A origem da dança | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
45452 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> TV Brasil transmite desfile do Grupo de Acesso de São Paulo
>>> Documentário "Trieletrizado" destaca a malha multicultural do carnaval de Salvador
>>> Fotógrafo celebra esporte e felicidade no samba
>>> TV Brasil apresenta atrações do Carnaval de Salvador nesta sexta (5)
>>> A AUTOESTIMA DO SEU FILHO,
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Carles Camps Mundó e a poética da desolação
>>> A proposta libertária
>>> O regresso, a última viagem de Rimbaud
>>> E Foram Felizes Para Sempre
>>> O Olhar das Bruxas: Quatro Versões de 'Macbeth'
>>> Lira da resistência ao futebol gourmet
>>> Com quantos eventos literários se faz uma canoa?
>>> Terna e assustadora realidade
>>> De louco todos temos um pouco
>>> A coerência de Mauricio Macri
Colunistas
Últimos Posts
>>> Patuá em festa
>>> Literatura: direito humano
>>> Geraldo Rufino no #MitA
>>> Portal dos Livreiros: 6 meses!
>>> Ryley Walker
>>> Leia Mulheres - BH
>>> Adagio ma non troppo
>>> Psiu Poético 30 anos
>>> Uma cidade se inventa
>>> Vale a pena ver de novo
Últimos Posts
>>> Sem pesos na consciência
>>> Falando das flores
>>> O espelho
>>> O que a morte disse para Hércules?
>>> Uber confusão
>>> Na solidão dos objetos (Objetos)
>>> AÇÃO DE GRAÇA
>>> Metáfora em cedro
>>> Quimeras
>>> Em busca de extrema unção
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Rousseau e a Retórica Moderna
>>> Um defeito de cor, um acerto de contas
>>> Entrevista de Emprego
>>> Entrevista de Aniversário
>>> Memórias de Lorenzo da Ponte
>>> Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica
>>> A múmia de seios intumescidos
>>> Conceitos musicais: blues, fusion, jazz, soul, R&B
>>> Outsider: quem não se enquadra
>>> História de uma gata
Mais Recentes
>>> Morte em Pemberley
>>> Coleção A Ditadura - 4 volumes
>>> Bagagem perdida
>>> French Mapping Of The Americas - The De L' Isle, Buache, Dezauche Succession (1700-1830)
>>> Os redentores - Ideias e poder na América Latina
>>> Guia da medicina homeopática
>>> Pensar é transgredir
>>> O tempo é um rio que corre
>>> Pelas portas do coração
>>> Sementeira de Luz
>>> É tudo tão simples
>>> Mulheres audaciosas da Antiguidade
>>> As melhores histórias da mitologia - vol. 1
>>> Ghostlight - A Luz Espiritual
>>> Adeus Volodia
>>> A Viúva
>>> O Gato Brasileiro e Outros Contos Sensacionais
>>> O Segredo Mortal
>>> A Estátua de Mármore
>>> O Caminho de Volta
>>> As Possuídas
>>> Vernônia / Ironweed
>>> A Voz do Coração
>>> Não Mato por Prazer
>>> Caro Amor
>>> Mão de Chicote
>>> Um Ciclone na Jamaica
>>> A Pérola
>>> Horizonte Perdido
>>> Cartas do Pequeno Príncipe
>>> A Rua das Ilusões Perdidas
>>> A Mulher Pintada
>>> Amigas Íntimas
>>> Estas Fotos Foram Mandadas para Sua Esposa
>>> O Chefão Podearroz
>>> No País das Sombras Longas
>>> Ninja
>>> Arsenal de Família
>>> A Máquina do Amor
>>> Eterno Não É para Sempre
>>> KG 200 - o Esquadrão Fantasma
>>> A Vítima do Ano
>>> A História de Oliver
>>> O Fio da Navalha
>>> Yargo - uma História de Amor
>>> Rádio em Ação
>>> O real e o seu duplo
>>> Nunca vai embora
>>> Bahia de todos os santos
>>> A minha segunda guerra
COLUNAS

Terça-feira, 14/2/2012
A origem da dança
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 9200 Acessos

No palco, o bailarino estende seu braço para além de qualquer gesto identificado no hábito da vida comum. Ele busca expressar alguma coisa, não sabemos bem o que, algo subjetivo,comunicado pela forma com que seu corpo gira, extendendo-se em posições desnecessárias à existência comum: ele dança. Porque ele precisa dançar para nos levar para essa zona obscura da nossa vida: a sensibilidade?

