Beethoven | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
56914 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> EcoPonte apresenta exposição Conexões a partir de 16 de julho em Niterói
>>> Centro em Concerto - Palestras
>>> Crônicas do Não Tempo – lançamento de livro sobre jovem que vê o passado ao tocar nos objetos
>>> 10º FRAPA divulga primeiras atrações
>>> Concerto cênico Realejo de vida e morte, de Jocy de Oliveira, estreia no teatro do Sesc Pompeia
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
Colunistas
Últimos Posts
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
Últimos Posts
>>> PANFLETO AMAZÔNICO
>>> Coruja de papel
>>> Sou feliz, sou Samuel
>>> Andarilhos
>>> Melhores filme da semana em Cartaz no Cinema
>>> Casa ou Hotel: Entenda qual a melhor opção
>>> A lantejoula
>>> Armas da Primeira Guerra Mundial.
>>> Você está em um loop e não pode escapar
>>> O Apocalipse segundo Seu Tião
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O problema do escritor
>>> Cadáveres
>>> A teoria do caos
>>> Ainda o mesmo assunto...
>>> Contradições da 30ª Mostra
>>> Chinese Democracy: grande disco
>>> 50 Anos de Preguiça e Insubmissão
>>> Dos Passos: duplamente grande
>>> 1992 e hoje
>>> 26 de Outubro #digestivo10anos
Mais Recentes
>>> Fragmentos de Flávio Freitas pela Contemporâneo
>>> Crime Improvavel de Luiz Carlos Cardoso pela Ficcoes (2010)
>>> Direito, Relações de Gênero e Orientação Sexual de Elida Séguin pela Letra da Lei (2009)
>>> Axé de Cremilda Medina - org. pela Usp Ed. (1996)
>>> Fome de liberdade de Gilney Amorim Viana pela Edufeb
>>> O Remanescente - no Limiar do Armagedom de Tim Lahayne; Jerry B. Jenkins pela United Press (2003)
>>> O Sabor do Mel - Trilogia Amores Possíveis - Vol 2 de Eileen Goudge pela Bertrand Brasil (2010)
>>> A Verdadeira História do Século 20 de Claudio Willer pela Córrego (2016)
>>> Benção Incondicional - a Felicidade é Possível de Howard Raphael Cushnir pela Nova Era (2003)
>>> A Garota Que Eu Quero de Markus Zusak pela Intrínseca (2013)
>>> História da Vida Privada no Brasil - Volume 1 de Fernando Novais; Laura de Mello e Souza (org.) pela Companhia das Letras (2002)
>>> Enciclopédia Filosófica de Roland Corbisier pela Civilização Brasileira (1987)
>>> Diário de um Yuppie de Louis Auchincloss pela Best Seller (1987)
>>> Contos Clássicos de Fantasma de Alexander M. da Silva; Bruno Costa (orgs) pela Sebo Clepsidra / Ex Machina (2020)
>>> Só o Amor Consegue de Zibia Gasparetto pela Vida e Consciência (2017)
>>> Paris de Patrick Jouin de Valerie Guillaume pela Instituto Tomie Ohta (2009)
>>> A Consciencia de Zeno de Italo Svevo pela Biblioteca Folha (2003)
>>> O Urubu e o Sapo/ O Velho e o Tesouro de Silvio Romero pela Paulus (2008)
>>> Novum Organum / Nova Atlântida (coleção os Pensadores) de Francis Bacon pela Abril Cultural (1979)
>>> O Que é Jazz, Rock e Música Sertaneja de Roberto Muggiati; Paulo Chacon; Waldenyr Caldas pela Circulo do Livro (1991)
>>> Medéia de Eurípedes pela Ateliê (2013)
>>> The Principles of the Internacional Phonetic Association de Varios Autores pela Phonetic Association (1979)
>>> O Cavaleiro Inexistente de Italo Calvino; Nilson Moulin pela Companhia de Bolso (2009)
>>> O Grande Cophta de Johann Wolfgang Von Goethe pela Aetia (2017)
>>> M. Teixeira Gomes: o Discurso do Desejo de Urbano Tavares Rodrigues pela Edições 70 (1982)
COLUNAS

