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COLUNAS

Segunda-feira, 12/3/2018
Vinicius
Julio Daio Borges

+ de 1100 Acessos

Tenho essa biografia do Vinicius desde 2006, quando entrevistei o José Castello para o Digestivo, e ele me mandou.

Meu interesse pela poesia tem aumentado ao longo dos anos. Antigamente, quem começava a escrever, começava por poesia. Mas nós - digo, a minha geração -, não sabemos nem *ler* poesia direito, então começamos pela prosa, ou pelo jornalismo.

Eu acho que a poesia exige um outro tipo de leitor, uma outra sensibilidade. E, na nossa época, demora para chegar lá. É como se fosse o último estágio...

Sendo assim, eu cheguei no Vinicius de Moraes, primeiro, pelo Tom Jobim. Pela música, como muita gente chegou. E, por esse mesmo motivo, cheguei pelas “leituras” que o Ruy Castro fez de Vinicius de Moraes.

E, de fato, a influência do Vinicius na música brasileira - e, portanto, na cultura brasileira da segunda metade do século XX - é imensa. A ponto de podermos nos perguntar se ele foi mais músico ou mais poeta.

Uma coisa que a biografia mostra, contudo, é que a parceria com Tom, embora seja histórica - por causa de “Garota de Ipanema” e da bossa-nova -, não foi a principal.

Mesmo que musicalmente seja menos sofisticada, a parceria, no sentido existencial, foi com Toquinho. Essa durou muitos anos; rendeu muitos discos. E Vinicius morreu, literalmente, nas mãos de Toquinho.

Com Tom Jobim - depois que a bossa-nova estourou, e o catapultou para a conquista da América, culminando com o disco ao lado de Frank Sinatra -, havia uma certa cerimônia...

Pelo que dá para depreender do livro, Vinicius se ressentia um pouco do sucesso internacional de Tom; e este parecia meio deslumbrado - a ponto de Vinicius se sentir meio esquecido, e até um pouco esnobado...

O problema, a meu ver, é que a vida pessoal de Vinicius era um caos. Foram nove casamentos. Então, por mais que ele construísse, ou arrecadasse, como poeta ou como músico, cada vez que se separava, deixava tudo para trás, só levando uma escova de dentes e aquele retrato seu pintado por Portinari.

O que ele procurava nas mulheres? É uma questão filosófica demais até para Vinicius. Embora não tivesse nada programado - pelo contrário -, acabou fazendo uma opção radical pela paixão.

Vivia o momento. Ou “o agora”, como está em moda se dizer hoje. Sem pensar nas consequências. E pagou um preço alto por isso. Também as mulheres. E os filhos. E as famílias de todos os envolvidos...

Mesmo sendo Vinicius de Moraes, nunca foi “um bom partido”. Primeiro, porque era poeta. E os poetas, desde o tempo de Ovídio, são mal vistos. Em Roma, o pai de Ovídio já lembrava a ele que Homero - Homero: talvez o maior poeta de todos os tempos - morreu pobre.

Mais pra frente, quando Vinicius se consagra, as famílias das “noivas” mudam o discurso (mas não muito): “É um grande poeta. Mas é um louco. Um destruidor de lares...”.

Acontece que as moças não resistem. E os pais e as mães acabam entregando suas filhas, chorando. Uma ou outra amiga, às vezes, consola: “Quem sabe, ele escreve um poema pra você e você fica famosa”.

E, de fato, Vinicius escreveu para todas. Também escreveu para os filhos. “Valsa de Eurídice” era “Valsa para Suzana”, Tom Jobim o convenceu a usá-la em Orfeu da Conceição. E “A Arca de Noé”, a coleção de poemas, ele escreveu para seu filho, Pedrinho, depois musicou com Toquinho.

Ao contrário de hoje, em que qualquer coisa é “de direita” ou “de esquerda”, Vinicius de Moraes não tinha uma posição política clara.

Sua primeira mulher, Tati - a mais sofisticada e a mais “intelectual” delas - era simpatizante do comunismo, quando estava na moda, entre intelectuais, e o fascismo grassava...

Vinicius acaba exonerado do Itamaraty, na época dos militares, então se torna oficialmente “de esquerda” - muito mais por antipatia mútua e por não se dar bem com qualquer autoridade, ou hierarquia.

Ocorre, porém, que a sua fase de poeta, antes de ser músico, e anterior a Tati, é uma fase metafísica, ligada ao cristianismo - por ele ter estudado no colégio Santo Inácio, no Rio, classificando-o, inclusive, como “conservador” (um palavrão hoje).

Para mim, é a melhor fase da poesia dele. Nos dois primeiros livros. Porque o que ele escreveu depois, para suas mulheres, é uma produção muito fragmentada... Que ele até reuniu em coletâneas - mas não são *livros* no mesmo sentido que os dois primeiros o são.

Acredito que quando João Cabral, seu colega de Itamaraty, diz que Vinicius era “o melhor” de sua geração, ele se refere a essa poesia “stricto sensu”, anterior às letras de música.

Já Drummond, talvez o nosso maior poeta no século XX, tinha admiração por Vinicius muito porque ele *viveu* como poeta. Enquanto que Drummond era praticamente um recluso...

Talvez Vinicius seja o maior poeta do século XX no sentido de que ele fez a grande travessia de sua época: da “alta literatura” para a música popular - e, nesse sentido, foi único.

Sem o exemplo de Vinicius, talvez o letrista Chico Buarque não existisse (talvez, apenas, o romancista medíocre)...

Tom e Vinicius, com a bossa-nova, são o “Big Bang” da música brasileira moderna. E se não houvesse esse encontro, talvez não houvesse o que chamamos de MPB.

O fato é que Vinicius é uma personalidade “transversal”. A cultura brasileira passa por ele. E o livro do José Castello está longe de esgotar o tema.

Como biografia - nada contra o Castello como pessoa (pelo contrário) -, eu prefiro as do Ruy Castro. Mas acredito que o Ruy já escreveu muito a respeito e não acho que ele faria outro livro só para Vinicius de Moraes.

Eu ainda poderia falar do Vinicius dos musicais, de sua ligação com cinema, e do Orfeu Negro, premiado com base em sua peça, o qual ele detestou...

Poderia falar os afrossambas e da sua fase “baiana”. Quando ele se torna místico outra vez...

E poderia falar de sua fase de diplomata; do tempo em Oxford. Da sua fase argentina, ou latino-americana. Da fase italiana (com gravações, inclusive). Da amizade com Neruda e com Piazzolla.

Antonio Maria, outro amigo célebre, dizia que ele era “Vinicius”, porque ele era muitos. E não “de moral”, mas “de Moraes”. Talvez porque tivesse uma moral própria...

Terminei o livro com saudade das loucas aventuras daquele homem que tanto amou e que sofreu em igual medida. E colocou toda sua vida na arte. Ou seria o contrário?

A benção, Vinicius de Moraes! Saravá, Vinicius ;-)


Julio Daio Borges
São Paulo, 12/3/2018


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