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Quinta-feira, 15/3/2007
A Marie Antoinette de Sofia Coppola
David Donato

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Conversando com uma colega antes da exibição de outro filme, ouvia óbvios elogios ao cinema do Almodóvar pela sua rara capacidade de criar personagens femininas complexas, mulheres de verdade, com sentimentos e atitudes realmente humanas e dignas de uma mulher de carne e osso, coisa que não acontece na imensa maioria dos filmes, inclusive nos muito bons. Perguntei a ela se isso também acontecia nos filmes escritos ou dirigidos por mulheres. Diante da negativa, só pude pensar que mesmo os cineastas mais talentosos simplesmente não sabem como funciona a mente feminina.

Sofia Coppola sabe. Não só por ser (obviamente) mulher, mas por ter a sensibilidade de transmitir o olhar feminino em todos os seus filmes. Marie Antoinette não é exceção. Na verdade, é possivelmente seu exemplo mais claro até agora.

O filme acompanha a protagonista, seus gostos, seu olhar e a maneira como ela se relaciona com a nova corte, desde o momento que sai da Áustria para se casar com o desinteressado Luis XVI até o início da Revolução Francesa e da derrocada de toda a pompa da corte mais extravagante da Europa.

Desde as primeiras informações sobre o filme, o projeto da diretora que vinha de uma indicação ao Oscar por Lost in translation gerou expectativa: seu primeiro trailer mostrava Kirsten Dunst como a protagonista correndo pelos imensos jardins de Versailles ao som de New Order. Ao ter sua primeira exibição em Cannes no ano passado, no entanto, dividiu opiniões, com tantas vaias quanto aplausos. As vaias (e as críticas ruins) vieram especialmente da crítica francesa, que, como era de se supor, não gostou de ver um ícone tão importante para a história do país falando inglês e dançando ao som de rock.

Felizmente, o filme não é apenas a rotina de uma garota fútil do século XVIII. Também não se resume à cinebiografia da última rainha da França.

É, na verdade, um retrato, se não completamente fiel à protagonista (como saber? Se nem de personalidades vivas conseguimos descobrir as verdadeiras intenções...), ao menos bastante complexo e verossímil de uma mulher atemporal vivendo em um tempo e espaço bastante específicos.

Ao acompanhar o olhar da jovem delfina sobre os costumes extravagantes, os aposentos suntuosos e a etiqueta irritantemente respeitada, sentimos a mesma estranheza que ela, não porque nós não estamos acostumados com a corte do rei Luis XV, mas porque ninguém está.

O desenvolvimento da personagem é tão notável quanto real. De início, a garota procura seu espaço na corte, jogando pelas regras ditadas por seu tutor e por sua preocupada mãe, sem arroubos de genialidade que seriam típicos de um filme onde a premissa é mostrar um personagem "a frente de seu tempo". Marie Antoinette sente insegurança, tédio, alegria, rejeição e carinho na mesma medida que qualquer ser humano (especialmente se for mulher) em suas circunstâncias. Tem qualidades e defeitos que vão muito além do mito "Não têm pão? Que comam brioches!". Ela fofoca, joga, sofre e é incoerente de um modo deliciosamente humano. Ela também cresce com o passar do tempo ao se dedicar aos filhos e ao enfrentar a impopularidade tanto na corte quanto entre o povo.


illustra por goiabazul


Ao redor de um personagem extremamente bem escrito, giram outros tantos personagens notáveis, como o delfim Luis XVI, tão garoto, como ela mesma nota, que se interessa mais por caçadas do que por trazer um herdeiro para o trono, mas que ganha contornos muito mais maduros frente a revolução que se instaura.

Colabora para o filme tudo que a influência da produtora American Zoetrope, de Francis Ford Coppola, foi capaz de conseguir para acrescentar ao filme: direção de arte apurada (nos banquetes, principalmente), figurinos dignos da corte excêntrica da época (e que, não por acaso, lembram muito os de Barry Lyndon, feitos pela mesma figurinista), fotografia quase kubrickiana, com pouca granulação e apenas alguns filtros de cor aqui e ali e, o mais notável, a autorização do governo francês para filmar in loco, no próprio palácio de Versailles, onde tudo realmente aconteceu.

Sofia ainda soma criatividade na escolha da trilha sonora, com os oitentistas (reais e em espírito) Gang of Four, The Cure, New Order e The Strokes, junto de uma montagem bastante competente, o que dá o tom e traz frescor ao filme.

A história real é interessante o suficiente para prescindir de muitas licenças poéticas, e muito do que parece ter saído da cabeça da diretora (e roteirista), é, na verdade, confirmado em qualquer enciclopédia.

Uma reclamação recorrente do filme é que ele não mostra o desenrolar da Revolução nem a execução de Marie Antoinette. Apesar de perder a oportunidade de mostrar a força de Marie durante esse período difícil, a diretora nos poupa de um final inevitavelmente maniqueísta que transformaria a rainha num mártir da guilhotina. Ao invés disso, ficamos apenas com símbolos da derrubada definitiva de um regime político e, principalmente, de um estilo de vida de excessos, mas que resiste, com menos pompa (mas não com menos excentricidade) nas festas das elites atuais, que geram uma infinidade de Maries Antoinettes e que, apesar das drogas e dos sapatos Manolo, são mulheres reais em circunstâncias irreais.


David Donato
São Paulo, 15/3/2007


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