Sexta-feira, 7/10/2005
Beethoven
Julio Daio Borges

+ de 11400 Acessos
+ 5 Comentário(s)

"Jamais conheci um artista mais contido, vigoroso e sincero. Posso compreender muito bem quão singular deve ser sua atitude para com o mundo."
Goethe sobre Beethoven

"A admiração, o amor e a estima, que já acalentava em minha juventude pelo único e imortal Goethe, ainda persistem. Sentimentos como esses não são expressos facilmente em palavras, particularmente por alguém inculto como eu, pois meu único desejo tem sido dominar a arte da música. Mas um sentimento estranho está me induzindo a dizer tudo isso a você, visto que vivo em seus escritos."
Beethoven para Goethe

"Não toquei meu piano por vários dias", afirmou Johann Wenzel Tomaschek, depois de assistir a um duelo pianístico entre Joseph Wölffl e Ludwig van Beethoven. E, de fato, o contato com Beethoven é paralisante. Mais uma vez, graças à biografia de Lewis Lockwood, lançada no Brasil pela editora Códex. O que se pode acrescentar, em termos de comentário, à obra do compositor alemão? À obra de possivelmente um dos maiores, senão o maior artista do mundo ocidental, segundo nos deixou sugerido Otto Maria Carpeaux? Beethoven é auto-suficiente e, a não ser que se esteja no mesmo nível para acrescentar algo em termos musicais, como fizeram, por exemplo, Berlioz e Wagner, o melhor mesmo é calar. E estudar seu legado. A atitude, humilde, dos biógrafos de personalidades desse porte tem sido, ultimamente, a mais correta: pesquisar, cruzar dados, montar uma narrativa e não conjecturar nada ou quase nada. Os adendos, proveitosos, estão fora do nosso alcance. Pelo menos, no caso de Beethoven. Diante da constatação dessa impossibilidade, digamos, de se reescrever a História, resta, a nós, passar ao largo de alguns pontos interessantes. E só. Por enquanto.

Provavelmente, a coisa que mais chama a atenção, hoje, tomando-se o universo de Beethoven, é o germanismo - e a certeza de quanto ele perdeu de terreno, tornando-se até pejorativo, obviamente depois de Hitler. Ou antes. O "germanismo" (se é que estamos tomando a acepção mais correta do termo) terminou associado ao nazismo, à suposta superioridade da "raça ariana" e aos delírios de grandeza do Terceiro Reich. E claro: depois da carnificina, da destruição e do evidente absurdo da Primeira e da Segunda Guerras, qualquer consideração sobre o caráter genuinamente alemão, vá lá, passou pelo resultado desses dois conflitos, onde a Alemanha foi um dos atores principais (infelizmente, para o mal), já que - como diz George Steiner - por pouco não tirou a Europa do mapa e não enterrou nossa civilização. Como se falar em germanismo depois desses horrores incorresse na inevitável conclusão: por mais portentosas e esplendorosas que tenham sido as realizações das nações e dos povos germânicos, redundaram em duas guerras mundiais que por pouco não nos soterraram. Ou seja: colocando de uma maneira bastante simples, valeu a pena? De que nos serviu, afinal de contas, o germanismo e a cultura "germânica"? Freud, por exemplo, no período entre guerras, revisou toda a sua teoria e incluiu, em contraponto à pulsão de vida (Eros), uma pulsão de morte (Tânatos) - uma vez que era a única forma de justificar uma barbaridade aparente inexplicável: a guerra mundial.

Ainda assim, o germanismo é um assunto do qual não se escapa quando se pensa em Beethoven. Em música, fala-se em Classicismo a partir de Haydn e Mozart e, em seguida, em Romantismo, a partir de Beethoven. Entre as muitas intenções por trás do termo clássico, deve estar a de aproximar as criações musicais do período à era dourada do "classicismo" grego, depois, romano, por último, renascentista. É o mínimo que se pode afirmar dessa fase, que teve, justamente, seus primórdios relacionados a Haendel e Bach. Coincidência ou são todos autores oriundos do mundo germânico? A tendência, natural, é objetar, evocando os italianos, como Vivaldi e os pais fundadores da ópera, como Monteverdi (tendo-se em conta, ainda, o quanto Beethoven admirava Rossini), mas a presença germânica na consolidação do que foi a música a partir daí não parece ameaçada. Nem com a inclusão dos franceses (Beethoven tinha muito respeito por Cherubini), nem com a inclusão dos espanhóis (Nietzsche, para se contrapor a Wagner, caiu de amores por Bizet), consegue-se fazer frente à trinca Bach, Mozart e Beethoven.

