMaior
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> Várzea
>>> O fim e o café solúvel
>>> Planejamento de Carreira e Networking
>>> Freud Básico
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> A Pérola de Galileu
>>> Lá vamos nós outra vez...
>>> Micro-Twitter-Blogging
>>> Micro-Twitter-Blogging
>>> The Social Music Revolution
Mais Recentes
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
Mais Recentes
>>> Mário Sabha Jr autografa 'Você ama ou fantasia tudo?' em Florianópolis
>>> EdUFSCar participa do XXI Seminário Nacional Universitas/Br
>>> Titular da UFSCar lança coleção na 36ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química
>>> MANDALAS TRANSLÚCIDOS
>>> CDI é a nova agência da Atos
>>> UniBrasil lança curso superior em Gestão de Turismo
>>> Artistas e desenhistas de HQ criam obras para musicas de Maria de Medeiros
>>> 'Poesia de Primeira' no atelier Maria Tereza Vieira
>>> Cooperativa recebe alunos da FATEC de Mogi das Cruzes
>>> Cooperativa recebe alunos da FATEC de Mogi das Cruzes
COLUNAS

Quinta-feira, 2/2/2012
O balé dos coletivos
Elisa Andrade Buzzo

+ de 1300 Acessos


foto: Sissy Eiko

São Paulo é muito mais profunda e extensa do que se pode imaginar - para além dos pontos cardeais há terras sem fim, paisagens perenes, uma cidade que se dispõe em vagões com suor, volumes e esbarrões. Vamos desta vez embarcar na Barra Funda, sentido Itaquera, na famigerada linha vermelha do metrô. Depois que vem à tona do subterrâneo centro velho, o mundo se espalha nas janelas em um mar residencial, um ou outro prédio que se eleva como desajustado espigão, mancha colorida que se desdobra no horizonte. São Paulo é, ainda, ao se estender o trajeto para o trem em seus municípios vizinhos, a cidade das casas, em algum lugar no mapa, Vila Matilde, Arthur Alvim, Manuel Feio vemos a dobradura da periferia se levantar imperiosa de seu espaço vasto.

E o coletivo de Zorra Total, cuja locomotiva, caricata, se assim podemos dizer, é bastante esvaziada de vida, a realidade é, portanto, mais distinta e franzina. Seja lá qual for a situação, no trem vazio ou lotado, um dá licença sempre cai bem, um cidadão cansado tombará ao seu lado um sono incontrolável, uma mão disfarçadamente procurará a sua ou se estenderá em oferta, nua. Há um ou outro passageiro meio Valéria que grita "Estação Favela". É como se a gente, entrando aos gritos e solavancos, daí tirasse seu ganha-pão final. Ah, se todos os dias o trem girasse no infinito das cores em movimento, Guaianazes e sua vista de infinitos tijolinhos, o CEU imenso preenchendo o vermelho de furta-cor, e os trilhos, num balanço cinza monocromático. De quem serão estas existências que se escondem, labirínticas, por dentro destas outras janelas dentro das minhas janelas?

No traçado monótono das periferias se superpõe shoppings centers gigantes, colados ao metrô, com seus vendedores sonâmbulos de juventude desperdiçada, o que resta de entretenimento para a população. A princípio, vejo em seus olhos que para eles sou uma paisagem qualquer de trem - já vai passar a carruagem em desalento -, sua vida é a própria embarcação num contínuo e repetitivo movimento exaustivo, de quem vê mil rostos e não enxerga nem se atém a ninguém. E para mim assim são os locais de passagem: um desejo que forte se anuncia, um arranque descompassado e duro, ou uma frenagem traumática - sempre é necessário parar e, daí, recomeçar?

Na estação domingueira, guardas bocejam e até o maquinista olha para mulher bonita. Estações às vezes pouco resguardadas de operações exclusas, belas e desgastadas, frenéticas e solitárias, protegidas e vulneráveis, abertas ao mundo e gradeadas - elas podem ser sobremaneira pacatas, a via férrea vazia, cachorros latindo, passarinhos, Júpiter e a Lua rebrilhando como únicas espectadoras desse romance à espera de seus personagens. Ou então, elas palpitam de gente cansada ou festiva, passando a existir a realidade pelo movimento e pela passagem, o caminho de fios, metal e aço foi por completo perpassado, resta aguardar um novo balanço, um apito desgovernado. Para, então, depois desaparecer.

As estações de trem têm algo de tristeza e despedida - uma revoada negra de pássaros, um frio entardecer. Não há como não me lembrar de Pureza ("Lá pela madrugada ouvi um apito de trem muito de longe. E, nada é mais triste nessas ocasiões do que um trem que se comunica, envia sua mensagem por dentro da noite"), cidade inventada no romance de José Lins do Rêgo, em que um homem sem rumo no mundo enfim se prende desastradamente a duas mulheres, para depois restituir sua libertação. É a estação da estrada de ferro sinal de mesmice, revelia, transformação.

Também há algo de encontro, de puro e doce nesta atmosfera férrea, pois alguém sempre está a chegar na estação. Alguém sempre aguarda na plataforma, seja lá o que for, se planta nos bloqueios ou se lança às escadas. Tal espera amorosa é esperançosa e, plena de faísca da vida, rende força à locomotiva. E desse encontro que se desencontra, se bate e se resigna, se faça a moção de gente, o contato metálico entre vagão, lama, serpente.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 2/2/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Pesquisando (e lendo) o jornalismo de Duanne Ribeiro
02. Histórias de gatos de Carla Ceres
03. Matar e morrer pra viver de Carina B.
04. Clube de Leitura Cult de Eugenia Zerbini
05. Consumidor, você tem toda a razão! de Daniel Bushatsky


Mais Elisa Andrade Buzzo
Mais Acessadas de Elisa Andrade Buzzo em 2012
01. Lobo branco em selva de pedra: Eduardo Semerjian - 1/3/2012
02. Ode ao outono - 12/4/2012
03. Liberdade! - 24/5/2012
04. Crônica de um jantar em São Paulo - 10/5/2012
05. O balé dos coletivos - 2/2/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Editora Conteúdo
Companhia das Letras
Best Seller
Editora Francis
WMF Martins Fontes
Cortez Editora
Nova Fronteira
Intrínseca
Editora Record
Editora Perspectiva
José Olympio
Hedra
Globo Livros
Madras Editora
Bertrand Brasil
MercadoLivre
Civilização Brasileira
LIVROS


CHARLES DARWIN 1 - VIAJANDO


LULISMO, CARISMA POP E CULTURA ANTICRÍTICA


PROJETO E METAMORFOSE


CORRESPONDENTE INTERNACIONAL


A DÁDIVA DO CORVO


COMO PROUST PODE MUDAR SUA VIDA


OS AMANTES DA NOITE


CAFE TITANIC


CULTURA GERAL


ADOBE DREAMWEAVER CS5


O FUTURO É HOJE


O COLECIONADOR DE SONS


TIO VÂNIA


VISÃO MORTAL


ESTA NOITE OU NUNCA


busca | avançada
83383 visitas/dia
1,7 milhão/mês