Símbolos e Identidade Nacional | Daniel Aurelio | Digestivo Cultural

busca | avançada
24629 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Red Bull Station estreia exposições de letrista e de coletivo feminino em julho
>>> Alaíde Costa e Toninho Horta mostram CD em parceria na CAIXA Cultural São Paulo
>>> O Julgamento Secreto de Joana D'Arc com Silmara Deon estreia no Teatro Oficina
>>> Novo app conecta, de graça, clientes a profissionais e prestadores de serviço
>>> Inauguração da Spazeo com show do Circuladô de Fulô - 28/07
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
>>> O Brasil que eu quero
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Tempo & Espaço
>>> Mão única
>>> A passos de peregrinos ll
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES IV
>>> Shomin-Geki, vidas comuns no cinema japonês
>>> Con(fusões)
>>> A passos de peregrinos l
>>> Ocaso
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES I
>>> Sob o mesmo teto
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Raio-X do imperialismo
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> O Brasil que eu quero
>>> Pensar sem memória
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> O Digestivo e o texto do Francisco Escorsim
>>> Restos, por Mário Araújo
>>> A maçã de Isaac Newton
>>> O que é um livro?
>>> Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar
Mais Recentes
>>> Despedindo-se da Terra
>>> Despertar para a vida
>>> É preciso Algo Mais
>>> Marcas da Vida
>>> Novamente Juntos
>>> Reviver por Amor
>>> Vivendo no Mundo dos Espíritos
>>> Estatística Indutiva: Teoria e Aplicação
>>> Macro e Micro Cosmos: Visão Filosófica do Taoísmo e Conceitos de Medicina Tradicional Chinesa
>>> Inside Out - Student's Book - Intermediate
>>> Inside Out - Workbook - Intermediate
>>> Le Français Est À La Mode
>>> A Cabana
>>> O vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos
>>> Marketing de Ação
>>> Na Moda
>>> Comunicação Organizacional - Gestão de Relações Públicas
>>> As mentiras que os homens contam
>>> Seja líder de si mesmo
>>> Superdicas para Falar bem em conversas e apresentações
>>> Manual de Umbanda para Chefes de Terreiros
>>> As Cartas do Caminho Sagrado - Sem as Cartas
>>> Saravá Seu Tranca Ruas
>>> Saravá Oxóce
>>> A Face Oculta da Mente - 25ª Edição
>>> As Fôrças Físicas da Mente - Tomo 2
>>> A Identidade Bourne
>>> A Missão 60 - Memórias de Um Pilôto de Guerra Brasileiro
>>> Problemas de Aprendizagem
>>> Eu Nas Entrelinhas - Extratos e Retratos de Minha Vida
>>> Os Mais Extraordinários Contos de Suspense
>>> Subsidios Para Uma Reformulação Política
>>> Pequenas Histórias, Grandes Lições - Volume 2
>>> Pequenas Histórias, Grandes Lições - Volume 1
>>> A Canção do Arrozal em Flor - Romance
>>> Tancredo Neves A Realidade e o Mito - Estudo de Sociologia Política
>>> Os Donos do Poder - Formação do Patronato Político Brasileiro - Vol. 1
>>> O Espelho Mágico - Um Fenômeno Social Chamado Corpo e Alma
>>> Ciência do Comportamento na Indústria - 1977
>>> Diálogo com a América Latina: Panorama de Uma Literatura...
>>> Parlamentarismo, Sim!
>>> Por Que Cuba?
>>> Todo Poder Às Mulheres - Esperança de Equilíbrio Para O Mundo
>>> Brasil: Crise e Alternativa - Autografado por Lula
>>> Dicionário das loucuras de amor
>>> Novas Bases da Biologia - Das Moléculas às Populações
>>> São Cipriano - O Bruxo - Capa de Aço
>>> O espaço geográfico geografia geral e do Brasil
>>> O Poder Espiritual da Enegia Sexual
>>> Misticismo e Novas Religiões
COLUNAS

Quarta-feira, 12/3/2003
Símbolos e Identidade Nacional
Daniel Aurelio

+ de 6300 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Certo diário impresso paulista, que outrora fora a síntese de um jornalismo rápido, simplificado e eficiente, e hoje repousa chapa-branca e oco, estampou uma notinha que me fez coçar os neurônios na manhã de domingo carnavalesco.

