O engano do homem que matou Lennon | Tais Laporta | Digestivo Cultural

busca | avançada
69682 visitas/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Sala MAS/Metrô Tiradentes - Qual é a sua Cruz?
>>> Museu de Arte Sacra de São Paulo - Imagens de ROCA e de VESTIR
>>> Mostra de Teatro de Ipatinga comemora os 15 anos do Grupo 3 de Teatro com espetáculo online
>>> Live: Como a cultura nos livros didáticos influencia a formação da criança
>>> Projeto: Encontro ás escuras - Contos e cantos ancestrais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
>>> Jogando com Cortázar
>>> Os defeitos meus
>>> Confissões pandêmicas
>>> Na translucidez à nossa frente
>>> A Velhice
>>> Casa, poemas de Mário Alex Rosa
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
Últimos Posts
>>> “Elise”: Lara Oliver representa Bernardina
>>> Tonus cristal
>>> Meu avô
>>> Um instante no tempo
>>> Salvem à Família
>>> Jesus de Nazaré
>>> Um ato de amor para quem fica 2020 X 2021
>>> Os preparativos para a popular Festa de Réveillon
>>> Clownstico de Antonio Ginco no YouTube
>>> A Ceia de Natal de Os Doidivanas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Meu bem, meu mal
>>> Galvão responde ao Cala a Boca
>>> A Velhice
>>> Ser intelectual dói
>>> Memória Visual dos Aborígenes Australianos
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Novas leis de Murphy
>>> Yamandu+Dominguinhos, no Auditório Ibirapuera
>>> O cinema segundo Borges
>>> Dingo Bell, dingo bell
Mais Recentes
>>> Adolf - V. 05 de Osamu Tezuka pela Conrad (2008)
>>> Ele Se Acha o Centro do Universo de Wendy T. Behary pela Best Seller (2011)
>>> Ética e Práxis Histórica de Manfredo Araújo de Oliveira pela Ática (1995)
>>> História da Antiguidade, A Grécia de V. Diakov; S. Kovalev pela Estampa (1976)
>>> Manuscrito Encontrado em Accra de Paulo Coelho pela Sextante (2012)
>>> Momentos de Paixão de Danielle Steel pela Círculo do Livro (1991)
>>> Memórias Inventadas: a Infância de Manoel de Barros pela Planeta (2003)
>>> Meditação Transcendental e Saúde de Dr. Wolfgang Schachinger; Dr. Ernst Schrott pela Pensamento (2005)
>>> O Rancho de Danielle Steel pela Record (1998)
>>> A Energia da Sabedoria: Ensinamentos Básicos do Budismo de Lama Yeshe; Zopa Rinpoche pela Pensamento (1982)
>>> Michelangelo e o Teto do Papa de Ross King pela Record (2004)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2006)
>>> Hikikomori - a Vida Enclausurada Nas Redes Sociais de Christine Greiner; Cecília Noriko Ito Saito pela Intermeios (2013)
>>> Calçada de Verão - Poemas de Flora Figueiredo pela Nova Fronteira (1989)
>>> Orgônio. Reiche e Eros. a Teoria Energia Vital de Wilhelm Reich de W. Edward Mann pela Summus Editorial (1989)
>>> Leis e Regulamentos da Instrução Pública do Império em Mato Grosso EAN: 9788574960067 de Nicanor Palhares pela Autores Associados (2000)
>>> Assassinato no Monte Fuji de Shizuko Natsuki pela Brasiliense (1989)
>>> Saúde e Juventude - os Segredos do Antigo Egito de Rolland pela Instituto Nefru (2000)
>>> Os Mitos Gregos - Volume 1 de Robert Graves pela Publicações Dom Quixote (1990)
>>> Os Parceiros do Rio Bonito de Antônio Cândido pela Livraria Duas Cidades (1979)
>>> Cartas na Mesa de Agatha Christie pela Círculo do Livro
>>> O Assassinato de Roger Ackroyd de Agatha Christie pela Círculo do Livro (1976)
>>> E Não Sobrou Nenhum Ou o Caso dos Dez Negrinhos de Agatha Christie pela Globo (2009)
>>> Congresso Internacional do Medo de Grace Passô pela Cobogó (2012)
>>> Conexões com a matemática volume único de Juliane Matsubara Barroso pela Moderna (2012)
>>> País das Neves de Yasunari Kawabata pela Círculo do Livro (1974)
>>> Física (2º Grau - Livro Único)(Raro, com questões resolvidas) de Regina Azenha Bonjorno, José Roberto Bonjorno, Valter Bonjorno e Clinton Marcico Ramos pela Ftd (1988)
>>> Unidos para Sempre de Ruth Rendell pela L&pm (2007)
>>> A Marca Humana de Philip Roth pela Companhia das Letras (2002)
>>> Beber Comer Sobreviver - Cozinhando de Ressaca de Pedro Asbeg pela Memória Visual (2012)
>>> O Que é Ideologia - Coleção Primeiros Passos de Marilena Chaui pela Brasiliense (1984)
>>> Fantasma Saí de Cena de Philip Roth pela Companhia das Letras (2008)
>>> Entschuldigung! Ich Bin Deutsch - Eine Streitschrift de Detlef Gürtler pela Murmann (2011)
>>> Fundamentos do Turismo EAN: 9788586491948 de Reinaldo Dias e Marina Rodrigues de Aguiar pela Alínea (2002)
>>> Dois Irmães de Milton Hatoum pela Companhia das Letras (2000)
>>> O Cortiço - Coleção o Globo de Aluísio Azevedo pela Globo Klick (1997)
>>> Aisha - a Mourisca de Clovis Tourinho pela Samos (1986)
>>> Um Lugar Perigoso de Luiz Alfredo Garcia-Roza pela Companhia das Letras (2014)
>>> A Vaca e o Hipogrifo de Mario Quintana pela Garatuja (1977)
>>> Na Minha Pele de Lázaro Ramos pela Objetiva (2017)
>>> A Mulher de Costas - Trilogia Íntima Volume 2 de Marcia Tiburi pela Bertrand Brasil (2006)
>>> Poder sem Limites de Anthony Robbins pela Best Seller (1987)
>>> Enclausurado de Ian McEwan pela Companhia das Letras (2016)
>>> Neoliberalismo e Direitos Humanos de Antônio José Avelãs Nunes pela Renovar (2003)
>>> A História da Arquitetura de Benjamin de Araújo Carvalho pela Ediouro
>>> Consumidos de David Cronenberg pela Alfaguara (2021)
>>> Como Ser um Pirata - Como Treinar o Seu Dragão 2 de Cressida Cowell pela Intrínseca (2010)
>>> Fazendo meu filme 1: A estreia de Fani EAN: 9788589239844 de Paula Pimenta pela Gutenberg (2016)
>>> 64 Contos de Rubem Fonseca pela Companhia das Letras (2004)
>>> Salazar Pisca! um Romance Divertido e Trágico Passado nos Últimos Dias de Antonio Salazar, o Homem que Governou Portugal Durante 40 Anos de David Slavitt pela Record (1988)
COLUNAS

