O Free, de Chris Anderson | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
29794 visitas/dia
891 mil/mês
Mais Recentes
>>> CRIANÇAS DE HELIÓPOLIS REALIZAM CONCERTO DE GENTE GRANDE
>>> Winter Fest agita Jurerê Internacional a partir deste final de semana
>>> Coletivo Roda Gigante inicia temporada no Jazz B a partir de 14 de julho
>>> Plataforma Shop Sui dança dois trabalhos no Centro de Referência da Dança
>>> Seminário 'Dança contemporânea, olhares plurais'
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
>>> Do inferno ao céu
>>> Meninos, eu vi o Bolsonaro aterrando
>>> Manual para revisores novatos
>>> A Copa, o Mundo, é das mulheres
>>> O espelho quebrado da aurora, poemas de Tito Leite
>>> Carta ao(à) escritor(a) em sua primeira edição
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mirage, um livro gratuito
>>> Lançamento de livro
>>> Jornada Escrita por Mulheres
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 3
>>> Juntos e Shallow Now
>>> Dicionário de Imprecisões
>>> Weezer & Tears for Fears
>>> Gryphus Editora
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
Últimos Posts
>>> Pelagem de flor IV: AZUL
>>> Pelagem de flor IV: AZUL
>>> Pelagem de flor IV: AZUL
>>> É cena que segue...
>>> Imagens & Efeitos
>>> Segredos da alma
>>> O Mundo Nunca Foi Tão Intenso Nem Tão Frágil
>>> João Gilberto
>>> Retalhos ao pôr do sol
>>> Pelagem de flor III: AMARELO
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Meu galinho Josué
>>> O conservadorismo e a refrega de símbolos
>>> Pilar Fazito
>>> A imaginação do escritor
>>> Matisse e Picasso, lado a lado
>>> Macunaíma, de Mário de Andrade
>>> Copacabana-Paulista-Largo das Forras
>>> Palavras, muitas palavras
>>> Lula: sem condições nenhuma*
>>> Novos Melhores Blogs
Mais Recentes
>>> A Rosa do Inverno de Patricia Cabot pela Essência, Planeta (2008)
>>> Lolita de Vladimir Nabokov pela Folha (2003)
>>> História Política da Assembléia Legislativa do Paraná. de Samuel Guimarães da Costa pela Assembléia Legislativa do Paraná (1995)
>>> História Política da Assembléia Legislativa do Paraná. de Samuel Guimarães da Costa pela Assembléia Legislativa do Paraná (1995)
>>> Memórias de Pavilhão. de Dimas Bueno e Tatiane Iovanovitchi pela Traio Produções Artísticas (2009)
>>> Amor em São Petersburgo - Coleção Supertítulos de Heinz G. Konsalik pela Estadão (1998)
>>> Urbanização e Industrialização no Paraná. de Dennison de Oliveira pela Seed (2001)
>>> Paraná: de Sérgio Odilon Nadalin pela Seed (2001)
>>> Cultura e Educação no Paraná de Etelvina Trindade & Maria Luiza Andreazza pela Seed (2001)
>>> Paraná: Política e Governo de Marion Brephol de Magalhães pela Seed (2001)
>>> Páginas Escolhidas - Literatura vol. 2 de Eduardo Frade, Luiz Alberto Júnior e Sirlei Bassan pela Posigraf (2003)
>>> OMistério do Esqueleto-Veredas de Renata Pallotini pela Moderna/ SP. (1992)
>>> OMistério do Esqueleto-Veredas de Renata Pallotini pela Moderna/ SP. (1993)
>>> OMistério do Esqueleto-Veredas de Renata Pallotini pela Moderna/ SP. (1993)
