¡Qué mala es la gente! | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
63818 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Diálogos na Web FAAP: Na pauta, festivais de cinema e crítica cinematográfica
>>> Pauta: E-books de Suspense Grátis na Pandemia!
>>> Hugo França integra a mostra norte-americana “At The Noyes House”
>>> Sesc 24 de Maio apresenta programação de mágica para toda família
>>> Videoaulas On Demand abordam as relações do Homem com a natureza e a imagem
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Meu malvado favorito
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Nem morta!
>>> O pai tá on: um ano de paternidade
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - I
>>> Contentamento descontente: Niketche e poligamia
>>> Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
>>> Sebo de Livros do Seu Odilon
>>> Sucharita Kodali no Fórum 2020
>>> Leitura e livros em pauta
>>> Soul Bossa Nova
>>> Andreessen Horowitz e o futuro dos Marketplaces
>>> Clair de lune, de Debussy, por Lang Lang
>>> Reid Hoffman sobre Marketplaces
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
>>> Stock Pickers ao vivo na Expert 2020
Últimos Posts
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
>>> Deu branco
>>> Entre o corpo e a alma
>>> Amuleto
>>> Caracóis me mordam
>>> Nome borrado
>>> De Corpo e alma
>>> Lamentável lamento
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Gabinete do Dr. Caligari
>>> Ser intelectual dói
>>> Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
>>> É Julio mesmo, sem acento
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> Caí na besteira de ler Nietzsche
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Santa Xuxa contra a hipocrisia atual
>>> Há vida inteligente fora da internet?
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
Mais Recentes
>>> Um bebê em casa - um guia prático com informações, dicas e curiosidades, da gravidez ao primeiro aninho. de Chis Flores pela Panda Books (2011)
>>> O Pensamento Político De Érico Veríssimo de Daniel Fresnot pela Graal (1977)
>>> Sobre a Literatura de Marcel Proust pela Pontes (1989)
>>> Poemas Sacros de Menotti Del Picchia pela Martins (1992)
>>> O Grotesco Na Criação De Machado De Assis de Maria Eurides Pitombeira de Freitas pela Presença (1981)
>>> Machado De Assis Para Principiantes de Org. Marcos Bagno pela Ática (1998)
>>> A Barca Dos Amantes de Antônio Barreto pela (1989)
>>> O Tao da Respiração Natural de Dennis Lewis pela Pensamento (1997)
>>> O Aprendiz Da Madrugada de Luiz Carlos Lisboa pela Gente (1994)
>>> Vencendo nos Vales da Vida de Ray Conceição pela Holy Bible (1995)
>>> Eça, Discípulo De Machado de Alberto Machado Da Rosa pela Editora Fundo De Cultura (1963)
>>> Perdão A Cura para Todos os Males de Gerald G. Jampolsky pela Cultrix (2006)
>>> Em Quincas Borba De Machado De Assis de Ivan C. Monteiro E Outro pela Livraria Acadêmica (1966)
>>> A Liberação Da Mente Através Do Tantra Yoga de Ananda Marga pela Ananda Marga Publicaçãoes (2002)
>>> O Oráculo Interior de Dick Sutphen pela Nova Era (1994)
>>> Manual Do Terapeuta Profissional De Segundo Grau de David G. Jarrell pela Pensamento (1995)
>>> O Discurso Da Libertação na Sinagoga De Nazaré de org. Leonardo Boff entre outros pela Vozes (1974)
>>> O Pensar Sacramental REB 35 de org. Leonardo Boff entre outros pela Vozes (1975)
>>> Meditações Diárias Para Casais de Dennis e Barbara Rainey pela United Press (1998)
>>> Machado De Assis de org. por Luís Martins pela Iris
>>> Massagem Para Energizar Os Chakras de Marianne Uhl pela Nova Era (2001)
>>> O Mundo Social Do Quincas Borba de Flávio Loureiro Chaves pela Movimento (1974)
>>> Pensamento Diário de Elsa kouber (entre outros) pela Rádio Transmundial (2019)
>>> O Que É Esta Religião? de Ibps do Brasil (org) pela Ibps do Brasil
>>> Meditando a Vida de Padma Samten pela Peirópolis (2001)
>>> O Poder Da Paciência de M. J. Rayan pela Sextante (2006)
>>> Liberdade? Nem Pensar! de Aquino e Bello pela Record (2001)
>>> Desafio Educacional Japonês de Merry Whitte pela Brasiliense (1988)
>>> As Flores Do Mal Nos Jardins De Itabira de Gilda Salem Szklo pela Agir (1995)
>>> A Era Do Inconcebível de Joshua Cooper Ramo pela Companhia Das Lestras (2010)
>>> A Voz e a Série de Flora Süssekind pela Sette Letras (1998)
>>> Cure Seu Corpo de Louise L. Hay pela Best Seller (2004)
>>> História Viva De Um Ideal de Hélio Brandão pela Do autor (1996)
>>> Cure Seu Corpo de Louise L. Hay pela Dag Gráfica
>>> Índice Analítico Do Vocabulário De Os Lusíadas J-Z de Org. por A. G. Cunha pela Instituto Nacional Do Livro (1966)
>>> Sempre Zen Aprender Ensinar E Ser de Monja Coen pela Publifolha (2006)
>>> I Ching O Livro das Mutações de Não Informado pela Hemus (1984)
>>> Via Zen Reflexões Sobre O Instante e O Caminho de Monja Coen pela Publifolha (2004)
>>> Praticando o Poder Do Agora de Eckhart Tolle pela Sextante (2005)
>>> La Théologie De La Foi Chez Bultmann de J. Florkowski pela Du Cerf (1971)
>>> Quatre Vingt Neuf de Georges Lefebvre pela Sociales (1964)
>>> Haikai de Paulo Franchetti (e outros) pela Unicamp (1991)
>>> As Razões Da Inconfidência de Antônio Torres pela Itatiaia (1956)
>>> Estratégias e Máscaras de um Fingidor, Crônicas de Machado De Assis de Dilson F. Cruz Jr pela Nankin editorial (2002)
>>> Anjo Caído de Daniel Silva pela Arqueiro (2013)
>>> A Paz Interior de Joseph Murphy pela Nova Era (2000)
>>> A Pedra e o Rio ( uma interpretação da poesia de João Cabral de Melo Neto) de Lauro Escorel pela Livraria Duas Cidades LTDA. (1973)
>>> Como Utilizar O Seu Poder De Cura de Joseph Murphy pela Nova Era (1997)
>>> Os sete Crimes De Édipo de Pedro Américo Corrêa Netto pela Agir (1987)
>>> Transportes Pelo Olhar de Machado de Assis de Ana Luiza Andrade pela Grifos (1999)
COLUNAS

