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Terça-feira, 27/12/2005
2005: Diário de bordo
Gian Danton

+ de 4100 Acessos

O ano de 2005 começou com um tsunami devastando vários países da Ásia. No primeiro dia do ano fomos surpreendidos por essa notícia que parecia ser apenas um aviso do que viria pela frente. Parecia não, era.

2005 foi o ano das péssimas notícias. Todo o povo que havia depositado suas esperanças no PT viu, assustado, ser mostrado um esquema de corrupção, de desvio de verbas e compra de deputados que, ao contrário do esquema PC, não parece ter o objetivo de enriquecer alguém, mas sim fazer com que determinado grupo fique no poder definitivamente.

Seria hilário, se não fosse trágico ver Fernando Gabeira acusando Severino Cavalcante de querer transformar as CPIs em pizza e um deputado do Amapá pedir a cassação não de Severino, mas de Gabeira, só para ver, dias depois, seu aliado envolvido no escândalo do mensalinho.

Roberto Jéfferson parece ter dito: "Depois de mim, o caos"... e depois disso nada, nenhum símbolo ou monumento ficou de pé. Até o oposicionista PSDB teve de silenciar diante do fato de que o presidente de seu partido, Eduardo Azeredo, estava envolvido com o Valerioduto.

2005 foi também o ano em que o cidadão comum passou a se preocupar com o aquecimento global. Foi o ano em que o Zé Ninguém descobriu, estarrecido, que tudo está relacionado, que a fumaça que sai dos escapamentos dos carros pode provocar furacões nos EUA e seca no rio Amazonas.

Esses dois fenômenos juntos, se não tiveram, deveriam ter o impacto dos ataques de 11 de setembro. Os furacões, tantos que já não podiam mais ser nomeados e eram simplesmente chamados com letras com alfabeto grego, castigavam o Caribe e a costa dos Estados Unidos com a fúria de mil Bin Ladens.

Na Amazônia, a milhares de quilômetros de distância, os rios secaram e os peixes cozinharam nas águas escaldantes. Aqui em Macapá, muitos poços começaram a secar, deixando seus usuários sem água, já que a maior parte da cidade não tem saneamento básico.

Na área cultural, 2005 parece ter acompanhado esse clima de desesperança e perplexidade. Por mais que eu me esforce, não consigo lembrar de algo realmente muito importante, bom, que tenha acontecido em termos culturais.

Em termos musicais, o CD do Pato Fu Toda cura para todo o mal é um destaque, embora só repita fórmulas de discos anteriores, como o Televisão de Cachorro e Isopor. Mas é um daqueles discos que, embora não seja revolucionário, conseguem captar o espírito de seu tempo. Algo como o Legião Urbana V, que descreveu com perfeição a Era Collor (Ninguém vê onde chegamos/ os assassinos estão livres, nós não estamos/ Vamos sair, mas não temos mais dinheiro/ Os meus amigos todos estão procurando emprego).

A música título do disco do CD do Pato Fu parece dialogar com o ano 2005 ao exclamar:

É certo que milagre pode até existir
Mas você não vai querer usar
Toda cura para todo mal
Está no hipoglós, Merthiolate, sonrisal


2005 foi assim: a descoberta de que milagres podem até existir, mas você não vai querer usar.

Em cinema, 2005 teve alguns bons filmes, como Robôs, A Fantástica Fábrica de Chocolates (quase todos infantis, perceberam?) e o ótimo O Jardineiro Fiel. Mas a película que sintomaticamente arrebentou neste ano foi Dois Filhos de Francisco, cinema popular de boa qualidade, na definição de Fernando Meirelles (o diretor de O Jardineiro Fiel). Cansado da esperança política, o brasileiro voltou-se para um tipo de esperança mais individual e acompanhou com atenção a saga dos meninos cantores em busca do sucesso. O fato de o filme retratar, na verdade, um episódio de exploração infantil que se repete no Brasil todo não importou muito para o telespectador, inebriado com o sonho dos garotos transposto para a tela com um roteiro enxuto e direção competente. Dois filhos de Francisco se firmou justamente por não apresentar soluções coletivas ou políticas, mas por indicar a saga de um pai capaz de fazer qualquer coisa pelo sucesso de seus filhos. Ou seja, a família é o lugar onde restou a esperança.

Destaques no mercado editorial
Em termos literários, A Guerra dos Gibis - a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos (Companhia das Letras) certamente foi um destaque. Na obra, Gonçalo Júnior mostra como se formaram alguns dos mais importantes impérios de comunicação no Brasil (em especial a Rede Globo e a Ebal) e a guerra suja que foi travada nos bastidores e teve como vítima as histórias em quadrinhos.

Adolfo Aizen, dono da editora Ebal, é o personagem principal, mas é Roberto Marinho que protagoniza os momentos mais importantes dessa guerra. Empreendedor agressivo, Marinho usava de qualquer método para se livrar da concorrência, como quando revelou que Samuel Wainer, dono do jornal Última Hora, não era brasileiro (na época só brasileiros poderiam ter meios de comunicação no Brasil).

Como Marinho era um dos principais editores de gibis do Brasil, os inimigos se vingavam fazendo matérias sensacionalistas sobre as histórias em quadrinhos nas quais se tentava provar que as revistas provocavam desde preguiça mental à delinqüência juvenil.

Muito bem escrito e exaustivamente pesquisado, o livro de Gonçalo torna-se leitura obrigatória para quem quiser entender a história da comunicação do Brasil. Mas, num ano como este, destaca-se também por revelar os bastidores da briga pelo poder.

Outro livro que destaca é A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco (Record). Na obra, um homem perde a memória e tenta recuperá-la, vasculhando o passado na forma de livros, pessoas, embalagens antigas e gibis.

Embora a maioria de nós queira esquecer 2005, Umberto Eco destaca o fato de que só quando o passado nos vem à mente é que podemos antecipar o que virá: "É o efeito bola de neve. A avalanche vai em direção ao vale, mas desce cada vez mais rápido porque vai aumentando pouco a pouco e carrega atrás de si o peso daquilo que havia antes. Do contrário não haveria avalanche, seria apenas uma pequena bola de neve que não desce nunca". Avalanche ou furacão, será sempre precioso lembrar de 2005.


Gian Danton
Goiânia, 27/12/2005


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