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COLUNAS

Quarta-feira, 26/2/2003
Reinventado o download pago
Héber Sales

+ de 6800 Acessos
+ 1 Comentário(s)

As grandes gravadoras multinacionais estão aprendendo a duras penas que precisam cativar, e não apenas cercear, o mercado da música pirata online. No Brasil, ensaiam algumas iniciativas locais, todas muito tímidas, como revela um rápido inventário.

Para começar, o maior diretório brasileiro, o Yahoo, não lista nenhum serviço de download operado por grande gravadora multinacional. E não adianta buscar nos sites dessas empresas. Download por lá só se for de wall papers, screen savers, fotos, e-cards, etc. - memorabilia eletrônica... Sony e WEA vendem CDs, é bem verdade, mas apenas aqueles que os consumidores encontram nas lojas físicas.

Estratégias mais agressivas adotam algumas empresas nacionais. O Grupo Abril, que fracassou na sua incursão no mercado fonográfico tradicional, controla o bem sucedido Usina do Som, um serviço de streaming. Promovido como uma rádio web, o Usina do Som faz também comércio eletrônico. Em seu site, além de ouvir música de graça, a audiência pode comprar CDs dos catálogos das principais gravadoras. Mais ousada ainda é a aposta da Som Livre e da Trama: oferecem CDs personalizados, on demand, e download (pago) de músicas. Em ambos os casos, a tecnologia é do iMúsica, o maior empreendimento de distribuição de música digital brasileiro.

Graças a uma ampla rede de parceiros comerciais, entre eles, MSN, Americanas.com, a Saraiva.com e o Usina do Som, o iMúsica contabiliza até 500 mil usuários únicos por mês. Seu acervo é amplo, e inclui também gravações da BMG, EMI, Sony, da finada Abril Music, e mais uma porção de pequenas gravadoras brasileiras. As faixas para download são oferecidas no formato WMA (Windows Media Audio), uma tecnologia de compressão de áudio concorrente do MP3, que, ao contrário desta, permite o controle da cópia. Combinando-o com o sistema DRM (Digital Rights Management) da Microsoft e alguns softwares próprios, o iMúsica pode então exigir que o usuário licencie (leia-se: pague) a faixa baixada antes de executá-la. "Na hora que o usuário comprar a música, o nosso sistema puxa informações da sua máquina, e cria uma espécie de chave digital que só abrirá no computador do usuário. Não tem como outra pessoa pegar a mesma música", garante Cláudio Campos, vice-presidente da empresa.

Um balanço negativo
E quanto rende operação tão bem bolada? Bem, em 2003 o iMúsica planeja faturar cerca de R$ 3 milhões. Este valor, uma ninharia se comparado ao faturamento da indústria fonográfica no Brasil (R$ 1 bilhão em 2001), reflete bem a dimensão da internet como canal de distribuição de música no país: 2% das vendas totais do setor. Os números de 2002, quando fechados, não deverão ser muito diferentes. Caso as vendas pela internet mantenham-se no mesmo patamar de 2001, as gravadoras daqui podem se dar por satisfeitas. Nos EUA , as vendas de música online estão em queda acentuada e contínua. Mais precisamente: o faturamento caiu, respectivamente, 12%, 28% e 39% nos três primeiros quadrimestres de 2002 - o cálculo é sobre os montantes de 2001. Os dados são do instituto de pesquisas norte-americano ComScore Networks, que relaciona o fato ao crescimento acentuado dos serviços P2P durante o ano passado.

Reinventado o download pago
Esse fenômeno está levando alguns analistas a definir 2002 como o ano em que a música morreu. Descontando-se o exagero das manchetes, o mínimo que se pode dizer é que os serviços de download pago terão de se reinventar. Em meados do ano passado, Allan McGlade, presidente do MusicNet, joint venture dos poderosos AOL Time Warner, Betterlsmann AG (controlador da BMG) e EMI, declarou que o desafio seria oferecer um catálogo tão amplo quanto o das redes P2P e criar um serviço de maior qualidade, isto é, sem arquivos mal identificados, sem vírus e download otimizado. A receita de McGlade incluía ainda o serviço de gravação (ou 'queima') de CDs, algo que as gravadoras relutavam permitir até pouco tempo atrás, além de vários pacotes de preços - assinatura, taxa adicional para uso permanente da música, e pagamento por faixa para não assinantes.

Ao final do ano de 2002, o problema de acervo parecia resolvido. As cinco grandes gravadoras do mundo (as chamadas majors) entraram em acordo e passaram a oferecer o seu catálogo tanto no MusicNet quanto no Pressplay, serviço controlado pela Sony e pela Universal.