Quinta-feira, 27/5/2004
¡Qué mala es la gente!
Adriana Baggio

+ de 8200 Acessos

O ser humano é o único animal capaz de rir. Por ser uma manifestação tipicamente humana, o riso está ligado à inteligência, à racionalidade. Onde há afeto não há espaço para o riso. Ambos são mutuamente excludentes. Esta pode ser uma explicação para o comportamento daquelas pessoas divertidíssimas, irônicas e sarcásticas, das quais se diz que se quer morrer amigo delas. São elas que verbalizam o que todo mundo pensa mas ninguém tem coragem de expor. A chatice do politicamente correto não existe para elas. Por isso, também são consideradas pessoas cruéis, insensíveis, maldosas. São como a Geni do Chico Buarque. Condenadas pela hipocrisia daqueles que se acham guardiães da moral, da boa educação e do bom comportamento, mas também exploradas por eles quando querem uma válvula de escape para a dureza e o ridículo da vida.

Deve ser por isso que o livro de história em quadrinhos de Quino, o famoso criador de Mafalda, chama-se Que gente má! (Martins Fontes, 2003). Mais conhecido pelas tirinhas da precoce e politizada garotinha argentina, Quino explora nessa obra o futil e medíocre dos humanos, principalmente dos latinos, com todos os seus tabus e valores deturpados. Por isso mesmo o livro é maravilhoso! Rimos de nós mesmos e isso faz com que a gente se sinta melhor com nossos defeitos. É como se ao vê-los desenhados, expostos em preto no branco do papel, nos sentíssemos menos culpados por constatar que o peso dos nossos pecadilhos pode ser dividido com toda a humanidade.

Através de desenhos e às vezes de palavras, Quino mostra diversos personagens que trazem consigo as fraquezas humanas. É lógico que, quando se fala em fraquezas humanas, a primeira coisa que vem à cabeça é sexo. Que gente má! é repleto de homens obsessivos por sexo e mulheres calipígias. Um dos quadrinhos mais engraçados mostra um garotinho na praia, tentando brincar calmamente com seu castelinho de areia, rodeado por uma profusão de peitos e bundas semi-descobertos. Perturbado, pergunta à sua mãe: "Mamãe, estou sentindo uma coisa, não sei muito bem onde, e não sei o que é. O que é?".

Sexo e poder são os temas mais presentes no livro. O sexo, através das temáticas que alimentam a luxúria humana, como a infidelidade de homens e mulheres, homens maduros com mulheres jovens, sonhos eróticos, a safadeza dos velhinhos. O poder, pelas situações de trabalho, a representação dos chefes, dos patrões, da polícia, dos governantes. Quino é produto de uma cultura onde sexo e poder são temáticas arraigadas. A Argentina é tão conhecida pela sensualidade do tango quanto pela violência do seu regime militar. Sem machismo nem revanchismo, Quino retrata com crueza, mas com muito bom humor, o reflexo da experiência com a sensualidade e com o poder no comportamento humano.

