O Livro Impresso e O Livro Virtual | Ricardo de Mattos | Digestivo Cultural

busca | avançada
54626 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> 10 de Abril #digestivo10anos
>>> Não presta, mas vá ver
>>> Sobre o Jabá
>>> Crise da Democracia
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> LEM na TV Cronópios
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Poesia para jovens
>>> São Paulo, que dá nome à nossa cidade
>>> Viagem a 1968: Tropeços e Desventuras (3)
Mais Recentes
>>> Três Autos (Alma / Barca do Inferno / /Mofina Mendes de Gil Vicente pela Ediouro (1997)
>>> Corpo a corpo com a mulher. Pequena história das transformações do corpo feminino no Brasil de Mary del Priore pela Senac SP (2000)
>>> Ao Sul do Corpo. Condição feminina, maternidades e mentalidades no Brasil Colônia de Mary del Priore pela Edunb/José Olympio (1993)
>>> História do amor no Brasil de Mary del Priore pela Contexto (2006)
>>> História das crianças no Brasil de Mary del Priore. Organização pela Contexto (1999)
>>> Lançamento Col Eu Gosto Mais Caderno de Letras V1 Ed Inf do Professor de Jorge Yunes (dir. Sup) pela IBEP (2015)
>>> Lançamento Coleção Eu Gosto Mais Caderno de Letras V 2 Ed. Infantil de Jorge Yunes pela IBEP (2015)
>>> Coleção Eu Gosto Mais - Caderno de Alfabetização - Lançamento de Célia Passos e Zeneide Silva / Livro do Professor pela IBEP (2015)
>>> XIARARIBÓIACINE - MEMÓRIAS de Ministério da Cultura pela Festival de Niterói (2012)
>>> Tempo de Matemática 6ª série - LIVRO DO MESTRE de Miguel Asis Name pela do Brasil (1996)
>>> Matemática - Conceitos e Histórias 8ª série - EXEMPLAR DO PROFESSOR de Di Pierro Netto pela Scipione (1995)
>>> Interdisciplinar - Estação Criança 1 - Educação Infantil - Trenzinho de atividades- do Professor de Júnia La Scala e Outros pela Quinteto (2015)
>>> História das mulheres no Brasil de Mary del Priore. Organização pela Contexto/Unesp (1997)
>>> Moderna de Geografia vol. 1 - Noções Básicas de Geografia Geral e do Brasil - Primeiro Grau pela Moderna (1995)
>>> Ley Nº 393 - Ley de Servicios Financeiros de Ministério de Economía y Finanzas Públicas pela M.E.F.P
>>> Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas de Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pela SNSAN (2012)
>>> PDE Prova Brasil - Plano de Desenvolvimento de Educação - Ensino Fundamental de Ministério da Educação Secretária de Educação Básica pela PDE (2009)
>>> Secretaria de Programas Regionais - Desenvolver as regiões para reduzir as desigualdades de Ministério da Integração Nacional pela M.I.N
>>> Ritmos da História 6º ano - DO PROFESSOR de Flavio de Campos se Outros pela Escala Educacional (2009)
>>> Matemática 2 - DO PROFESSOR de Ênio Silveira e Cláudio Marques pela Moderna (2010)
>>> Porta Aberta - História e Geografia 5º ano - DO PROFESSOR de Mirna Lima pela FTD (2009)
>>> Novo História 8º ano - Conceitos e Procedimentos - DO PROFESSOR de Ricardo Dreguer e Eliete Toledo pela Atual (2009)
>>> Geografia - Rio de Janeiro 3ª série - DO PROFESSOR de Siomara Sodré Spinola pela Ática (2006)
