Mário Faustino e a poesia | Fabio Silvestre Cardoso | Digestivo Cultural

busca | avançada
75143 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Sesc 24 de Maio apresenta o terceiro episódio do Desafinados Entrevista
>>> Anexo LONA - Interações 1 - Cristina Elias & Thais Stoklos
>>> Viaje ao som de 'Sky', novo single de Dizin
>>> Lewis Wolpert explica como os organismos multicelulares se formam a partir de um simples óvulo
>>> Festival Aparecida Criativa surge para transformar a produção cultural de Sorocaba
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Canção corações separados
>>> Relógio de pulso
>>> Centopéia perambulante
>>> Fio desemcapado
>>> Verbo a(fiado)
>>> Janelário
>>> A vida é
>>> (...!)
>>> Notívagos
>>> Sou rosa do deserto
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Pensar Não é Viver
>>> Caminhos para Roma
>>> Solitária cidadã do mundo
>>> Breve biografia
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> A importância da virtude
>>> Deus ex machina
>>> Mulher-Flamingo
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
Mais Recentes
>>> The Teachings of the Compassionate Buddha de E. A. Burtt pela A Mentor Book (1955)
>>> História da Educação e da Pedagogia de Lorenzo Luzuriaga pela Companhia Nacional (1963)
>>> A ditadura de segurança nacional no Rio Grande do Sul(1964-1985): história e memória - volume 3 de Enrique Serra Padrós, Vânia M. Barbosa, Vanessa Albertinence Lopez e Ananda Simões Fernandes orgs. pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul (2014)
>>> El Jugador de Fedor Dostoievski pela Salvat / Alianza Editorial (1969)
>>> O Velho da Horta Auto da Barca do Inferno Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, Segismundo Spina pela Brasiliense (1990)
>>> Estado de Sítio; o Estrangeiro de Albert Camus pela Abril Cultural (1979)
>>> A Hagadá de Pessach de Leonard Baskin e Outros pela Bnai Brith do Brasil (1977)
>>> Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro - Poetas da Escola de Anna Helena Altenfelder pela Mec (2008)
>>> O Outro Lado da Vida - um Guia Psíquico para o Nosso Mundo de Sylvia Browne - Lindsay Harrison pela Sextante (2000)
>>> El ritmo lúdico y los placeres en Bogotá de Victoria Peralta pela Ariel (1995)
>>> Cabala - a Tradição Esotérica do Ocidente de F. V. Lorenz pela Pensamento
>>> Doctor Dolittles Circus de Hugh Lofting pela Butler & Tanner (1967)
>>> Mulher Inteligente Valoriza o Dinheiro Pensa no Futuro e Investe de Sandra Blanco pela Qualymark (2004)
>>> Acervo Fotográfico Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Pe. Pedro Renato Carlesso pela Serrana (2006)
>>> Éticas multiculturais - sobre convivência humana possível de Pedro Demo pela Vozes (2005)
>>> Felicidade de Elias Teixeira pela Casa Dois (2013)
>>> Manual de Jornalismo da Radiobrás de Celso Nucci pela Radiobrás (2006)
>>> Desonrada - Depoimento de Mukhtar Mai - Marie Thérèse Cuny pela Best Seller (2007)
>>> Ruah - Quebrando Paradigmas de Que Gordura é Saúde e Magreza é Doença de Padre Marcelo Rossi pela Principium (2015)
>>> Movimento Nacional pela Livre Iniciativa de Roberto CorrÊa (org.) pela Espm (2008)
>>> A Nova Guerra Contra Israel de Herbert London; Jed Babbin pela Simonsen (2015)
>>> Geometria de 1ª a 4ª Série – Uma Brincadeira Séria de Carmen Cecília Schmitz e Outros pela Unisinos (1994)
>>> Encantadores de Vidas de Eduardo Moreira; Nuno Cobra; Monty Roberts pela Record (2012)
>>> Inteligência emocional no trabalho de hendrie Weisinger pela Objetiva (2001)
>>> Pequeno Manual de Princípios do Sucesso de Mamie Mccullough pela United Press (1999)
COLUNAS

Terça-feira, 11/11/2003
Mário Faustino e a poesia
Fabio Silvestre Cardoso

+ de 8900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

A poesia requer do leitor uma atenção diferente da dispensada para apreciação de um texto em prosa.

Apesar da sonoridade rítmica, há um sem número de disposições que o leitor deve obedecer não somente para a compreensão do que está escrito, mas também para o aproveitamento da poesia como sensação estética.

