O Último Samurai Literário | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
54198 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Conto HAYEK, de Maurício Limeira, é selecionado em coletânea da Editora Persona
>>> Os Três Mosqueteiros - Um por Todos e Todos por Um
>>> Sesc 24 de Maio recebe o projeto Parlavratório - Conversas sobre escrita na arte
>>> Cia Caravana Tapioca faz 10 anos e comemora com programação gratuita
>>> Eugênio Lima dirige Cia O GRITO em novas intervenções urbanas
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
>>> Uma história da Sambatech
>>> Uma história da Petz
>>> A história de Chieko Aoki
>>> Uma história do Fogo de Chão
>>> BDRs, um guia
>>> Iggor Cavalera por André Barcinski
Últimos Posts
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
>>> Indistinto
>>> Mais fácil? Talvez
>>> Riacho da cacimba
>>> Mimético
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Sultão & Bonifácio, parte I
>>> Fui pra Cuba
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
>>> No altar do vento
>>> Hamlet... e considerações sobre mercado editorial
>>> Novos Melhores Blogs
>>> The Romantic Poets, by Kevin Mundy
>>> Mais pressão na caldeira
>>> Manual para revisores novatos
>>> É suave a noite
Mais Recentes
>>> Os amores difíceis de Italo Calvino pela Companhia das Letras (1992)
>>> Os amores difíceis de Italo Calvino pela Companhia das Letras (1992)
>>> Os amores difíceis de Italo Calvino pela Companhia das Letras (1992)
>>> Muito prazer fale português do Brasil de Glaucia Roberta Rocha Fernandes pela Disal (2021)
>>> O beijo e outras histórias de Antón Tchekhov pela Círculo do Livro
>>> Sob o Sol-Jaguar de Italo Calvino pela Companhia das Letras (1995)
>>> O que Einstein disse a seu cozinheiro - vol. 2: Mais ciência na cozinha de Robert L. Wolke pela Zahar (2003)
>>> O que Einstein disse a seu cozinheiro - vol. 1: A ciência na cozinha de Robert L. Wolke pela Zahar (2003)
>>> O Poder do Silêncio de Eckhart Tolle pela Sextante (2016)
>>> O Poder do Agora de Eckhart Tolle pela Sextante (2002)
>>> O Toque de Midas de Colleen McCullough pela Bertrand Brasil (2007)
>>> O Comite da Morte de Noah Gordon pela Rocco (1996)
>>> La Bodega de Noah Gordon pela Rocco (2008)
>>> Xama a historia de um medico no seculo XIX de Noah Gordon pela Rocco (1993)
>>> O Rabino de Noah Gordon pela Rocco (1994)
>>> O Rabino de Noah Gordon pela Rp (2021)
>>> O Fisico - A epopeia de um medico medieval de Noah Gordon pela Rocco (1993)
>>> O Silencio dos Inocentes ( capa dura) de Thomas Harris pela Altaya Record (1989)
>>> Hannibal de Thomas Harris pela Record (1999)
>>> O Jardim de Ossos de Tess Gerritsen pela Record (2009)
>>> O Clube Mefisto de Tess Gerritsen pela Record (2016)
>>> Gestão Empresarial de Taylor aos Nossos Dias de Ademir Antonio Ferreira e Outros pela Pioneira (2000)
>>> O Dominador de Tess Gerritsen pela Record (2016)
>>> Pão Diário 15 de Vários Autores pela Rtm (2012)
>>> Cadernos da Pós-Graduação Cinema e Fotografia de Instituto de Artes Unicamp pela UniCamp (2006)
COLUNAS

Quarta-feira, 18/2/2004
O Último Samurai Literário
Paulo Polzonoff Jr

+ de 9100 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Houvesse ainda homens honrados no mundo, a literatura não padeceria da mediocridade que se instalou. Tenho cá para mim que cada livro mal escrito - e publicado - é um ato de desonra do autor para com o próprio nome. Não importa o quão bem intencionado ele seja. Se falhou é porque não se dedicou o bastante àquilo que se propôs. E a vergonha da falha deveria ser mortal.

Mas literatura - quem a faz e quem a vive (fez, viveu) sabe - não é apenas o ato da composição artística. Um homem sem talento em frente a um computador escrevendo um poema ruim ou um conto ruim é uma desonra para si e para os seus, por mais que os parentes o cubram de beijocas e abracetas e de votos para a Academia Toledana de Letras. Mas é apenas um homem sem talento escrevendo um poema ruim. Pior do que ele é um homem em frente a um computador escrevendo um bom poema ou até um ótimo poema e logo em seguida ligando para um outro poeta, ruim mas influente, elogiando-lhe a mediocridade, apenas para se manter em estado de graça com todas as pessoas.

