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Sexta-feira, 17/9/2004
Auto-análise
Julio Daio Borges

+ de 4100 Acessos

Você acredita ter mais dificuldades em se relacionar do que a média das pessoas da sua idade? Em outras épocas, a resposta seria peremptória: "Não". Hoje perdi o parâmetro. O que significa ter facilidade para se relacionar? Significa relacionar-se com muitas pessoas? Se for isso, confesso que "me relaciono" com muito menos gente hoje. São "relações", talvez, em maior número, mas bem mais superficiais (do que antes).

Você tem dificuldade em confiar nas pessoas? Mais uma vez, em outras épocas, a resposta seria "não". É natural que de "confiantes" (jovens) vamos passando a "desconfiados" (adultos) e, finalmente, terminamos "medrosos" (velhos). Mas eu não sei se é, necessariamente, uma questão de idade. Existem fases em que as apostas em jogo obrigam a uma "corrida solitária", a um isolamento e, portanto, a um grau maior de "desconfiança". Enfim: sim, eu já confiei mais, e em mais pessoas.

Você prefere estar sozinho do que na companhia de outras pessoas? Sim, já preferi. A sociabilização forçada, digamos, em certas idades (escola, faculdade, trabalho) despertam, em sujeitos como eu, um anseio pela solidão. Pela paz de espírito, melhor dito. Porque a solidão, quando acontece, não é agradável, nem desejável. Hoje, às vezes, sinto solidão - talvez no trabalho - e percebi que é muito diferente do desejo (de antes) de estar só.

É verdade que você não se deixa afetar por críticas nem por elogios? Já fui mais indiferente a tudo isso. E já fui mais afetado, também. Vamos dizer que, atualmente, eu procuro uma resposta. Não sei se boa, não sei se má. Uma resposta apenas. Um sinal. Porque o silêncio, o desprezo (do verbo "des-prezar"), a própria indiferença é muito pior do que a crítica mais contundente. Você sentir que o seu esforço foi em vão, que o seu trabalho é como se não tivesse existido... Pode haver algo pior?

As pessoas consideram você frio e distante? Provavelmente. Algumas. Ocorre que, mesmo em reuniões sociais, às vezes, costumo entrar em órbita - em torno do meu próprio eixo. Às vezes, também, me desligo de uma conversa local e passo a captar uma outra, distante. (Principalmente quando esta última parece mais interessante.) Não sei o porquê do fenômeno. Fotossíntese? Powersave on? Screensaver? Certamente, não indica menosprezo. Eu não costumo perder nenhuma palavra. Sou bom ouvinte. E, geralmente, guardo.

Seu jeito de ser é considerado excêntrico pelos outros? Provavelmente, também. E, possivelmente, funciono dentro de uma lógica própria. Não acredito em "intuição" (e nem nesse palavreado esotérico), mas sei o que é feeling. E se o meu feeling não é bom sobre determinada coisa, não faço. Por mais que as razões sejam as melhores. E, do mesmo modo, se o meu feeling não é bom sobre aquela hora, não adianta me pressionar. (Aliás, até trabalho bem sob pressão - mas não é por escolha.) Então meu raciocínio, no limite, não respeita muito os argumentos dos outros. Preciso também do meu feeling; principalmente para grandes decisões. (Pode chamar isso de teimosia, se quiser.)

Você toma decisões sem pensar nas conseqüências? Já tomei. Quem não tomou? (Pois quem não tomou deveria tomar.) O meu problema é que o futuro, na minha cabeça, é mais uma abstração. Não levo a sério. Estou tão ocupado com o presente - e apostando tanto nesse feeling (pergunta de antes) -, sou tão dedicado ao que faço, que, internamente, penso no melhor, e desejo o melhor. Só. No final, tudo se acerta - imagino. "Mas e no meio tempo?", você pode perguntar. Estou aprendendo a trabalhar com o "por enquanto". Aceito que é mais realista.

Você tende a levar as coisas a ferro e fogo? Já levei mais. Acho que é parte do desenvolvimento do ser humano, tornar-se mais político. No bom sentido. Como todo idealista, fui bastante radical - e me recusava a dançar conforme a música. Hoje danço. Mas, para depois, comandar a orquestra - e o toca-discos. Se você levar as suas convicções até as últimas conseqüências, vai ter de fazer tudo sozinho. Porque as pessoas têm suas próprias idéias. E você precisa delas. Já banquei o eremita também (leia isso como metáfora). Mas cansei.

Você tem obsessão por ordem e perfeição? Não vou dizer que não tenho. Não concebo um trabalho sem um mínimo de ordem. E não concebo um bom trabalho sem um mínimo de perfeição. Se você escolher a desordem, vai ter mais trabalho para fazer a mesma coisa; e se você escolher a imperfeição, vai ter de fazer de novo. Então, para que ir contra essas duas coisas? Realmente, não consigo discutir em outros termos. Talvez seja uma limitação. (E uma imperfeição.)

Você prefere ficar quieto a dizer algo de estúpido? Sim, claro. Então, quando falo alguma coisa, as pessoas olham arregaladas. Como se eu fosse fazer um grande pronunciamento. Às vezes, acho que fui piorando com os anos. Escrevo coisas que não diria, por exemplo. (Já pensou, fazer esta auto-análise em público?) Mas, como disse no começo, estou retomando meu contato com as outras formas de comunicação. Sinto saudade de sentar com os amigos para falar bobagem (sei que isso é chavão). É chato quando as pessoas esperam de você sempre algo solene. É uma camisa-de-força. Prefiro me relacionar com desconhecidos então.

Você já foi chamado de arrogante? Sim, sim. Talvez não seja a palavra exata. Mas devem ter perguntado: "Quem é esse bolha, para dar essas opiniões?". Ou então a clássica: "Quem ele pensa que é?". Talvez esse negócio de emitir opinião seja uma compulsão. You just can't help it. Quando vai ver, já foi. Fui bem mais crítico, em relação a pessoas, em outras ocasiões. Ataques pessoais, agora vejo, são coisa de principiante. Procuro um certo apuro. Uma sofisticação. E, nesse sentido, quanto mais específico, melhor.

Você transfere aos outros algumas decisões importantes? Algo me diz que sim, mas não sei de onde isso vem. Talvez nos meus arroubos de amor-próprio eu perca a visão de conjunto, e transfira a responsabilidade para outro alguém. Os homens são mais autocentrados e as mulheres, socialmente, mais capazes de ver o todo. (Valores "teóricos" contra valores "sociais", li uma vez.) Na verdade, quem se expõe está convidando os outros para compor uma nova imagem de si mesmo - e para decidir, a partir desse momento...

Você tem dificuldade de jogar coisas fora, mesmo que elas estejam velhas e não sirvam mais para nada? Depende. Às vezes é preciso diminuir o lastro para conseguir caminhar. Não dá para carregar a casa nas costas. Mas, como todo mundo, me arrependi de separar alguns objetos, e de me desfazer deles depois. A lembrança é dolorosa, mas a separação, inevitável. Será que, por exemplo, eu vou me arrepender desta auto-entrevista (quando ela estiver feia, suja e desbotada)? E será que sou (serei) a pessoa mais habilitada para julgar?

Para ir além

Faça você também sua auto-análise. (O meu resultado: obsessivo-compulsivo [alto], esquizóide [médio] e o resto [baixo].)


Julio Daio Borges
São Paulo, 17/9/2004


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