A origem da dança | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
55963 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Linha do Tempo
>>> Shopping Higienópolis Promove II Festival de Vinhos
>>> Núcleo de Economia Criativa (NEC) tem mais de 200 opções de presentes para o Dia dos Pais
>>> FILMES DE TERROR SÃO DESTAQUE NO FESTIVAL LATINO-AMERICANO DE SP
>>> Programa discute as novidades do mercado com a TV sob demanda
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> George Orwell e o alerta contra o totalitarismo
>>> Influências da década de 1980
>>> Gerald Thomas: cidadão do mundo (parte final)
>>> O romance do 'e se...'
>>> Xadrez, poesia de Ana Elisa Ribeiro
>>> Espírito e Cura
>>> Precisa-se de empregada feia. Bem feia.
>>> Minha Terra Tem Palmeiras
>>> Gerald Thomas: Cidadão do Mundo (parte IV)
>>> Depois do chover
Colunistas
Últimos Posts
>>> Acabou o governo
>>> O Chileno
>>> Fabio Gomes
>>> Irmãos Amâncio
>>> Rita de Cássia Oliveira
>>> Gil e Pepeu em Montreux 1978
>>> Wagner Moura em Narcos
>>> Marcio Acselrad
>>> Mais uma de Leonardo da Vinci
>>> Mr. Sandman
Últimos Posts
>>> Os Rolling Stones deveriam ser tombados
>>> Viva a revolução
>>> As redes sociais como ferramentas de mobilização
>>> A segunda vida, de Machado de Assis
>>> Agosto, mês augusto
>>> Verso de Ausência
>>> A culpa da alegria
>>> Frase da semana
>>> A vitória da pochete
>>> Farmácia popular
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Um livrinho, um poetinha
>>> Em defesa dos cursos de Letras
>>> Semana da Canção Brasileira
>>> Multimodalidade
>>> Entrevista à revista Capitu
>>> Eles - os artistas medíocres
>>> Predadores humanos
>>> Os 100 maiores cientistas
>>> Ribamar, de José Castello
>>> Maria Rezende no Sesc BH
Mais Recentes
>>> uma breve historia do tempo
>>> jOÃO cABRAL DE mELLO E nETO
>>> Nem vem que não tem - a vida e o veneno de Wilson Simonal
>>> Cálculo 2 James Stewart
>>> diario de um mago
>>> a revolução luciferiana
>>> Karl Ove Knausgård
>>> fabio morais
>>> controversia religiosa
>>> Haroldo de campos
COLUNAS

Terça-feira, 14/2/2012
A origem da dança
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 8100 Acessos

No palco, o bailarino estende seu braço para além de qualquer gesto identificado no hábito da vida comum. Ele busca expressar alguma coisa, não sabemos bem o que, algo subjetivo,comunicado pela forma com que seu corpo gira, extendendo-se em posições desnecessárias à existência comum: ele dança. Porque ele precisa dançar para nos levar para essa zona obscura da nossa vida: a sensibilidade?

De uma forma geral, diversos autores, entre eles Miriam G. Mendes, Eliana Caminada, Antonio Faro, Luis Elmerich, Dalal Achaar, atestam que a essência da dança do homem primitivo surgiu de uma necessidade emocional de se expressar, percebendo as forças da natureza, o seu poder misterioso e tendo a vontade de imitar essa força, de possuir essa força. A dança teria, então, um caráter mágico, estando ligada a rituais e cerimônias, aos desdobramentos dos poderes da natureza. Essa concepção a respeito da origem da dança descarta outros componentes que poderiam ser discutidos e que explicariam o sentido do dançar.

No Período Paleolítico, quando o homem primitivo fez pinturas de animais em cavernas como forma mágica de se preparar para possuir aquele animal que iria abater na caça, traria a dança em seu corpo como parte integrante desse ritual de emanação de seus poderes? Talvez esteja aí uma grande questão a ser discutida: como o homem chegou ao desenvolvimento desses movimentos e gestos para, então, se utilizar dessa memória corporal usando-a em rituais?

É evidente que há a questão do desenvolvimento físico, do homem se tornar um bípede e na busca por dominar seu corpo, que traz essa apreensão do desenvolvimento gestual como uma memória corporal que vai se formulando:

Podemos afirmar que na busca evolutiva de libertação do corpo, a dança se instala como culminância de um longo processo. Libertar o corpo e dominá-lo parece ser o destino inexorável do homem. A dança emerge como explicitação desta conquista humana.

Essa discussão acaba por esbarrar em questões levantadas por outros autores, como Miriam G. Mendes, Mônica Dantas, Susanne Langer, que perguntam: até que ponto todo movimento e gesto é considerado dança? Fica claro que não, nem todo gesto é dança, pois o fazer-se da dança é a imaginação, pois todo gesto e movimento para ser considerado dança deve ser imaginado.

O homem primitivo já não possuiria no desenrolar de seu desenvolvimento geral e em específico, no seu pensamento, seu processo criativo, o imaginário, para ter criado posteriormente essa noção de possuir os poderes do mágico?

Vários são os pensadores que se debruçaram sobre esta importante questã: afinal o que levaria o ser humano a criar um universo paralelo à sua própria vida e que denominaria ARTE? O que estaria na origem da criação de determinado gênero artístico (música, dança, literatura, pintura, etc) é tão específico em suas origens quanto nas explicações sobre elas.

