O nome da águia | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
34692 visitas/dia
773 mil/mês
Mais Recentes
>>> Sessão da peça infantil
>>> Consulado Geral da Hungria promove na capital paulista:
>>> Monja Cohen, Rabino Schlesinger e Gilberto Dimenstein vão debater sobre a mentira como um obstáculo
>>> Caixa de Fuxico estreia Cabeças Trocadas, da obra de Thomas Mann, na SP Escola de Teatro
>>> Saraus do Plástico Bolha
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
>>> Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
>>> O Vendedor de Passados
>>> A confissão de Lúcio: as noites cariocas de Rangel
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES II
>>> Honra ao mérito
>>> Em edição 'familiar', João Rock chega à 17ª edição
>>> PATÉTICA
>>> Presságios. E chaves III
>>> Minha história com Philip Roth
>>> Lars Von Trier não foi feito para Cannes
>>> O brasileiro e a controvérsia
>>> Greve de caminhoneiros e estupidez econômica
>>> Publicando no Observatório de Alberto Dines
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Jackie O., editora
>>> Daumier, um caricaturista contra o poder
>>> A deliciosa estética gay de Pierre et Gilles
>>> Não estou lá, com Cate Blanchett
>>> Little Joy, o disco
>>> O Vendedor de Passados
>>> O que é crítica, afinal?
>>> O massacre da primavera
>>> Feedback risonho
>>> Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica
Mais Recentes
>>> E se... Você Começasse a Agir?
>>> Choques Cósmicos: Transformando Crises em Oportunidades de Crescimento
>>> Elite da Tropa
>>> A Sabedoria de São Bento para o nosso Tempo
>>> A Reunificação da Alemanha: do Ideal Socialista ao Socialismo Real
>>> Miséria da Filosofia
>>> Crônica de um Amor Louco
>>> O Correio Continua
>>> Os Adoradores do Sol
>>> Eat Pray Love
>>> Pronto Socorro
>>> Ego e Arquétipo
>>> Mulheres Cheias de Graça
>>> Manual Completo de Ascensão
>>> Religião, Psicoterapia e Aconselhamento Espiritual
>>> O poder cósmico da mente
>>> Éléments de Syntaxe Structurale - Lucien Tesnière
>>> História do cerco de Lisboa
>>> Estate Gardens of California
>>> Raios de luz espiritual ensinos esotéricos
>>> O Morro das Ilusões
>>> Introduccion Al Oleo
>>> Kg 200 - O Esquadrão Fantasma
>>> História dos Clubes de Cabo Frio
>>> Poesia Portuguesa Erótica e Satírica Séculos XVIII e XIX
>>> A Revolta de Seis de Setembro (a Ação de S. Paulo)
>>> Gramática grega
>>> Almanaque de Sorocaba 1950
>>> Derivativos no Brasil
>>> Tornar-se Pessoa
>>> Eneagrama para os Pais
>>> O Rio de Janeiro do Meu Tempo - 5 Volumes - Luiz Edmundo
>>> La Novela Picaresca Española - Angel Valbuena y Prat
>>> Coleção Fernando Sabino 12 Volumes Editora Record 1984
>>> A Grande Aventura de Cousteau - 37 Volumes - Jacques Cousteau
>>> Manual Completo de Análise Transacional
>>> Panelinha
>>> Comer Bem
>>> Almanaque Light
>>> don quijote de la mancha I
>>> don quijote de la mancha II
>>> True colors
>>> Yôga Antigo Para Iniciantes
>>> The Hound of the Baskervilles
>>> Felicidade Roubada
>>> Dom Quichote de la Mancha - Cervantes / Dom Quixote
>>> Aspectos surrealistas em O Agressor de Rosário Fusco
>>> Bíblia de Jerusalém - Antiguo Testamento - Nuevo Testamento (em espanhol)
>>> Revista Língua Portuguesa 30 Volumes - do nº 1 ao 30
>>> Os Mistérios de Paris
COLUNAS >>> Especial Machado de Assis