>>> Páginas Escolhidas de Wilson Sabóia, Edilberto Trevisan e Ruy Cavallin Pinto pela Posigraf (2003)
>>> Insolvência Bancária: Liquidação Extrajudicial e Falência de Frederico Viana Rodrigues pela Mandamentos/ Belo Horizonte (2004)
>>> Yvonne Pereira: entre cartas e recordações de Pedro Camilo pela Mente Aberta (2016)
>>> O Contrato de Seguro de Acordo com o Novo Código Civil Brasileiro de Ernesto Tzirulnik- Flávio de Queiroz B. Cavalcanti- Ayrton Pimentel pela Revista dos Tribunais/ SP. (2003)
>>> Páginas Escolhidas de Elisabeth Seraphim Proser pela Academia Paranaense de Letras (2004)
>>> O Rei das Fraudes de John Grisham pela Rocco (2003)
>>> Curso Aprendizes do Evangelho 1º Ano de Equipe de Educadores do Curso de Aprendizes do Evangelho da Feesp pela FEESP (2014)
>>> Estados da Plebe no Capitalismo Contemporâneo de Cleusa Santos e Marildo Menegat e Ricardo Rezende Figueira (orgs.) pela Outras Expressões (2013)
>>> A Hora Obscura: Testemunhos da Repressão Política de Julius Fucik e Henri Alleg e Victor Serge pela Expressão Popular (2006)
>>> MST, Universidade e Pesquisa de Roseli Salete Caldart e Paulo Alentejano (orgs.) pela Expressão Popular (2014)
>>> Kalmo Sutra - para aqueles que ainda ... de Frank Dickens pela Melhoramentos (2002)
>>> Takukarai - Idéias Crônicas e Contos de Yumbad Baguun Parral pela Independente (2004)
>>> Quando um propósito nos leva além de Renata Melo pela Buqui (2019)
>>> Confissões de uma banda de Nina Malkin pela Galera Record (2007)
>>> Entrega de J. C. Reed pela Única (2013)
>>> A nova era da participação - O desafio de emocionar e envolver pessoas de Patricia McLagan, Christo Nel pela Campus (2000)
>>> Memórias e Reflexões de João Cid de Macedo Portugal pela Lud (1916)
>>> Jesus - O Profeta Divino - Volume 2 de Paiva Netto pela Elevação (2014)
>>> Império de Prata de Conn Iggulden pela Record (2015)
>>> 20 Mil Léguas Submarinas - Edição Definitiva, Comentada e Ilustrada de Verne,Jules pela Zahar (2011)
>>> Anotações para a História de Pedro Franco pela Artes & Textos (2002)
>>> Start - Dê um soco na cara do medo, fuja da média, trabalhe no que interessa de Jon Acuff pela Novo Século (2013)
>>> A última carta de amor de Jojo Moyes pela Intrínseca (2016)
>>> Um lugar para a esperança - Rainhas do romance Edição 94 de Sherryl Woods pela Harlequin (2014)
>>> Parque Nacional do Iguaçu de Teresa Urban pela Tempo Integral (2002)
>>> Dom Casmurro de Machado de Assis pela Edições Câmara (2017)
>>> Maldito Seja Dostoiévski de Atiq Rahimi pela Estação Liberdade (2012)
>>> Biografia de Vila Velha de Lourival Santos Lima pela Gráfica Planeta (1975)
>>> Se houver amanhã de Sidney Sheldon pela Record (2016)
>>> Inocência de Visconde de Taunay pela Difusão Cultural do Livro (2005)
>>> Surpresas do Desejo, Tentação do Prazer de Sharon Kendrick pela Harlequin (2013)
>>> Silêncio de Becca Fitzpatrick pela Intrínseca (2011)
>>> Finale de Becca Fitzpatrick pela Intrínseca (2013)
>>> Curitiba 3-D de José Paulo Fagnani pela Natugraf (2002)
>>> Toda poesia de Augusto dos Anjos pela Record (2011)
>>> Sussurro de Becca Fitzpatrick pela Intrínseca (2010)
COLUNAS

