Uma cidade bárbara | Daniela Sandler | Digestivo Cultural

busca | avançada
36819 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quarta-feira, 23/6/2004
Uma cidade bárbara
Daniela Sandler

+ de 3700 Acessos

Berlim é famosa, entre outras coisas, pelo mau-humor. No guia turístico Lonely Planet, a autora – uma alemã que adora a cidade – adverte em sua introdução que o serviço é ruim e as pessoas, em geral, antipáticas. Ela conta ainda que até mesmo o órgão oficial de turismo da cidade admite o problema, mas suas tentativas de resolvê-lo têm sido infrutíferas. O mau-humor não é dirigido especificamente a turistas ou estrangeiros. Aliás, ninguém deve se sentir atingido pessoalmente: o mau-humor é genérico e onipresente, como um estado natural dos berlinenses.

Pois Berlim inspirou um livro inteiro dedicado ao seu mau-humor. Escrito por cinco alemães de outras partes do país, que mudaram para Berlim a trabalho, o livro é composto de narrativas curtas sobre suas experiências na cidade. Desagradáveis, na maior parte dos casos. O título já dá uma idéia: Aqui fala Berlim: histórias de uma cidade bárbara. O “bárbara” é sem ironia, pois a palavra não tem a conotação positiva da nossa gíria. Quer dizer mesmo não-civilizado e rude.

Os autores desfiam relatos sobre taxistas irados, vendedores desdenhosos, sapateiros de má-vontade. Depois de uma temporada na cidade, é difícil discordar – ainda que a própria idéia de escrever um livro para reclamar dos berlinenses seja ela mesma um sinal de mau-humor. Eu mesma tenho incontáveis exemplos. Uma caixa de supermercado ralhou comigo porque eu coloquei a cesta de compras no lugar errado. Em altos brados, a fila inteira ouviu. Outra vez foi num restaurante, onde a comida demorou uma hora e meia para chegar. Como outros fregueses, desisti e decidi ir embora. A garçonete trouxe a conta da minha bebida antes mesmo que eu pedisse. Não se desculpou, pareceu aliviada, foi cuidar de outras mesas. Mas quando eu vestia meu casaco, a comida chegou. A garçonete voltou indignada e disparou: “Mas eu já tinha cancelado seu pedido, como é que você está comendo agora?!”. Tive de explicar a ela o propósito da minha visita ao restaurante: “Mas eu estou com fome!!!!”. Ela coroou o diálogo com um “Então coma!” tão raivoso que dois outros garçons e o gerente vieram se desculpar.

Tenho amigas que desistiram de ir à biblioteca, por medo de levar bronca. No registro de estrangeiros (onde, após a chegada ao país, os vistos de estadia são emitidos), algumas pessoas vão às lágrimas. Mas o cúmulo foi o dia em que tive de passar um fax para um órgão público. Como não tenho fax em casa, fui a uma loja de xerox que oferece o serviço. A mocinha me atendeu gentilmente e foi passar o fax. Discou, alguém atendeu, trocaram algumas frases, o número estava errado, depois de duas ou três tentativas o negócio funcionou. Eu já estava pagando, indo embora, quando ela solta a reclamação: “Eles foram muito grossos comigo no telefone!”. Uma berlinense reclamando do mau-humor berlinense! E para mim, como se eu fosse a responsável! “Sinto muito”, eu disse, meio sem graça, pois afinal eu não devia estar me desculpando de nada.

Grosseria histórica

A falta de educação é histórica: no século dezenove e começo do século vinte a cidade já tinha fama de bárbara. Explicações não faltam, ainda que também não expliquem muito. Alguns põem a culpa no passado militar de Berlim, cidade-caserna. A disciplina do exército, é claro, não é sinônimo de cortesia e gentileza. Para outros, a má-educação começou com a rápida industrialização e crescimento urbano, quando a cidade foi tomada por fábricas fumarentas, miséria, crimes e agitação política. Talvez o cotidiano duro e violento tenha forjado uma sensibilidade particular nos habitantes – uma sensibilidade calejada, por assim dizer. Contrastando com a sofisticação cultivada de Munique, por exemplo, os habitantes de Berlim teriam uma noção mais realista e pragmática das dificuldades da vida e da futilidade de firulas de etiqueta. Ou talvez o mau-humor tenha sido sempre, simplesmente, efeito dos ventos ríspidos e dias casmurros dos invernos longos...

Para os tempos mais recentes há novas explicações. A cidade foi castigada sucessivamente pela guerra, ocupação aliada e divisão – primeiro entre os quatro países aliados, depois entre Alemanha Oriental e Ocidental. O trauma e o sofrimento do Muro teriam feito de Berlim a cidade mais triste do mundo, segundo a filósofa norte-americana Susan Neiman. No lado Oeste, o sofrimento foi atenuado por subsídios econômicos – que fizeram de Berlim uma vitrine capitalista encravada no mundo comunista – e toda sorte de incentivos para seus habitantes. Ainda assim, a vida em Berlim Ocidental no pós-guerra nunca teve, por assim dizer, leveza de espírito. A vitalidade da contracultura jovem nos anos sessenta e setenta foi traduzida, sim, em comunidades hippies, mas também num movimento anarquista violento e negativo, simbolizado por barricadas e carros incendiados.

