8 de março: não aos tapas, sim aos beijos | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
70522 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Shopping Granja Vianna de portas abertas
>>> Teatro do Incêndio lança Ave, Bixiga! com chamamento público para grupos artistas e crianças
>>> Amantes do vinho celebram o Dia Mundial do Malbec
>>> Guerreiros e Guerreiras do Mundo pelas histórias narradas por Daniela Landin
>>> Conheça Incêndio no Museu. Nova obra infantil da autora Isa Colli fala sobre união e resgate cultura
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
>>> Curtíssimas: mostra virtual estreia sexta, 16.
>>> Estreia: Geração# terá sessões virtuais gratuitas
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
>>> O zunido
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> Hells Angels
>>> Entre criaturas, amar?
>>> Chris Hedges não acredita nos ateus
>>> Semana de 22 e Modernismo: um fracasso nacional
>>> O cérebro criativo
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
>>> Da Teoria para a Práxis
>>> Quem ri por último, ri melhor?
>>> A princesa insípida e o caçador
Mais Recentes
>>> Dominando 3Ds Max 6 de Ted Boardman pela Ciencia Moderna (2004)
>>> Smashing Jquery de Jake Rutter pela Bookman (2012)
>>> Photoshop - Photoshop Para Quem Nao Sabe Nada De Photoshop Vol. 2 de Paula Budris pela Atica (2021)
>>> Vinte Anos e Um Dia de Jorge Semprún pela Companhia das Letras (2004)
>>> O longo amanhecer: reflexões sobre a formação do Brasil de Celso Furtado pela Paz e Terra (1999)
>>> O homem, que é ele? de Battista Mondin pela Paulus (2011)
>>> O Anjo Digital de Joubert Raphaelian pela Mensagem para todos (2004)
>>> Pânico no Pacífico de Pronto pela Autêntica (2014)
>>> História & Fotografia de Maria Eliza Linhares Borges pela Autêntica (2007)
>>> Alfabetizar Letrando na Eja de Telma Ferraz Leal, Artur Gomes de Morais pela Autêntica (2010)
>>> Cronistas Em Viagem e Educação Indígena de Nietta Lindenberg Monte pela Autêntica (2008)
>>> Mil Coisas Podem Acontecer de Jacobo Fernández Serrano pela Autêntica (2012)
>>> Passageiro Clandestino de Leonor Xavier pela Autêntica (2015)
>>> Rua do Odéon de Adrienne Monnier pela Autêntica (2017)
>>> Zz7--48--o ultimo tentaculo-2--394--perto da babilonia--11--os carrascos do vietna--162--operaçao impacto. de Lou carrigan pela Monterrey
>>> Para Todos os Amores Errados de Clarissa Corrêa pela Gutenberg (2012)
>>> A relíquia de Eça de Queirós pela Principis (2019)
>>> Antologia poetica de fernando pessoa de Walmir ayala pela Ediouro
>>> Sermões de Padre Antônio Vieira pela Principis (2019)
>>> Minha Paris de Gail Scott pela Autêntica (2014)
>>> Uma longa Jornada de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2013)
>>> O Ciclista de Walter Moreira Santos pela Autêntica (2008)
>>> Dark Eden de Patrick Carman pela Gutenberg (2012)
>>> A primeira vista de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> Querido John - de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2010)
COLUNAS

Quinta-feira, 10/3/2005
8 de março: não aos tapas, sim aos beijos
Adriana Baggio

+ de 3000 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Na terça-feira, quando cheguei ao trabalho, só havia um colega na sala. Ele me abraçou, deu parabéns e desejou um feliz Dia da Mulher. Depois, talvez com medo da minha reação, comentou que algumas pessoas não gostam de comemorar essa data. As feministas mais arraigadas sentem-se ofendidas e consideram o dia 8 de março um dos sintomas do preconceito e da segregação entre homens e mulheres.

Tranquilizei meu colega agradecendo o gesto. Eu gosto de comemorar e fico feliz que existam homens gentis e delicados que lembram disso e que dão parabéns às suas esposas, namoradas, familiares e colegas de trabalho. Assim como também aprecio um homem que abre a porta do carro, puxa uma cadeira no restaurante e deixa você entrar ou sair primeiro do elevador. Mas existem mulheres que não gostam disso.