O livro de Quino deveria ser referência bibliográfica para as disciplinas de lingüística e semiótica. O cartunista usa e abusa das possibilidades de significação oferecidas pelos recursos de texto e dos traços. Quino brinca, por exemplo, com o sentido denotativo e conotativo das palavras e desenhos para construir suas idéias. Transforma expressões metafóricas em desenhos figurativos, como no quadrinho em que a mulher percebe que o ex ainda está em sua cabeça quando vai arrumar os cabelos e uma pequena figura masculina aparece presa nos dentes do pente. Já em outro quadrinho, a oposição entre traços grossos e finos é o principal recurso usado pelo autor para representar o deslocamento de poder do homem para a mulher após o casamento. O humor de Quino, além de acessível e familiar pelo seu conteúdo, também utiliza elementos iconográficos da cultura popular e, talvez por isso, provoque uma identificação tão forte com o leitor.

Quino não perdoa homens, nem mulheres, nem crianças, nem velhos. Faz pouco dos modismos como o culto ao corpo, a alimentação saudável, a vida junto à natureza. Tira sarro do computador e da nova cultura a ele relacionada. Mostra o ridículo de se valorizar demais a tecnologia e o jargão que a acompanha, e que acaba por separar o mundo entre aqueles alfabetizados tecnologicamente e os não-alfabetizados e, portanto, sem acesso às novas formas de convivência social ou profissional.

O paradoxo de Que gente má! é justamente a humanidade presente em traços e palavras tão cruéis. Por mais realisticamente ridícula que seja a situação retratada, parece que o afeto está prestes a aparecer por trás do riso maldoso que acompanha a leitura de cada quadrinho. Passamos a sentir pena dos outros, e por fim de nós mesmos. Ficamos surpresos de sermos aquilo que está retratado. E como somos condescendentes com nossos próprios defeitos, depois do riso talvez tenhamos uma pequena crise de consciência. É nesse ponto que o humor dá lugar ao afeto. Talvez passemos a nos consolar e nos acarinhar, tentando nos convencer de que se realmente somos aquilo, podemos melhorar. Ou seja, um processo hipócrita de auto-enganação.

Continuaremos podres, mesquinhos, infiéis e obcecados com os pecados e tabus que povoam nossa cabeça. E dessa matéria prima serão criadas obras como a de Quino, que funcionam melhor que qualquer terapia de autoconhecimento. Com a vantagem que você não precisa falar, só ler. E que terá rido em vez de chorar.

Para atender aos fãs de Mafalda, Quino encerra o livro com uma participação especial de sua estrela, com direito a ele próprio como personagem. Nesse quadro, ele volta a pena para si e para sua mais famosa criação, talvez para mostrar que não se acha acima das misérias retratadas por traços tão críticos e mordazes.

Para ir além






Adriana Baggio
Curitiba, 27/5/2004


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2004
01. Maria Antonieta, a última rainha da França - 16/9/2004
02. Do que as mulheres não gostam - 14/10/2004
03. O pagode das cervejas - 18/3/2004
04. ¡Qué mala es la gente! - 27/5/2004
05. Publicidade gay: razão ou sensibilidade? - 19/8/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




RELAÇÕES PÚBLICAS: CASOS ATUAIS - PERSPECTIVAS FUTURAS
ANTONIO DE LISBOA MELLO E FREITAS
SULINA / ARI
(1985)
R$ 20,00



OS MELHORES GESTORES, SUAS LIÇÕES
PAUL B. THORNTON
CLÁSSICA
(1993)
R$ 16,50



AMOR DIVIDIDO
BARBARA PYM
RECORD
(1978)
R$ 7,90



CRIANÇAS OK
ALVYN E MARGARET FREED
ARTENOVA
(1977)
R$ 10,00



É FÁCIL SER AUDITOR
ROGÉRIO PFALTZGRAFF
PALLAS
(1975)
R$ 5,00



EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E A LÓGICA DAS COMPETÊNCIAS
FERNANDO FIDALGO/ MARIA AUXILIADORA/ NARA LUCIENE
VOZES
(2007)
R$ 18,00



PRODUÇAO GRAFICA - NOVAS TECNOLOGIAS
CLAUDIO SILVA
NÃO INFORMADA
(2009)
R$ 54,90



RENASCIMENTO E HUMANISMO
TERESA VAN ACKER
ATUAL
(1992)
R$ 9,80



DICIONÁRIO DE ÉTICA ECONÔMICA
GEORGES ENDERLE/ KARL HOMANN E OUTROS
USINOS
(1997)
R$ 9,90



OS PALESTINOS
MARCOS MARGULIES
DOCUMENTARIO
(1979)
R$ 7,90





busca | avançada
63818 visitas/dia
2,2 milhões/mês