Terça-feira, 24/6/2008
O nome da águia
Gian Danton

+ de 4300 Acessos

Um dos males de Machado de Assis foi ter, com sua obra de incontestável qualidade, a idéia de que um romance só vale pela análise psicológica dos personagens, ou pela construção sociológica da história. A predominância de Machado em nossa literatura fez com que o modelo literário brasileiro passasse a ser uma marcha lenta constante, como diz Guga Schultze em seu texto no aqui no Digestivo. No Brasil, autores como Isaac Asimov, que sempre centraram suas obras na trama, seriam relegados pela crítica ao ostracismo. Claro que isso tem relação direta com diferença entre Brasil e EUA. A literatura norte-americana se formou em meio ao fenômeno da massificação e da industrialização. De repente, uma enorme massa de pessoas alfabetizadas e com dinheiro estava interessada em diversão e comprava tudo que saía, de jornais aos famosos pulp fiction, passado pelos gibis. Embora, evidentemente, houvesse autores que centrassem sua atenção mais na psicologia dos personagens, ou nas questões estilísticas, havia uma boa tradição de obras escritas com pé na trama. Uma tradição que vem de Edgar Allan Poe. No Brasil, o guia literário sempre foi Machado, um funcionário público que escrevia livros, com ritmo de uma vela que queima, para um público aristocrático.

O único gênero em que a ênfase sobre a história pareceu sobreviver foram os livros juvenis e infantis. Foram neles que surgiram grandes autores, tais como Monteiro Lobato e Marcos Rey, que deliciaram gerações de leitores. Lobato, aliás, costumava dizer que não fazia literatura, para diferenciar sua obra dos "acadêmicos".

Mas essas crianças e jovens, que moravam nos livros de Lobato ou de Marcos Rey, quando ficam adultos, ou se acostumam com a literatura brasileira em marcha lenta, ou buscam autores estrangeiros. São poucos os escritores que se dedicam a gêneros mais populares.

Essa longa introdução é, na verdade, para falar de O Nome da Águia (Novo Século, 2008, 320 págs.), de autoria de Alexandre Lobão. O livro não tem nada do que se tem visto como qualidade nos autores nacionais: não há longas análises de personagens, nem preocupações sociológicas. Também não há um estilo rebuscado. Há apenas uma história intrigante e bem amarrada, que poderia dar um bom seriado ou (melhor) uma história em quadrinhos.

Lobão, que é roteirista de cinema e quadrinhos, aposta todas as suas fichas na ação e no suspense causado pelos vários ganchos jogados ao longo da história. Além disso, o livro apresenta narrativas alternadas, um capítulo no presente e outro no passado, mostrando encarnações passadas dos personagens. Lembra os bons quadrinhos da década de 1980, período em que os artistas exploraram ao máximo as potencialidades narrativas da nona arte, em histórias pouco convencionais e não lineares.

A história de O Nome da Águia começa em 3497 antes de Cristo, numa pequena tribo de hebreus. Sete personagens recebem dons especiais. Entre eles, dois se destacam: Hebel encarna o amor de Yahweh; Qnah, a paixão.

A narrativa, em seguida, pula para o ano de 2012 depois de Cristo, quando um arqueólogo alemão descobre um documento em hebraico nos restos do bunker de Hitler e comunica a um amigo.

A partir daí, vamos acompanhando as descobertas dos dois cientistas e a perseguição sofrida por eles, alternadas com a narrativa das várias encarnações pelas quais vão passando Qnah e Hebel, que tomam rumos completamente diferentes. Enquanto Hebel difunde a palavra de Deus através de exemplos e da bondade, Qnah tenta fazê-lo através de impérios. Nesse sentido, a trama é um tanto óbvia. Torna-se evidente que Qnah irá encarnar reis, como Alexandre, O Grande e Alexandre Janeu, rei da Judéia ou mesmo Átila. Por outro lado, Hebel irá encarnar Buda e mesmo Jesus. O interessante aí é não só adivinhar que personagens eles personificarão, mas perceber como o autor irá explicar as inevitáveis incoerências, como o fato de Qnah encarnar Herodes, que manda matar o menino Jesus, e depois irá encarnar papas ferrenhos defensores do cristianismo. Ou como esse personagem, sendo originalmente hebreu, virá a ser Hitler, o maior perseguidor dos judeus.