Falar em germanismo, além de tabu, está na base de toda incorreção política durante o século XX. Pois qualquer pessoa sabe da adoração de Hitler por Wagner e da apropriação, pelos ideólogos do nazismo, das filosofias de Nietzsche e Schopenhauer. A ligação, quando se pensa nas qualidades da música a partir de Beethoven, passando seqüencialmente por Wagner, e na força dos filósofos como Schopenhauer, passando pelo discípulo Nietzsche, é feita, inconscientemente ou não, com o que há de mais monstruoso, desumano e abominável no hitlerismo e nas suas conseqüências, físicas e psíquicas, para a humanidade. Mas, assim como na música, é inegável também, no pensamento, a influência da filosofia produzida no seio dos povos germânicos. Desde Kant, que fundou praticamente sozinho a modernidade, até Marx, justamente responsabilizado por outro dos maiores desenganos do século passado: o totalitarismo de esquerda. Como esquecer, além dos referidos Nietzsche e Schopenhauer, Leibniz, Hegel, Husserl, Heidegger e Wittgenstein - eternamente plasmados por seus vizinhos franceses, que, desde Rousseau e Montaigne, provavelmente não surgiram com nada que não tivesse os pés fincados no pensamento de autores de língua alemã?

Saindo da controvérsia política e entrando no reino da arte, é impressionante como Beethoven pode embasbacar eternamente qualquer mortal. Desde as constatações já na adolescência e a infância de que seria um segundo Mozart (mesmo que Haydn achasse que isso "nem em cem anos") até a vida adulta e a "velhice" (morreu com 57 anos), em que seguiu se reinventando até o final, bebendo nas águas de Haendel e Bach (pré-Clássicas), culminando com o contraponto duplo da Nona - quase indubitavelmente a maior obra de arte jamais concebida pelo espírito humano. Passando, claro, pela Eroica, pela Quinta, pela Sétima (o triunfo da dança, segundo Wagner), e também pela Quarta e pela Sexta - pois, feita a homenagem (depois cancelada) ao imperador, na Bonaparte, Beethoven responderia assim sobre a dúvida lançada a respeito de suas sinfonias de número par: "[Você estranhou?] É porque fiz muito melhor". Aliás, a propósito de Napoleão, anotaria, do cume da montanha em que se encontrava: "É uma pena eu não compreender a arte da guerra tão bem quanto compreendo a arte da música. Eu o teria vencido". Ou, então, quando se reconheceu um legislador não-autorizado do mundo (na expressão de Shelley): "Eu atingi tal grau de perfeição que me encontro acima de quaisquer críticas". Ou, ainda, ciente de que não poderia realizar tudo o que seu desejo demandava: "Oh, seria tão maravilhoso poder viver milhares de vidas!".

E outra fonte infinita de encantamento e surpresa é o que Lochwood chama de "força interior granítica", transcendendo as dificuldades impostas pelo corpo e pela mente, mais notadamente as resultantes da sua progressiva surdez, que o fizeram registrar: "Para você, pobre Beethoven, nenhuma felicidade pode vir de fora; você precisa criá-la dentro de si mesmo". Ou, quem sabe, de acordo com o relato de Haydn, autobiográfico, mas que poderia ter sido escrito por ele, Beethoven: "Eu vivia à parte do mundo, não existia ninguém ao meu lado para me confundir ou me aborrecer pelo caminho, e assim tive que me tornar original". Fechando com a citação, biográfica, do poeta e escritor Marge Piercy, casando com a observação do próprio Beethoven, de que se sentia um filósofo aos 28 anos, e encerrando de vez a questão entre vida exterior e vida interior, onde sabiamente se exilou o autor da Sonata ao Luar: "Não posso permanecer nesse lugar excitante por muito tempo, mas, quando estou nele, nada mais importa". O que talvez explique o desligamento crescente da realidade, cujo exemplo mais gritante foi a tentativa de suicídio de Karl Beethoven, na época sob os cuidados de seu tio Ludwig, que não abalou nem um pouco a composição dos últimos e, para variar, impressionantes quartetos de Beethoven.