Um deputado estadual decidiu propor uma lei que obriga o cântico do Hino Nacional nas escolas públicas de São Paulo, hábito que subitamente rememora os tempos de chumbo e opressão da ditadura militar. Claro que figuras de proa do nacionalismo e da moral conservadora se posicionarão favoráveis e haverão de ter sua lógica, aliás tão coerente historicamente quanto o repúdio dos ativistas de esquerda e demais libertários, que certamente não deixarão a pretensa resolução impune.

Nesta batalha bipolar, sobra para quem se interessa por símbolos e identidade, que em geral ficam atordoados e ilhados entre duas certezas insoluveis.

No princípio, a única verdade social verificável era o caos. O conceito de família, célula fundamental da constituição orgânica nacional, não ficava claro, e só quando o incesto tornou-se um insulto à doutrina cristã é que as coisas se alocaram. E a cidade nada mais é senão um conglomerado de famílias sólidas (ver "Política", Aristóteles). Parentesco direto definido e agregado à divisão do trabalho (este outro vetor importante), sociedade posta. Paulatinamente, os Estados foram sendo forjados, ainda de modo tímido, como organizações relativamente pequenas e que pouco interagiam. Somente com as sucessivas revoluções (Industrial e Francesa) é que se pode pensar o ideal de "Estado-Nação", cujo mote seria o apelo unitário em prol do desenvolvimento, que no final das contas, (definiria assim sua matriz retórica) seria interessante para todos os conterrâneos. Alemanha e Inglaterra rapidamente se armaram industrialmente e a França celebrou sua vanguarda política e social. Os EUA, personificação contemporânea desta tese, corria em velocidade constante por fora. Não tardou para que fossem cercadas as divisas, fincado os pendões, criado hinos de exaltação ao orgulho de pertencimento. Padrões universais do conceito de Nação, que remetem respectivamente à idéia egoísta de definir claramente o meu (ou nosso) e o seu (ou o de vocês), ou seja, propriedade privada, e aos nossos sentidos sensoriais de imagem e audição. Nada encanta mais o humano que observar algo que o faça sentir forte, ou uma canção que o identifique com um determinado grupo. Dá-se a isso, pela antropologia,o nome de memória arcaica.

Tanto que, mesmo quem condena gestos excessivamente separatistas, sabe o quando é duro ficar incólume e crítico durante os noventa minutos de um final esportiva em que o Brasil esteja presente.

Fui educado a respeitar a simbologia nacional, representações máximas de minha brasilidade, e é complicado desconstruir essas projeções (estudei meu primário de 1985 até 90, e havia resquícios moribundos da ditadura no seio docente). Procuro lembrar que o alicerce de Hitler eram as maquinações de seu ministro da propaganda (!), Goebbels, hábil manipulador das cores e símbolos germânicos em usufruto da pretensa soberania ariana e que as primeiras providências tomadas pelo império socialista da URSS foram institucionalizar a cor vermelha, a foice e o martelo ("trabalhadores do campo e proletários, uni-vos!" Eis a mensagem a ser captada). A expansão passa necessariamente pela sacralização de ícones. Assim como mitificamos, com extraordinária freqüência, um cidadão-simbolo, nosso grande timoneiro da esperança, que por séculos se apresenta nas mais variadas facetas. Mas sempre com o mesmo potencial carismático.

Os EUA, mestres modernos da dialética dos sentidos patrióticos, são o que são por manterem, sob qualquer adversidade, a premissa da liberdade, democracia e servidão à Deus, a tríade que sustenta sua expansão via artéria dos demais países. Hoje não é mais necessário anexar outros Estados e lavrá-los em cartório; mesmo à distância, com a desfaçatez de paizão metido a moderninho, eles fazem o estrago. E, devemos admitir, é por isso que são saudados como uma potência política, militar, econômica, esportiva e cultural por décadas. O emblema de uma Grande Nação (Estado-Nação e Imperialismo, por definição, confundem-se pelas águas turvas da história).

Aí que mora o perigo: que será que queremos? Ser uma vanguarda mundial, um gigante estruturado nos mesmos moldes norte-americanos? Se sim, devemos realmente nos submeter a lavagem cerebral da identidade, levar a sério em cada gesto o espírito unívoco de um povo, e cantar com lágrimas nos olhos, desde moleque, a comovente melodia brasileira. É lastimável, mas instituições fortes geram Nações fortes; ou será que preferimos viver num planeta só, múltiplo, sem dogmas ou menções de caráter privado, onde a paz possa ser possível numa estupenda e iconoclasta orgia anarquista? Dispensaríamos certas ferramentas constrangedoras, seríamos livres de fato, porém será essa idéia viável no plano da práxis ou mera peça de ficção decalcada do espírito rebelde?