>>> Sociologia em Movimento -1º 2º e 3º anos do Ensino Médio - DO PROFESSOR de Afrânio Silva e Outros pela Moderna (2014)
>>> Práticas Pedagógicas Em Educação Física: Espaço, Tempo e Corporei de Fernando Jaime Gonzalez; M Simone / do Professor pela Edelbra Ltda (2012)
>>> Pensar, Refletir e Filosofar 5º ano - MANUAL DO EDUCADOR de Maria Amélia Vieira e Rute de Souza Galvão pela Construir
>>> Pensar, Refletir e Filosofar 4º ano - MANUAL DO EDUCADOR de Maria Amélia Vieira e Rute de Souza Galvão pela Construir
>>> Pensar, Refletir e Filosofar 2º ano - MANUAL DO EDUCADOR de Maria Amélia Vieira e Rute de Souza Galvão pela Construir
>>> Pensar, Refletir e Filosofar 1º ano - MANUAL DO EDUCADOR de Maria Amélia Vieira e Rute de Souza Galvão pela Construir
>>> Coleção Integralis História 1º Ano - do Professor de Divalte Garcia Figueira pela IBEP (2013)
>>> Ciências - Entendendo a Natureza 8ª - DO PROFESSOR de César, Sezar e Bedaque pela Saraiva (2001)
>>> Ciências - A Vida na Terra 7º ano - DO PROFESSOR de Fernando Gewandsznajder pela Ática (2011)
>>> Com Direito à Palavra: Dicionários em sala de aula de Ministério da Educação pela Ministério da Educação (2012)
>>> Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Alfabetização Matemática - Caderno 1 de Ministério da Educação pela Ministério da Educação (2014)
>>> Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Alfabetização Matemática - Educação Inclusiva de Ministério da Educação pela Ministério da Educação (2014)
>>> Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Alfabetização Matemática - Jogos na Alfabetização Matemática de Ministério da Educação pela Ministério da Educação (2014)
>>> Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Alfabetização Matemática -Educação Matemática do Campo de Ministério da Educação pela Ministério da Educação (2014)
>>> Orpheus Histoire Générale des Religions - 1909 de Salomon Reinach pela Motterz et Martinet (1909)
>>> Vontade de Saber Matemática 8º ano - DO PROFESSOR de Joamir Souza e Patricia Moreno Pataro pela FTD (2009)
>>> Cartas - Tomo I - 1856 de Alexandre Herculano pela Bertrand (1856)
>>> Projeto Teláris - Geografia 7 - o espaço social e o espaço brasileiro - DO PROFESSOR de J. William Vesentini e Vânia Vlach pela Ática (2013)
>>> Les Liaisons Dangereuses volumes I e II de De Laclos pela Librairie Grund (1936)
>>> Epitome de Historia Universal - 1931 de Jonathas Serrano pela Livr. Francisco Alves (1931)
>>> Gli Eroi Del Cielo, Della Terra e Del Mare de Socrate Ciccarelli pela A.Mondadori (1927)
>>> Interagindo com a Matemática 2 - DO PROFESSOR de Adilson Longen pela do Brasil
>>> Coleção Eu Gosto Mais - Caligrafia vol. 1 - DO PROFESSOR de Déborah Pádua Mello Neves pela IBEP (2012)
>>> Noveau Formulaire Magistral de Thérapeutique Clinique... de Dr.Odilon Martin pela Librairie J.B.Baillière (1920)
>>> Facundo - 1942 de Domingo Faustino Sarmiento pela Editorial Losada (1942)
>>> Coleção Eu Gosto Mais - Caligrafia vol. 4 - DO PROFESSOR de Déborah Pádua Mello Neves pela IBEP (2012)
>>> Coleção Eu Gosto Mais - Caligrafia vol. 5 - DO PROFESSOR de Déborah Pádua Mello Neves pela IBEP (2013)
COLUNAS

