Mário Faustino | Alessandro Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
79202 visitas/dia
2,3 milhões/mês
Mais Recentes
>>> 7ª edição do Fest Rio Judaico acontece no domingo (16 de junho)
>>> Instituto SYN realiza 4ª edição da campanha de arrecadação de agasalhos no RJ
>>> O futuro da inteligência artificial: romance do escritor paranaense Roger Dörl, radicado em Brasília
>>> Cursos de férias: São Paulo Escola De Dança abre inscrições para extensão cultural
>>> Doc 'Sin Embargo, uma Utopia' maestro Kleber Mazziero em Cuba
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jensen Huang, da Nvidia, na Computex
>>> André Barcinski no YouTube
>>> Inteligência Artificial Física
>>> Rodrigão Campos e a dura realidade do mercado
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
Últimos Posts
>>> O mais longo dos dias, 80 anos do Dia D
>>> Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
>>> O Cachorro e a maleta
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Bate-papo com Jeanette Rozsas
>>> Mais Kaizen
>>> O Cabotino reloaded
>>> Deleter
>>> O roteirista profissional: televisão e cinema
>>> Clínica de Guitarra de Brasil
>>> Vestibular, Dois Irmãos e Milton Hatoum
>>> Circo Roda Brasil
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> O corpo-reconstrução de Fernanda Magalhães
Mais Recentes
>>> Um Ano Para Enriquecer de Napoleon Hill pela Record (1998)
>>> Leituras De Escritor de Moacyr Scliar pela Sm (2015)
>>> Formaciones Económicas Precapitalistas de Carlos Marx pela Anteo (1973)
>>> A Revolução das Bonecas de José Carlos Oliveira pela Sabiá (1967)
>>> Por Que Ninguém Me Disse Isso Antes?: Ferramentas Para Enfrentar Os Altos E Baixos Da Vida de Julie Smith pela Mixfly (2022)
>>> O Positivismo Jurídico: Lições Da Filosofia Do Direito de Norberto Bobbio pela Icone (1995)
>>> O Falecido Mattia Pascal de Luigi Pirandello pela Civilização Brasileira (1971)
>>> Inovaçao: A Arte De Steve Jobs de Carmine Gallo pela Lua De Papel (2010)
>>> Illustrated Directory Of Guitars de Ray Bonds pela Barnes & Noble (2006)
>>> Dinamite Mental de Napoleon Hill pela Citadel
>>> Amar e Ser Amado de Pierre Weil - Roland Tompakow Ilustrações pela Civilização Brasileira (1965)
>>> Manual De Introdução Ao Estudo Do Direito de Rizzatto Nunes pela Saraiva (2009)
>>> Maneiras De Amar - Como A Ciencia Do Apego Adulto Pode Ajudar Voce A Encontrar ¿ E Manter ¿ O Amor de Amir Levine pela Sextante (2021)
>>> Guia Atemporal Das Noivas Com Estilo de Carol Hungria pela 3R Studio (2018)
>>> Os Cinco Príncípios Essenciais De Napoleon Hill de Napoleon Hill pela Citadel Press (2022)
>>> Os Dez Mandamentos Da Etica de Gabriel Chalita pela Nova Fronteira (2003)
>>> O Quarto Em Chamas de Michael Connelly pela Suma (2018)
>>> Dinamite Mental de Napoleon Hill pela Citadel
>>> Venda À Mente, Não Ao Cliente de Jurgen Klaric pela Planeta Estrategia (2017)
>>> Processo Decisório de Max H. Bazerman pela Elsevier (2004)
>>> O que é leitura de Maria helena martins pela Brasiliense (1982)
>>> Atriz de Mônica de castro pela Vida E Consciencia (2009)
>>> Trilhando a linha do tempo da reforma de Aecep pela Aecep
>>> Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens de Matias Aires pela Martins (1966)
>>> Infinitos de John Banville pela Nova Fronteira (2011)
COLUNAS

Segunda-feira, 16/6/2003
Mário Faustino
Alessandro Silva
+ de 4000 Acessos

Não é exagero o que vou dizer: dar um livro aos poemas do Mário Faustino é degradação moral.

Mas a Companhia das Letras publica; e sabe-se de que não é capaz um bom nome envolto em clorofórmio.

Durante a leitura de "Homem e Sua Hora" era como se uma chuva de granizo espocasse sem parar; também não há harmonia.

Mesmo relendo "O Homem e Sua Hora" não podemos ouvir a voz do autor. Cacoetes sim; desvios abruptos de pensamento para uma matéria poética cinzenta. Canhestramente, vozes mais antigas se metem na matéria: podemos sim ouvir algo dos versos de Rilke ou T.S. Eliot como traduzidos à época.

Faustino era um sujeito obcecado pela linguagem; deveria ter sido lingüista.

É uma necessidade que tem os faltos de talento explicarem-se o tempo todo.

Se a qualidade poética de uma obra segundo Paul Valèry deve ser medida pela distância que separa a intenção do projeto acabado, Mário Faustino foi convocado para a partida decisiva em caráter emergencial, entrou no segundo tempo faltando vinte minutos para o encerramento do jogo e saiu contundido antes do final.

