Civilização Brasileira | Fabio Silvestre Cardoso | Digestivo Cultural

busca | avançada
107 mil/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Sempre mais que um tem apresentações no Teatro Alfredo Mesquita
>>> Projeto Memória leva legado de Lélia Gonzalez a 7 capitais
>>> '1798 - Revolta dos Búzios' chega ao cinemas
>>> IV Cinefestival International de Ecoperformance divulga sua programação
>>> O Shopping Praça da Moça debuta com show exclusivo da Família Lima
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
Colunistas
Últimos Posts
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
>>> Pondé sobre o crime de opinião no Brasil de hoje
Últimos Posts
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A Poética do Extravio, Júlio Castañon Guimarães
>>> Armazém de secos e molhados
>>> Uma nova aurora para os filmes
>>> Jornal da Cultura - 17/11/2014
>>> Páginas e mais páginas da vida
>>> No final do telejornal tinha um poeta...
>>> No final do telejornal tinha um poeta...
>>> Máfia do Dendê
>>> CaKo Machini
>>> Alberto Dines sobre a Copa
Mais Recentes
>>> Circuitos Elétricos - Sexta Ed. de James W. Nilsson; Susan A. Riedel pela Pearson Education Do Brasil (2003)
>>> Inteligência Emocional Na Gestão De Resultados de Lee Gardenswartz; Jorge Cherbosque; Anita Rowe pela Laselva (2012)
>>> Os Rolling Stones No Brasil: Do Descobrimento A Conquista, 1968-1999 de Nelio Rodrigues pela Ampersand (2000)
>>> Nosso Lar de Pelo Espirito Andre Luiz, Francisco Candido Xavier pela Feb (2007)
>>> Sinatra de Richard Harvers pela Dorling Kindersley (2004)
>>> O Brasil Em Sobressalto de Oscar Pilagallo pela Publifolha (2002)
>>> O Exercito Brasileiro E A Amazonia - The Brazilian Army And The Amazon de Exército Brasileiro pela Brasilia: Exercito Brasileiro (2024)
>>> Livro Cidadania E Competitividade: Desafios Educacionais Do Terceiro Milênio de Guiomar Namo De Mello pela Cortez (2000)
>>> Historia das Relações Internacionais do Brasil de Raul Mendes Silva / Clóvis Brigagão pela Cebri (2024)
>>> Agulhas Negras de Ac& m pela Ac&m (1993)
>>> As Aventuras De Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle pela Principis (2019)
>>> Dicionário de Espiritualidade de Edições Paulinas pela Edições Paulinas (1989)
>>> Livro Você Globalizado: Dez Estratégias Para Atuar Como Um Executivo Global de Susan Bloch pela Rai (2011)
>>> Riquezas da Mensagem Cristã de D. Cirilo Folch Gomes pela Lumen Christi (1981)
>>> Sistema De Ensino Positivo, 7 Ano - Língua Inglesa Vol. 1,2,3 e 4 de Kenedy Rufino pela Cia. Bras. de Educação e Sistemas de Ensino (2023)
>>> diarios y Memorias de la Guerra del Pacifico Primer Tomo de Arturo Costa de la Torre pela Pacena (1980)
>>> As Aventuras De Pinóquio de Carlo Collodi pela Martin Claret (2002)
>>> The Warren Court And American Politics de Lucas A. Powe Jr. pela Belknap Press: An Imprint Of Harvard University Press (2002)
>>> Livro Professor de 1 Grau : Identidade em Jogo - Magistério Formação e Trabalho Pedagógico de Ezequiel Theodoro da Silva pela Paparius (1995)
>>> Santos de Cada Dia III de José Leite pela Braga
>>> Brasis, Brasil, Brasília de Gilberto Freyre pela Livros do Brasil
>>> Simbiose e Ambiguidade de José Bleger pela Francisco Alves (1985)
>>> Gossip Girl : Nunca Mais ! - Vol. 8 de Cecily Von Ziegesar pela Galera Record (2007)
>>> Crime e castigo vol 1 e vol. 2 de Dostoievski pela Abril (1979)
>>> A Casa Da Praia (pocket) de Beth Reekles pela Astral Cultural (2019)
COLUNAS

Terça-feira, 28/10/2003
Civilização Brasileira
Fabio Silvestre Cardoso
+ de 7900 Acessos

A quantidade de títulos acerca da História do Brasil tem crescido substancialmente de uns tempos para cá. E não somente livros didáticos: ensaios, coleções e análises profundas sobre a época do descobrimento - como fez Eduardo Bueno - bem como a respeito do período da Ditadura Militar - no caso dos dois livros de Elio Gaspari - são ótimas referências para que seja feita uma avaliação sóbria acerca dos fatos e também das versões que até então vinham sendo propagadas. No entanto, em meio a essa nova safra de livros, uma singular e densa análise é relançada para provar que, mesmo antes desse reavivamento historiográfico, obras de estofo intelectual já eram escritas na tentativa de dar conta da totalidade do processo de formação da civilização brasileira.