Não há honra nem há harakiri. Infelizmente, a psicanálise diminuiu - e muito - o suicídio entre os artistas. Por outro lado, instaurou o mundo da não-culpa, da não-responsabilidade e, por conseqüência, da não-honra. Gosto de pensar, apesar de ter certeza do meu erro, que alguns poetinhas ruins que se mataram (precisa citar nomes?) o fizeram por vergonha daquilo que escreveram. Podem até ter dado outra desculpa em público, mas, lá no íntimo mais recôndito, sabiam: aquele verso ruim lhes rendeu a morte.

Nos meus sonhos mais infantis, imagino uma praça numa grande cidade. Pode até ser numa pequena cidade, mas aí não precisa ser uma grande praça. Nela se reúnem todos os dias os poetas e prosadores locais, para mostrarem seu trabalho. Também o público - e há crítico mais cruel? - se reúne na praça, para ouvir as últimas composições da poesia e da prosa. Na praça, todos os dias, há um suicídio. O poeta espeta a caneta bem fundo no abdômen, dá uma rodadinha para doer mais ainda e pede a um outro poeta, menos ruim do que ele, para lhe cortar a cabeça. É que o público não gostou do trocadilho, de nenhum trocadilho, e não lhe restou nada além do suicídio.

Ah, o mundo seria outro se o harakiri, costume japonês do autoflagelo como expiação da desonra, tivesse vingado em terras ocidentais. Dá para contar nos dedos os nomes hoje consagrados que figurariam em enciclopédias ou mesmo em apostilas de literatura. Todos mortos pela própria espada, deixando ao seu lado mulheres orgulhosas do espírito impetuoso que tentou escrever um conto legível mas que, diante da falha, preferiu a morte.

Morte que também provou, por harakiri, o romancista pregador das liberdades individuais, que chama o crítico de canalha, mau-caráter e coisas do gênero, mas que na primeira oportunidade que tem manda uma carta para o dono do jornal no qual escreve o crítico, pedindo sua degola. Como poderia não se envergonhar o romancista por tamanha covardia?

Os críticos tampouco sobreviveriam à institucionalização do harakiri por estas terras cheias de desonra. Homens de letras fartas para seus apadrinhados, morreriam todos por elogiar aquele livro do amigo do tio do cunhado do cachorro que lhe é de alguma estima e alguns dinheiros. Assim como se mataria aquele que, usando a palavra errada, disse a verdade necessária, mas não ouvida - o meu caso.

Gosto de pensar que, se houvesse punição para a vergonha que é falhar em sua expressão, a nós restariam duas opções apenas. Uma delas seria a morte diante do erro e da vergonha dele decorrente. A outra seria o cuidado extremo com aquilo que se escreve, que se pensa e se põe no papel. Um cuidado que nada tem a ver com covardia ou com medo da reação alheia, e sim com o esmero do golpe dado no corpo alheio: olhos nos olhos, espada no ventre e o corpo caído do homem vencido: a honra de ser defenestrado.

E para os leitores despreparados que vêem na palavra alheia sentidos outros, tangenciais ao real significado? Para o bem da perpetuação da espécie, a eles não seria concedido o direito ao suicídio, ao harakiri; por outra, a eles pesaria um castigo terreno: os olhos seriam furados e em seus dorsos seriam tatuados os crimes contra a honra, própria e alheia, que cometeu. Posso imaginar homens de beca vagando cegos por entre as alamedas da cidade universitária, com tatuagens enormes pelas costas, com inscrições como "Uma abordagem psico-epistemológica do romance eduardiano".

(*) Se você pensou em me escrever dizendo que com este texto eu proponho a censura ou que eu estou querendo matar alguém por questões estéticas e tal, por favor, cometa harakiri. Ou vá tomar um porre de saquê.

Nota do Editor 1
Paulo Polzonoff Jr. assina hoje o blog O Polzonoff, onde este texto foi originalmente publicado. (Reprodução gentilmente autorizada pelo autor.)

Nota do Editor 2

Leia também a crítica de Paulo Polzonoff Jr. ao filme O Último Samurai.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 18/2/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Tecnologias e borboletas de Ana Elisa Ribeiro
02. Um safra de documentários de poesia e poetas de Elisa Andrade Buzzo
03. A natureza selvagem da terra de Elisa Andrade Buzzo
04. A poesia concreto-multimídia de Paulo Aquarone de Marcelo Spalding
05. Tolos Vorazes de Vicente Escudero


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr
01. Transei com minha mãe, matei meu pai - 17/10/2001
02. Quem sou eu? - 8/12/1977
03. Olavo de Carvalho: o roqueiro improvável - 15/8/2003
04. Grande Sertão: Veredas (uma aventura) - 13/4/2006
05. Está Consumado - 14/4/2001