Ao contrário, porém, do que possa parecer, Beethoven não enfiou a cabeça na terra, como um avestruz, e esperou que o mundo consagrasse seu gênio criador. Foi, mais uma vez no dizer de Lockwood, um administrador incansável de sua produção e negociava diretamente com vários editores, procurando obter os maiores ganhos, a fim de que pudesse se dedicar, com certa folga, a uma das duas coisas que elevava o homem até o patamar dos deuses (junto com a ciência): a arte. Apesar de seu caráter conhecidamente misantropo, Beethoven tinha certeza de que era preciso "cortejar", "como a um rei", a sociedade. E foi assim, cioso de seus princípios, que se estabeleceu em Viena ainda jovem, partindo de Bonn, sua terra natal. Foi, como é sabido, aluno de Haydn (um Haydn mais requisitado do que se podia esperar - para prestar atenção no pupilo prodígio), e existe a hipótese de que haveria visto Mozart ("Preste atenção nele. Algum dia o mundo falará sobre ele" - apesar da suspeita, é uma declaração sem base factual), e também de que teria abençoado Schubert ("Realmente ele tem a centelha divina", outra suspeita sem comprovação), mais um na lista de seus possíveis visitadores, no fim da vida, quando acontecia o que Wagner apropriadamente chamou de "peregrinação a Beethoven".

Tão impressionante quanto o caráter "germânico" e a incomparável arte (e força) de Beethoven, contudo, foi sua capacidade - não apenas de artista, mas de profeta clarividente - de forjar o futuro e de condenar a música posterior (até hoje) aos moldes por ele lançados. O "futuro", aqui, no mesmo sentido de Wagner, um dos maiores "teóricos" em cima do espólio de Beethoven, que construiu todo o seu projeto, de compositor, a partir da Nona - a qual, na mistura sem precedentes de canto e música instrumental, numa estrutura sinfônica, apontava o caminho que Beethoven supostamente indicava a seus sucessores. Do mesmo jeito, a música programática é "filha" de Beethoven. Do mesmo modo, o atonalismo. Stravisnki, Schoenberg. E Brahms, chamado de "retrô", porque quis emular o Primeiro e o Segundo Beethoven(s), mas não o Último. O Primeiro Beethoven, obviamente, clássico (Haydn & Mozart); o Segundo, "beethoveniano", pré-romântico...; o Terceiro, romântico, pré-...? (de Wagner a Schoenberg, e depois). Se estamos aprisionados no tempo da incompreensão da música contemporânea, pelo menos desde o século anterior, é, de certa maneira, por causa de Beethoven. Se, em termos eruditos, não conseguimos mais encontrar saída que não seja a dissonância, que não sejam as experiências terríveis de Boulez e, mais recentemente, de Stockhausen, é por "culpa" de Beethoven. Beethoven inventou o humano muito mais do Shakespeare, no dizer de Harold Bloom - pelo menos de lá pra cá, e no que diz respeito à "trilha sonora". Aquele homenzinho "baixo e de aparência comum, com um rosto feio, avermelhado e cheio de marcas, (...) cabelo (...) muito escuro", caindo desarrumado, "em torno do rosto" - segundo a descrição de uma contemporânea sua - trancafiou nossas esperanças musicais e levou consigo a chave, para a posteridade, para o túmulo. "(...) E se fica esperando sua volta".