Com isso, desenvolvem-se fórmulas e técnicas a fim de facilitar esse processo intelectual, como a divisão silábica e até mesmo a leitura em voz alta de poesia. Há, no entanto, uma outra saída, não tão comum, mas ainda assim mais prazerosa, que é a seleção e o comentário rigoroso feito por um crítico exigente e, na mesma medida, apaixonado por poesia. É o que fez o jornalista Mário Faustino (1930-1962), no já célebre SDJB (Suplemento Dominical do Jornal do Brasil), entre 1956 e 1959, quando assinava a página semanal Poesia-Experiência. Parte dessa produção é agora lançada, pela Cia. das Letras, em De Anchieta aos Concretos, sob a organização da professora de Literatura da Unicamp Maria Eugênia Boaventura.

Com efeito, o texto da organizadora pondera, logo no início da obra, acerca dos acertos e dos equívocos de Mário Faustino. Só com base neste prefácio, pode-se ter a impressão de que, talvez por poder discorrer com certa facilidade sobre poesia, Faustino é seduzido pelo polemismo fácil que se encontra corriqueiramente nos jornais. Entretanto, a partir da leitura das análises do jornalista, o leitor começará a tomar conhecimento da propriedade com que ele tecia comentários sobre a produção poética nacional. E não só. Ainda que alguns de seus julgamentos soem definitivos "A poesia brasileira - com duas ou três exceções - só atinge o nível internacional já em pleno século XX", as reflexões do autor superam os inumeráveis lugares-comuns pré-concebidos, preenchendo, assim, tanto uma lacuna crítica como uma ausência introdutória no que se refere ao estudo da poesia luso-brasileira.

Isso se dá, principalmente, pela franqueza e pelo talento com que Faustino se expressava. No livro, esses elementos se transformam em artigos claros, sem o pedantismo medíocre dos ensaístas acadêmicos, tampouco com as generalizações populistas da crítica dos não-iniciados. É aí que se encaixa o brilhantismo de Mário Faustino, uma vez que ele se manteve (e sua obra se mantém) na linha tênue entre esses dois extremos; elaborava, assim, textos de qualidade, mas que conseguiam alcançar a todos os leitores interessados.

Nesse sentido, o jornalista ensaiava um diálogo entre os primeiros poetas brasileiros - como é o caso de Anchieta; Gregório de Matos e Manuel Botelho de Oliveira - e os modernistas - como Cecília Meirelles; Jorge de Lima e Manoel Bandeira. E essa relação não era feita apenas com poetas brasileiros, pois Faustino acreditava que, para se avaliar a produção do presente, era fundamental o conhecimento dos clássicos: "Quem quiser conhecer o extremo oposto, isto é, poesia só poesia mesmo, sem nada a ver com as tais 'coisas bonitas', leia [William] Blake, leia [John] Donne".

Além disso, ele buscava apresentar as influências dos primórdios da poesia brasileira. Sobre esse ponto, inclusive, assinalava o alto nível técnico com que principiou a poesia por aqui: "A poesia começou, entre nós, como uma arte, como algo que pode ser ensinado pelos competentes e praticado por quem possui um mínimo de habilidade para os fins em vista".

Contudo, Faustino não iludia o leitor e vaticinava a respeito da principal característica da poesia brasileira, desde o seu início: "No Brasil a poesia tem sido, desde os primeiros versos compostos aqui, [...] uma poesia imitadora, 'diluidora'". O jornalista advogava a idéia de que a poesia brasileira limitava-se a seguir os passos de Portugal, sem necessariamente apresentar avanço em relação ao modelo original.

Essa característica não elimina a qualidade de alguns poetas-maiores, bem como de outros tantos excelentes versos de autores desconhecidos. Mário Faustino conseguia extrair os grandes momentos de poiésis da produção nacional. Exemplo disso acontece com a autora de Romanceiro da Inconfidência: "Cecília Meirelles escreveu os melhores poemas-canções da língua desde a renascença portuguesa". Ou então com Drummond, o 'poeta-maior': "A poesia de Carlos Drummond de Andrade é um momento central não só de nossa poesia, como de nossa literatura". Não obstante os elogios, o jornalista rechaçava o que considerava de baixa qualidade dos mesmos autores. Sobre Cecília, por exemplo: "Por que D. Cecília publica tanto? - Cabe aos psicanalistas responder". Já acerca de Drummond, não se conformava com as crônicas publicadas por este na imprensa diária. (Faustino certamente teria uma síncope se ainda fosse vivo, posto que as croniquetas pululam nos jornalões brasileiros).