De uma forma geral, diversos autores, entre eles Miriam G. Mendes, Eliana Caminada, Antonio Faro, Luis Elmerich, Dalal Achaar, atestam que a essência da dança do homem primitivo surgiu de uma necessidade emocional de se expressar, percebendo as forças da natureza, o seu poder misterioso e tendo a vontade de imitar essa força, de possuir essa força. A dança teria, então, um caráter mágico, estando ligada a rituais e cerimônias, aos desdobramentos dos poderes da natureza. Essa concepção a respeito da origem da dança descarta outros componentes que poderiam ser discutidos e que explicariam o sentido do dançar.

No Período Paleolítico, quando o homem primitivo fez pinturas de animais em cavernas como forma mágica de se preparar para possuir aquele animal que iria abater na caça, traria a dança em seu corpo como parte integrante desse ritual de emanação de seus poderes? Talvez esteja aí uma grande questão a ser discutida: como o homem chegou ao desenvolvimento desses movimentos e gestos para, então, se utilizar dessa memória corporal usando-a em rituais?

É evidente que há a questão do desenvolvimento físico, do homem se tornar um bípede e na busca por dominar seu corpo, que traz essa apreensão do desenvolvimento gestual como uma memória corporal que vai se formulando:

Podemos afirmar que na busca evolutiva de libertação do corpo, a dança se instala como culminância de um longo processo. Libertar o corpo e dominá-lo parece ser o destino inexorável do homem. A dança emerge como explicitação desta conquista humana.

Essa discussão acaba por esbarrar em questões levantadas por outros autores, como Miriam G. Mendes, Mônica Dantas, Susanne Langer, que perguntam: até que ponto todo movimento e gesto é considerado dança? Fica claro que não, nem todo gesto é dança, pois o fazer-se da dança é a imaginação, pois todo gesto e movimento para ser considerado dança deve ser imaginado.

O homem primitivo já não possuiria no desenrolar de seu desenvolvimento geral e em específico, no seu pensamento, seu processo criativo, o imaginário, para ter criado posteriormente essa noção de possuir os poderes do mágico?

Vários são os pensadores que se debruçaram sobre esta importante questã: afinal o que levaria o ser humano a criar um universo paralelo à sua própria vida e que denominaria ARTE? O que estaria na origem da criação de determinado gênero artístico (música, dança, literatura, pintura, etc) é tão específico em suas origens quanto nas explicações sobre elas.

O universo de explicações à pergunta "o que levou o homem a dançar?" é grande. Cada historiador da dança, cada esteta, cada dançarino que se queira também pensador da dança, emitiu o resultado de suas reflexões sobre o tema. Em geral tantos são os pensadores quanto diferentes são suas interpretações sobre o tema.

Desde a idéia de Susanne Langer, de que "os primeiros ingredientes da arte são geralmente formas acidentais encontradas no meio ambiente cultural, que exercem atração sobre a imaginação como elementos artísticos usáveis" , passando por Rudolf Laban que diz que o gesto (elemento básico da dança) se origina do sentimento real, onde "de um golpe, como relâmpago, o entendimento torna-se plástico" , até Curt Sachs que, no seu famoso livro A world history the dance, vê que "a dança dos homens é, em seu início, uma agradável reação motora em um padrão ritmico" , as interpretações fornecem amplo material para o debate.

Para que o debate seja implementado com coerência e que as diferenças sejam avaliadas claramente, faz-se necessário chegar-se a uma conclusão necessária sobre o que seja a dança, pois na raiz das interpretações sobre a origem da dança estão expostas também as definições do que seja a dança em si enquanto arte. Quando é que um movimento torna-se arte? São perguntas importantes, pois definem a arte da dança.

Seria a dança, então, como define Camila Wedgewood, na Enciclopédia Britânica, "um fenômeno rítmico de alguma ou todas as partes do corpo para expressar emoções e idéias, segundo um esquema individual ou coletivo?"