Certo mesmo é que manifestações tribais ou globais não podem jamais serem impostas, pois haverão de causar insurreições por parte de certas facções em seu próprio ventre, e apatia resignada e mortificada de outros. Vários dos famosos artigos federalistas de Hamilton e Madison (base da constituição americana) debruçam-se sobre esta incandescente relação.

É até razoável que o nobre deputado creia nisso e não esteja de todo equivocado (por todas as razões acima abordadas); a obrigatoriedade de um gesto estranho ao jovem brasileiro deste século é que me parece uma bobagem. Tanto pela via utópica-humanista, quanto pela sagacidade prática da política.


Daniel Aurelio
São Paulo, 12/3/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Brochadas, romance inquietante de Jacques Fux de Jardel Dias Cavalcanti
02. Silêncio de Ricardo de Mattos
03. Getúlio Vargas e sua nova biografia de Eugenia Zerbini
04. Por uma arquitetura melhor de Eduardo Carvalho
05. Digestivo Cultural, há dez anos combatendo Cebolas de Guilherme Pontes Coelho


Mais Daniel Aurelio
Mais Acessadas de Daniel Aurelio em 2003
01. Canto Infantil Nº 2: A Hora do Amor - 7/11/2003
02. Canto Infantil Nº 1: É Proibido Miar - 26/9/2003
03. O Sociólogo Machado de Assis - 5/9/2003
04. O Calígrafo de Voltaire - 13/6/2003
05. Elogio Discreto: Lorena Calábria e Roland Barthes - 19/12/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/6/2010
10h57min
"É preciso deixar a deletéria psicose de subversão!", disse um general em 1978, do Regime Militar. Havia a psicose coletiva de que em tudo e todos eram subversivos. A cor vermelha, uma foice, um martelo, os rapazes cabeludos, as moças de minissaias, as letras das canções dos festivais, a dramaturgia do teatro, TV e cinemas, tudo era subversivo, um perigo marxista-lenilista. Então, para contrapor-se à subversão, exageraram e se apropriaram (indevidamente) dos símbolos nacionais. A longo prazo, o estrago foi o povo associar os nossos símbolos ao "antigo regime". A sonora chamada de meu celular é o Hino Nacional Brasileiro. Meu filho de sete anos já o reconhece e canta e já sabe que não precisa escutá-lo apenas, antes dos jogos da seleção brasileira de futebol e nas olimpíadas. É preciso acabar com esta deletéria psicose de subversão. Sugiro trocar o velho dístico positivista da bandeira nacional "Ordem e Progresso" por "Água e Esgoto", de que tanto o Brasil precisa (47% da população).
[Leia outros Comentários de Paulo Pereira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ALÉM DA MATERNIDADE
JEANNE SAFER
MANDARIM
(1997)
R$ 35,00



TUBERCULOSE E LITERATURA - NOTAS DE PESQUISA - 2ª ED. REVISTA E AUMENTADA
TULO HOSTILIO MONTENEGRO
A CASA DO LIVRO
(1971)
R$ 40,00



A TÉCNICA DE ESTUDAR- UMA INTRODUÇÃO ÀS TÉCNICAS DE APRIMORAMENTO DO ESTUDO
MARCO AURÉLIO DE P. RIBEIRO
VOZES
(2012)
R$ 14,90



MAO TSÉ TUNG E A HISTÓRIA DO POVO CHINÊS - VOL. 6
METZNER LEONE
AMIGOS DO LIVRO EDITORES
R$ 25,00



PROPOS SUR L' ÉDUCATION
ALAIN
PRESSES UNIVERSITAIRES DE FRANCE
(1972)
R$ 33,00



FEITO HOMEM
NORAH VINCENT
PLANETA
(2006)
R$ 19,10



SEM NUNCA DIZER ADEUS
PEDRO SANTIAGO, DITADO PELO ESPÍRITO DIZZI AKIBAH
EME
(2006)
R$ 25,00



MEU EGO
JOSÉ TIBÚRCIO DE SÁ FREIRE
ARTPRESS
(2010)
R$ 8,00



DO AMOR HUMANO ( IN DEFENSE OF PURITY)
DIETRICH VON HILDEBRAND
ESDEVA
(1993)
R$ 19,99



BUDAPESTE
CHICO BUARQUE - 2ª EDIÇÃO
CIA. DAS LETRAS
(2003)
R$ 15,00





busca | avançada
24629 visitas/dia
1,1 milhão/mês