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/2/2004
16h15min
Não sei como vim parar aqui, mas gostei muito do texto. A internet e a facilidade para publicação de livros criaram uma leva enorme de escritores ruins. Talvez essa falta de vergonha na cara dos "escritores" venha da perda do hábito de leitura do povo em geral. Quanto menos exigente o leitor, menos preocupado com qualidade será o escritor... E durma com um barulho desses... Abraço!
[Leia outros Comentários de Saladin]
19/2/2004
08h13min
Sempre gostei de cozinhar e de escrever. Desconfio que em ambos os ofícios produzo resultados medíocres, porém corretos. Criei certa vez um prato - não chega a ser uma receita, uma vez que a forma e o conteúdo variam sempre - que apelidei de "macarrão com tudo". Eu era bem mais jovem, e a gororoba servia muito bem para matar a fome pós-balada. Um dia um amigo provou o "macarrão-com-tudo" e disse que eu deveria abrir um restaurante, que aquilo era maravilhoso demais. Creditei o elogio à fome da madrugada e às más disfarçadas intenções do meu amigo de comer não só o macarrão - mas a autora do prato. Com meus escritos não foi diferente - quando tinha coragem de mostrá-los a alguém, choviam elogios, inclusive de um professor que passou a repetir diariamente "você tem que cursar jornalismo, não desperdice este talento..." Os anos passaram... fui a um restaurante caro, aliás um "café" num shopping, para comer a comida-filhote daqueles outros restaurantes carésimos da famiglia... e não é que havia um prato, que muito lembrava meu macarrão-com-tudo das madrugadas pós-balada? Só que tinha a grife da famiglia e custava uma fábula. Assim acontece com a literatura. Aliás, houve mesmo um caso de suicídio do chefe de cozinha de Luís XV, que matou-se ao desconfiar que um jantar de honra que preparara não saíra a contento. Um exagero. Há espaço para big-macs, para pastel de feira, e para os pratos franceses, um tiquinho de comida dentro do prato, enfeitado à exaustão e alçado à categoria de arte. Autores a quem muitos tratarão como iguaria, não passam de gororoba para o autor desta coluna. É tudo questão de gosto, de horário e do tamanho da fome.
[Leia outros Comentários de Cozete Gelli]
19/2/2004
12h24min
Caríssimo Paulo, concordo plenamente quando diz que, em alguns casos, chega a faltar respeito por parte do 'escritor' para com o leitor. E concordo tb que esse tipo de escritor (os que faltam com respeito com o leitor) mereça o esquecimento. Veja bem, acredito numa diferença entre o cara ruim e que falta com respeito (pra mim, esse é o cara que não tem a menor preocupação com a grafia correta das palavras, comete erros de concordância e que, no caso de obras de época ou jornalísticas, divulgam dados e informações equivocadas) e o escritor que embora acerte informações e escreva as palavras de forma correta EU considero ruim. Os que se enquadram no primeiro grupo, devem ser, sem sombra de duvida, esquecidos e combatidos. Já os que compoem o segundo grupo, podem ser interpretados das mais variadas formas. Digo tudo isso só pra dizer que achei seu texto um pouco radical. Imagino que deva estar revoltado com a quantidade de coisas ruins que aparecem por aí - assim como tb estou - mas, nesse caso, devemos, sim, nos preocupar em 'educar' o leitor para que consuma o que realmente tem qualidade, respeitando suas diferenças e gostos. Com sua observação final, vc ridiculariza os que viram no seu texto uma forma de censura, mas foi exatamente isso que vc deixou nas entrelinhas. Desculpe-me, mas percebi no seu texto uma ponta de arrogância, que talvez tenha sido inconsciente. Mas, ainda assim, não sugiro que vc cometa harakiri ou que vá tomar um porre de saquê. Só não foi feliz. Abraço.
[Leia outros Comentários de Maykon Souza]
9/3/2004
17h08min
eu sou boa poeta e vou me matar, caso voce considere que eu nao seja.
[Leia outros Comentários de Paula Correa]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Guia dos Mil Presentes
Betty Chateaubriand
Códex
(2003)



Vade Mecum Edição Especial 2014
Thomson Reuters/rt
Thomson Reuters/rt
(2014)



Elas Escrevem Contos, Crônicas e Poemas
Hanna Liis-baxter
Andross
(2010)



A Moreninha - Serie Bom Livro
Joaquim Manuel de Macedo
Atica
(1993)



É Dando Que Se Recebe
Carlos Eduardo Novaes
Ática
(1994)



Organizações de Aprendizagem Educação Continuada e a Empresa do Futur
Humberto Mariotti
Atlas
(1999)



Ser Protagonista Química 2ºano Ensino Medio
Julio Cesar Foschini Lisboa
Sm Didático
(2014)



Redimidos - da Miséria, da Enfermidade e da Morte
Kenneth E. Hagin
Graça Editorial
(2004)



El Acero En La Construccion
Jose Pinos Calvet
Reverte
(1969)



Grammar Practice 1 a Complete Grammar Workout For Teen Students
Herbert Puchta
Helbling
(2012)





busca | avançada
54198 visitas/dia
2,2 milhões/mês