Sexta-feira, 16/11/2007
O engano do homem que matou Lennon
Tais Laporta

+ de 19200 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Jurado de morte na prisão, Mark David Chapman recusa a liberdade condicional. É ele o autor do disparo que matou o ex-Beatle John Lennon, em 1980. Nas mãos do assassino, um exemplar de O apanhador no campo de centeio (Editora do Autor, 1999, 208 págs.; The catcher in the rye, em inglês), de J. D. Salinger. Teria sido o personagem do livro - segundo ele - que inspirou-lhe a cometer o crime. "Grande parte de mim é Holden Caulfield. Outra parte deve ser o demônio", contou à polícia. Apesar de Chapman ter culpado parte do romance pelo sangue derramado, a rebeldia inaugurada na narrativa de Salinger está longe de estimular a barbárie.

Logo após a morte de Lennon, as vendas do clássico dispararam, até firmar-se como best-seller e leitura obrigatória. Todo mundo queria saber quem era Holden Caulfield. O que tinha de tão curioso a ponto de inspirar um assassino? O personagem é um simples adolescente de 17 anos, recém-expulso do colégio por mau desempenho. É depressivo, mente e sofre com a própria instabilidade emocional. Tão inocente quanto as brigas nas quais se envolve. Alimenta afetos e ódios, entre picos e quedas. Não tem sonhos concretos, nem planos para o futuro. Apenas vontades passageiras. Tudo o deprime - estado que alimenta ainda mais sua rebeldia.