Por isso, apesar do germanismo ser hoje inadmissível (e estar fora de moda), graças à obra incomparável, ao exemplo de vida (e determinação) do futuro (ao menos, na música), continuamos louvando Beethoven. E continuaremos por muitos anos. Arrisco: até o fim dos tempos (embora essa expressão não tenha sentido, como provou Kant). Beethoven, quando não é fonte inesgotável de inspiração, em suas sinfonias, suas sonatas, seus quartetos, etc., é um porto seguro para quem quer desenvolver seus talentos, superando-se sempre. Beethoven, quando não é, digamos, um guia para o trato social e para, vá lá, a convivência em família, é um caso, no mínimo, interessante de sobrevivência a si mesmo, às próprias debilidades, psicológicas, orgânicas, humanas, enfim. E Beethoven, quando não é comparável a "gente como a gente", graças a seu gênio, revela-se, ao mesmo tempo, extremamente palpável, pelas anotações, pelos cadernos, pelas cartas, pelos autógrafos - de um ser humano sempre cindido entre uma tarefa hercúlea, que se sabia capaz de realizar, e uma época comezinha, como todas, mas que lhe permitiu abrir asas e voar. Por isso, estamos salvos (ou temos onde nos resguardar). Por isso, leia-se Lewis Lockwood e quantos outros bons biógrafos de Beethoven se puder encontrar.

"Há alguns homens misteriosos que só podem ser grandes. E por quê? Nem eles mesmos sabem. Por acaso quem os enviou sabe disso? Têm na pupila uma visão terrível que nunca os abandona. Viram o oceano como Homero, o Cáucaso como Ésquilo, Roma como Juvenal, o inferno como Dante, o paraíso como Milton, o homem como Shakespeare. Ébrios de sonho e intuição em sua marcha quase inconsciente sobre as águas do abismo, atravessaram o raio estranho do ideal, e este os penetrou para sempre... Um pálido sudário de luz cobre-lhes o rosto. A alma lhes sai pelos poros. Que alma? Deus."
Victor Hugo

Para ir além






Julio Daio Borges
São Paulo, 7/10/2005


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Da fatalidade do desejo de Elisa Andrade Buzzo
02. Cuba E O Direito de Amar (2) de Marilia Mota Silva
03. Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes de Jardel Dias Cavalcanti
04. Moro no Morumbi, mas voto em Moema de Julio Daio Borges
05. 4 filmes sobre publicar livros de Ana Elisa Ribeiro


Mais Julio Daio Borges
Mais Acessadas de Julio Daio Borges em 2005
01. É Julio mesmo, sem acento - 1/4/2005
02. Melhores Blogs - 20/5/2005
03. Não existe pote de ouro no arco-íris do escritor - 29/7/2005
04. O 4 (e os quatro) do Los Hermanos - 30/12/2005
05. Schopenhauer sobre o ofício de escritor - 9/9/2005