Sexta-feira, 16/10/2009
O Free, de Chris Anderson
Julio Daio Borges

+ de 7200 Acessos
+ 1 Comentário(s)

* O Free, do Chris Anderson, acabou chegando mais rápido do que eu esperava, no Brasil. Mesmo assim, acabei adquirindo a edição em inglês. O livro veio cercado de muita expectativa... Quando li o primeiro artigo sobre o conceito de "free", ainda na Wired, estávamos à beira da crise econômica mundial, e, na minha cabeça, sua argumentação não fez o menor sentido... Parecia que Chris Anderson queria levar as ideias do Long Tail, seu livro anterior, às últimas consequências. Me ocorreu, ainda, que a indústria editorial podia tê-lo obrigado a produzir uma nova obra-prima - mas, como sabemos, isso não se dá, assim, industrialmente... O seu insight, do Long Tail, é brilhante, mas, antes de entrar em Free, não acho que ele conseguiu repetir o feito. A polêmica subsequente se revelou quase tão interessante (ou mais) que o livro... Primeiro, Chris Anderson foi atacado por Malcolm Gladwell, autor de Outliers, na New Yorker. E, de certa maneira, foi decepcionante constatar o quanto Gladwell se mostrou conservador para defender... a New Yorker. (Ou seja: você pode ter ideias bem modernas sobre as coisas, mas, quando o assunto envolve seu emprego, você retrocede às posições mais tacanhas...) Seth Godin, guru do marketing na internet, veio em socorro de Anderson. E alertou Gladwell: o mundo se transformou, pare de defender o que vai acabar, se você não quiser acabar junto...

* Mas vamos às ideias de Anderson, antes que alguém se perca pelo caminho... Em Long Tail, ele defende que a participação dos blockbusters, que antigamente dominavam os mercados de cultura (por exemplo), é cada vez menor; e que a participação do "resto", uma cauda longa, de vários produtos que vendem pouco, com preços tendendo a zero, é cada vez maior. Chris Anderson usou, principalmente, exemplos da Amazon e de outras lojas virtuais, como a locadora Netflix. Num ambiente de "tijolo e cimento", o comércio desses itens, de pouca saída, ficaria impedido - ao contrário do que acontece na internet, onde o custo de armazenamento é consideravelmente menor e onde essa economia, antes escondida, da cauda longa (long tail), poderia se manifestar e se revelar mais plenamente. O resumo da ópera é que, com o advento da internet, a tal "cauda longa" seria responsável por metade do movimento em e-commerce - e que suas possibilidades, de comércio de poucos itens, e de pequenos fornecedores, criaria mercados antes impossíveis (na economia real). Assim, num mundo ideal, um escritor de poucos leitores, um músico de alguns ouvintes, um cineasta de público reduzido, sobreviveriam, encontrando suas respectivas audiências, graças à internet.

* Em Free, Anderson pega essa ideia dos "preços tendendo a zero" e extrapola, imaginando um mundo em que quase todos os produtos seriam de graça, e onde se ganharia fazendo uso de outras modalidades econômicas, como serviços. Nas chamadas indústrias culturais, isso é mais fácil de se entender porque, de certa forma, já está acontecendo. Não entrando aqui em dilemas éticos sobre coisas como "pirataria" e direitos autorais, o fato é que você pode adquirir músicas praticamente de graça hoje, filmes quase de graça, informação praticamente de graça, também, e os preços dos livros - com o Kindle e similares - tendem a cair sensivelmente... Chris Anderson extrapola no sentido de dizer: "Já que é quase de graça, ou os preços tendem a zero, vamos 'dar de graça' logo de uma vez..." O exemplo maior dele, em Free, é o Google. O maior mecanismo de busca na internet está criando um ecossistema onde você tem tudo de graça - e-mail, processador de texto, planilha, calendário, mapas, navegador, vídeos etc. -, mas que, idealmente, se sustenta com publicidade. (É questionável sob muitos aspectos, mas vamos prosseguir, para concluir o raciocínio...) Conclusão: do mesmo jeito que o Google "dá de graça" - para ganhar dinheiro de alguma outra forma depois -, deveríamos assumir que alguns produtos já são de graça mesmo, e tentar criar uma nova economia que justifique produzi-los daqui pra frente.