Nada em Caulfield inspira admiração, embora sua marginalidade não seja gratuita. No seu perfil desajustado, gerações de jovens continuam encontrando um espelho. Participam de sua angústia e criam coragem para assumir a própria impulsividade. Até os anos 1950, ser imaturo era sinônimo de fraqueza. O poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891) escreveu que ninguém é sério aos 17 anos. Lá pela década de 1920, uma criança passava a ser adulta quando ganhava a primeira calça comprida, geralmente no Natal. Era motivo de orgulho, para o presenteado, deixar de ser um "tolo inexperiente" para cair no mundo como alguém de verdade. Largava a escola para trabalhar, aos 14 anos - no rastro da Revolução Industrial -, pronto para casar-se e formar uma família. Num salto olímpico, pulava totalmente a transição da infância para a fase adulta. Em vez de viver a adolescência, se deparava com a pura responsabilidade.

Mas a necessidade de formar adultos precoces perdeu o sentido após a Segunda Guerra. Com o despontar do capital intelectual, os jovens puderam prolongar os estudos, sem precisar trabalhar. Lá estavam eles, com barba feita, ocupados com festas e garotas. Nada de pressões sociais. Tudo o que queriam era uma Coca-Cola com whisky: aqui e agora. Mas o comportamento imaturo ainda não tinha crédito na sociedade - quanto menos na literatura, a porta-voz da experiência. Caulfield vem para legitimar a rebeldia adolescente, intolerada pelas comunidades "crescidas". Ocupou o vazio de identidade do começo do século XX, junto de ídolos como Elvis Presley. Música, moda e tribos urbanas passaram a ser instrumentos de auto-afirmação. Assim, a juventude ganhou o respeito adulto, oportunidade para que O apanhador no campo de centeio fosse compreendido.

Salinger, ao escrever, não imaginava o estrondoso sucesso que viria. Se soubesse, talvez não tivesse sido capaz de criar um romance tão despretencioso e modestamente banal. Até porque levou uma vida semelhante à de seu personagem, anti-social. A narração em primeira pessoa é repleta de gírias e expressões jovens. Fatos triviais e divagações seguem sem respiro. É assim que o personagem vomita sua inocência. Embora transcorrido nos anos 50, o romance parece não ter época. Poderia ser adaptado, tranqüilamente, para qualquer década posterior. A ausência de sinais do passado, exceto por uma máquina de escrever, evidencia que o romance não envelheceu, como ocorre com os clássicos estabelecidos.

Embora seja um hino da revolta juvenil, O apanhador no campo de centeio também é lido por marmanjos. Não é preciso ser jovem para identificar-se com o anti-herói, rebelado contra a sociedade. Prova disso é que o cinema e a própria literatura criaram Caulfields mais velhos - e igualmente intempestivos. O personagem de O Náufrago, de Thomas Bernhard, chega à ruína interior ao deparar-se com um gênio do piano, Glenn Gould. Estar abaixo dele já é motivo para sentir-se um acidente de percurso. Na sétima arte, Stanley Kubrick repetiu a saga do homem rebelado. As obras-primas Laranja Mecânica, O Iluminado e Barry Lindon recriam escórias humanas.

Em nenhum momento, contudo, o livro de Salinger faz apologia à violência ou ao ódio. O cartão-verde para a rebeldia não justifica qualquer crime, ao contrário do que entendeu o assassino de Lennon. Ele levou ao pé da letra as revoltas passageiras do personagem, das quais o próprio se arrependeria. Ao contrário do criminoso, Caulfield não sofria de esquizofrenia e doença mental. Chapman teria se inspirado em qualquer símbolo da incompreensão jovem para justificar seus demônios.

Além disso, o personagem encontra os primeiros sinais do equilíbrio no amor pela irmã caçula, Phoebe. Quando ela lhe instiga a pensar no que gostaria de fazer no futuro, Caulfield se imagina observando crianças brincarem em um campo de centeio, atento para apanhá-las antes que caiam em um abismo. É o que deseja ser. Um trecho do livro reflete esse ritual de passagem: "O homem imaturo é aquele que quer morrer gloriosamente por uma causa. O maduro contenta-se em viver humildemente por ela".

