Eleições: democracia como um falso slogan | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
78320 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Quarador de imagens partilha experiências em música, teatro e cinema
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Temporada Alfa Criança estreia Zazou, um amor de bruxa dia 24 de abril
>>> Operilda na Orquestra Amazônica Online tem temporada grátis pela Lei Aldir Blanc
>>> Festival SP Choro in Jazz reúne 22 músicos em espetáculos, encontros sonoros, oficinas e jam session
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Estreia: Geração# terá sessões virtuais gratuitas
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
>>> O zunido
>>> Exposição curiosa aborda sobrevivência na Amazônia
>>> Coral de Piracicaba apresenta produção virtual
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> A morte da Gazeta Mercantil
>>> A hora certa para ser mãe
>>> Blogging+Video=Vlogging
>>> In London
>>> Mil mortes de Michael Jackson
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Dalton Trevisan revisitado
>>> Who killed the blogosphere?
Mais Recentes
>>> Contos de Voltaire pela Abril Cultural (1983)
>>> O assassino de Evelyn Anthony pela Martins (1974)
>>> O condenado de Gabriel Lacerda pela Lacerda Ed. (1998)
>>> Curso de Aperfeiçoamento Em Betão Armado - livro de J. Darga e Lima e Outros pela Lnec (1969)
>>> O dinheiro de Arthur Hailey pela Nova Fronteira (1975)
>>> A insurreição de Antonio Skármeta pela Francisco Alves (1983)
>>> Era Uma Vez o Amor, Mas Tive Que Matá-lo de Efraim Medina Reyes pela Planeta (2006)
>>> Dominó de Ross King pela Record (2010)
>>> Jogos Surrealistas de Robert Irwin pela Record (1998)
>>> Revista Planeta 11 - Julho 1973 - a Psicologia Pode Melhorar o Mundo de Ignácio de Loyola Brandão pela Três (1973)
>>> O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler pela Companhia das Letras (1997)
>>> Livro Alegria e triunfo de Lourenço Prado pela Pensamento (2021)
>>> Perigos Que Rondam o Ministério de Richard Exley pela Ucb (2003)
>>> Revista Planeta 12 - Agosto 1973 - Para que serve a Ioga de Ignácio de Loyola Brandão pela Três (1973)
>>> Predestinação e Livre-arbítrio de John Feinberg pela Mundo Cristão (1989)
>>> Cartas de João Guia de Estudos Práticos de Laudir e Sonia Pezzatto pela Sepal (1989)
>>> Mulher & Homem o Mito da Desigualdade de Dulce Whitaker pela Moderna (1991)
>>> Como Ser um Herói para Seus Filhos de Josh Mcdowell pela Candeia (2001)
>>> O Toque de Midas de Anthony Sampson pela Best Seller (1989)
>>> Essa Maldita Farinha de Rubens Figueiredo pela Record (1987)
>>> Vivendo Felizes para Sempre de Marsha Sinetar pela Record (1993)
>>> Cuidados Com a Pele Mitos & Verdades de Shirlei Schnaider Borelli pela Iglu (1994)
>>> Três Vezes Trinta de Carmo Chagas pela Best Seller (1992)
>>> Ameaça Nas Trilhas do Tarô de Sérsi Bardari pela Ática (1992)
>>> A Besta Humana de Emile Zola pela Hemus (1982)
COLUNAS >>> Especial Eleições 2006

Segunda-feira, 25/9/2006
Eleições: democracia como um falso slogan
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 6500 Acessos
+ 1 Comentário(s)

"Democracia é o direito que temos de escolher quem vai nos enganar"
Elias Canetti em Massa e Poder

Afinal de contas, será que ao elegermos um entre os vários candidatos que estão aí, estaremos realmente elegendo quem vai nos representar ou, ao menos, quem verdadeiramente desejamos que nos represente? Não.

Os candidatos que se apresentam como nossos futuros representantes foram escolhidos por nós para serem nossos candidatos a nos representar? Não.

Se mesmo não sendo candidatos escolhidos por nós para nos representar decidimos escolher um deles como nosso representante, será que ele poderá representar nossos interesses num quadro social onde quem manda é o poder econômico e não mais o poder político? Não.

Nós acreditamos em fantasmas. E apesar de todas as informações sobre a jogatina do poder que temos tido, desde O Príncipe, de Maquiavel, até Como iludir o povo com falsos slogans de liberdade e igualdade, de Lênin, dentre tantas obras políticas, caminhamos como cegos, assoviando no escuro para não ficarmos com medo de assombração. Mas, como ensinou Freud, assoviar no escuro afasta o medo, mas não acende a luz. Explico no próximo parágrafo, para não soar tão esotérico.

As eleições nos dão uma falsa sensação de controle da situação social na qual estamos metidos. É como assoviar no escuro. Essa sensação é como uma droga produzida nos laboratórios do sistema republicano em que vivemos e que nos é vendida a baixo preço como uma idéia de que estamos com as rédeas nas mãos, realmente escolhendo nosso presente e nosso futuro. Precisamos dessa ilusão para não nos metermos em ações desesperadas e perigosas. Votar, então, é preservar a nossa vida e o atual sistema de dominação, dentro de uma fantasia meio gasta, mas ainda assim necessária(?) da crença na ação política. É como a religião, nos protegendo do medo do absurdo da existência, nos dando respostas para o que não tem resposta. Não acendemos a luz, mas o som doce e musical de nosso assovio nos dá uma paz anestesiante no escuro. Paz de cemitério?