* Onde está o furo de Free? Inicialmente, no fato de que as-coisas-que-estão-na-internet são de graça, só porque podem ser distribuídas (quase) gratuitamente. Ou seja: um álbum pode parecer de graça, para quem o baixa, porque, afinal, fora o preço da conexão, e o tempo, não custou quase nada encontrá-lo, fazer seu download e ouvi-lo imediatamente. Se assumirmos sua "gratuidade", estamos ignorando o custo de gravá-lo, produzi-lo, empacotá-lo, divulgá-lo e distribui-lo (no mundo real). No mínimo, os músicos passaram anos praticando; o produtor passou horas no estúdio; os técnicos de som, idem; as gravadoras tiveram de prensá-lo; o marketing teve de torná-lo conhecido; e a logística permitiu que ele fosse palpável ao consumidor. Claro que não é mais 100% assim, mas - para a maioria do conteúdo que adquirimos on-line durante anos -, foi assim (vamos assumir). Logo, a aceitação do free de Chris Anderson, seria uma espécie de "perdão" pelas nossas "transgressões" on-line, uma "socialização" dos prejuízos (embora eles sejam incalculáveis) e, sobretudo, uma atitude resignada no sentido de admitir que as pessoas, os consumidores, não vão mais pagar, como pagaram, por coisas como discos, filmes, periódicos e até livros...

* Onde está o segundo furo de Free? No Google. O Google pode dar de graça, por enquanto, processadores de texto como o Word, planilhas eletrônicas como o Excel, armazenamento praticamente infinito de e-mails na internet (Gmail), vídeos que custariam dinheiro no YouTube, mapas que antes comprávamos em bancas de jornal, entre outras coisas, porque fatura bilhões com a venda de palavras-chave associadas a seu mecanismo de busca (onde é líder de mercado etc.). Mas tirando as buscas, e o AdWords, todo o resto, praticamente, dá prejuízo para o Google. O Google, por mais admirável que seja nas suas iniciativas de não nos cobrar por todos esses serviços, cria uma "bolha" no mercado de internet, financiando sites insustentáveis como o YouTube, e desenvolvendo produtos quase pelo prazer de desafiar o reinado da Microsoft, porque Eric Schmidt (CEO) é da mesma geração de Steve Ballmer - entre outras ferramentas, como o Google Earth, que não fazem o menor sentido economicamente, mas que criam uma ilusão, futurista, de que o "de graça" (free) está se expandindo no universo... (Seria como se a mesma Microsoft, em sua riqueza de bilhões em outras décadas, resolvesse fabricar carros de graça, pelo simples prazer de concorrer com a GM, a Ford ou a Toyota.)

* Portanto, uma consequência lógica disso tudo é que nem todo mundo pode sustentar um modelo de negócios onde o "de graça" assume um papel primordial na estratégia. (Mesmo considerando que o Google se mantenha assim - dando tudo de graça - por toda a eternidade...) Já sabemos, pelo que estamos assistindo, desde a chegada da internet, que gravadoras não podem dar seus discos de graça; estúdios de cinema não podem dar ingressos para as salas, nem DVDs, de graça; revistas e jornais não podem entregar seus exemplares de graça; e, muito possivelmente, editoras (e autores) não podem abrir mãos de seus livros de graça... (Por enquanto, estou trabalhando com o mainstream - que, por esses e por outros motivos, está ruindo desde as últimas décadas do século passado...) Tudo bem, estamos criando outros modelos, que surgiram junto com a internet, mas será que essas novas estruturas vão permitir, culturalmente, o florescimento de novas iniciativas como foram, no auge do século XX, a indústria fonográfica, a indústria do cinema, o mercado editorial, a mídia eletrônica e a grande imprensa? Porque o free, de Anderson, não se aplica ao "velho mundo". Se esse conceito for uma tendência - como afirma categoricamente o mesmo Schmidt do Google -, podemos ir dando adeus ao mainstream e mergulhando, ainda mais fundo, no underground que a internet trouxe...

* Agora, vamos aos acertos do Free, de Chris Anderson... Em primeiro lugar, é inegável que, com a internet, surgiu, por exemplo, uma "economia da colaboração". Por mais que se desqualifique a informação na Wikipedia, digamos, é notável que um projeto desses tenha surgido, consiga se manter no ar e se sustente, basicamente, graças às iniciativas de seus colaboradores, de produzir artigos... de graça. Ou em troca de valores intangíveis como "reconhecimento", "status", "reputação". Não creio que a motivação principal de Jimmy Wales, ao criar a Wikipedia, tenha sido minar os modelos de negócio das enciclopédias anteriores (em papel) - mas é óbvio que a Wikipedia, mesmo com todos os seus erros, se coloca como uma ameaça a elas. Da mesma maneira que a blogosfera se coloca como uma ameaça ao jornalismo em papel ou, ao menos, como uma ameaça ao jornalismo de grande imprensa na internet. Ninguém vai preferir, conscientemente, se informar pela blogosfera, mas pode acabar se distraindo com ela - e com seu próprio blog -, consumindo, no fim das contas, menos jornais, revistas e até sites da chamada grande mídia. Para essas pessoas, que produzem esse conteúdo, tanto em blogs, quanto em redes sociais, quanto em wikis, o conceito de free se aplica - porque estão entregando um "produto", conteúdo, "de graça" (em troca de alguma motivação mais "social"), enquanto estão, quase sempre inconscientemente, minando um modelo de negócios anterior a elas...