Suzanne Langer, no seu livro Sentimento e Forma, questiona esta relevância da função biológica da dança, antes dela ter adquirido o status de arte.

Curt Sachs, por sua vez, definiu a dança como um conjunto organizado de movimentos ritmados do corpo sem nenhum aspecto utilitário, isto é, sem servir para finalidades de trabalho. Considerou-a, também, uma arte básica e prioritária em relação a todas as outras expressões de criatividade humana porque o bailarino usa o próprio corpo para elaborar o produto de sua criação. "Nenhum elemento se interpõe entre o criador e a criação contidos numa só pessoa".

O mesmo Curt Sachs diz que é perdendo seu caráter pragmático, religioso, que a dança foi elevada ao status de drama, ou seja, quando sua estrutura voltou-se para o dramáticoela tornou-se uma preocupação do campo da arte.

Idéia que também pode ser questionada, pois a dança não perdeu absolutamente seu sentido mítico (de revelar modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas, segundo definição de Micea Eliade), agregando elementos rituais que expressam a existência de práticas da comunidade humana (casamento, trabalho, alimentação).

Povos primitivos, pelo que se pode ver através de estudos de antropólogos, arqueólogos e historiadores, procuravam expressar com o movimento e o gesto características rituais através de dramatizações dançantes, sendo esses movimentos comunicadores de seu sentido espiritual e social.

É nesse sentido que partem muitas explicações da origem da dança, cuja ênfase é cultural, ou seja, da dança como elemento organizador do trabalho e da comunidade humana.

Não resta dúvida de que a dança modificou-se, que seu sentido alterou-se dentro da história, mas a pergunta que nos ocupa aqui continua sendo relevante: afinal, o que levou o homem a criar movimentos sem fins utilitários, ou seja, simplesmente dançar?

Como em todas as artes, foi o desejo de se reinventar para além da sua existência puramente biológica, para além da simples organização prática da vida, em busca de uma transcendência que só a arte pode dar.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 14/2/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. No encalço do Natal de Elisa Andrade Buzzo
02. Man in the Arena 100 (e uma história do Gemp) de Julio Daio Borges
03. E não sobrou nenhum (o caso dos dez negrinhos) de Gian Danton
04. Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques de Jardel Dias Cavalcanti
05. Como Steve Jobs se tornou Steve Jobs de Julio Daio Borges


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2012
01. A morte de Sardanapalo de Delacroix - 31/7/2012
02. A origem da dança - 14/2/2012
03. Semana de 22 e Modernismo: um fracasso nacional - 6/3/2012
04. Roland Barthes e o prazer do texto - 21/8/2012
05. Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte II) - 31/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PRAGMATISMO
WILIAM JAMES- TEXTO INTEGRAL
MARTIN CLARET
(2005)



O ADVERSÁRIO
MAURÍCIO LIMEIRA
PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE
(2015)
+ frete grátis



DO SEXO À DIVINDADE- A RELIGIÃO E SEUS MISTÉRIOS
JORGE ADOUM
PENSAMENTO
(1997)
+ frete grátis



VIDA E SEXO
CHICO XAVIER E EMMANUEL *ESPÍRITO*
FEB FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
(2001)
+ frete grátis



ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL
CLAUDE LÉVI-STRAUSS
TEMPO BRASILEIRO
(1967)
+ frete grátis



INTRODUÇÃO À ENGENHARIA AMBIENTAL
DIVERSOS
PEARSON
(2003)
+ frete grátis



INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS
LUDWIG WITTGENSTEIN
ABRIL CULTURAL
(1979)
+ frete grátis



ONZE MINUTOS
PAULO COELHO
GOLD
(2012)
+ frete grátis



QUANDO SÓ DEUS É A RESPOSTA
MARCIO MENDES
CANÇÃO NOVA
(2013)
+ frete grátis



CAMPOS: REVISTA DE ANTROPOLOGIA SOCIAL. 08/01 2007
CIMÉA BARBATO BEVILAQUA ET ALII
UFPR
(2007)
+ frete grátis





busca | avançada
45452 visitas/dia
1,5 milhão/mês