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
6/10/2005
08h53min
Caro Julio, Beethoven dizia: "aquele que compreender a minha música estará livre das misérias humans". Muito bom seu artigo. Foi um prazer lê-lo comentando o livro e a obra de Beethoven com tanta clareza. Agora é correr para os CDs e (re)ouvir nosso gênio para que "toda a miséria humana se disperse". Abraço, Jardel
[Leia outros Comentários de jardel]
6/10/2005
12h12min
Julio, seu texto está delicioso, arrebatador. Só acrescentaria que mesmo Beethoven, e Bach, e Mozart, compuseram demais, cacete! Que eles compusessem demais, tudo bem, mas a gente não tem a menor obrigação de ouvir tudo o que eles fizeram, entende? 5 obras de Beethoven, 2 de Bach e umas... de Mozart já dão música para se ouvir em muitas encarnações. Pelo menos foi o que o próprio Beethoven me confessou em Alvrakélia (rs), mas aliás, sobre isso, Julio, ando afoito de lhe falar. Baccios!!!
[Leia outros Comentários de Mário G. Montaut]
10/10/2005
17h17min
Uma visão panorâmica. Que texto! Admiravelmente bem construído, medido, pesado e contado. Um festim digno de Baltazar. A música assim como a literatura tem seus acentos. Para aquele que é ouvinte costumeiro é mais ou menos fácil distinguir um autor do outro, melhor escrevendo, um tipo de música de outro. Cada nacionalidade tem seus cacoetes próprios. Alguns são inconfundíveis: Beethoven é um deles, Debussy é outro, Mozart e Bach também. Vários autores, críticos, escritores falam sobre eles, apontam critérios, ousadias, avanços e retrocessos. Gostaria de acrescentar - não muito - o prazer estético. É indescritível. Ouvir o quarteto #132 ou a 9ª Sinfonia é uma dádiva. Tentem. O Celibidache não permitiu durante toda a sua vida (longa, mas breve) que ninguém fizesse nenhuma gravação de seus recitais. Não conseguia imaginar o porquê disso, até ouvir essas que mencionei ao vivo. É indescritível a sensação. Não dá para se escrever o que isso faz no ouvinte, é paralisante. Tão paralisante quanto o texto, na forma e no conteúdo. Infelizmente temos que deixar a germanidade de lado, pois não ouvimos o Thomas Mann que na época adequada e arriscada escreveu para quem quisesse ler: “... é mesmo o que define a germanidade, um estado de alma ameaçado de quimeras, do veneno da solidão, de um provincialismo boçal, de maranhas neuróticas, de silencioso satanismo...”; e agora é tarde.
[Leia outros Comentários de Erwin Maack]
26/10/2005
08h52min
Caro: A admiração de Hitler por Wagner não deve ou, pelo menos, não deveria depor contra a obra musical do grande nome do neo-romantismo alemão, até mesmo porque nenhum deles foi contemporâneo um do outro. A "culpa" por todo tipo de "sentimentos pró-nazistas" supostamente existente na obra de Wagner deve ser creditada apenas ao limitado círculo de admiradores daquilo que Otto Maria Carpeaux chamou de a "religião wagneriana", cultuada por causa de Cosima Wagner, "née" Cosima Liszt, no "santuário" do mundo musical wagneriano, que é o Festspielhaus de Bayreuth. Culpar Wagner pela barbárie nacional-socialista que acometeu a Alemanha de 1933 a 1945 é falsear a própria história, do mesmo modo como, a exemplo do que você colocou, igualmente é um absurdo vincular ao nazismo os pensamentos de Nietszche e de Schoppenhauer. Hoje é preciso "reabilitar" Wagner e remover, nem que seja à força, este ranço de "nazismo" que incompreensivelmente cerca a obra do mestre alemão, vinculando-a erroneamente aos delírios de grandeza do genial músico que ele foi. Sou advogado, também formado em história e em línguas indo-européias e em línguas mortas e, além do latim, do grego e do hebraico, leciono também o alemão. Aliás, minha tese de mestrado em história versou exatamente sobre a Primeira Guerra Mundial e o pan-gemanismo que arrastou o "kaiser" a uma aventura militarista nos Bálcãs que terminaria, após o atentado em Sarajevo em 1914, evoluindo para um conflito armado em escala mundial. Mas se Hitler gostava mesmo de Wagner - e sobre isto não pairam dúvidas - pelo menos não se pode acusar o tirano de ter tido mau gosto musical. Pelo menos isto... H. Carvalho, Petrópolis - RJ
[Leia outros Comentários de hamilton carvalho]
9/10/2007
23h47min
Muito interesante este histórico sobre música clássica. Eu não tinha conhecimento sobre seu site, mas agora ele será leitura obrigatória. Muito boa a matéria sobre Frida Kahlo! Boa sorte nas matérias posteriores, espero que não me decepicione! Parabéns...
[Leia outros Comentários de Wilton Cabral ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Poder Nu - Confira!
Albert Einstein
Rotterdan
(1994)



Viagens de Gulliver
Jonathan Swift
Atica
(2008)



Agaguk - Grandes Clássicos da Literatura Em Quadrinhos
Yves Theriault
Del Prado
(2015)



Carmem de Sevilha
Caroline de Ávila
Correio Fraterno
(2016)



Logística Transporte e Desenvolvimento Econômico Vol I
Josef Barat
Cla
(2007)



Life Styles Students Book 3
Francisco Lozano, Jane Sturtevant
Longman
(1989)



Iracema
José de Alencar
Solidez



Saint Andrew For Beginners
Saint Andrew For Beginners - Rennie Mc Owan
Rennie Mcowan
(1996)



A Inserção da Saúde Mental no Hospital
Leila Damasio Lopes
Ciência Moderna
(2000)



Queremos Natal Com Papai Noel
Ana Maria Bohrer
Atica
(2002)





busca | avançada
56914 visitas/dia
1,8 milhão/mês