Você vem sempre aqui? | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
99122 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> CLUBE DO DISCO - Inscrições até 19/05
>>> Curso Livre de Formação de Escritores, inédito e exclusivo para todo o Brasil
>>> Desvendando Álbuns Clássicos do Rock
>>> Camila Venturelli e Dani Lima falam sobre os nossos gestos na pandemia
>>> 36Linhas lança Metropolis segunda graphic novel da Coleção Graphic Films
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
Colunistas
Últimos Posts
>>> Carteiros do Condado
>>> Max, Iggor e Gastão
>>> Mandic, por Pedro e Cora
>>> A Separação de Bill e Melinda Gates
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
Últimos Posts
>>> Acentuado
>>> Mãe, na luz dos olhos teus
>>> PoloAC retoma temporada de Os Doidivanas
>>> Em um tempo, sem tempo
>>> Eu, tu e eles
>>> Mãos que colhem
>>> Cia. ODU conclui apresentações de Geração#
>>> Geração#: reapresentação será neste sábado, 24
>>> Geração# terá estreia no feriado de 21 de abril
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
Blogueiros
Mais Recentes
>>> 7 de Setembro
>>> Contra a breguice no Facebook
>>> 9 de Setembro #digestivo10anos
>>> Apologia dos Cães
>>> Sou melhor do que Shakespeare
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Há uma cleptocracia instalada
>>> Disparada com Jair Rodrigues
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> Ser intelectual dói
Mais Recentes
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 14 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 14 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 15 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 16 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 18 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 18 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário enciclopédico ilustrado Veja Larousse - Volume 21 de Editora Abril pela Abril
>>> Dicionário Brasileiro Contemporâneo de Francisco Fernandes pela Globo (1975)
>>> Dicionário prático ilustrado - volume III de Lello & Irmão pela Lello & Irmão (1967)
>>> Minidicionário Aurélio de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira pela Nova Fronteira (1977)
>>> Dicionário das sociedades anônimas de Oliveira e Silva pela Freitas Bastos (1950)
>>> Dicionário Brasileiro da língua portuguesa 2 volumes de Editora Mirador Internacional pela Mirador (1976)
>>> Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa ilustrado III Vo... de Abril Cultural pela Abril Cultural (1971)
>>> Moderno Dicionário da língua portuguesa 2 volumes de Editora Melhoramentos pela Melhoramentos (2000)
>>> Vocabulário ortográfico da língua portuguesa de A Tenório de Albuquerque pela Aurora
>>> Novo Dicionário Folha Websters Inglês / português - português / inglês de Folha de São Paulo pela Folha de São Paulo (1996)
>>> Dicionário Lotus da língua inglesa - volume 2 de Norma Eiluf / Edson Leone Pellizon pela Savett (1975)
>>> Prosperidade: Fazendo Amizade Com o Dinheiro de Lair Ribeiro pela Objetiva (1992)
>>> Boitempo - Esquecer para Lembrar de Carlos Drummond de Andrade pela Record (2006)
>>> Instrumento de Avaliação - Programa de Português de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
>>> Programa de Português - Fascículo 10 de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
>>> Programa de Português - Fascículo 7 de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
>>> Programa de Português - Fascículo 6 de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
>>> Programa de Português - Fascículo 4 de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
>>> Programa de Português - Fascículo 3 de Luzia Regina Gomes dos Santos Alves pela Cedeg (1984)
COLUNAS

Sexta-feira, 5/8/2011
Você vem sempre aqui?
Ana Elisa Ribeiro

+ de 4600 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Dado que hoje existem muitas, talvez dezenas de, maneiras de conhecer pessoas, eu me peguei dedicada a pensar nisso, mas, principalmente, em uma certa história de "longa duração" da maneira como conheci certas gentes nesta minha vida que já se aproxima aí das idades terminadas em "enta".

Como conheci você, leitor? Ainda não, não é mesmo? Mas muitos sei que sim, que conheci em congressos (como é o caso do Miguel, de São Paulo, ou do José, também de Sampa), portanto, presencialmente. Mas outros, não, outros conheci na rede, na web, conforme a moda de então ou o software que a suportasse.

No final da década de 1990, havia um jeito: os chats. Mas não eram estes chats fechadinhos, com pessoas pré-requisitadas. Eram chats abertos, num estilo que fazia lembrar um pouco os serviços de "disque amizade". Os chats do UOL talvez fossem os mais badalados. E mesmo cheios de gente e lotados de ações protocolares, não eram o que chamamos hoje de "redes sociais". Eram chats que promoviam papos entre pessoas (distantes geograficamente até) e, talvez, encontros presenciais. E foi assim que conheci o Pedro, dentista e músico, que travava papos engraçadíssimos comigo nos meus intervalos de aula, enquanto eu ainda fazia faculdade. Dessa amizade virtual nasceram outras, muitas, que se juntaram, mais tarde, em um blog (o Corvo) e resultaram em reuniões presenciais inesquecíveis no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte, pelo menos.

