As estrelas e os mitos | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
30598 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Ferreira Gullar reflete sobre a poesia no cotidiano em entrevista ao Estúdio Móvel
>>> Leda Nagle entrevista cantor Zeca Baleiro e ator Adriano Garib no Sem Censura
>>> Baile Tropical chega à 100a. edição com festa no Rio
>>> Editora do Brasil lança Série sobre Temas Polêmicos
>>> Leda Nagle bate-papo com Jorge Aragão e Rosamaria Murtinho no Sem Censura
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Pokémon Go, você foi pego
>>> Notas confessionais de um angustiado (IV)
>>> A Imagem do Som
>>> A noite do meu bem, de Ruy Castro
>>> Quando (não) li Ana Cristina César
>>> Elon Musk
>>> Tempos de Olivia, romance de Patricia Maês
>>> Eu blogo, tu blogas?
>>> A melhor Flip
>>> Brasil em Cannes
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lançamento e workshop em BH
>>> Reid Hoffman por Tim Ferriss
>>> Software Programs the World
>>> Daphne Koller do Coursera
>>> The Sharing Economy
>>> Kevin Kelly por Tim Ferriss
>>> Deepak Chopra Speaker Series
>>> Nick Denton sobre Peter Thiel
>>> Bill & Melinda Gates #Code2016
>>> Elon Musk Code Conference 2016
Últimos Posts
>>> *Sátiros e Ninfa*, etapas da criação
>>> Atrito amoroso
>>> Reverberações
>>> Preservativo para a inconveniência
>>> Se eterno fosse o amor
>>> A história da canção: entrevista Paulinho Moska
>>> O chato
>>> *Black flag*, etapas da criação em GIF
>>> Amor de A, a Z - Poema
>>> Filme: Um dia Perfeito - Fernando Léon Aranoa
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Para amar Agostinho
>>> Saudade...
>>> Emprego? Exercite o desapego
>>> Festival literário em BH
>>> Il duello
>>> Meu filho e minha mãe
>>> Entrevista com Ryoki Inoue
>>> Como escrever bem - parte 3
>>> Como Proust mudou minha vida
>>> Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada
Mais Recentes
>>> A pensão Eva
>>> Meditação
>>> Excursão a Tíndari
>>> Temporada de caça
>>> Medicina Indiana Ayurveda
>>> O ladrão de merendas
>>> A primeira investigação de Montalbano
>>> O medo de Montalbano
>>> A voz do violino
>>> Guinada na vida
>>> Um mês com Montalbano
>>> O Ano-Novo de Montalbano
>>> O cheiro da noite
>>> A lua de papel
>>> Água na boca
>>> A forma da água
>>> O cão de terracota
>>> A paciência da aranha
>>> O rei de Girgenti
>>> Os estupradores
>>> Tutancâmon biblioteca egito
>>> Egito mania volume 6
>>> English Plus
>>> O faraó Alado
>>> Brida
>>> O Espírito Santo Na Tradição Ortodoxa
>>> Eu sou a pirâmide
>>> Estas verdades poderão mudar sua vida
>>> Lua das Fadas
>>> Wicca coleção natureza mágica
>>> Wicca-coleção natureza mágica
>>> O livro da cigana encantada
>>> O livro encantado da cigana
>>> Magia Egípcia
>>> O encanto das Magias e Imantações Ciganas
>>> Antigo livro de São Marcos e São Manso
>>> Manual de Hoodoo,conjure e rootwork
>>> Guia para iniciantes Pilates
>>> O Poder dos Chakras
>>> DeRose - Light Exercises - A técnica corporal sem transpiração
>>> Técnicas de Relaxamento
>>> Massagem e Relaxamento
>>> Exercícios Práticos de Relax (Técnicas de Relaxamento)
>>> O Diafragma
>>> Os Músculos
>>> Respirar Bien para Vivir Mejor
>>> ABC de la Respiracion
>>> Alimentação que pode Prevenir e Curar Problemas Respiratórios
>>> Ciência Hindu-Yogue da Respiração
>>> Respiração
COLUNAS

Sexta-feira, 20/9/2002
As estrelas e os mitos
Gian Danton

+ de 7500 Acessos

Edgar Morin é, talvez, o mais importante filósofo vivo. Suas idéias influenciaram os mais diversos campos de saber, da metodologia científica à educação. Um reflexo de sua importância é o surgimento, em várias universidades, de núcleos de pensamento complexo, grupos que pretendem repensar a forma como vemos a ciência e educação. Mas Morin é também um apaixonado pela sétima arte e, como não poderia deixar de ser, dedicou um livro à sua paixão. A Estrelas - mito e sedução no cinema pretende analisar e compreender o fascínio que os grandes astros de Hollywood exercem sobre seu público.