Quinta-feira, 26/8/2004
O Livro Impresso e O Livro Virtual
Ricardo de Mattos

+ de 9600 Acessos

Se habla de la desaparición del libro; yo creo que es impossible. Se dirá qué diferencia puede haber entre un libro y un periódico o un disco. La diferencia es que un periódico se lee para el olvido, es algo mecánico y por lo tanto frívolo. Un libro se lee para la memoria. (...)

Si leemos un libro antiguo es como si leyéramos todo el tiempo que ha transcurrido desde el día en que fue escrito y nosotros. Por eso conviene mantener el culto del libro. El libro puede estar lleno de erratas, podemos no estar de acuerdo con las opiniones del autor, pero todavía conserva algo sagrado, algo divino, no con respeto superticioso, pero sí con el deseo de encontrar felicidad, de encontrar sabiduría
(Jorge Luis Borges, El Libro - Conferência)

Sobre a Decadência dos Tempos é um dos mais hilários contos do volume das Histórias Apócrifas escrito pelo tcheco Karel Tchápek. O "velho homem das cavernas" Iánetchek expressa, ao discutir com sua esposa, uma sincera indignação com os novos tempos e costumes. O idoso chefe tribal encontra-se revoltado com a substituição, pelas novas gerações, das antigas e duradouras armas de pedra por frágeis instrumentos feitos com ossos. A mulher também não se encontra muito satisfeita com o novo hábito de suas noras de tratar as peles dos animais abatidos com cinzas e não mais raspá-las com uma lasca de sílex, da forma tradicional. Quando indisfarçável a revolução trazida por um certo invento, formam-se de imediato três coros. Um deles precipita-se em declarar o advento imediato d'um novo ciclo e o outro precipita-se em lamentar a passagem do ciclo anterior. Ambos reconhecem e aceitam a inovação de certa tecnologia, apenas distinguem-se entre os que olham para frente e os que olham para trás. O terceiro coro observa que nada substitui nem é substituído definitivamente.

Da plaquinha de argila à tela do computador, o livro é um dos grandes provocadores d'estas disputas. Sua história é recheada de passos abruptos, profecias e juízos finais, com direito até ao fogo eterno. Ao contrário do que se imagina, a revolução não se deu apenas com Gutenberg. Deve-se calcular o passo dado com a substituição de placas de argila, madeira, bronze por suportes mais práticos para o texto, como o papiro e o pergaminho. Depois a facilitação da leitura com a troca gradual do rolo pelo códex. O códex nada mais é além do livro na sua forma atual, folhas preenchidas dos dois lados e coladas dentro d'uma capa.

Houve um período durante o qual o ancestral d'este instrumento que muitas vezes amamos tanto ou mais do que pessoas era pesado e formado por folhas de pergaminho costuradas dentro de capas de madeira com fechaduras. Se o livro fosse propriedade de alguma universidade, ele encontrava-se imóvel n'uma sala de leitura, acessível durante algumas horas do dia e acorrentado. O aluno copiava o trecho a ser estudado durante a aula. Se o livro pertencesse a algum particular, provavelmente estaria trancado. A obra de arte, não raro, superava o valor literário do texto. Ainda pergaminho entre tábuas, mas cada folha era ricamente adornada tanto com iluminuras às margens quanto com as maiúsculas iniciais. A capa era revestida de couro, repleta de douraduras e as posses do proprietário poderiam permitir a inclusão de gemas preciosas. Quer o livro universitário, quer o privado, eram manuscritos e escassamente difundidos. O papel, apesar de utilizado desde o século XII, demorou a impor-se.

No século XV, a revolução de Gutenberg, cujo invento permitiu edições em maior número, além do trabalho mais rápido e uniforme. Acredito que as homenagens ao inventor germânico devem ser estendidas ao italiano Aldus Manutius. Se aquele revolucionou, este conquistou. Manutius foi o editor responsável pela primeira organização de obras greco-latinas, aproveitando para a seleção e estudo dos textos aqueles eruditos oriundos de Constantinopla após o ano de 1.453. Se os exemplares particulares eram inacessíveis pelo preço e os acadêmicos de leitura restrita, Manutius permitiu que aluno e mestre possuíssem cada um o seu exemplar da obra estudada. O livro, agora portátil, poderia ser adquirido, levado para casa, consultado a qualquer hora. O leitor poderia lê-lo na cama e deixar as margens para suas anotações exclusivas. Poderia comparar obras, ir e voltar no texto, estudar sem pressa de ceder lugar a outro estudante ou mesmo de ir embora. Entretanto, Gutenberg e seus seguidores não saíram ilesos. O dominicano veneziano Filippo di Strata – quiçá a reencarnação de Iánetchek – criticou a imprensa alegando que ela "corrompe textos, publicando-os em edições apressadas e falhas, que visam apenas ao lucro" além de deturpar mentes e o próprio saber. Concluiu o frade: "A pena é uma virgem, a imprensa uma meretriz". A dedicação e o trabalho do editor veneziano são repetidos hoje pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil, presidida por José Salles Neto.