A vida noturna dos anos setenta e oitenta girava em torno de concertos punk, da música melancólica e depressiva de gente como Nick Cave, e do consumo de drogas, especialmente heroína. Sua narcose sorumbática e destrutiva foi simbolizada pelo livro e, depois, filme Eu, Christiane F., treze anos, drogada, prostituída.... O título folhetinesco em português não faz jus à dimensão urbana do livro, que destila a alma dura da cidade em conjuntos habitacionais gigantes, desertos de concreto e milhares de apartamentos empilhados; em esquinas cinzentas, banheiros sujos e os fundos da estação de trem onde a protagonista encontrava seus clientes e outros viciados. O título original, afinal, é “Nós, as crianças da estação Zôo” – a estação de trem, metrô e ônibus chamada Zoologischer Garten (Jardim Zoológico, no centro de Berlim Oeste), ou simplesmente “Zoo”.

Do outro lado do Muro, as coisas não eram muito mais alegres. A mesma melancolia, sem o lustro capitalista – ou seja, sem anúncios e vitrines coloridas, sem carros modernos ou confortos rotineiros. As ruas monumentais de Berlim Oriental estavam sempre livres, pois os carros eram poucos; as fachadas das casas eram enegrecidas, cinzentas da fumaça de carvão (usado para aquecimento), a pintura nunca renovada, muitas vezes desfolhando, mostrando tijolos, marcas de tiros da guerra, a alvenaria mordida nas quinas e terraços. A opressão do regime comunista, a espionagem da polícia secreta e as restrições da ditadura provocavam desencanto. Os que se encaixavam no sistema e na ideologia viviam também encaixotados em conjuntos habitacionais enormes, na periferia da cidade, cobiçados por terem aquecimento central e banheiro próprio. Os que não se adaptavam – antes que a revolução pacífica do fim dos anos oitenta tomasse corpo – viviam à margem do sistema, mas no centro da cidade, nos bairros históricos deteriorados, abandonados pelo governo.

Hedonismo e alegria

Mas essa tristeza toda, que teria roubado dos berlinenses a disposição para a gentileza cotidiana e a boa-vontade gratuita, deveria ter se dissipado com a euforia da queda do Muro e o otimismo da reunificação. De fato, a melancolia deu lugar a um hedonismo quase obsessivo, centrado na vida noturna e na diversão em clubes, cafés, bares e festas. Sair à noite é quase obrigação social – descobrir os melhores clubes, perseguir os DJs mais cotados, os eventos secretos e ilegais em espaços ocupados. Berlim é a cidade da “Love Parade”, uma espécie de carnaval tecno que acontece em julho. Mas, assim como euforia não significa felicidade, essa disposição desenfreada para a recreação não corresponde a uma atitude mais alegre e aberta. Segundo um amigo meu, a vida noturna acelerada explica o mau-humor: todo mundo estaria sempre de ressaca e com falta de sono.

Pode ser. Explicação, no sentido restrito da palavra, não há, ainda que seja divertido explorar os contextos culturais do mau-humor berlinense. E, para ser sincera, parte da diversão está também em cultivar o próprio mito do mau-humor, com o que este meu texto, admito, contribui. Pois é claro que, para todos os exemplos de berlinenses rudes, tenho tantos ou mais exemplos de berlinenses educados, sorridentes, solícitos e agradáveis. Mas que há algo nesta cidade que, com freqüência, nos faz emburrar e querer soltar um palavrão, isso há – eu mesma testemunho, surpeendendo em mim momentos de puro espírito berlinense. E, desta vez, não vou por a culpa do meu mau-humor no... mau-humor dos berlinenses ao meu redor!


Daniela Sandler
Berlim, 23/6/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. K 466 de Renato Alessandro dos Santos
02. Não quero ser Capitu de Cassionei Niches Petry
03. Apontamentos de inverno de Elisa Andrade Buzzo
04. Seis meses em 1945 de Celso A. Uequed Pitol
05. Bitcoin, smart contracts, blockchain, cryptoassets de Julio Daio Borges


Mais Daniela Sandler
Mais Acessadas de Daniela Sandler em 2004
01. Olá, Lênin! - 10/3/2004
02. Brasil em alemão - 7/7/2004
03. Muros em Berlim, quinze anos depois - 24/11/2004
04. Dia D, lembrança e esquecimento - 9/6/2004
05. Fritas acompanham? - 18/8/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A PRIMEIRA AGUIA
TONY HILLERMAN
ROCCO
(2001)
R$ 8,94



QUEM MATOU PAPAI NOEL ?
JULIO EMÍLIO BRAZ
SALESIANA
(2009)
R$ 9,90



O PODER COMPETITIVO DA CRIATIVIDADE
CLAY CARR
MAKRON BOOKS
(1997)
R$ 8,30



ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES
DANIEL A. MOREIRA
PIONEIRA
(1998)
R$ 30,60



MEDICINA
DO ABORTAMENTO CRIMINOSO PRINCIPALMENTE EM SÃO PAULO
IRMAOS FERRAZ
(1927)
R$ 122,50



BIOLOGIA - VOLUME ÚNICO 2ª EDIÇÃO - BANCO DE QUESTÕES
ARMÊNIO UZUNIAN E ENERSTON BIRNER
HARBRA
(2004)
R$ 20,00



IDEIAS GENIAIS - DESCOBERTAS POR ACIDENTE
SURENDRA VERMA
GUTENBERG
(2016)
R$ 24,00



HISTORIA GERAL
CLÁUDIA VICENTINO
SCIPIONE
(2006)
R$ 70,00



MENSAGENS DE ESPERANÇA - BOX COM 6 LIVROS 
ELLEN G. WHITE
CPD
(2014)
R$ 39,00



POESIA PARA QUÊ? A FUNÇÃO SOCIAL DA POESIA E DO POETA
CARLOS FELIPE MOISÉS
UNESP
(2019)
R$ 38,90





busca | avançada
36819 visitas/dia
1,4 milhão/mês