* A habilidade de Chris Anderson - outro acerto - está, justamente, em querer capitalizar em cima dessa "economia da colaboração". Ele, obviamente, sabe que o velho mainstream não tem como competir com o "de graça". E, pior, o velho mainstream não tem sequer como embarcar no "de graça" - porque estará, muito possivelmente, canibalizando seu negócio principal. E Chris Anderson não está, em absoluto, preocupado em salvar o velho mainstream (o que pode ter irritado Malcolm Gladwell e a New Yorker), mas está preocupado em olhar para frente, incentivando modelos que sustentem o "de graça" (além do Google). Quem pagou a conta do Blogger - e dos milhões de blogs que foram criados na sua plataforma desde 1999 - foi o Google, que adquiriu a ferramenta em 2003, desejando convertê-la em mais um suporte para a sua rede de anúncios na internet (AdSense). Será que pagou, mesmo, a conta? Não sabemos; mas pode ter pago, sim. Tirando o Orkut, que notoriamente dá prejuízo, outra iniciativa que talvez pague a conta, atualmente, é o Facebook. Nesta altura do campeonato, nem Mark Zuckerberg, o fundador, entende como se sustenta a maior rede social do mundo, com mais de 200 milhões de usuários, mas o fato é que já existe uma economia - de anúncios, de marketing direto, de comércio de itens virtuais etc. - que fatura milhões por ano. Sem mencionar o Twitter... OK, o site não tem um modelo de negócios ainda, mas seus investidores não estão brincando a ponto de "financiar" bilhões de tweets à toa...

* E Chris Anderson acerta, mesmo que não seja economista, quando diz que, digitalmente, estamos vivendo uma "economia de abundância", ao contrário da "de escassez" de antes. Tudo bem que "economia de abundância" vai contra o próprio conceito de economia - a ciência das escolhas num mundo de recursos limitados (ou escassos) -, mas, ao mesmo tempo, ganha sentido se formos pensar que, hoje, temos de escolher, sim, no meio da abundância digital. Abundância de informação, por exemplo. Nas intermináveis discussões sobre feeds e Twitter (como fontes de informação), optamos, antes, pelos fluxos, pelas torrentes ou até pelas correntes que vamos evitar, para chegar, finalmente, no que desejamos consumir. Sem falar nos mesmos discos, filmes e, daqui a pouco, livros - que, de raridades, passaram a nos cercar em downloads frenéticos que ninguém mais consegue usufruir, em e-mails com os próprios arquivos ou indicações insistentes "para baixar", ou até em ofertas, de queima de estoque em lojas de e-commerce, apelando para um passado nostálgico de... escassez de recursos? Claro que existe o "outro lado da moeda": o excesso de informação provoca "escassez de atenção". Gosto de dizer que o nosso tempo não mudou, o nosso dia continua tendo 24 horas e, por mais que a expectativa de vida tenha aumentado, não vamos viver indefinidamente... Mas, ainda que átomos não sejam sintetizados em laboratório como bits, Anderson acerta ao propor uma conversa inevitável para os próximos anos: a da abundância de commodities digitais.