Morin parte da idéia de que o cinema é o atual difusor de mitologias.

É muito comum ouvirmos pessoas que usam a palavra mito como sinônimo de algo irreal, falso: "Isso é mito, não aconteceu de verdade". Esse ponto de vista é equivocado. Os mitos são realidades psicológicas que vivem em nosso inconsciente coletivo. São como vírus de computador. Da mesma forma que um vírus precisa, para sobreviver, infectar outros computadores (através da internet ou de disquetes), os mitos precisam passar de uma pessoa para outra para continuarem existindo. Antigamente isso era feito através das narrativas orais. A tribo se reunia ao redor da fogueira e uma pessoa, geralmente um ancião, contava a história. Essa história apresentava ideais humanos de beleza, coragem, amizade, amor. Enquanto ouviam essas narrativas, os jovens entravam nelas e viviam como seus heróis. Ouvir histórias era como ter também um pouco das qualidades de seus ídolos. O desenvolvimento da sociedade de massa tornou esse tipo de encontro para contar histórias uma raridade. As pessoas simplesmente não tinham mais tempo para esse tipo de coisa. Os mitos, então, encontraram uma outra forma de se difundir: os meios de comunicação de massa. Hoje os mitos podem ser encontrados em filmes, novelas, histórias em quadrinhos e até na internet.

Morin vai se preocupar em analisar especificamente os mitos cinematográficos.

Ele percebe que ao redor das estrelas se instala um culto (como aliás, havia um culto aos deuses antigos. Hollywood é o novo Olimpo). O culto aos atores toma às vezes caráter de religião. Há papas (presidentes de fã-clubes) e até cerimônias em que os fiéis entram em estado de êxtase, como se estivessem de fato em um ambiente religioso (basta lembrar a reação histérica das meninas nos shows do Beatles).

Da mesma forma que fiéis faziam oferendas aos deuses antigos e, em troca, faziam pedidos, os fãs fazem as mais diversas ofertas e os mais diversos pedidos para seus ídolos. Morin assinala alguns pedidos mais curiosos: o papel usado para limpar o batom da estrela, pedaço de chiclete mastigado, ceroulas autografadas, guimbas de cigarro, um pedaço do rabo de cavalo e até um cheque em branco para fazer supermecado.

As oferendas são igualmente estranhas: onze páginas com I Love you escrito 825 vezes; uma pulga que reconhece o nome da estrela... no Brasil são famosas as calcinhas que a senhoras jogam no palco durante os shows do cantor Wando...

Os fãs fazem de seus ídolos a razão de viver e, muitas vezes, interferem até mesmo em seu cotidiano. Morin conta a história de um ator que não cortou o bigode por pressão das fãs.

Outros sabem tudo sobre seus ídolos. Há uma história curiosa sobre isso, protagonizada pelo ator William Shatner, o Capitão Kirk, do seriado Jornada nas Estrelas. Ele estava em um programa de auditório quando uma pessoa da platéia lhe perguntou quantas ovelhas havia em sua fazenda. Shatner respondeu, ao que o outro retrucou: "Mentira, nasceu uma hoje". Ou seja, o fã sabia mais sobre a vida de seu ídolo do que ele mesmo.

O roteirista britânico Alan Moore (autor das graphic novels Watchmen e V de Vingança) conta que certa vez recebeu um telefonema de uma amigo parabenizando-o pelo noivado da filha. A notícia já estava correndo a internet e a filha nem havia comunicado o noivado a Moore.

Também característico dessa situação são os fãs que não conseguem distinguir o ator do personagem. Essa situação pode ser tão sufocante que o ator Leonard Limoy chegou a publicar um livro, na década de 70, com o título Eu Não Sou Spock.

Mas qual é a origem psicológica dessa idolatria, às vezes doentia, aos mitos de cinema, TV e até do futebol?

Segundo Morin, a base está num processo de projeção-identificação. O fã se identifica com seu ídolo e, ao mesmo tempo, projeta nele seus desejos, o que ele gostaria de ter ou de ser.

Assim, uma pessoa de vida monótona se projeta em um personagem que vive em meio à ação e ao mistério. Uma pessoa recatada sexualmente se projeta em uma atriz de sexualidade exacerbada, como a Madona.

