Meus livros, meus tablets e eu | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
114 mil/dia
2,3 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Valéria Chociai é uma das coautoras do novo livro Metamorfoses da Maturidade
>>> Edital seleciona 30 participantes do país para produção de vídeos sobre a infância
>>> Joca Andreazza dirige leitura de Auto da Barca de Camiri na série 8X HILDA
>>> Concerto Sinos da Primavera
>>> Aulas on-line percorrem os caminhos da produção editorial
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Janelário
>>> A vida é
>>> (...!)
>>> Notívagos
>>> Sou rosa do deserto
>>> Os Doidivanas: temporada começa com “O Protesto”
>>> Zé ninguém
>>> Também no Rio - Ao Pe. Júlio Lancellotti
>>> Sementinas
>>> Lima nova da velha fome
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Carnaval só ano que vem, da Orquestra Imperial
>>> Os tataravôs da filosofia
>>> Sexo, drogas e rock’n’roll
>>> Dostoiévski era um observador da alma humana
>>> Matisse e Picasso, lado a lado
>>> Nélson e Otto #Clássico
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Escritor: uma ambição
>>> O Rei Roberto Carlos e a Ditadura
>>> Uma leitura jornalística
Mais Recentes
>>> Direito Constitucional Ambiental Brasileiro e Ecocentrismo de Ana Stela Vieira Mendes Câmara pela Lumen Juris (2017)
>>> O Acesso à Justiça Internacional para Empresas Brasileiras de Rafaela Câmara Silva pela Lumen Juris (2017)
>>> Os Impactos da Proteção ao Meio Ambiente no Direito de João Luiz Nogueira Matias pela Lumen Juris (2017)
>>> Obra Completa de Oliverio Girondo pela Allca XX / Scipione Cultural
>>> Crie Peixes - as Dicas Que Você Precisa de Alzugaray pela Três (1996)
>>> O Direito e a Ciência de Giselle Marie Krepsky pela Lumen Juris (2017)
>>> O Ministério Público Sobre o Olhar do Outro de Gustavo Hermont Corrêa pela Lumen Juris (2017)
>>> Receitas para a Cura Através de Nutrientes de Phyllis A. Balch; James Balch pela Campus (1995)
>>> Filosofia de Boteco - no Reverso das Ilusões de Antônio Charles Santiago Almeida pela Moura (2019)
>>> O Que é a Inteligência? de José Fernández Tejeda, Felipe Cherubin pela Lumen Juris (2016)
>>> Lung Cancer de Paul Lorigan pela Mosby (2007)
>>> A Crise Hídrica e o Direito de Alexandre Jorge Carneiro Filho, Ana Rita Nery pela Lumen Juris (2016)
>>> A Crise Hídrica e o Direito de Alexandre Jorge Carneiro Filho, Ana Rita Nery pela Lumen Juris (2016)
>>> Combate do Irani - Amanhece o Dia 22 de Outubro de 1912 de Revista História Catarina - Ano VI Nº 44 pela Leão Baio (2012)
>>> O Menino e o Mar de Lino de Albergaria pela Saraiva (2005)
>>> Contos de Amor Novo de Edson Gabriel Garcia pela Atual (1990)
>>> A Mina de Ouro - Coleção Cachorrinho Samba de Maria José Dupré pela Atica (1989)
>>> A Escola e a Produção Textual - Práticas Interativas e Tecnológicas de Silvia M. Gasparian Colello pela Summus (2017)
>>> Conceito de Renda Para Fins Tributários e IFRS de Roberto Salles Lopes pela Lumen Juris (2017)
>>> Regimes Alimentares e Questões Agrárias de Philip Mcmichael; Sonia Midori pela Unesp (2016)
>>> O Conselho Nacional de Justiça e o Poder Judiciário Brasileiro de Maria Lírida Calou de Araújo pela Lumen Juris (2017)
>>> O Estupro - uma Perspectiva Vitimológica de Nohara Paschoal pela Lumen Juris (2017)
>>> Acesso à Justiça nos Sistemas Internacionais de Proteção de Direitos Humanos de Marcus Pinto Aguiar pela Lumen Juris (2017)
>>> Voto e Máquina Política de Eli Diniz pela Paz e Terra (1982)
>>> Afinal, Quem Sou Eu para o Direito de Débora Caroline Pereira Chaves pela Lumen Juris (2017)
COLUNAS

Sexta-feira, 15/4/2011
Meus livros, meus tablets e eu
Ana Elisa Ribeiro

+ de 8700 Acessos
+ 6 Comentário(s)

A Cindy, um dia desses, declarou, via Twitter, que não faz mais sentido ficar guardando livros e mais livros dentro de casa. Os argumentos dela, em 140 caracteres, tinham a ver com poeira, peso e cheiro, se me lembro bem. Desculpe o leitor, mas é que minha memória anda meio devagar por conta da quantidade de próteses que tenho posto nela.

