O silêncio e a palavra | Lucas Rodrigues Pires | Digestivo Cultural

busca | avançada
45185 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quinta-feira, 3/7/2003
O silêncio e a palavra
Lucas Rodrigues Pires

+ de 6500 Acessos

O silêncio

Quando lançado há quase dois meses, o que muito se falou de Nelson Freire, o documentário de João Moreira Salles sobre o renomado pianista, foi sobre os seus "silêncios", os momentos em que a câmera se voltava a ele e ele, timidamente, pouco falava ou nada dizia. Sim, a música fala pela pessoa do artista, como o poeta se expressa pelos seus versos. Errado. O artista Nelson Freire está mais para o fotógrafo, que capta uma imagem de uma paisagem/cenário e passa sua visão daquilo. Músico e não compositor, o que o pianista faz é justamente recriar a arte feita por outrem, colocando nela um pouco de si.

O documentário investiga não só o artista como a pessoa atrás do artista, o ser humano. Em pequenos episódios, que retratam momentos deslumbrantes, Salles encontra a fragilidade humana que os olhos nus não podem enxergar atrás da roupa com cauda daquele homem de estatura baixa e barba branca, que em sua casa brinca com sua cadela e se diverte assistindo aos musicais dos anos 40 e 50. Os silêncios de Freire decorrem exatamente da fragilidade que exala o ser humano, e mesmo sua genialidade - pianista que dava concertos aos 6 anos e era chamado de menino-prodígio desde muito cedo - exposta pelo tocar nos dedos as teclas do piano não o impede de ser como outro qualquer, ao mesmo tempo plausível de medos e desejos. Ilustrativo disso é a seqüência inicial quando Freire termina um concerto e sai do palco ovacionado com o coro de bis. Ele se oculta atrás das cortinas e a primeira coisa que faz é pedir um cigarrinho. Os produtores falam para voltar e tocar mais uma, ele vai, agradece os aplausos e volta para o acobertamento. Pede novamente um cigarrinho, o que lhe é negado mais uma vez. Esse movimento de sair e entrar no palco acontece umas 4 vezes até que ele se sente e toque o bis para só então depois saborear seu cigarrinho.

Pois bem, Salles mostra com essa passagem que a genialidade, no fundo, está acompanhada de ingenuidade e, até certa forma, infantilidade, como a birra com o desejoso cigarrinho faz parecer. A capacidade de tocar um piano como ninguém não o deixa distante de qualquer um de nós. Pelo contrário, sente-se a proximidade com seu mundo repleto de desafios - como tocar um trecho complicadíssimo de Brahms -, expectativas (como o que tanto esperavam dele desde a infância anormal de menino-prodígio numa cidadezinha de Minas Gerais até a partida para o Rio de Janeiro, conforme demonstrou seu pai na carta emocionada lida por Eduardo Coutinho, talvez o ápice do filme e síntese de um Freire criança) e embaraços (quando dos cumprimentos e elogios recebidos pessoalmente, ao final do filme, após um concerto).

Num determinado momento, Freire assume ser fã de um músico de jazz americano (não me recordo seu nome agora), pois este tocava o piano com alegria. Quando perguntado se ele tocava com alegria, sua resposta foi o silêncio munido de um sorriso moleque num rosto maduro. Os silêncios de Freire, que João Moreira Salles, em entrevistas, já definiu como algo que "diz tudo que quer, sem palavras, com reticências, com pausas, com frases que ficam perduradas no ar, sem conclusão" dizem muito de seu mundo, de sua música. Aliás, dizem tudo. Seu sorriso maroto é a maior prova disso.

A palavra

O Homem que Copiava é um filme composto por palavras. Seu diretor, Jorge Furtado, é reconhecido como dos melhores roteiristas brasileiros atuais e soube fazer proveito de seu talento para compor a história de André, um operador de fotocopiadora em Porto Alegre.

A palavra é o meio pelo qual André, protagonista narrador da trama, apresenta-se e nos apresenta a seu mundo de trabalho, voyeurismo e ilustrações. Na seqüência inicial, temos uma extensa introdução com tiradas irônico-filosóficas dignas de Furtado. Com o estilo que o consagrou como curta-metragista desde Ilha das Flores, o diretor gaúcho faz da colagem um aliado para a narrativa se desenrolar.