Desponta, aí, o senso de proteção que o faz desistir de qualquer maluquice. Seu planos de fuga eterna vão por água abaixo, diante de uma criança que o imita. Alguém precisa tomar as rédeas da loucura, sentir-se responsável pela ordem. E precisa ser ele. Nasce um novo Caulfield, feliz e sereno. Mesmo indiferente sobre o futuro, longe das pressões da fase pré-adulta: ganhar dinheiro e escolher uma profissão. Certamente, Caulfield tardaria para definir-se socialmente. Mas, por outro lado, estaria longe de tornar-se um médico frustrado ou um advogado anti-ético. Ambos, produtos precoces da modernidade.

Para ir além






Tais Laporta
São Paulo, 16/11/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. 2010 e os meus álbuns musicais de Rafael Fernandes
02. Bastardos Inglórios e O Caso Sonderberg de Marcelo Spalding
03. Filmes on-line de Rafael Fernandes
04. Millôr Fernandes, o gênio do caos de Diogo Salles
05. 2008, o ano de Chigurh de Vicente Escudero


Mais Tais Laporta
Mais Acessadas de Tais Laporta em 2007
01. 10 livros de jornalismo - 20/6/2007
02. O engano do homem que matou Lennon - 16/11/2007
03. Qual é O Segredo? - 18/7/2007
04. Gleiser, o cientista pop - 24/1/2007
05. O melhor das revistas na era da internet - 10/1/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/11/2007
18h34min
Nunca entendi muito bem o porquê do assassino de Lennon ter se comparado a Holden Caulfield. Nunca! Sempre achei que eu tinha uma capacidade de abstração da personagem e das metáforas do livro muito limitada, de que eu não havia interpretado as entrelinhas de Salinger de forma apropriada. Busquei textos na internet a respeito do livro, e nenhum era capaz de me mostrar nada de que eu já soubesse... Este seu texto me esclareceu algumas coisas, relembrou outras, mas o mais importante foi que com ele eu me certifiquei de que eu não estava enganada. Chapman, sim. Li este romance aos 15, foram necessários 10 anos para eu perceber que não havia o que encontrar de obscuro em Holden. E que não havia nada de errado em me identificar com ele. Obrigada!
[Leia outros Comentários de Fernanda Coelho]
19/11/2007
07h11min
O apanhador é sobretudo um livro de autor. Destaca-se pelo caráter seminal onde uma narrativa moderna disseca de forma até então inédita as instabilidades e inseguranças das fronteiras da adolescência. Salinger compõe uma obra compacta onde, mais que a primeira pessoa, o fluxo de consciência tornou real e universal sua personagem. O espaço-tempo em que se sucedem os fatos é o mais curto possível, deixando os leitores sem fôlego num exercício inusitado de leitura. A força deste livro é tal que talvez Holden tenha encarcerado Salinger numa expectativa insuportável. Tivemos ainda vários ecos do Apanhador, um personagem como Chapman em "A teoria da Conspiração" e um roteiro filmado por Scorcese, "After Hours" em 1985. Apesar de tantos sub-produtos é de Robert Burns e da canção "Comin thro the rye", de onde Salinger trouxe a tensão em que sustentaria o seu romance, que prefiro recordar; Chapman é só um fragmento perdido numa perspectiva de possibilidades infinitamente promissoras.
[Leia outros Comentários de Carlos E. Oliveira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Pérolas dão Azar
Raymond Chandler
Record
R$ 10,00



Belleville
Felipe Colbert
Novo Conceito
(2014)
R$ 10,00



Coleção Melhores Poemas Cecília Meireles
Maria Fernanda
Global
(2002)
R$ 10,00



Nas Asas do Destino
Ricardo Kotscho
Ática
(1993)
R$ 10,00



Criança e Miseria Vida Ou Morte
John Drexel o M i Leila Rentroia Iannone
Moderna
(1995)
R$ 10,00



Brincando Com Seu Gato - 50 Jogos Para Divertir Você e Seu Bichano
Jackie Strachan
Pensamento
(2011)
R$ 10,00



Os Descobrimentos Origens da Supremacia Européia
Paulo Migliiiacci
Scipione
(1994)
R$ 10,00



O Poder da Comunicação
Abril
Abril
R$ 10,00



Cidades Brasileiras o Passado e o Presente
Rosicler Martins Rodrigues
Moderna
(1992)
R$ 10,00



As Aventuras de Tom Sawyer
Mark Twain/ Monteiro Lobato
Brasiliense
(1973)
R$ 10,00





busca | avançada
69682 visitas/dia
2,4 milhões/mês