Soluções deste tipo seguem o grande princípio do marketing orientado ao homo economicus: aumentar o valor utilitário do produto, oferecer mais funcionalidade por um custo igual ou inferior. Mas será que a concorrência das ameaçadoras redes P2P se baseia apenas em valor econômico? Os fãs de MP3 trocam esses arquivos apenas porque é um negócio vantajosa não pagar por música? Sua motivação aqui é essencialmente poupar uns trocados?

Achados perturbadores
Se os internautas podem obter música de graça na internet, por que iriam continuar pagando por ela? Inicialmente essa pergunta não era levada muito a sério. A indústria nem sequer a considerava. Para as majors o download grátis de MP3 era o maior culpado pela queda nas vendas de CDs, e ponto.

Um estudo conduzido pelo Jupiter Media Matrix, porém, perturbou tal certeza ao indicar que usuários de programas P2P estariam comprando mais música do que a média dos fãs de música com acesso à internet. Segundo essa pesquisa, realizada em junho de 2001, 29% dos fãs de música online declararam ter mudado seus hábitos de consumo de música em função da internet. Desse universo, 19% reportaram aumentos nos gastos e 10%, redução. Surpreendentemente, era 41% mais provável que os usuários de P2P fossem contados no grupou que relatou aumento de gastos do que naquele que informou ter diminuído seus gastos. Foi revelado ainda que 34% dos usuários de P2P declararam que passaram a gastar mais com música depois que começaram a usar a internet para trocar arquivos de áudio, enquanto apenas 15% disseram estar gastando menos.

Motivações nada utilitárias
Tais achados sugerem que a música digital não seria um substituto perfeito das formas tradicionais. Para alguns, o caráter fetichista do original continuaria a existir para muitos consumidores, e as trocas de MP3 seriam apenas uma oportunidade para alguns deles reafirmarem sua identidade num espaço com regras diferentes daquelas do mundo real [1].

Neste sentido deve-se lembrar que ao ouvirem determinados tipos de música as pessoas indicam pertencer a certos grupos sociais, subculturas ou "tribos", o que lhes permite afirmar sua particular identidade [2].

O exercício é muito comum nos canais de bate papo do IRC. Basta que se junte a um canal abrangente como o #salvador (rede Brasnet) para observar tal fenômeno. Uma das mensagens mais comuns nesse tipo de canal é a que informa aos colegas que arquivo MP3 o indivíduo está escutando enquanto participa do bate papo. Essa informação é postada automaticamente através de um comando específico dos scripts para IRC, e não é interpretada como uma 'fala'. Para os membros do canal é como se eles estivessem 'escutando' o que o colega está ouvindo. Como na vida real, essa revelação é mote para uma série de interações interpessoais. O indivíduo tanto pode ser saudado por pares com gostos afins, como pode ser ridicularizado, ou até ofendido, por outras pessoas com preferências opostas. É porém nos canais IRC especializados em MP3 que o fenômeno torna-se mais patente. Os indivíduos que lá atuam usam várias ferramentas ao mesmo tempo, e, por meio delas, movem arquivos de um canto para outro no ciberespaço enquanto conversam (chat) com seus pares. A atividade deles é bem ordenada socialmente, com papéis, privilégios e obrigações claramente definidos, e, quando observada à luz do conhecimento corrente sobre ação social, ela revela pessoas construindo status num sistema social que lhes parece "como qualquer outra rede em que participam". A questão do direito autoral parece ser secundária para tais consumidores. "Eu compro CDs que eu quero escutar, mas baixo arquivos MP3 de músicas que eu penso não valer a pena comprar, ou que eu não consigo encontrar por um preço razoável" [3].

O que pensar disso?!

Que talvez esses indivíduos não estejam engajados na troca de música SÓ por uma razão utilitária; que comprar ou não um CD talvez seja para eles um problema de outra natureza, de uma outra dimensão, resolvido apenas parcialmente por meio de sua atuação como piratas de áudio.

Referências
[1] KASARAS, Kostas. Music in the age of free distribution: MP3 and society. First Monday, Chicago, volume 7, número 1, Jan. 2002.

[2] FOX, Mark. Technological and social drivers of change in the online music industry. FirstMonday, Chicago, volume 7, número 2, Feb. 2002.

[3] COOPER, Jon; HARRISON, Daniel M. The social organization of audio piracy on the internet. Media, Culture & Society, London, volume 23, p. 71-89, 2001.


Héber Sales
Salvador, 26/2/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Como os jornais vão se salvar de Luiz Rebinski Junior
02. Editar bem, com Matinas Suzuki Jr. de Tais Laporta


Mais Héber Sales
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/3/2003
19h09min
Eu sou prova do que a troca de músicas na internet provoca. Antes de começar a trocar músicas pela internet, eu tinha uns 20 cds, depois que eu tive a oportunidade de conhecer outras coisas através da internet minha coleção de cds teve um crescimento enorme, hoje, um ano depois, tenho mais de 100 cds...
[Leia outros Comentários de Gutemberg Motta]
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