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Terça-feira, 28/10/2003
Civilização Brasileira
Fabio Silvestre Cardoso
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A quantidade de títulos acerca da História do Brasil tem crescido substancialmente de uns tempos para cá. E não somente livros didáticos: ensaios, coleções e análises profundas sobre a época do descobrimento - como fez Eduardo Bueno - bem como a respeito do período da Ditadura Militar - no caso dos dois livros de Elio Gaspari - são ótimas referências para que seja feita uma avaliação sóbria acerca dos fatos e também das versões que até então vinham sendo propagadas. No entanto, em meio a essa nova safra de livros, uma singular e densa análise é relançada para provar que, mesmo antes desse reavivamento historiográfico, obras de estofo intelectual já eram escritas na tentativa de dar conta da totalidade do processo de formação da civilização brasileira.

Lançada pela primeira vez na década de 70, a História Geral da Civilização Brasileira é dividida em 11 volumes. Os sete primeiros, que compreendem os períodos colonial e monárquico, tiveram a organização de Sérgio Buarque de Holanda enquanto os outros quatro, que abarca o período republicano, ficaram para o historiador Boris Fausto.

Assim, o livro A época colonial é subdividido em 5 partes, a saber: "O velho mundo e o Brasil"; "A terra e a gente"; "O advento do homem branco"; "A Ameaça Externa"; e "A Expansão territorial". Grosso modo, essa empreitada visa trazer ao leitor um panorama factual e interpretativo no que se refere aos acontecimentos que ocorreram antes, durante e depois do descobrimento do Brasil.

No primeiro volume, Sérgio Buarque de Holanda apresenta a série enfatizando as dificuldades e as nuances que permeiam a construção de um trabalho como este. É certo que ele, como organizador, já antevia obstáculos, porém eles ainda assim surgem, como uma certa imprecisão acerca de alguns acontecimentos, além da falta de determinados documentos mais exatos no tocante aos dados primários para uma pesquisa deste porte. Não obstante a isso, o livro é repleto de relatos "quentes" dos cronistas de época. Obtêm-se, então, histórias muito mais vivas que proporcionam não apenas a descoberta, mas também a interpretação do fato ocorrido.

Dessa forma, logo no primeiro livro, optou-se pela descrição dos antecedentes mais remotos ao descobrimento do Brasil. O leitor é levado à formação do império português, no século XIII. É interessante observar que algumas características desse período permanecem arraigadas ao sistema político e social do país, como o modelo centralizador tanto do sistema político, que na época era absolutista, quanto dos governantes em Portugal.

Ademais, já no primeiro capítulo nota-se uma diferença quanto à forma de se narrar os acontecimentos. Posto que a produção foi repartida entre muitos colaboradores (dentre os quais Florestan Fernandes, Pedro Moacyr Campos e Aziz N. ABSaber), a obra partilha os temas sem privilegiar tanto a ordem cronológica, embora a respeite, mas busca um enfoque nos eventos mais significativos, conforme explica o organizador Sérgio Buarque: "É evidente que não se pode, sem artifício ou vão desafio à unidade do processo histórico, querer insistir demasiado na fixação de marcos. Estes, efetivamente, resultam quase apenas de uma exigência de método".

Nesse sentido, os acontecimentos políticos são encadeados com a movimentação da sociedade, isto é, seu crescimento; a mistura do homem branco com os índios; a influência dos costumes; e também as informações geográficas que tanto encantaram os colonizadores quando aqui chegaram.

É significativo, aliás, a forma que é abordada o descobrimento, uma vez que outros detalhes vêm à tona, como algumas informações da frota de Pedro Álvares Cabral, além de pistas sobre a intencionalidade ou não do descobrimento. Sobre esse aspecto, nota-se o tratamento especial dado a um documento supracitado quando se fala do descobrimento: a partir de uma análise estrutural da locução de Pero Vaz de Caminha, o leitor consegue formular hipóteses sobre o assunto. Neste caso, para além da polêmica, esta abordagem dá sugestões sem que nenhuma teoria conspiratória seja defendida pelo texto.

Em "A terra e a gente", o leitor tem a oportunidade de conferir um retrato da condição de vida que os portugueses encontraram, uma terra cujo solo era fértil para a produção agrícola. No decorrer do livro, observa-se que esse fator é fundamental se se almeja entender a relação entre o colonizador e a terra a ser colonizada, bem como no tratamento do povo que por aqui vivia. No princípio, como defende no livro Florestan Fernandes, esse relacionamento não interferia no equilíbrio da vida entre os índios. Mais para frente, entretanto, pode-se perceber que há uma mudança no que tange esse tratamento: "O anseio de submeter o indígena passou a ser o elemento central da ideologia dominante no mundo colonial lusitano".

Adiante, nota-se como os episódios internacionais, já naquela época, influenciavam decisões de âmbito aparentemente interno, principalmente na ocasião do Tratado de Tordesilhas e durante as ameaças externas de França, Inglaterra e Holanda. E, ao contrário do que muitos possam crer, embora a contextualização concedida pelo livro permita uma reflexão mais abrangente dos meandros internacionais, em nenhum momento os objetivos do livro saem de foco.

Ao cabo, tem-se a percepção de que determinados temas não puderam ser debatidos a fundo, em parte, pelo caráter assaz abrangente dos objetivos inicias. Há que se lembrar também que a maioria dos temas abordados no livro seria facilmente desdobrada em outros estudos. Mesmo assim, "analisar os diferentes campos da formação histórica do país, desde a organização material da sociedade até as formas de cultura e do pensamento" passa a ser tarefa menos árdua já que agora esta obra nos ajudará a compreender todos os detalhes que cercam este alvo.

Pois, como afirma Sérgio Buarque de Holanda: "Para estudar o passado de um povo, de uma instituição, de uma classe, não basta aceitar ao pé da letra tudo quanto nos deixou a simples tradição escrita. É preciso fazer falar a multidão imensa dos figurantes mudos que enchem o panorama da história e são muitas vezes mais interessantes e mais importantes do que os outros, os que apenas escrevem a história".

Sérgio Buarque de Holanda, brasilianista

Em Pindorama, Sérgio Buarque de Holanda (1902-82) é mais celebrado pelo seu trabalho em Raízes do Brasil. Entretanto, sua obra ainda tem muito a acrescentar para o entendimento do país e das instituições brasileiras. Da crítica literária à história, seus ensaios fogem do nacionalismo barato que contamina o talento de qualquer intelectual. Pelo contrário. Existe, em suas "visões do paraíso", até um certo pessimismo no que se refere à História do Brasil - coisa que até os badalados "brasilianistas" fazem, mas com menos talento ou com escasso conhecimento de causa.

Vertentes & Afluentes 1800 a 2003

Um pouco deste Brasil que tanto intrigava ao mesmo tempo em que encantava Sérgio Buarque de Holanda está em retrospectiva pictórica, até o dia 22 de novembro, na Nova André Galeria, em São Paulo. Vertentes & Afluentes traz como referência o Retrato de Mulher, de Eliseu Visconti, artista que o curador Carlos Von Schimidt não hesita em situar ao lado de Monet quando se refere à arte moderna. E há mais: La tristesse de Moise, de Sérgio Ferro; Paisagem, do subestimado Alfredo Volpi, bem como os quadros de Pancetti, Mário Gruber e Benedito Calixto. A única ressalva fica por conta da distribuição das obras no interior da galeria; o que não compromete a exposição.

Para ir além






Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 28/10/2003

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