Vamos descer mais baixo. E os candidatos, afinal os fatos falam por si. Se usarmos nosso bom senso de observação das patéticas aparições desses seres o que temos como expectativa? Uma sensação de circo dos horrores! Não vou perder tempo falando de nenhum deles, eles falam por si mesmos e a imprensa tem falado diariamente e exaustivamente deles e eles ainda se exibem para nós com suas risíveis palhaçadas em nobre horário político televisivo. Basta!

A opção única que temos: escolher dos males o menos pior? Se esse é o princípio que norteia nossas decisões políticas, porque não temos culhões para rejeitarmos as alternativas imundas, que controle realmente temos sobre nossa existência social? Nenhum.

O que nos resta? O direito de dizer não a todos eles? Mas, ainda assim, não estaremos participando do circo montado por eles? E, afinal, que circo é esse? O da falsa idéia de que a representação política ainda tem sentido hoje em dia. A idéia mórbida de que votando em alguém estaremos garantindo um direito democrático de participação no jogo social.

No fundo gostaríamos de ter outros candidatos, melhores do que estes que temos agora, pois, ingênuos que somos, acreditamos que o problema é o dos candidatos e não o da situação histórica contemporânea: do fim da política como instância representativa do cidadão. Não foi só o sindicato que sofreu abalos nos últimos anos, perdendo sua força social e seu poder de representatividade, foi a própria noção de política que mudou face ao novo modo de organização econômica capitalista. Mas parece que ninguém percebeu.

Será que não estamos cientes de que estamos sendo enganados com mais uma velha história que mais parece um cadáver que não acaba de morrer nunca? Maquiavelicamente, o poder econômico financia a política como quem, para não perder o braço, oferece um pedaço do dedo.

Não é hora de começarmos a pensar em outras formas de se fazer política? Ou ao menos questionar essa que aí está.

Nunca tanta sujeira foi exibida em tão pouco tempo. Não se assuste, portanto, a nossa burguesia se daqui a alguns poucos anos candidatos do PCC se imporem à cena política e se tornarem a melhor opção de voto para o povo brasileiro. É melhor que percam logo o braço e alguma perna para não perderem a cabeça. Os subúrbios ainda vão gritar, e bem mais alto do que se imagina, sobre os muros de seu isolamento social.

Parece que na atual conjuntura eleitoral talvez a única questão realmente interessante é se perguntar se a foto do Enéas na cabine de votação virá com a sua barba ou sem ela. Rir não é o melhor remédio?

Temos que nos perguntar ainda mais uma coisa: afinal, se o cheiro que estamos sentindo é o da podridão e a forma que enxergamos é a do grotesco, que país está sendo espelhado em nossa realidade política?


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 25/9/2006


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os Doze Trabalhos de Mónika. 10. O Gerador de Luz de Heloisa Pait
02. A grama do vizinho de Adriane Pasa
03. Canção de som e fúria de Carina Destempero
04. O Facebook e a Alta Cultura de Marta Barcellos
05. O Nobel de Tranströmer de Luiz Rebinski Junior


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2006
01. Guimarães Rosa: linguagem como invenção - 12/4/2006
02. Orkut, ame-o ou deixe-o - 27/1/2006
03. Bienal 2006: fracasso da anti-arte engajada - 24/11/2006
04. Renato Russo: arte e vida - 26/7/2006
05. Eleições: democracia como um falso slogan - 25/9/2006


Mais Especial Eleições 2006
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/9/2006
20h17min
Seguindo o raciocínio do artigo, a filosofia política atual é ensinada pelo cancioneiro popular: "esmola para um homem se não mata de vergonha, vícia o cidadão". Assim, uma cesta básica garante 10 votos; ruim com ele, pior sem ele. A única saída é aceitar quem supostamente nos dará um pouco mais de esmola. Mudança para melhor ficará apenas em nossos sonhos, afinal, o povo está muito domesticado pela mídia para se pensar em revolução.
[Leia outros Comentários de Marcos da Silva]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Júlio César: Biografia
Joel Schmidt
L&pm Pocket
(2006)



Ainda Lembro
Jean Wyllys
Globo
(2005)



Vidas Passadas, Milagres Presentes
Denise Linn
Larousse
(2008)



Literatura Comentada Bocage
Marisa Lajolo
Nova Cultural
(1981)



Introdução À Ciência Do Direito
André Franco Montoro
Revista Dos Tribunais



Português Prático
Jesus Ruescas Organização
Sivadi



Premier Dictionnaire En Images
Pierre Fourré
Bertrand
(1962)



Prática de Psicologia Moderna
Varios Autores
Honor
(1973)



A Forca Esta Com Voce
Stephen Simon
Best Seller
(2007)



Os Novos Titãs Nº87
Abril Jovem
Abril Jovem
(1993)





busca | avançada
78320 visitas/dia
2,6 milhões/mês