Em que pesem as análises citadas no parágrafo acima, foi na obra de Jorge de Lima que Faustino mergulhou com mais rigor e mais método. Reconhecia nele, aliás, o mais original dos poetas brasileiros de todos os tempos. É interessante observar que, a partir dessa constatação, o crítico parecia exigir mais de Jorge de Lima como poeta, não admitindo qualquer deslize. Por outro lado, destacou com igual rigor os trechos de melhor realização. Nesse sentido, vale a pena ressaltar que o jornalista sempre buscava um "confronto" constante entre os pontos positivos e negativos da obra dos autores analisados. Ensaiava, portanto, o que mais tarde diria o jornalista Sérgio Augusto (em entrevista concedida ao programa Umas Palavras): "O papel do crítico não é dizer se uma obra é boa ou ruim. Quem deve decidir isso é o leitor. Ao crítico cabe iluminar determinados pontos do livro, filme ou obra analisada". Ou, ainda, nas próprias palavras de Faustino: "Lembramos que não estamos escrevendo nos papiros da eternidade e sim no barato papel de um jornal vivo: o que nos interessa é instigar, provocar, excitar, em certas direções, a mente do leitor competente".

Concretismo e crítica

Em sua análise sobre o movimento concretista, num dos últimos textos do livro, Mário Faustino ressalta o talento dos irmãos Campos e de Décio Pignatari. Adverte, ainda, para o inegável preparo intelectual dos concretos, verdade factual que boa parte da intelligentsia brasileira insiste em refutar. Entretanto, cabe lembrar que Faustino também confessa não ter qualquer interesse pessoal na "experiência" concretista. A leitura desta seção faz-se necessária para que se tenha uma visão mais abrangente da poesia e do mundo das artes, no Brasil, no fim da década de 50.

Vinícius de Moraes

Em 2003, ele completaria 90 anos. Foi, para além do que diziam os detratores, um dos maiores poetas que o Brasil já teve. E não escrevo aqui sobre as famosas, e não menos belas, canções da Bossa Nova. Mas, sim, dos Poemas, Sonetos e Baladas; livro que mostra Vinícius em dia com o soneto, sua forma - ou fôrma - de composição favorita. Para comemorar, a obra completa do escritor está disponível para acesso gratuito no site; uma elegia aos amantes da poesia.

Para ir além






Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 11/11/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Ler para ficar acordado de Cassionei Niches Petry
02. Joana a Contragosto, Mirisola em queda livre de Jardel Dias Cavalcanti
03. O Trovador, romance de Rodrigo Garcia Lopes de Jardel Dias Cavalcanti
04. Canção de som e fúria de Carina Destempero
05. O jornalismo na fervura de Marta Barcellos


Mais Fabio Silvestre Cardoso
Mais Acessadas de Fabio Silvestre Cardoso em 2003
01. Notas sobre Jornalismo Cultural - 11/9/2003
02. Mário Faustino e a poesia - 11/11/2003
03. Civilização Brasileira - 28/10/2003
04. Mongólia: terra estrangeira - 23/12/2003
05. Minha Formação - 14/10/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/11/2003
15h43min
Poucos escritores tem a mesma sensibilidade de Mário Faustino. Além da sensibilidade intelectual uma sensibilidade que vem da alma. Ao ler poemas e fazer um comentário crítico, sua abordagem vai além das letras... O autor vê o poema com os olhos compenetrados na percepção do autor.
[Leia outros Comentários de bete brácidas]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




País das Neves
Yasunari Kawabata
Círculo do Livro
(1974)
R$ 13,00



Candida uma Doença do Século XX
Shirley S Lorenzani
Ground
(1989)
R$ 500,00



Sonhei que a neve fervia
Fal Azevedo
Rocco
(2012)
R$ 16,99



Jornada para a Meditação Voltando para Dentro
Rolf Sovik/ Psy. D.
Madras
(2012)
R$ 36,99



Manual de Prisão e Soltura Sob a Ótica Constitucional
José Herval Sampaio Júnior
Método
(2007)
R$ 27,00



Na Passarela do Samba
André Diniz, Diogo Cunha
Leya
(2014)
R$ 37,00



Você não merece ser feliz
Craque Daniel
Intrínsica
(2020)
R$ 24,00



Biblioteca da Arte - Os Impressionistas: Manet
Gernain Bazein
Três
(1973)
R$ 10,00



Nova York o Guia da Cidade
Vários Autores
Publifolha
(2008)
R$ 5,00



Poemas Escolhidos
Cláudio Manuel da Costa
Ediouro
R$ 5,00





busca | avançada
75143 visitas/dia
2,1 milhões/mês