Lançada pela primeira vez na década de 70, a História Geral da Civilização Brasileira é dividida em 11 volumes. Os sete primeiros, que compreendem os períodos colonial e monárquico, tiveram a organização de Sérgio Buarque de Holanda enquanto os outros quatro, que abarca o período republicano, ficaram para o historiador Boris Fausto.

Assim, o livro A época colonial é subdividido em 5 partes, a saber: "O velho mundo e o Brasil"; "A terra e a gente"; "O advento do homem branco"; "A Ameaça Externa"; e "A Expansão territorial". Grosso modo, essa empreitada visa trazer ao leitor um panorama factual e interpretativo no que se refere aos acontecimentos que ocorreram antes, durante e depois do descobrimento do Brasil.

No primeiro volume, Sérgio Buarque de Holanda apresenta a série enfatizando as dificuldades e as nuances que permeiam a construção de um trabalho como este. É certo que ele, como organizador, já antevia obstáculos, porém eles ainda assim surgem, como uma certa imprecisão acerca de alguns acontecimentos, além da falta de determinados documentos mais exatos no tocante aos dados primários para uma pesquisa deste porte. Não obstante a isso, o livro é repleto de relatos "quentes" dos cronistas de época. Obtêm-se, então, histórias muito mais vivas que proporcionam não apenas a descoberta, mas também a interpretação do fato ocorrido.

Dessa forma, logo no primeiro livro, optou-se pela descrição dos antecedentes mais remotos ao descobrimento do Brasil. O leitor é levado à formação do império português, no século XIII. É interessante observar que algumas características desse período permanecem arraigadas ao sistema político e social do país, como o modelo centralizador tanto do sistema político, que na época era absolutista, quanto dos governantes em Portugal.

Ademais, já no primeiro capítulo nota-se uma diferença quanto à forma de se narrar os acontecimentos. Posto que a produção foi repartida entre muitos colaboradores (dentre os quais Florestan Fernandes, Pedro Moacyr Campos e Aziz N. ABSaber), a obra partilha os temas sem privilegiar tanto a ordem cronológica, embora a respeite, mas busca um enfoque nos eventos mais significativos, conforme explica o organizador Sérgio Buarque: "É evidente que não se pode, sem artifício ou vão desafio à unidade do processo histórico, querer insistir demasiado na fixação de marcos. Estes, efetivamente, resultam quase apenas de uma exigência de método".

Nesse sentido, os acontecimentos políticos são encadeados com a movimentação da sociedade, isto é, seu crescimento; a mistura do homem branco com os índios; a influência dos costumes; e também as informações geográficas que tanto encantaram os colonizadores quando aqui chegaram.

É significativo, aliás, a forma que é abordada o descobrimento, uma vez que outros detalhes vêm à tona, como algumas informações da frota de Pedro Álvares Cabral, além de pistas sobre a intencionalidade ou não do descobrimento. Sobre esse aspecto, nota-se o tratamento especial dado a um documento supracitado quando se fala do descobrimento: a partir de uma análise estrutural da locução de Pero Vaz de Caminha, o leitor consegue formular hipóteses sobre o assunto. Neste caso, para além da polêmica, esta abordagem dá sugestões sem que nenhuma teoria conspiratória seja defendida pelo texto.

Em "A terra e a gente", o leitor tem a oportunidade de conferir um retrato da condição de vida que os portugueses encontraram, uma terra cujo solo era fértil para a produção agrícola. No decorrer do livro, observa-se que esse fator é fundamental se se almeja entender a relação entre o colonizador e a terra a ser colonizada, bem como no tratamento do povo que por aqui vivia. No princípio, como defende no livro Florestan Fernandes, esse relacionamento não interferia no equilíbrio da vida entre os índios. Mais para frente, entretanto, pode-se perceber que há uma mudança no que tange esse tratamento: "O anseio de submeter o indígena passou a ser o elemento central da ideologia dominante no mundo colonial lusitano".