Em um dos livros que entulham minhas estantes, li que algumas pessoas estão superpreocupadas com o futuro das bibliotecas. O famoso historiador Robert Darnton lamentava os surtos de descarte e irresponsabilidade de várias bibliotecas no mundo. Narrava o professor que, em nome da liberação de espaços e até da química ácida do papel, bibliotecários malucos andaram microfilmando tudo e jogando toneladas de livros de papel fora, em fogueiras ou sabe lá onde.

Enquanto eu me envolvia tensamente com essas discussões, mais como expectadora do que como participante, caiu sobre minha mesa (ainda se usam mesas e escrivaninhas!) um artigo acadêmico. A missão era lê-lo, cuidadosamente, e dar um parecer criterioso sobre o trabalho.

Pus-me a escarafunchar aquele texto, com pouca curiosidade, confesso, mas isso foi só o início. Já no segundo parágrafo assaltou-me uma paixão grande pelo tema do trabalho. Dizia a autora (presumi que fosse mulher por uma série de motivos) que usaria aquelas páginas para relatar uma pesquisa com pessoas que guardaram seus livros ao longo de anos, décadas, quando não foi mais. E a pesquisadora propunha ali três categorias de "guardadores": os que guardam o livro original; os que guardam um livro conseguido depois; e os que guardam obras de terceiros (para os terceiros).

Uma quenturinha bem gostosa ficou no meio do meu peito naquele momento. Tirei os olhos do artigo para lembrar. Isso atrasa a leitura (e o trabalho) da gente, mas é ótimo sinal. Quantos textos fazem a gente levantar a cabeça? Mas essa ideia não é minha. É do Roland Barthes, que também apinha minhas pesadas estantes brancas, um francês apaixonante.

Lembrei dos livros que eu guardei: dos originais, dos que consegui depois e dos que guardo para terceiros (menos cuidadosos do que eu). E dos episódios que me trouxeram essas obras. Mas lamentei, profundamente, não mais saber por onde anda aquele livro com que fui alfabetizada. Será que fiz dele picadinho? Será que joguei fora, em uma das infinitas arrumações do quarto e da casa? Será que entreguei para minha mãe guardar (como fiz com fotos e filmes)?

De originais, estão comigo uns trabalhos de escola e os livros da Coleção Vaga-Lume (Ática). Guardados, mas ocupando lugar ostensivo na estante. Cheguei a expô-los na estante do meu filho, mas os recolhi de novo, já que ainda não sei ao certo que tipo de guardador de livros meu filho será. Fui cautelosa.

Fiquei mais feliz quando percebi que sou três tipos de leitora-guardadora em um! Guardo os meus e guardo uns que consegui depois. Caprichos & relaxos, do Leminski, repousa ao lado de todos os outros do autor que consegui aliciar. Mas este, esgotadíssimo faz tempo, foi dado de presente por um amigo. Assim como ele, A Galáxia de Gutenberg e uma biografia do Torquato Neto. Todos vindos de sebos em São Paulo ou em Curitiba, presentes preciosos de amigos gentis.

Olhando ao redor, certifiquei-me dos volumes que me classificam como uma guardadora de livros alheios, uma espécie de depositária apaixonada. Estão ali, junto dos meus, os livros da Vaga-Lume que foram dos meus irmãos. E, mais precioso ainda, um O pequeno príncipe que fora do meu pai, com dedicatória da professora que o premiava pelo bom desempenho na escola, na década de 1940!

Guardiã desses tesouros (metáfora comum entre os fiéis depositários de livros de papel), fico feliz em saber que há pessoas interessadas em planejar as próteses da memória, sem modismos e sem cegueira. Microfilmes, CDs, disquetes. Tivesse eu passado meus livros para disquetes e a esta altura estariam todos perdidos. Onde é que há espaços seguros neste mundo de virtualidades?

Certamente que é fabuloso imaginar que dez andares de vastas bibliotecas podem caber na minha mão. Fantástico imaginar todas estas lombadas que ocupam minha sala inteira compactadas no meu pendrive ou guardadas no meu tablet último tipo. Mas não dispenso que elas existam nesta sala, em papel e costura, para que eu as possa pegar, guardar e reler quando quiser. Inclusive relendo minhas antigas leituras, marcadas naquelas margens.

Sim, claro, nem precisam me advertir de que também posso anotar na tela, deixar comentários e ocupar menos espaço, matar menos árvores ou coisa que o valha. No entanto, ainda desconfio de dispositivos que apenas projetam obras que nunca estão disponíveis no mesmo lugar. Arquivos abertos, corrompidos ou não, sou ainda guardiã das minhas memórias, das do meu pai e das de meus irmãos.

