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Sexta-feira, 7/9/2001
Em nome do senhor
Rafael Azevedo

+ de 1400 Acessos

Daniela Mountian


Em nome do Senhor.
Tem sido ponto recorrente na imprensa brasileira o choque e o espanto no que diz respeito à suposta “religiosidade” de criminosos, como no caso do imbecil que sequestrou a filha de Sílvio Santos e o manteve como refém. (“De religioso a bandido” e “como um rapaz de 22 anos perdeu os valores religiosos e virou bandido” foram algumas das manchetes da Veja sobre o assunto) Vamos acabar com a hipocrisia. Religiosidade nunca foi sinônimo de bom-caratismo – muito pelo contrário, na maioria das vezes a religiosidade em excesso serve para esconder falhas condenáveis no caráter e na história de uma pessoa. Como se isso não bastasse, é muito difícil, senão impossível, encontrar uma pessoa que, nos dias de hoje, siga à risca os preceitos morais ditados pela igreja à qual ela se diz pertencer. Como por exemplo essa onda de “evangélicos” que tomou conta do Brasil; quantos desses crentes não lotam as cadeias do país, convertidos antes ou depois de cometerem seus crimes? Quantos jogadores de futebol não passam metade de suas vidas agradecendo e louvando a Jesus enquanto passam a outra metade dela batendo e brigando com os colegas de profissão, provocando confusões por onde passam? Quantos carros não se pode ver cotidianamente numa cidade como SP, com adesivos proferindo mal e porcamente passagens bíblicas (quase todas incompreensíveis, mal-versadas e mal-traduzidas), fazendo na cara-de-pau as mais acintosas barbaridades pelas ruas?
Fingir um choque porque uma pessoa que cometeu um crime se dizia “religiosa” é quase tão fantasioso quando acreditar em histórias da carochinha; é fingir que não se vive nos dias de hoje. Corto meu braço esquerdo se esse Fernando algum dia deu algum valor a Deus e à religião, ou soube distinguir o certo do errado.

O exemplo que vem de baixo.
E para provar que pessoas assim não vêm do nada, nem das injustiças sociais, e sim do berço, da falta de educação e exemplo em casa, agora a polícia está descobrindo que a família do “meliante” se aproveitou de dinheiro conseguido por ele em sequestros relâmpagos e assaltos para comprar casa e carro. Ainda assim, na imprensa a família foi sempre mostrada como vítima; quando nesses casos; quase sempre é cúmplice, senão culpada mesmo. Até quando é a última a saber.