Na mesma época, conheci, não sei mais em que chat, o Beto, em quem ainda hoje descarrego doses cavalares de ansiedade e tristeza, nas horas ruins, e outras tantas doses de carinho, em momentos em que estou feliz. O Beto almoçou comigo muitas vezes, quando eu trabalhava na editora. E ainda hoje vigia meus voos no aeroporto de Confins.

A Marize, quase madrinha do meu ex-casamento, teve muita relação com a existência palpabilíssima do meu filho, realíssimo e incontido. Foi na gestão da amizade dela que conheci o JR, escritor fluminense que me fulminou com cantadas inescapáveis, à época. No entanto, não foi em chat que conheci o ex. Foi por e-mail.

Alguém imagina uma história dessas? Conhecer alguém por e-mail, namorar, engravidar, casar, separar (nessa ordem, mais ou menos)? JR é jornalista e à época participava de um coletivo desses meio locais que querem promover a literatura e, de quebra, dominar o mundo. Bom, dava certo. E eu era uma escritora meio iniciante, fêmea nesse mundo literário testosterônico, em 2002 ou 2003, autora de um blog razoavelmente conhecido (a Estante de Livros) e disposta a fazer turnês literárias pelo país.

Nos idos de 2002, havia encontros da Libre, Liga de editoras de pequeno porte que promovia (e ainda promove, graças a Deus) a Primavera do Livro. O charme era irresistível. O da Primavera, não exatamente o do JR. Mas o negócio foi que ele me entrevistou para uma revista eletrônica e essa entrevista gerou uma cascata de outros e-mails, que evoluíram para telefonemas e, numa Primavera, tornaram-se encontros presenciais. Isso deu em filho, casamento e tal e coisa. Essas mesmas possibilidades digitais ajudaram, e muito, a dar cabo desse casamento.

A web mexeu com as redes sociais que já estavam aí. A web aumentou as chances de os laços se formarem e se fortalecerem. Manter laços com amigos do colégio nunca foi tão fácil. E nunca foi tão difícil extinguir as pistas do que a gente está fazendo na vida. Isso sem falar no garimpo de encontrar pessoas do passado remoto dando sopa na internet hoje. Prós e contras, como em tudo.

Conheci Jaqueline na web, pelo Twitter, no ano passado ou antes um pouco. Pesquisadora, simpática, carioca sorridente, só fomos nos encontrar durante um congresso em Recife, em 2010. E quando nos vimos, foi só atualizar uma sensação de "eu te conheço". Em geral, o estranhamento vem por causa da foto. Jaque corresponde quase exatamente ao seu avatar, mas em muitos casos isso deve se transformar em uma completa reconfiguração. E os avatares são motivo de muito incômodo meu. Por que o avatar é quase sempre bonito, caprichado e mentiroso? Porque avatares são discurso, minha gente. São estampa, identidade e quimera.

O avatar é relativamente novo. Quando entrávamos em chats para conhecer pessoas não havia avatar, foto ou imagenzinha para nos promover. Se quiséssemos, era por e-mail que vinham as fotos dificultosamente escaneadas em casa (ou no trabalho). O avatar, hoje, é uma produção e meia.

Conheci a Ana quando tínhamos mais ou menos uns dois anos de idade. Eu de um lado do muro, ela, do outro. Fomos amigas e vida toda. Hoje ela mora em Portugal e eu, quase no mesmo bairro daquele muro chapiscado pelo qual nos comunicávamos. Mas como fico sabendo da Ana hoje? Pelo Twitter, por e-mail e pelo Facebook. Falo com ela com uma frequência que teria sido intransponível umas décadas atrás, principalmente porque avião era caro.

Conheço centenas de pessoas pelo Twitter. Todo dia alguém quer ser meu amigo. Talvez meu próximo namorado, meu próximo amigo ou amiga, meu próximo marido ou minha próxima desilusão esteja lá, atrás de alguma daquelas bolinhas verdes do Facebook ou de algum avatar malhado e seminu no quadradinho ao lado. Vai saber? O negócio é que as amizades não foram menos leais e os namorados não foram mais infiéis pescados na web do que presencialmente, naquele velho esquema "me apresenta seu amigo de camisa azul". Ah, sim, as chances de infidelidade talvez tenham aumentado muito. Nisso creio quase sem chance de contra-argumentação. Mas as chances de se desvendar sacanagens também cresceram. Todo mundo é um pouco hacker; e todo mundo é um pouco incompetente como criminoso. Agora, as chances de amizade, ah, essas acho que cresceram também, tanto das novas quanto da manutenção das antigas.