Doei centenas de livros. Todos os anos, ofereço obras que não lerei mais a bibliotecas escolares públicas. Tenho cá a sensação de alimentar famintos. Mas há livros que não dou, não empresto e não revelo. Estes são como nacos da memória da vida inteira. Neles não enxergo páginas e papel. Lá eu vejo curtas-metragens das nossas vidas. Não pode ter sido à toa que resolvi guardá-los. Se não é por uma decisão tecnológica, talvez seja mesmo por razões afetivas. Por que não? Talvez eu também guarde meus tablets, quando ficarem obsoletos. E talvez eu possa confiar que poderei ler meus livros digitais, depois de anos sem ligá-los, como faço com meus impressos, depois de anos sem abri-los.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 15/4/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Retratos da ruína de Elisa Andrade Buzzo
02. O tempo de Arturo Pérez-Reverte de Celso A. Uequed Pitol
03. Bento XVI e os bastidores do Vaticano de Humberto Pereira da Silva
04. Como se enfim flutuasse de Elisa Andrade Buzzo
05. Mínimas de Ana Elisa Ribeiro


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2011
01. É possível conquistar alguém pela escrita? - 21/1/2011
02. Meus livros, meus tablets e eu - 15/4/2011
03. Você viveria sua vida de novo? - 18/2/2011
04. Bibliotecas públicas, escolares e particulares - 20/5/2011
05. Pressione desfazer para viver - 17/6/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/3/2011
11h51min
Eu amo livros! Ainda não digeri a ideia de que o papel será substituído pelos tablets, pois sou daquelas leitoras que sente prazer só em olhar para o título X na estante. Amo estante. Tem livro que compro mesmo sabendo que jamais irei ler por inteiro, só pelo prazer de possuir o exemplar do autor X ou a obra Y. Adoro o cheiro, a poeira, limpar a poeira dos livros, organizar por tamanho, assunto, em nichos diferentes - por seção. Agora, pensando racionalmente, assim como a pedra substituiu a parede das cavernas, o pergaminho substituiu a pedra, o papiro substituiu o pergaminho, o papel de celulose substituiu o papiro... é lógico, racional e óbvio que o texto digital, ainda mais com o surgimento dos tablets, substitua o papel. Mas isso vai demorar tanto tempo para atingir o mundo todo que nós não estaremos vivos para ver. Para mim, isso é uma realidade possível, pois sou da geração que viu surgir o celular, o computador, a internet, a TV por assinatura... e agora o livro digital.
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
16/4/2011
09h13min
Às vezes, quando acabava o espaço e sobravam livros, eu doava alguns para a biblioteca da escola em que estudei. Mas uma experiência me fez abandonar o hábito: trabalhei numa biblioteca no interior em que livros antigos demais, em mau estado de conservação ou "repetidos", estavam sendo recolhidos para serem queimados! Eu os resgatei - a palavra roubar não pega bem! - e hoje eles estão aqui, comigo. O prazer do livro vai além da simples leitura. Passa pela aquisição - numa livraria, vindo de presente, ou "resgatado" - pelas ideias que você teve antes, durante e depois da leitura e, claro, pelo cuidado na limpeza e na organização. É fetiche mesmo! E tem essa gente que cuida de iphones e notebooks como se fossem crianças e criticam quem zela pelos seus livros...
[Leia outros Comentários de Gerson C.]
16/4/2011
10h40min
Olá, adorei o artigo, também adoro livros. Tablet? Só quando custar muito barato. Árvores podemos plantar, por isto planto no clickarvore, mas lixo eletrônico é bem pior!
[Leia outros Comentários de Ana Maria dos Santos]
17/4/2011
11h01min
Nota 10 pra esse artigo... um retrato ou quase um espelho da relação que tenho com os livros. Parabéns, Ana.
[Leia outros Comentários de adriana godoy]
17/4/2011
11h21min
há livros que são parte de nossas vidas, mas um dia vou transformar minha biblioteca particular em pública, comunitária
[Leia outros Comentários de ediney santana]
18/4/2011
11h11min
Como sempre, Ana, um ótimo texto! Eu consigo imaginá-la escrevendo este artigo em meio aos livros, nesta atmosfera encantadora, bastante empolgada. Mas seria incapaz de imaginá-la escrevendo em uma sala vazia, com um tablet e um computador. Nada inspirador... Parabéns!
[Leia outros Comentários de Ivan Bilheiro]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Hacker - Page Turners Level 2
Sue Leather / Julian Thomlinson
Heinle Cengage
(2014)
R$ 20,00



História Sociedade & Cidadania 7º Ano
Alfredo Boulos Júnior
Ftd
(2015)
R$ 25,00



O Melhor do Mau Humor
Ruy Castro
Companhia das Letras
(1998)
R$ 10,00



Contos e Lendas da Ilíada
Jean Martin
Wmf Martins Fontes
(2006)
R$ 29,00



Evolution of the Horse
W. D. Matthew S. H. . Chubb
American Museum Press
(1924)
R$ 68,77



Gradus Philosophique
Vários
Gf-Flammarion
(1996)
R$ 63,00



Trinta Anos de Mim Mesmo
Millôr Fernandes
Círculo do Livro
(1974)
R$ 15,00



O Registro da Hipoteca de Incorporações Imobiliárias: o fim social da lei, o princípio da boa-fé e a mitigação da finalidade do registro
Lafaiete Luiz do Nascimento
Thesaurus
(2006)
R$ 6,00



Histórias para Aquecer o Coração
Jack Canfield / M. Victor Hansen / Heather Mcnama
Sextante
(2001)
R$ 7,70



Auto da Barca do Inferno - 7ª Ed.
Gil Vicente
Ateliê
(2005)
R$ 17,41





busca | avançada
114 mil/dia
2,3 milhões/mês