Em O Homem que Copiava, tudo é cópia e, ao mesmo tempo, original. Num mundo em que a originalidade perdeu seu valor, pois ninguém mais sabe o que é verdadeiro e o que é falso, a cópia/falsificação passa a ser uma forma de ganhar a vida (leia-se, dinheiro), como muitos camelôs fazem vendendo milhares de produtos piratas. Furtado faz a mesma coisa. O banco roubado chama-se Banco Imobiliário (alusão ao jogo de tabuleiro) e a camisa de um dos personagens traz um jacaré com o rabo esticado (lembrou-se da Lacoste?), por exemplo. A cópia forma o todo, embasado em diversas composições fílmicas que dão ao filme sua originalidade e força. As ilustrações de André ganham vida, a composição dos quadrinhos surge para explicar o ritual de ir deitar da mãe de André, conclusões tiradas através do reflexo do espelho, por trás de cortinas e pelo binóculo também fazem referências a esta história que se utiliza de outras linguagens para contar a sua própria história.

Nesse mundo fragmentado, onde as informações não têm tempo para ser deglutidas devido à velocidade de produção (metáfora no filme feita pela máquina de fazer cópias e as leituras interrompidas e descontínuas que André faz do que copia, imagem do conhecimento fragmentado e desconexo do homem contemporâneo), o tempo é um elemento incapaz de ser copiado ou modificado. Sua força está além da capacidade humana de copiar ou falsificar. E a resposta de Furtado vem através de nova apropriação - o soneto de Shakespeare que trata da fruição do tempo e seu "vão combate" -, que dará o desfecho a unir André e Silvia. O tempo, relatado pela forma mais nobre da palavra - a poesia -, traz à tona a originalidade da vida, da arte, de Shakespeare e agora também de O Homem que Copiava.

Se a vida é original e o resto é cópia, como diz o cartaz do filme, Furtado criou um filme repleto de vida, o que inclui muito humor, drama e poesia. Mesmo com um final aquém do restante da fita.


Lucas Rodrigues Pires
São Paulo, 3/7/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. 40 anos sem Carpeaux de Celso A. Uequed Pitol
02. Apontamentos de inverno de Elisa Andrade Buzzo
03. A pós-modernidade de Michel Maffesoli de Guilherme Carvalhal
04. Seis meses em 1945 de Celso A. Uequed Pitol
05. Oswald de Andrade e o homem cordial de Celso A. Uequed Pitol


Mais Lucas Rodrigues Pires
Mais Acessadas de Lucas Rodrigues Pires em 2003
01. Babenco traz sua visão do país Carandiru - 17/4/2003
02. O cinema brasileiro em 2002 - 16/1/2003
03. A normalidade sedutora d'Os Normais - 3/12/2003
04. Top 10 da literatura - 16/10/2003
05. O lado A e o lado B de Durval Discos - 3/4/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ESTRATÉGIA DE EMPRESA
FRANCISCO GOMES DE MATOS
MCGRAW-HILL
(1993)
R$ 10,00



COMO VIVER EM HARMONIA COM O CANCER - 1ª EDIÇÃO
CELSO MASSUMOTO
CULTRIX
(2012)
R$ 27,00



ROYAL MARINE COMMANDO 7 - FIQUE EM PERFEITA FORMA
SIMON COOK - TONY TOMS
HEMUS
(1982)
R$ 7,80



NUEVO LISTO - CUADERNO DE EXÁMENES - ESPAÑOL
ROBERTA AMENDOLA
MODERNA
(2012)
R$ 7,00



UMA NOVA VISÃO DO SETOR POSTAL BRASILEIRO
MARIA NEUENSCHWANDER ESCOSTEGUY CARNEIRO
LUMEN JURIS
(2006)
R$ 19,82



HOMEM-ARANHA #122 VIDAS EM RISCO!
MARVEL
PANINI COMICS
(2012)
R$ 15,00



PROJETO BURITI - CIÊNCIAS 5
VIRGINA AOKI
MODERNA
(2009)
R$ 30,00



SEGREDOS DE MULHER A DESCOBERTA DO SAGRADO FEMININO
MARIA SILVIA P ORLOVAS
MADRAS
(2010)
R$ 61,75



MIDAS E SADIM. TUDO O QUE VOCE PRECISA EVITAR PARA TER SUCESSO
RICARDO BELLINO
CAMPUS
(2006)
R$ 5,00



GESTAO DE MARKETING
SERGIO ROBERTO DIAS
SARAIVA
(2003)
R$ 12,00





busca | avançada
45185 visitas/dia
1,2 milhão/mês