A razão para muitas delas é o desejo de tentar ser coerente com as reivindicações de igualdade entre homens e mulheres. Assim, se queremos ter direito de fazer tudo que os homens fazem, devemos aceitar o pacote de deveres também. Nessa ótica, não tem por que os homens fazerem pela gente algo que não faríamos por eles.

O grande problema dessa linha de pensamento é confundir igualdade de sexo com igualdade de gênero. Sexo é biológico, gênero é social. O que as mulheres devem exigir (e trabalhar para obter) é que não haja diferenças sociais entre nós e eles. Estou muito satisfeita em ser biologicamente mulher e não gostaria de ser homem, mesmo tendo que me submeter a rituais bárbaros como manicure, pedicure e depilação. No entanto, socialmente, não acho justo ter um salário menor que um homem quando estamos nas mesmas condições profissionais, apenas por ser biologicamente mulher.

Quando as mulheres colocam o foco no que realmente precisa ser feito, aspectos como as atitudes cavalheirescas dos homens deixam de representar um anacronismo para adquirirem o sentido que realmente têm: o de gentilezas que as pessoas fazem umas pelas outras, às vezes sem se conhecerem, e que com certeza tornam o mundo muito mais civilizado.

Ao dirigir o foco da igualdade para o que realmente interessa, estaremos falando de coisas muito mais importantes e sérias, pelas quais vale a pena se indignar: diferenças salariais, violência doméstica, direito a decidir o que fazer com o próprio corpo. Por isso, antes de achar que comemorar o Dia da Mulher é assumir uma segregação, é preciso lembrar da origem dessa data e do seu significado para a luta por condições melhores para as mulheres.

Ao contrário do Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados, o Dia da Mulher não é uma data comercial, criada para aquecer a economia em épocas de vendas baixas. A data foi escolhida porque em um 8 de março do século XIX, mais de 100 mulheres morreram em um incêndio na fábrica onde trabalhavam. Elas estavam em greve e reivindicavam salários iguais aos dos homens e diminuição na carga de trabalho de 16 horas diárias.

Ataualmente, não se prende mais grevistas nas fábricas para atear fogo nelas, mas o problema dos salários continuam. Assim como o da violência doméstica. Mesmo que hoje as mulheres estudem, trabalhem e até votem, em casa ainda são submetidas a tratamentos típicos de eras menos civilizadas. E o pior é que esse assunto ainda é tabu. As pessoas não gostam de falar nem de saber disso. Parece algo que acontece somente em barracos de favelas e entre homens bêbados e mulheres que gostam de apanhar. Mas pode estar ocorrendo na casa da mulher que está ao seu lado no trabalho, no shopping, no restaurante, na boate.

Mesmo que hoje esse assunto tenha muito mais visibilidade, as estatísticas mostram que é apenas a ponta de um enorme iceberg. Os motivos para que a maioria dos casos não seja conhecida são muitos: medo (de sofrer mais agressões, de não ter para onde ir), vergonha (da família, que muitas vezes protege o agressor, dos colegas de trabalho, dos amigos), certeza da impunidade. Quando a vítima depende do agressor e não tem meios de mudar essa situação, quando a sociedade e a família não apoiam a mulher agredida e quando a justiça raramente pune (e quando o faz, sua mão é tão leve que não intimida ninguém), estamos falando de uma violência institucionalizada. Ela pode até ser combatida no discurso, mas, na prática, encontra um ambiente fértil para continuar existindo.

De todos os problemas que as mulheres enfrentam hoje, acho que esse é o mais grave, por atingir o que as pessoas têm de mais precioso: a dignidade. Além do mais, é algo que acontece no âmbito das relações afetivas e familiares. Salários desiguais e direito ao aborto são questões de uma amplitude maior, da esfera social. Mas a violência doméstica acontece entre pessoas que, teoricamente, têm laços de amor mais profundos entre si do que com qualquer outra. Esse é o grande paradoxo.

Por tudo isso, acredito que o Dia da Mulher é uma excelente oportunidade para questionar essas situações e cobrar atitudes do governo e da sociedade que ajudem a mudar a realidade. O que não impede, também, que se comemore a data com leveza e alegria, aproveitando para dar e receber carinho. O parabéns de um homem pelo Dia Internacional da Mulher não precisa ser rechaçado como hipocrisia. Vamos manter foco: curtir o que é bom e questionar o que realmente está errado e precisa ser modificado.