Aliás, onde estão os personagens de Mário Faustino? Onde a eloqüência de seus objetos?

O talento natural é fascinante. Um desses garotos retardados de oitava série que se levasse um pouco a sério faria poesia de melhor qualidade que a de Mário Faustino.

Verbalismo é pouco para acusar algo que depois de duas horas de atenção dedicada não te deixa sequer uma imagem memorável. Tudo no livro é tão abstrato quanto agarrar nuvens. A propósito, será que é a coisas desse tipo que devemos aplicar o termo pós-moderno?

O desvelamento exigido para se ser autêntico passa longe do Faustino; nem sombra dos fantasmas que o assombravam; tudo muito bem mascarado e devidamente envernizado em suas reações. Exemplo? Vide o poema "Fidel, Fidel": uma vergonhosa espécie de ode tecida em honra ao coronel cujas palavras opacas caem-lhe como confetes estúpidos.

No caso de Faustino, é para se perguntar: será que a erudição emburrece?

Ele flertava com a poesia concreta. Em uma de suas cartas referiu-se a ela como "radical". Naturalmente aquilo que chamou de radical, os homens normais chamam de fraco ou de embróglio. Se uma poesia deve encantar por sua disposição gráfica no papel, então podemos nos apaixonar até por pneus!

Crime e castigo: lia Ezra Pound; queria encontar uma linguagem mais "direta"; tornou-se um metafísico.

É fácil compreender porque Mário Faustino tinha que respeitar seu lado funcionário, nunca dando o passo decisivo para se livrar do ranço burocrático que o envolvia ( enquanto teve condições para tal ): sem dúvida que sua sina era servir ao Estado.

Racionalizou tanto que fez poesia positivista!

Engraçado pensar que um homem que se considera poeta e crítico de poesia, e que tenha lido Baudelaire, Rimbaud, Yeats e T.S.Eliot tenha sido incapaz de nos deixar a descrição de uma simples faxineira.

Quanto a seu "Agon" em relação aos outros literatos consagrados, é uma pena, não passou de admiração servil. A admiração faz mal ao caráter: além de tornar estéril um artista.

Era tão os outros que nunca foi capaz de decantar a sua visão.

E as editoras ainda publicam nomes. Parecem-se até com clubes de futebol!

"Ora, interessa-me criar uma linguagem nova, mais eficaz que a atualmente em uso ( com raras exceções ), para usá-la no dramático, no épico e no lírico..."

Criou, caro Faustino, criou: uma torre de palavras soltas sem argamassa.

Pior que o poeta Mário Faustino só a pintora Frida Kahlo.

E durante um tempo deu as cartas como editor do suplemento de cultura do Jornal do Brasil lá pelos 1950. Não ousou publicar ali seus poemas. Sustenta-se que não fazia parte de seu código de ética; sustentamos que fazia parte de seu bom senso: afinal, até hoje sua obra está "aberta".

Tinha meios para sustentar-se enquanto artista: fracassou. Houvesse lhe faltado tempo, obrigando-se a escrever no banheiro de uma fábrica, então teria criado obra de valor, pois teria sempre em mente a brevidade e a simplicidade. Abençoado seja o infortúnio!

Poesia-experiência... oficina de poesia... menstruação verbal...

Que Deus o tenha, Mário Faustino, porque o inferno é grato aos poetas.

Para ir além





Alessandro Silva
São Paulo, 16/6/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Isto é para quando você vier de Renato Alessandro dos Santos
02. Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - I de Cassionei Niches Petry
03. Precisamos falar sobre Kevin de Renato Alessandro dos Santos
04. O dia que nada prometia de Luís Fernando Amâncio
05. Isto não é um trote de Marta Barcellos


Mais Alessandro Silva
Mais Acessadas de Alessandro Silva em 2003
01. O Apanhador no Campo de Centeio - 23/4/2003
02. O Príncipe Maquiavel - 7/2/2003
03. A bunda do Gerald Thomas - 3/9/2003
04. Até tu, Raquel! - 12/11/2003
05. O Telhado de Vidro - 9/7/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Nirvana
George S. Arundale
Pensamento
(1993)



A procura do feminino
Marisa Sanabria
Idéias & Letras
(2005)



A Iara em Os seixos encantados 583
Jorge Saad
Ftd
(1997)



Direito de Familia - Vol 2
Carlos Roberto Gonçalves
Saraiva
(2003)



Pedagogia Científica
Maria Montessori
Flamboyant
(1965)



Era Clássica
A. Soares Amora
Bertrand Brasil
(2001)



Portugal A Missão que Falta Cumprir
Eduardo Amarante
Nova Acrópole
(1994)



Livro Esoterismo O Caminho da Energia domine a arte chinesa da força interior com exercícios de Chi Kung
Mestre Lam Kam Chuen
Manole
(1991)



Mc Fly Unsaid Things... Nossa Historia
Tom Fletcher / Danny Jones / Harry Judd / Dougie P
Best Seller
(2013)



Pensar Sobre a Alimentação á Base de Carne e a Paz Mundial II
Seicho no Ie
Seicho no Ie





busca | avançada
79202 visitas/dia
2,3 milhões/mês