Olho por olho
Há algum tempo atrás andei lendo e, quando surgia o interesse, traduzindo, uma série de textos, muitos deles obtidos pela Internet, outros em livros. Textos históricos, em sua maioria, de valor estético-literário às vezes questionável, mas documentos preciosos ao apreciador da História; só não sei ao certo, e temo por isso, da extensão do interesse dos que me cercam (em especial dos que quero que me cerquem) por tais assuntos. Especial atrativo apresentam os historiadores greco-romanos, dos quais vi algo de Tácito (“Germânia”), Prisco (“Na corte de Átila”), um ou outro trecho das Vidas de Plutarco, e muitos outros, anônimos ou quase. Não é sempre, porém, que algo ainda mais antigo aparece; textos egípcios, hebreus, ou mesopotâmicos parecem trazer uma fascinação ainda maior, própria de povos que imaginamos às margens da civilização, de épocas situadas à beira da barbárie. Todos os textos de tamanha antiguidade que vi são paupérrimos em informação e clareza, mas sempre têm etiquetas impecáveis. São louvores intermináveis, demonstrações absurdas de servilismo e vassalagem explícita; na grande maioria editos e decretos, pois só o que era feito em rocha, para perdurar, sobreviveu; a maioria das ceras, papiros e pergaminhos se deterioraram (os poucos que sobraram não passam de burocráticos recibos e contratos, e a ocasional, e valiosa, correspondência), e, ainda assim, apenas os escribas escreviam, para que apenas eles próprios lessem; seria difícil uma abundância de relatos na época. Abundam também os “cadernos” de pedra dos comerciantes, repletos de contas, cálculos e inventários.
É também de pedra um pilar, encontrado na Pérsia – para onde deve ter sido levado como espólio de guerra – ornado com inscrições que posteriormente o tornariam célebre. É o Código de Hamurabi, de cerca de 1780 a.C., compilação de leis ditadas por esse monarca ao seu reino babilônio, que deixou marcas em inúmeros códigos legais pelo mundo afora. São 282 leis (281 - a de número 13 não havia, por superstição), que vão desde a parte mais criminal de facto do processo jurídico "se um homem arrancar o olho de outro homem, seu olho deverá ser arrancado" (número 196), e "se alguém for visto cometendo roubo e for pego, será então executado." (n. 22), passando pelo controle de juros, agiotas e recibos, até leis que seriam vistas de maneira estranha hoje em dia, como aquela que diz que a esposa que presentear o marido com uma serva pode, ao ver que esta não concedeu filhos ao seu homem, vendê-la por dinheiro (n.147). Há outra em que "se um filho bater em seu pai, deverá ter suas mãos decepadas." (n. 195). Quanto aos médicos: "Se um médico fizer uma grande incisão com uma faca de operação e curar, ou se abrir um tumor com um faca de operação, e salvar o olho, deverá receber dez shekels em dinheiro." (n. 215) Se a operação fosse malograda, o doutor caía no artigo 218: "Se o médico fizer uma grande incisão com a faca de operação, e o matar, ou abrir um tumor com a faca de operação, e arrancar o olho, suas mãos serão cortadas." Os escravos e ex-escravos valiam consideravelmente menos na estima da época. O médico recebia apenas cinco shekels se o paciente já tivesse possuído um senhor, e somente dois do dono dum escravo que porventura curasse. Se ele matasse o escravo, deveria repô-lo com um escravo seu; e se arrancasse seu olho, deveria pagar metade do valor do escravo ao proprietário. Uma lei cairia bem para um certo ex-deputado (aquele da construtora): "Se um construtor fizer uma casa para alguém, e não a construir apropriadamente, e a casa que ele construiu cair e matar seu proprietário, então o construtor deverá ser executado." (N. 229).
Estas leis são acompanhadas, entretanto, por espécies de prólogos ou epílogos, que, negando a deliciosa objetividade e humor (ainda que inconsciente) das leis, voltam à retórica insossa e fagundiana que citei acima. Um louvor sem-fim a Hamurabi e seus feitos, suas paternidades divinas e seus descendentes poderosos e bem-aventurados. Ainda assim, para mim existe o fascínio. Mal-escritos demais para que eu os considere obras literárias, vejo tais textos como espécies de janelas por onde, não sem alguma dificuldade, pode-se ver algo próximo ao início da civilização, o verdadeiro começo do homem; uma época onde só se parecia pensar, até então, em deuses, colheitas e guerras, e que presenciaria as mudanças radicais pelas quais a capacidade de registrar os pensamentos iria vir a ser responsável. Interessa-me peculiarmente saber o que pensavam aqueles que primeiro pensaram em registrar seus pensamentos. Imagino o que devia ser para um rei de pequena e escassa mentalidade, quem sabe um dos primeiros faraós do Egito ou um monarcazinho qualquer da Suméria, líder dum povo recém-saído da pré-história, contemplar a visão do escriba que lhe trazia, na pedra, eternizado, seu nome, ao lado de palavras de tamanho louvor.
Aí surgiu tudo; a escrita; a literatura; o mecenato, consequência e causa do puxa-saquismo cultural-artístico; e, suspeito cada vez mais, o jornalismo.


Rafael Azevedo
São Paulo, 7/9/2001


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