Adriana Baggio
Curitiba, 10/3/2005


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2005
01. Traficante, sim. Bandido, não. - 16/6/2005
02. Por que eu não escrevo testimonials no Orkut - 6/10/2005
03. A importância do nome das coisas - 5/5/2005
04. O erótico e o pornográfico - 20/10/2005
05. É preciso aprender a ser mulher - 4/8/2005


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/3/2005
10h56min
Cara Adriana: apreciei seu texto e gostaria apenas de comentar que o dia 8 de março é uma oportunidade de reflexão também sobre as conquistas femininas. O órgão público para o qual trabalho está sendo administrado por uma mulher, uma juíza, que está sucedendo outra mulher, cuja gestão foi plena de realizações, entre elas a inauguração do Fórum Trabalhista. Minha esposa é médica, mantendo uma clínica sempre cheia de pacientes, muito bem atendidas. Minha filha, aos dezesseis anos, é estagiária e estudante. Há poucas décadas, as mulheres sequer votavam. Eu tenho muito orgulho dessas mulheres que me cercam e de suas conquistas. Para todas as questões há sempre dois lados, como uma moeda. Eu prefiro ser otimista e citar as coisas boas que estão sendo feitas por vocês, mulheres maravilhosas, verdadeiros exemplos e real significado de nossas vidas.
[Leia outros Comentários de Marcelo Zanzotti]
10/3/2005
16h27min
Cara Adriana, poderia iniciar meu texto citando o feito de: Melanie Klein, Hannah Arendt, Simone Weil, Golda Meier, Margareth Thatcher, Susan Sotang entre outras. Há mulheres independentes(sic) que subjugam mulheres semi-escravas: babás, faxineiras, empregadas domésticas. Quanto ao comércio, sugiro que confira, evidentemente, para uma determinada classe, o faturamento de lojas: de flores, jóias e perfurmes. Mas, aproveito o espaço para dar destaque a uma mulher que fez história e que contribui, em muito, com a leitura do que ocorre hoje. Seu nome - Rosa Luxemburgo e sua célebre frase "Socialismo ou barbárie". Acredito que devamos deixar a formação biológica de lado, afinal já é possível escolher se a sociedade deseja que nasça homem ou mulher. Devemos estar atentos para os rios de sangue que o tal do "pensamento único" produz nas palavras de Luxemburgo as classes dominantes ou o neoliberalismo "derramam... rios de sangue, todas elas marcham sobre cadáveres, assassínios e incêndios, instigam guerras civis e traição, a fim de defender os seus pivilégios e o seu poder (...) cidades tornadas ruínas, dos países transformados em desertos, das aldeias que viraram cemitérios, de nações inteiras que se tornaram mendingas." Recentemente, no Cairo, Amr Moussa dirigente da Liga Árabe afirmou sobre a guerra do Iraque "os portões do inferno estão abertos no Iraque". E com o diabo (sic) solto o que vivemos é a mais terrível das barbáries, com homens, mulheres e crianças subjugados. Como não creio nos homens e nas suas instituições e não creio em mim só me resta a devassidão.
[Leia outros Comentários de luiz fernando c. da ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Moctezuma: El Semidios Destronado
Jose Miguel Carrillo de Albornoz
Espasa Calpe Mexicana
(2004)



1ª Macli – Mostra de Arte Contemporânea Em Literatura Infantil
Favish Tubenchlak e Outros
Caixa Cultural



La Seduction
Elaine Sciolino
Beatiful
(2011)



Sociologia e Sociologia do Direito
Domício P. Mattos
Do Autor



A Fé Como Reinterpretação Crer - Amar - Louvar
Anselm Grun
Loyola
(2008)



Situation Awareness Analysis and Measurement
Daniel J. Garland
Taylor & Francis Pod
(2000)



Rumo à Liberdade (autografado)
Giselda Laporta Nicolelis
Moderna
(1991)



Escola Meu Mundo Adorável
Yoyo
Yoyo



Lágrimas de um Louco
Agnaldo Cardoso
Mundo Maior
(2005)



Enigma do Quatro
Ian Caldwell e Dustin Thomason
Planeta do Brasil
(2005)





busca | avançada
70522 visitas/dia
2,6 milhões/mês