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Quarta-feira, 4/4/2007
Jornalismo literário no SindJor
Tais Laporta

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+ 1 Comentário(s)

"Esqueça (quase) tudo o que você aprendeu sobre jornalismo. Chega de leads no primeiro parágrafo, questionários mecânicos e informações previamente idealizadas." Com essa proposta, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo abriu, este ano, o novo curso de jornalismo literário. As aulas - que contam com Monica Martinez, Alex Criado, Denise Casatti, entre outros - provocaram um alvoroço mental nos alunos. Eles encontraram um elo comum entre imprensa e literatura.

Na verdade, a dependência entre escritores e jornalistas vem de séculos. Charles Dickens (1812-1870) e Honoré de Balzac (1799-1850) influenciaram não só a literatura do século XVIII, como também grandes jornais e revistas da posteridade. Entre eles, a prestigiada New Yorker - que, aliás, publicou os melhores textos que o jornalismo conheceu, nas palavras de Monica Martinez. Ao mesmo tempo, alguns dos maiores romancistas buscaram inspiração nas laudas dos jornais para enriquecer suas obras.

Foram incontáveis os autores que, pela observação da realidade, construíram romances monumentais. Para citar alguns: Mark Twain (1835-1910), Fiodor Dostoievski (1821-1881), Léon Tolstoi (1828-1910) e Ernest Hemingway (1899-1961). Este último canalizou, oportunamente, os momentos mais agudos da Guerra Civil Espanhola para a produção literária. O resultado foi Por quem os sinos dobram, ficção consagrada pelo relato histórico e leitura obrigatória no meio acadêmico.

No Brasil, grandes talentos do jornalismo também enveredaram para a literatura. Euclides da Cunha (1866-1909), construiu em Os sertões um dos mais completos documentos sobre um Brasil até então desconhecido. Outro que radiografou o árido sertanejo foi o autor de Vidas secas, Graciliano Ramos. Ambos criaram retratos fiéis do real através da literatura. Mas o que importa no jornalismo literário não é a ficção realista. É a inversão dessa dinâmica: o romance de não-ficção.

Ele nasceu nos anos 50, quando um jornalista da New Yorker - que seria o futuro celeiro do new journalism - leu sobre um cruel assassinato no The New York Times e decidiu explorá-lo a fundo. Foi até a pacata cidade do crime, no Kansas, e por lá ficou até concluir A sangue frio, obra-prima que fundou um novo gênero no jornalismo. O autor era Truman Capote (1924-1984) e o gênero, o que conhecemos hoje como livro-reportagem.

Capote encontrou um jeito de fugir do jornalismo convencional. Para isso, reciclou o olhar sobre a realidade. A apuração dos fatos exigia não apenas o suor, mas comprometimento com o universo investigado. A informação crua e fria caiu do pedestal. "Mas isso não justifica um texto sem precisão", explica Monica. Ao contrário, a busca por detalhes, no jornalismo literário, é rigorosíssima. Não é a história que muda, mas a forma de contá-la.

Para Alex Criado, os "achismos" também não são bem-vindos. Já a observação crítica, sim. O romance de não-ficção permite ao autor um estilo próprio. Assim, a narrativa deve ser humanizada. "Deve assumir mais riscos em nome de uma história envolvente", completa. A liberdade na apuração resulta em textos bem mais complexos que no jornalismo tradicional. Permite criar identidades simbólicas (metáforas) a partir do real.

Os que defendem uma reprodução fria dos fatos ficam horrorizados: o new journalism matou o lead à queima-roupa. Além disso, a reportagem literária passa longe de uma mera reprodução do real: o autor escolhe o ângulo e as lentes que prefere usar. "São leituras possíveis da realidade", define Denise Casatti.

Como ensina Monica, o jornalista deve buscar o máximo de visões possíveis e, assim, tecer um texto saboroso. Isso exige uma imersão profunda na realidade. "Jornalistas são leitores do mundo", complementa Denise. O gênero permite o uso de uma voz mais autoral: do jornalista para o leitor. Também a relação entre fonte e entrevistador é mais humana. O autor deve saber ouvir. "É importante mostrar que você está lá para entendê-lo, não para julgá-lo", recomenda Denise.

Na imprensa brasileira, o exemplo mais próximo do new journalism foi a extinta revista Realidade. "Seu recheio trazia textos primorosos e uma equipe com alto nível de comprometimento", lembra Monica. Recentemente, a revista Piauí, de João Moreira Salles, está tentando alcançar uma fórmula bem próxima desse conceito.

Mas para começar a entender esse universo, os professores do Sindjor indicam obras norte-americanas "obrigatórias". Além de A sangue frio, O segredo de Joe Gould foi outro legado imortal para o romance de não-ficção. Joseph Mitchell (1908-1996) levou décadas para finalizá-lo. O mito que ronda sua vida está no filme Crônica de uma certa Nova York (Joe Gould's secret, 2000).

Gay Talese (1932), também americano, consagrou-se com o famoso perfil "Frank Sinatra está resfriado". Ao perceber que não conseguiria entrevistar o cantor, o jornalista apenas conversou com as pessoas do seu convívio. E construiu uma narrativa rica e envolvente. Depois, publicou o making-off de sua aventura em "Como não entrevistar Frank Sinatra". Uma recente coletânea deste e outros perfis de Talese está em Fama e anonimato, lançado há poucos anos no Brasil.

Pautada em sua própria experiência como jornalista, Denise mostrou como a relação com a fonte é fundamental na construção de um relato. "É uma viagem transformadora". A abertura entre as partes é primordial para que o entrevistado seja o mais sincero possível. Para ela, não há como ouvir uma história de vida sem se envolver. Muitas vezes, a fonte pode confundir a entrevista com uma terapia quando revela segredos profundos. E o jornalista não pode ser uma geladeira - até porque a frieza compromete a sinceridade do relato.

O curso de jornalismo literário no SindJor vai até maio. Até lá, contará com outros mestres das salas de aula e da imprensa. Além deste, o Sindicato abre todos os semestres novos cursos relacionados à área: assessoria de imprensa, redação criativa, jornalismo on-line, comunicação interna, fotografia digital, entre outros. Para saber mais, basta acompanhar a programação no site do SindJor. O Digestivo volta a falar sobre as próximas aulas.

Para ir além
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo


Tais Laporta
São Paulo, 4/4/2007


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01. Nós — os jornalistas de alma vendida de Julio Daio Borges
02. Um urro de liberdade de Paulo Polzonoff Jr
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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
4/4/2007
13h05min
A Academia Brasileira de Jornalismo Literário há algum tempo dá um curso de pós-graduação em Jornalismo Literário em Campinas (SP) e diversas capitais brasileiras, com duração de um ano. O curso tem como "pais" os professores Edvaldo Pereira Lima, Sérgio Vilas Boas e Celso Falaschi. Eles mantém ainda o portal TextoVivo, que publica narrativas e ensaios em/sobre Jornalismo Literário.
[Leia outros Comentários de André Julião]
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