Estamos no auge da publicação de livros. Nunca se escreveu, editou e re-editou tanto. Incontáveis as pequenas editoras de vida efêmera e poucos títulos. Com discursos envolvendo argumentos sérios como a liberdade de pensamento e de imprensa, duas capas abrigam qualquer coisa, sem nenhum critério seletivo. Em meio a este frenesi editorial surge a opção apontada por alguns como a responsável pela futura extinção do livro tradicional. Trata-se do livro virtual, o que me não parece tão revolucionário assim. O que há para ser dito sobre este assunto, o historiador francês Roger Chartier já o disse n'um livro muito bom intitulado Do Leitor Ao Navegador. Concordo que não haverá opção definitiva: um não será substituído e o outro não será substituto. Para um leigo como eu, o livro virtual parece apenas um arquivo que o interessado armazena em seu computador privado, gratuitamente ou não. Ressalvo que esta possibilidade de armazenamento tem maior utilidade para estudo d'uma obra rara. Uma edição virtual de Dom Casmurro pode custar tanto quanto uma edição de bolso, se considerados o preço de liberação da obra e os pulsos gastos de telefone, em caso de conexão discada.

Já vi confusão entre "livro virtual e "livro eletrônico" - e-book. Este é o aparelho utilizável para guarda de livros virtuais. Já vi sítios com ícones informando "baixe aqui seu livro virtual", como da mesma forma já vi outros avisando "baixe aqui seu e-book". Recentemente uma revista publicou um texto apregoando as maravilhas atuais da tecnologia eletrônica de leitura. O escandaloso título era A Tinta Digital Salva As Árvores. Se pensarmos um pouco, após a leitura do texto concluímos que o título deveria ser A Tinta Digital PODERÁ Salvar ALGUMAS Árvores. No mais, tentou atrair o leitor apresentando dados práticos dos e-books e análogos: leveza, potência de memória suficiente para quinhentos livros, manutenção barata dependente de quatro pilhas comuns e acessórios como enciclopédias, dicionários internos e busca por palavras. Um item chamou-me a atenção. Alegaram que o livro eletrônico, posto ao lado do impresso, destaca-se pela durabilidade. Saliento que recebi em boas condições uns poucos livros pertencentes a uma parenta da geração do meu bisavô. Uma televisão da minha mãe não durou vinte anos. São coisas diversas, mas como sempre se aposta o máximo de fichas nas novidades, mostro porque as recebo sem fanatismo.

Acrescento que a publicação do novo livro de Paulo Coelho não condenará à derrubada mais um trecho da quase-extinta Mata Atlântica. Para a fabricação de "x" toneladas de papel são plantadas "y" mudas com este destino específico, por vezes em áreas antes devastadas, e que em determinado tempo devem atingir a altura específica para corte. Em suma, não são utilizados pela imprensa nem o mogno, nem o pau-brasil, nem outras espécies ameaçadas.

Outro argumento utilizado para anunciar a preferência gradativa pelos livros virtuais e eletrônicos é a diminuição de custos. Quem não possui o hábito da leitura não o adquirirá apenas por encontrar obras mais baratas ou mesmo gratuitas. E quem tiver vontade ou necessidade de conhecer certo livro, pesquisará a edição mais condizente com suas possibilidades ou mesmo economizará para adquiri-lo. Di-lo quem o sabe. O acesso à máquina e à rede não forma o leitor. Aqui, refiro-me preferencialmente à leitura formativa e à recreativa - na falta de melhor termo - e abandono por um instante a leitura informativa. A pessoa que, no computador do trabalho, por acaso leu ontem uma coluna da Carta Capital, amanhã lerá um ensaio do Estado de São Paulo e na semana anterior um artigo da revista Época não é obrigatoriamente um leitor nem um adepto de novas tecnologias. Falta-lhe hábito e escolha. Leu-os porque deparou com eles e interessou-se. Em resumo, vejo o livro virtual como mais uma alternativa para a publicação de obras e o eletrônico como uma facilidade a ser adotada por alguns.