* Free como livro, no final das contas, não é uma realização de monta como foi The Long Tail. Talvez porque, para quem acompanha as ideias de Chris Anderson, o primeiro é apenas a consequência lógica do segundo. Sem contar que a onipresente crise econômica deve ter soado o alarme dos editores, exigindo um capítulo inteiro apenas sobre esse assunto e um excesso de exemplos de produtos "de graça" (para justificar o título do livro) que podem ter diluído o potencial ensaístico do autor da expressão "cauda longa". Free, contudo, é uma das principais iniciativas no sentido de tentar entender essa nova economia, que não é só pirataria, como gostariam os detentores dos copyrights - e que engaja milhões de pessoas, diariamente, em blogs, wikis e redes sociais, ameaçando, mesmo que inconscientemente, o velho establishment da comunicação e da cultura (para não falar em outras indústrias). Quem nasceu dentro da internet, em termos de modelo de negócio, tem de ler Free - nem que seja para desenvolver novas táticas de sobrevivência. E quem antecede a internet, mas deve lidar atualmente com ela, tem de ler Free - nem que seja para encontrar a saída que o próprio autor não encontrou: como fazer a transição de uma "economia de átomos" para uma "economia de bits" (sem matar o negócio)? A escassez do mundo real não vai acabar tão cedo, mas a abundância do mundo virtual já é um problema para nós - e talvez essa seja mais uma razão para ler o livro de Chris Anderson: precisamos entender direito o que é esse "free" e o que vamos fazer dele daqui em diante...

Para ir além


Julio Daio Borges
São Paulo, 16/10/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Piada pronta de Luís Fernando Amâncio
02. Aquarius, quebrando as expectativas de Guilherme Carvalhal
03. Quem é mesmo massa de manobra? de Cassionei Niches Petry
04. Os dinossauros resistem, poesia de André L Pinto de Jardel Dias Cavalcanti
05. 10 coisas que a Mamãe me ensinou de Julio Daio Borges


Mais Julio Daio Borges
Mais Acessadas de Julio Daio Borges em 2009
01. A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb - 4/12/2009
02. Lendo Dom Quixote - 2/10/2009
03. Convivendo com a Gazeta e o Fim de Semana - 5/6/2009
04. Verdades e mentiras sobre o fim dos jornais - 29/5/2009
05. O Free, de Chris Anderson - 16/10/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
14/11/2009
20h57min
Olá, Julio. Honestamente, só posso dizer que, nos últimos tempos, graças a textos desse naipe que têm, como dizer, milagrosamente caído nas minhas mãos, o Grande Sem Sentido, sobre os mais diversos assuntos, começa a ganhar algum sentido. Escritor é intermediário... e também tradutor: é quem fornece a explicação sobre o que parece inexplicável, ou até mesmo acerca de um estágio anterior a esse. Texto impecável. Abraços.
[Leia outros Comentários de bernard]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LAS NIETAS DE MAYO
VÁRIOS AUTORES
MACMILLAN EDUCATION
(2014)
R$ 40,00



TÓXICOS. PREVENÇÃO. REPRESSÃO
VICENTE GRECCO FILHO
SARAIVA
(2006)
R$ 25,00



EM NOME DA PAZ
HOWARD KAPLAN
NOVA CULTURAL
(1987)
R$ 4,29



WOLVERINE Nº 80 - OUTUBRO / 98 - MASSACRE FASE 12
MARVEL COMICS
ABRIL
(1998)
R$ 7,00



INFLUÊNCIA DA DESINFECÇÃO POR MICROONDAS NAS PROPRIEDADES DA RAAT
MANOELA CAPLA VASCONCELLOS DOS SANTOS DA SILVA UND RAFAEL L. X. CONSANI
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 251,00



LEGER
RENÉ DEROUDILLE
CLUB DART BORDAS
(1968)
R$ 28,28



IRONIA FRASES SOLTA QUE DEVERIAM SER PRESAS
JOSÉ FRANCISCO DE LARA
CÓCEGAS
(2005)
R$ 17,00



A CONQUISTA DO MAR OCEANO - 5ª EDIÇÃO
VIRGÍNIA LEFÉVRE
ED. DO BRASIL
R$ 8,00



PELA AMÉRICA DO NORTE 1º VOLUME
TRISTÃO DE ATHAYDE
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CU
(1955)
R$ 9,00



INFORMAÇÃO A UM DESCONHECIDO
REJANE MACHADO
LITTERIS (RJ)
(2000)
R$ 25,00





busca | avançada
29794 visitas/dia
891 mil/mês