O universo de explicações à pergunta "o que levou o homem a dançar?" é grande. Cada historiador da dança, cada esteta, cada dançarino que se queira também pensador da dança, emitiu o resultado de suas reflexões sobre o tema. Em geral tantos são os pensadores quanto diferentes são suas interpretações sobre o tema.

Desde a idéia de Susanne Langer, de que "os primeiros ingredientes da arte são geralmente formas acidentais encontradas no meio ambiente cultural, que exercem atração sobre a imaginação como elementos artísticos usáveis" , passando por Rudolf Laban que diz que o gesto (elemento básico da dança) se origina do sentimento real, onde "de um golpe, como relâmpago, o entendimento torna-se plástico" , até Curt Sachs que, no seu famoso livro A world history the dance, vê que "a dança dos homens é, em seu início, uma agradável reação motora em um padrão ritmico" , as interpretações fornecem amplo material para o debate.

Para que o debate seja implementado com coerência e que as diferenças sejam avaliadas claramente, faz-se necessário chegar-se a uma conclusão necessária sobre o que seja a dança, pois na raiz das interpretações sobre a origem da dança estão expostas também as definições do que seja a dança em si enquanto arte. Quando é que um movimento torna-se arte? São perguntas importantes, pois definem a arte da dança.

Seria a dança, então, como define Camila Wedgewood, na Enciclopédia Britânica, "um fenômeno rítmico de alguma ou todas as partes do corpo para expressar emoções e idéias, segundo um esquema individual ou coletivo?"

Suzanne Langer, no seu livro Sentimento e Forma, questiona esta relevância da função biológica da dança, antes dela ter adquirido o status de arte.

Curt Sachs, por sua vez, definiu a dança como um conjunto organizado de movimentos ritmados do corpo sem nenhum aspecto utilitário, isto é, sem servir para finalidades de trabalho. Considerou-a, também, uma arte básica e prioritária em relação a todas as outras expressões de criatividade humana porque o bailarino usa o próprio corpo para elaborar o produto de sua criação. "Nenhum elemento se interpõe entre o criador e a criação contidos numa só pessoa".

O mesmo Curt Sachs diz que é perdendo seu caráter pragmático, religioso, que a dança foi elevada ao status de drama, ou seja, quando sua estrutura voltou-se para o dramáticoela tornou-se uma preocupação do campo da arte.

Idéia que também pode ser questionada, pois a dança não perdeu absolutamente seu sentido mítico (de revelar modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas, segundo definição de Micea Eliade), agregando elementos rituais que expressam a existência de práticas da comunidade humana (casamento, trabalho, alimentação).

Povos primitivos, pelo que se pode ver através de estudos de antropólogos, arqueólogos e historiadores, procuravam expressar com o movimento e o gesto características rituais através de dramatizações dançantes, sendo esses movimentos comunicadores de seu sentido espiritual e social.

É nesse sentido que partem muitas explicações da origem da dança, cuja ênfase é cultural, ou seja, da dança como elemento organizador do trabalho e da comunidade humana.

Não resta dúvida de que a dança modificou-se, que seu sentido alterou-se dentro da história, mas a pergunta que nos ocupa aqui continua sendo relevante: afinal, o que levou o homem a criar movimentos sem fins utilitários, ou seja, simplesmente dançar?

Como em todas as artes, foi o desejo de se reinventar para além da sua existência puramente biológica, para além da simples organização prática da vida, em busca de uma transcendência que só a arte pode dar.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 14/2/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Daumier, um caricaturista contra o poder de Jardel Dias Cavalcanti
02. O PSDB e o ensino superior de Gian Danton
03. O assassinato de Herzog na arte de Jardel Dias Cavalcanti
04. Brasil brochou na Copa de Jardel Dias Cavalcanti
05. Caí na besteira de ler Nietzsche de Marol Azevedo


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2012
01. A origem da dança - 14/2/2012
02. A morte de Sardanapalo de Delacroix - 31/7/2012
03. Semana de 22 e Modernismo: um fracasso nacional - 6/3/2012
04. Roland Barthes e o prazer do texto - 21/8/2012
05. Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte II) - 31/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS


BANDOLIM DO DIABO
JOSÉ ARTHUR BOGÉA

De R$ 25,00
Por R$ 12,50
50% off
+ frete grátis



O INCONFORMISTA
ALBERTO ABADESSA

De R$ 20,00
Por R$ 10,00
50% off
+ frete grátis



CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO
EMILIO SABATOVSKI E IARA P. FONTOURA

De R$ 29,90
Por R$ 14,95
50% off
+ frete grátis



A PREVISÃO DO FUTURO
ROBERT J. SHAPIRO

De R$ 68,00
Por R$ 34,00
50% off
+ frete grátis



A CEIA DOMINICANA
REINALDO SANTOS NEVES

De R$ 50,00
Por R$ 25,00
50% off
+ frete grátis



ECLIPSE - CAPA DO FILME
STEPHENIE MEYER

De R$ 29,90
Por R$ 14,95
50% off
+ frete grátis



A TURMA
CHARLES MCCARRY

De R$ 52,90
Por R$ 26,45
50% off
+ frete grátis



A VIDA SEXUAL DE MINHA TIA
MAVIS CHEEK

De R$ 39,00
Por R$ 19,50
50% off
+ frete grátis



MAN RAY - COLECAO PHOTO POCHE
RAY, MAN

De R$ 37,00
Por R$ 18,50
50% off
+ frete grátis



ALGUÉM COMO VOCÊ
CATHY KELLY

De R$ 65,00
Por R$ 32,50
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
55963 visitas/dia
1,5 milhão/mês