Ser, de Alfredo Karras

Li recentemente meu primeiro livro virtual. Trata-se de opúsculo Ser – Be – de Alfredo Karras, escritor e cartunista residente em Cubatão. Ele é o primeiro autor pátrio a contratar com uma editora estrangeira esta nova forma de publicação. Na verdade, nem recebi a obra para leitura em computador, mas impressa em papel ofício. Lido o trabalho, precisei colocar capa plástica e espiral para melhor conservação. Texto e ilustrações juntos somam 53 páginas. A obra em si é descendente direta do famoso A História de Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. O discípulo de Cubatão vai além do mestre ao substituir por pessoas aquele monte de gaivotas perdidas em metáforas e expressões de acrobacia aeronáutica, mais merecedoras d'uma carga de chumbo que de admiração. O livro de Karras alia idealismo à apreciação de correntes filosóficas - v.g., racionalismo, determinismo - e revela uma forte influência espírita. Filho de kardecista, vasculho sempre não só os volumes doutrinários, como também os ficcionais, encarregados de divulgar a doutrina. Portanto, não me foi difícil reconhecer certos sinais - irmandade espiritual, evolução dos espíritos, Lei do Retorno, esquecimento da vida anterior, escolha da evolução através da dor ou do amor, reencarnação com marcas da vida anterior - e identificar a fonte.

O livro impresso e o virtual, este melhor que aquele, retomam o velho mito platônico da caverna. A pessoa que vivia na escuridão e conseguiu descobrir mais sobre as sombras projetadas é ridicularizada quando volta para esclarecer os que permaneceram nas trevas. A gaivota que voa mais alto é expulsa do bando mas retorna para orientar as de mesma inclinação. O cavalheiro alcança certa evolução espiritual através do convívio e reencontro com pessoas de espírito superior e continua sua peregrinação de esclarecimento dos povos, sofrendo conseqüências dolorosas. A diferença consiste no fato de ser a obra de Bach um mero volume de sub-literatura, ao passo que o de Karras, tal o capricho de concatenação e expressão de idéias, pode ser uma boa introdução para adolescentes inclinados à meditação consistente. Óbvio que não basta ler a obra, será necessário esmiuçar seu conteúdo, daí o progresso do leitor.


Ricardo de Mattos
Taubaté, 26/8/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. No palco da vida, o feitiço do escritor de Cassionei Niches Petry
02. De volta à antiga roda rosa de Elisa Andrade Buzzo
03. Alice in Chains, Rainier Fog (2018) de Luís Fernando Amâncio
04. Nós que aqui estamos pela ópera esperamos de Renato Alessandro dos Santos
05. Nos tempos de Street Fighter II de Luís Fernando Amâncio


Mais Ricardo de Mattos
Mais Acessadas de Ricardo de Mattos em 2004
01. A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón - 9/9/2004
02. Equador, de Miguel Sousa Tavares - 29/7/2004
03. O Livro das Cortesãs, de Susan Griffin - 4/3/2004
04. História e Lenda dos Templários - 1/4/2004
05. O Livro Impresso e O Livro Virtual - 26/8/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A INGÊNUA LIBERTINA
COLETTE
NOVA FRONTEIRA
(1984)
R$ 20,00



TIM
COLLEEN MCCULLOUGH
CIRCULO DO LIVRO
(1974)
R$ 5,99



GIL VICENTE REPERTÓRIO ESCOLAR
JOSÉ CAMÕES E HELENA REIS SILVA
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
(2000)
R$ 22,77



LE CORBUSIER
JEAN-LOUIS COHEN

R$ 18,00



PORTUGUÊS PARA ENSINO MÉDIO
NICOLA / FLORIANA / ERNANI
ED. SCIPIONE
(2002)
R$ 15,00



DIREITO PENAL GERAL - REVISTA E ATUALIZADA
JOÃO JOSÉ LEAL
OAB/SC
(2004)
R$ 14,00



ENGLISH FOR ALL ENSINO MÉDIO VOLUME 3
ELIANA AUN MARIA CLARA PRETE DE MORAES E
SARAIVA
(2010)
R$ 8,00



PRINCÍPIOS DE POLÍTICA ECONÔMICA
KENNETH E. BOULDING
MESTRE JOU
(1967)
R$ 13,00



OS TRÊS PRIMEIROS MINUTOS - UMA DISCUSSÃO MODERNA SOBRE A ORIGEM...
STEVEN WEINBERG
GUANABARA
(1980)
R$ 210,00



REZAR OS SALMOS HOJE
FRANCISCO TEIXEIRA /CARLOS MESTERS
DUAS CIDADES
(1977)
R$ 8,00





busca | avançada
54626 visitas/dia
1,3 milhão/mês