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Terça-feira, 31/7/2007
Aprender poesia
Marília Almeida
+ de 5100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

- Vai mostrar um poeminha que você fez? Fraquinho. Começou mal.

Após reticentes comentários sobre quem escreve poesia na sala do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema, Rodrigo Petrônio, poeta, tradutor e ensaísta, autor de livros como Pedra de Luz, interrogou: "Por quê esse tabu com relação à poesia? Todos pensam que ela é lírica, cheia de imagens e beleza e não tem foco narrativo, mas isso está mudando. O verso era regra até o século XIX", alerta. E faz poesia ao falar dela: "É um sopro que permeia todas as coisas, cósmica, afirmativa e condiciona a algo além. Não podemos pensar que é apenas um treino de linguagem. Poesia é um lugar de liberdade total, tem que delirar. É um declínio ordenado. Permite que misturemos tudo, possamos experimentar".

Para ilustrar essa diversidade, lembra do prosaico e limpo Mário Quintana, o surrealismo de Carlos Drummond, os versos livres e despojados de Bruno Tolentino, a imagem como sugestão em Mallarmé e a musicalidade e pulsação de Hilda Hist. Lembra que até mesmo Clarice Lispector e Guimarães Rosa podem ter ritmo de poesia. "Ritmo não é métrica. Pode haver um verso livre com ritmo". Rodrigo considera importante confrontar e ler poetas diferentes e lembra que no século XVIII havia tratados científicos escritos em versos que também podem servir de fonte de inspiração.

Além deles, cita textos de Charles Baudelaire, que considera fundador da modernidade na poesia; Arthur Rimbaud, que "sintetiza muitos elementos em poucos traços"; o poeta português Herberto Helder; o Folhas de Relva de Walt Whitman; Lucrecio e o seu Da natureza das coisas; o "mestre visceral e inventivo da imagem que mistura prosa poética com verso" Ezra Pound e também Gregório de Matos, "poeta engenhoso com inteligência aguda". Para ele, Arthur Rimbaud faz invectiva contra o mundo e lembra que o austríaco Thomas Bernhard fez poesia "cáustica e negativa" até o final dos anos 70.

Depois dessa base de leitura de autores, Rodrigo questionou: "Quando você escreve em verso e poderia estar escrevendo em prosa? Onde o que você escreve se insere? Temos artistas espontâneos sem erudição e outros livrescos, cheios de referências literárias. Há também a canção dentro da poesia, onde dá para incluir pausas e silêncios. Você pode radicalizar a imagem ou inscrevê-la de forma mais simples em uma mensagem lírica, tomando cuidado com o lugar comum".

Sobre os textos lidos pelos alunos, fez comentários que podem ser resumidos em pontos principais como criar belas imagens e evitar lugares comuns, pois a adjetivação tem que ser dita de outra forma na poesia. Ele cita também a importância do ritmo harmônico e da musicalidade, além da falta de explicação, e pede atenção para sons repetitivos. "Não se pode ficar no mesmo campo semântico. Há que se trabalhar associações possíveis na mente do leitor, achar o prumo do conteúdo e da forma." Quanto às rimas, alerta para as pobres e que em grande quantidade podem quebrar o ritmo de um texto. "Temos que usar inversões e criar oposição. E um título pode mudar toda a poesia."

Além de comentários sobre cada texto produzido, Rodrigo não descuidou da parte técnica e explicou o significado de uma rima toante (rimas não perfeitas, com sílabas que se chocam e produzem um som interessante), rima rica (com verbo, substantivo e adjetivo), e rimas internas (que não ecoam no mesmo verso, mas na poesia). Descreveu cada função (emotiva, conativa, etc) baseado em esquemas e criou até mesmo uma máquina de fazer poemas, com uma lista de adjetivos que podem ser combinados livremente. "Uso a máquina para ter consciência de muitos deles".

Para o poeta, devemos escrever para a literatura. Nem para o leitor, nem para nós mesmos. "O leitor é capcioso, não sabemos quem vai nos ler. Me surpreendo sempre com os meus. O que fica é a obra de arte. Imprensa e leitor são contingentes." Além disso, Rodrigo acredita que deve-se fugir da idéia do artista maldito e mal pago. "Escrevemos livros que gostaríamos de ler e não existem. A parte técnica é um grande caminho andado, mas há um pessoal também a ser trilhado. Saia fora do discurso do fazer sozinho. No mínimo, você deve ler bons autores".

Sobre seu começo, Rodrigo conta que criou com amigos uma pequena editora de publicações com tiragem pequena. Depois, mandou livros com ensaios para um festival e acabou ganhando o prêmio em dinheiro, com o qual foi possível publicá-lo. Dele até a publicação de Pedra de Luz houve um intervalo de cinco anos, quando foi publicado pela editora A Girafa com tiragem de dois mil exemplares. "É difícil publicar poesia hoje em dia. É um trabalho de formiga que às vezes cansa."


Marília Almeida
São Paulo, 31/7/2007

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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
31/7/2007
12h50min
Ah, como tem razão o Rodrigo. Nos tempos de hoje, a poesia é mesmo um trabalho de formiga - árduo como só ele, mas tem lá suas recompensas. Mesmo que tímidas, uma vez que restam poucos amantes desta tão renomada e requintada arte da escrita. A poesia hoje deve, como bem mencionado, ser inovadora. Não que os clássicos estilos e os paradigmas não sejam bons, muito pelo contrário. Apenas acredito que cada leitor tem uma visão absurdamente própria e essa é a riqueza que deve colocar em seus escritos. Os versos não precisam ser versos. Não há a necessidade de rima, nem de musicalidade. Mas o fator que não muda é a agradabilidade: se esta inexiste - não há motivo de existir poesia. Épica, narrativa, introspectiva, generalizada. A poesia é o que deveras espera a ansiosa mente que a necessita: o nascer de uma nova vida!
[Leia outros Comentários de Plínio Alexandre]
31/7/2007
22h05min
Ao menos não é daqueles artigos dizendo que a poesia morreu. Estes comentários já estão ficando um porre.
[Leia outros Comentários de Edson Bueno de Camar]
5/2/2008
14h01min
Cada vez que eu procuro e acho algo interessante me encanto cada vez mais... Suas explicações são ótimas!
[Leia outros Comentários de Diego Turini]
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