O que não dá mais (faz tempo) é para separar web e "realidade". Está tudo dominado, junto e misturado. Conheci o João porque comprei um livro dele, enviei uma carta pelos Correios, na qual eu dava meu e-mail, e ele me enviou um e-mail simpático. Júlio Daio Borges, editor desta perpétua casa, recebeu um jornal impresso pelos Correios no qual havia um perfil meu. Buscou, pesquisou e me achou na web, com blog e tudo. Daí partiu o convite para esta coluna que já dura 8 anos e me dá tanta alegria quanto meu filho (admito que a coluna me dá menos preocupação). Conheci melhor pessoas que estavam ao meu lado porque pude compartilhar ideias com elas por algum espaço virtual, como é o caso do Boave. E as pessoas que eu nunca encontrei, mas que participam da minha vida com mais intensidade do que meus vizinhos?

Conhecer pessoas continua difícil e melindroso. Gostar das pessoas continua improvável. Confiar nas pessoas se mantém uma tarefa hercúlea. A gente só não pode reclamar mais da falta de jeito.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 5/8/2011


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2011
01. É possível conquistar alguém pela escrita? - 21/1/2011
02. Meus livros, meus tablets e eu - 15/4/2011
03. Você viveria sua vida de novo? - 18/2/2011
04. Bibliotecas públicas, escolares e particulares - 20/5/2011
05. Pressione desfazer para viver - 17/6/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
5/8/2011
01h04min
É um privilégio o contato permanente com essa artista: uma mulher de caráter, fibra e de uma ternura que ela nem sabe dimensionar, mas que é perceptível aos que ousam aceitá-la e, acima de tudo, admirá-la. E que venha a coletânea dos textos do Digestivo! Abraços.
[Leia outros Comentários de Érico San Juan]
7/8/2011
20h41min
Ana Elisa, quando posso e consigo... gosto de comentar seus posts. Neste não farei grandes 'discursos', quero somente parabeniza-la pelo o que escreve sempre e corretamente! Também eu descobri 'bons' amigos pela Internet, muitas vezes são mais sinceros se comparados com os que não são 'virtuais', mostram maior sensibilidade mesmo para 'não concordar' com o que postamos... talvez por estarem 'distantes'... 'cara a cara' pode ficar mais difícil. Mesmo que não seja um amigo seu em nenhuma rede social, a vejo sempre por aqui... e gosto do que leio... Abs. I. Boris Vinha
[Leia outros Comentários de I. Boris Vinha]
2/9/2011
22h44min
Oi, Ana, tem tempo que não "vejo voce", mas hoje, particularmente, sinto melancolia em suas palavras. Você tem razão. Viver, fazer novas amizades, e conservá-las, é extremamente difícil, mas... a gente consegue. Desde que comecei a ler tua coluna, não consigo abrir o digestivo, sem ler "voce". Às vezes passamos por caminhos que não entendemos: sofremos, amamos e aprendemos que tudo na vida tem seu tempo para acontecer. De uma coisa tenho certeza, as boas amizades ficam para sempre. Deus te ilumine.
[Leia outros Comentários de solange boy]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Técnicas de Desenho e Pintura - Desenho por Computador 1
Vários Autores
Ediciones Genesis
(1992)



Multimídia Programação For Windows
Steve Rimmer
Mcgraw Hill
(1994)



Diccionarios Everest Cumbre Ingles Español - Español Ingles
Editorial Everest
Everest



Hello, He Lied and Other Tales From the Hollywood Trenches
Lynda Obst
Broadway Books
(1997)



Direito Universal, Política Nacional: o Papel do Ministério da Sa
Cristiani Vieira Machado
Museu da República
(2007)



Viva Bem Com Você Mesmo
Valerie Moolman
Ediouro



A Grande Cozinha Carnes Vermelhas 3
A Grande Cozinha Carnes Vermelhas 3
Abril Coleções
(2007)



The Complete Kama Sutra: the First Unabridged Modern Translation Of...
Alain Daniélou
Park Stress



Motivação e Definição de Metas
Jim Cairo
Amadio
(2002)



Dossiê: Psicanálise e Educação Revista Infância Com Problemas
Estilos da Clínica Ano 2 - Nº 2- 1997
Usp Inst Psicologia
(1997)





busca | avançada
99122 visitas/dia
2,5 milhões/mês