Adiante, nota-se como os episódios internacionais, já naquela época, influenciavam decisões de âmbito aparentemente interno, principalmente na ocasião do Tratado de Tordesilhas e durante as ameaças externas de França, Inglaterra e Holanda. E, ao contrário do que muitos possam crer, embora a contextualização concedida pelo livro permita uma reflexão mais abrangente dos meandros internacionais, em nenhum momento os objetivos do livro saem de foco.

Ao cabo, tem-se a percepção de que determinados temas não puderam ser debatidos a fundo, em parte, pelo caráter assaz abrangente dos objetivos inicias. Há que se lembrar também que a maioria dos temas abordados no livro seria facilmente desdobrada em outros estudos. Mesmo assim, "analisar os diferentes campos da formação histórica do país, desde a organização material da sociedade até as formas de cultura e do pensamento" passa a ser tarefa menos árdua já que agora esta obra nos ajudará a compreender todos os detalhes que cercam este alvo.

Pois, como afirma Sérgio Buarque de Holanda: "Para estudar o passado de um povo, de uma instituição, de uma classe, não basta aceitar ao pé da letra tudo quanto nos deixou a simples tradição escrita. É preciso fazer falar a multidão imensa dos figurantes mudos que enchem o panorama da história e são muitas vezes mais interessantes e mais importantes do que os outros, os que apenas escrevem a história".

Sérgio Buarque de Holanda, brasilianista

Em Pindorama, Sérgio Buarque de Holanda (1902-82) é mais celebrado pelo seu trabalho em Raízes do Brasil. Entretanto, sua obra ainda tem muito a acrescentar para o entendimento do país e das instituições brasileiras. Da crítica literária à história, seus ensaios fogem do nacionalismo barato que contamina o talento de qualquer intelectual. Pelo contrário. Existe, em suas "visões do paraíso", até um certo pessimismo no que se refere à História do Brasil - coisa que até os badalados "brasilianistas" fazem, mas com menos talento ou com escasso conhecimento de causa.

Vertentes & Afluentes 1800 a 2003

Um pouco deste Brasil que tanto intrigava ao mesmo tempo em que encantava Sérgio Buarque de Holanda está em retrospectiva pictórica, até o dia 22 de novembro, na Nova André Galeria, em São Paulo. Vertentes & Afluentes traz como referência o Retrato de Mulher, de Eliseu Visconti, artista que o curador Carlos Von Schimidt não hesita em situar ao lado de Monet quando se refere à arte moderna. E há mais: La tristesse de Moise, de Sérgio Ferro; Paisagem, do subestimado Alfredo Volpi, bem como os quadros de Pancetti, Mário Gruber e Benedito Calixto. A única ressalva fica por conta da distribuição das obras no interior da galeria; o que não compromete a exposição.

Para ir além






Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 28/10/2003

Quem leu este, tambm leu esse(s):
01. O massacre da primavera de Renato Alessandro dos Santos
02. 3 dicas para a escrita criativa de Marcelo Spalding
03. Os piores músicos da década de Rafael Fernandes
04. O bom humor do mal-humorado Jamelão de Airton Gontow
05. Uma virada especial de Rodrigo Herrero


Mais Fabio Silvestre Cardoso
Mais Acessadas de Fabio Silvestre Cardoso em 2003
01. Notas sobre Jornalismo Cultural - 11/9/2003
02. Mário Faustino e a poesia - 11/11/2003
03. Civilização Brasileira - 28/10/2003
04. Mongólia: terra estrangeira - 23/12/2003
05. Minha Formação - 14/10/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Livro Economia Internacional Teoria e Política
Paul R Krugman; Maurice Obstfeld
Makron Books
(1999)



Nunquam
Lawrence Durrell
Expressão e cultura
(1971)



Divina Flor 409
Marcos Santarrita
Global
(2000)



Livro de Bolso Saúde Como Cuidar da Sua Coluna? Coleção Questões Fundamentais da Saúde
Patrícia Horta Andrade e Ângelo Robert Gonçalves
Paulus
(2004)



Guia Visual: Folha De São Paulo: Europa
Vários Autores
Publifolha
(2011)



Livro de Bolso Religião O Grande Conflito
Ellen G. White
Casa
(1995)



Livro Ciência Política Os Intelectuais e o Poder Dívidas e Opções dos Homens de Cultura na Sociedade Contemporânea (Biblioteca Básica)
Norberto Bobbio
Unesp
(1997)



Livro Turismo Nova York Guia da Cidade
Lonely Planet
Globo
(2011)



Criatividade - Progresso e Potencial
Calvin W. Taylor
Ibrasa
(1964)



Os Segredos da Negociação
Juliet Nierenberg
Publifolha
(2003)





busca | avançada
107 mil/dia
2,4 milhões/mês