Surpreendentemente, Lobão consegue atar os fios soltos da trama, explicando até mesmo as incoerências. Essas incoerências, aliás, acabam se tornando, na narrativa, uma forma de ironia.

Algo interessante em O Nome da Águia é o uso da reencarnação. Num país em que há uma parcela considerável da população que acredita no espiritismo, é surpreendente que outros escritores não usem esses preceitos em seus escritos. Na verdade, os livros que falam sobre o assunto são exclusivamente religiosos. Lobão percebeu a possibilidade narrativa que a reencarnação oferece, ao mostrar como a atuação dos personagens no presente está calcada em suas vidas passadas. E faz isso sem dogmatismo. Ele não quer converter o leitor, quer apenas usar um artifício narrativo pouco usual.

A edição da Novo Século contribui para o bom resultado da obra. Diagramação correta, papel de encorpado, capa com ilustrações em alto relevo. Só faltou uma maior preocupação com a revisão, especialmente com o tempo verbal, que oscila do passado para o presente, às vezes no mesmo parágrafo, como no trecho a seguir: "A multidão abriu espaço enquanto o grupo se encaminhava ao centro da aldeia. Lá chegando, Hebel e Qnah sobem em um pequeno palco no canto da área central". Não é o fim do mundo, mas essa ida e volta dos tempos verbais incomoda o leitor mais atento.

De resto, O Nome da Águia acaba sendo um bom thriller de ação num mercado que carece desse tipo de obra.

Para ir além






Gian Danton
Macapá, 24/6/2008


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Aquarius, quebrando as expectativas de Guilherme Carvalhal
02. A Imagem do Som de Fabio Gomes
03. Coro dos Maus Alunos de Duanne Ribeiro
04. Aborto de Marilia Mota Silva
05. E a lei cedeu diante dos costumes de Vicente Escudero


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2008
01. Autobiografia teológica - 12/3/2008
02. Histórias de robôs - 3/3/2008
03. Em defesa dos roteiristas de quadrinhos - 7/4/2008
04. Coisas Frágeis - 4/8/2008
05. O nome da águia - 24/6/2008


Mais Especial Machado de Assis
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




COLÔNIA CECÍLIA - RENATA PALLOTTINI (TEATRO ANARQUISTA)
RENATA PALLOTTINI
ACHIAMÉ
(2001)
R$ 10,00



HISTÓRIA DO DIREITO
VICENTE BAGNOLI ET AL
CAMPUS - ELSEVIER
(2009)
R$ 40,90



BACEN - APOSTILA PREPARATÓRIA - TÉCNICO NÍVEL MÉDIO
AUTOR OBCURSOS
OBCURSOS
(2009)
R$ 39,90



OS NOVOS DESEJOS
MIRIAN GOLDENBERG
RECORD
(2000)
R$ 13,90



OS GOONIES
STEVEN SPIELBERG
RECORD
(1985)
R$ 12,99



OUTRAS MORADAS
ADELICE SOUZA ET AL.
EPP PUBLICAÇÕES / PUBLICIDADE
(2007)
R$ 15,00



PEQUENA HISTÓRIA DE D. PEDRO II
COLEÇÃO BRASIL Nº 10
MEC
R$ 8,97



O PROFETA TRICOLOR
NELSON RODRIGUES
COMPANHIA DAS LETRAS
(2002)
R$ 50,00



MANGÁ YUKI - VINGANÇA NA NEVE Nº 2
KAZUO KOIKE - KAZUO KAMIMURA
CONRAD
R$ 7,00



A CONSTRUÇÃO DO ESPETÁCULO
LUIZ NORONHA E ROGÉRIO FAISSAL
AEROPLANO
(2000)
R$ 15,00





busca | avançada
34692 visitas/dia
773 mil/mês