Na verdade, esse processo ocorre toda vez que assistimos a um filme. Nós escolhemos um personagem com o qual nos identificamos e "vivemos" com ele as situações ocorridas no filme. Quando ele corre perigo, nós corremos perigo junto com ele, quando ele ama, nós amamos junto com ele.

O ídolo é sempre um referencial para o seu fã. Ele se encontra acima dos mortais, em um Olimpo de beleza e perfeição.

Mas não basta a projeção. As estrelas precisam ser também um pouco humanas para que seu público possa se identificar com elas. O Super-homem é um belo exemplo disso. O herói era tão perfeito, tão olímpico, que era impossível se identificar com ele. Assim foi criado seu alter-ego, Clark Kent, um repórter tímido, que sempre é passado para trás por sua colega Lois Lane. Nós nos projetamos no Super-homem, mas nos identificamos com Clark Kent.

Segundo Edgar Morin, a Indústria Cultural se aproveita dessa necessidade do homem de se projetar em mitos e transforma isso em mercadoria. É a estrela-mercadoria.

A estrela vende tudo que tenha seu nome. A começar pelo próprio produto no qual ela está. Um filme com Tom Hanks é sucesso garantido de bilheteria. Uma novela com Tarcísio Meira é sucesso garantido.

Além disso, a estrela vende qualquer produto que se associe a ela. Adriane Galisteu vende sandálias, Pelé vende refrigerante, Xuxa vende batom. A figura da estrela agrega valor ao produto, pois, enquanto toma determinado refrigerante, o fã de futebol se identifica um pouco com Pelé.

Toda a estratégia de marketing das Havaianas tem como objetivo único convencer os consumidores que jovens atores globais usam essas sandálias.

Até a vida da estrela é um produto. Revista como Caras, Quem e Contigo não vendem nada além da vida da estrela. Através de revistas como essas o leitor se identifica um pouco com seu astro, pois ele bebe café como todos nós, mas o leitor também se projeta, afinal a estrela não toma um café qualquer, e sim um capucino de 20 dólares a xícara.

Claro que a estrela só interessa para a Indústria Cultural enquanto estiver dando lucro. Uma estrela que não faz mais sucesso, que não vende mais produtos, é uma estrela morta. Nesses casos, é melhor a morte física. Estrela que morreram jovens ou em situações trágicas viram mito puro e se eternizam, pois é possível projetar qualquer desejo ou qualquer história em uma estrela morta. Renato Russo e Raul Seixas vendem muito mais discos hoje do que quando estavam vivos. Nesse sentido tem toda razão quem diz que Elvis não morreu. Para a Indústria Cultural ele ainda está mais vivo do que nunca.

Para ir além

Livro de Morin é uma homenagem ao cinema



Gian Danton
Macapá, 20/9/2002


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2002
01. A Teoria Hipodérmica da Mídia - 19/7/2002
02. A teoria do caos - 22/11/2002
03. A maçã de Isaac Newton - 16/8/2002
04. Público, massa e multidão - 30/8/2002
05. Os 100 maiores cientistas - 29/11/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




MANUAL DE TERAPIA POR EXERCÍCIOS
M.DENA GARDINER
EDITORA SANTOS
(1990)



A SÉTIMA NOITE DE VERÃO
JANAINA TOKITAKA
ESCRITA FINA
(2010)



A ARTE DA GUERRA
SUN TZU- ADAPTAÇÃO E PREFÁCIO DE JAMES CLAVELL
RECORD
(1999)



EXCLUSIVA
ANNALENA MCAFEE
COMPANHIA DAS LETRAS
(2012)



O COMITÊ DA MORTE
NOAH GORDON
ROCCO
(1995)



ABADON O EXTERMINADOR
ERNESTO SÁBATO
FRANCISCO ALVES
(1981)
+ frete grátis



1356
BERNARD CORNWELL
RECORD
(2013)
+ frete grátis



DESEQUILÍBRIO CONSTANTE
JEFFERSON SILVA SANTOS
SER MAIS
+ frete grátis



DIÁLOGOS SOBRE A RELIGIÃO NATURAL
DAVID HUME
MARTINS FONTES
(1992)
+ frete grátis



ADFP: CEGUEIRA OU LUCIDEZ DO CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE?
VALÉRIA RIBAS DO NASCIMENTO
LTR
(2006)
+ frete grátis





busca | avançada
30598 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Cannot connect to POP3 server