Thor | Guilherme Pontes Coelho | Digestivo Cultural

busca | avançada
32715 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quarta-feira, 18/5/2011
Thor
Guilherme Pontes Coelho

+ de 3700 Acessos

Tudo parecia estar a favor de Thor, o filme do herói escandinavo da Marvel. Seria a história do popular deus quadrinesco contada na era do cinema em três dimensões ― a mais nova joia do entretenimento shopping center.

Pelo que percebia nos trailers, o filme seria sobre a família real de Asgard, Thor, Loki e Odin. E se falamos de realeza, mesmo que alienígena (e não divina, você verá por quê), alguém com conhecimento shakespeareano, familiarizado com Elsinore e Dunsinane, seria bem-vindo para dirigir a película. Este alguém é Kenneth Branagh. Apesar dos filmes medonhos que Branagh fez na América, eu acreditava que ele faria um bom trabalho com Thor. Ele poderia ter um crédito eterno comigo por ter feito aquele Henrique V de 1989 e o Hamlet de 1996. O universo de Thor, o herói da Marvel, é rico e, em teoria, é um prato cheio para um Branagh dispondo de um orçamento astronômico.

Também me animava a presença de J. Michael Straczynski entre os roteiristas. Straczynski escreveu dois dos meus quadrinhos prediletos, Rising Stars e Poder/Esquadrão Supremo. Ele e Mark Protosevich escreveram a story de Thor, o filme. Protosevich roteirizou A Cela, um filme interessante, muito bom para ser ruim, mediano demais para ser alguma coisa, mas, enfim, interessante. Um story para cinema a cargo destes dois escritores teria tudo para ser, no mínimo, atraente.

O roteiro de Thor propriamente foi escrito por Don Payne, roteirista de O Quarteto Fantástico e o Sufista Prateado, e Zack Stentz e Ashley Miller, ambos roteiristas e produtores das séries Fringe e Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor. Nenhum deles escritor excepcional, mas muito bem escolados em ação, super-heróis, tramas instigantes, mistérios. Os cinco escritores envolvidos prometiam alguma qualidade ao filme. Eu faço parte da quase extinta categoria de cinéfilos que acredita na importância de um roteiro bem escrito.

Pois bem, Thor é um filme de super-herói. Não qualquer super-herói. Falamos de Thor. Escolher um ator para ele, alguém que lhe desse cara, torso e cabelos loiros, seria crucial. Seria um ator de carne e osso, e não uma animação, para um herói desmascarado. Seria catastrófico para Thor emular a insipidez e a pusilanimidade de Brandon Routh em Superman - O Retorno (dos rivais Warner/DC) ou a angústia e a fragilidade de Eric Bana no Hulk de Ang Lee (gosto deste filme). Eu não sei quem esteve envolvido diretamente no casting, nem quanto Branagh influenciou nas escolhas dos atores, mas Chris Hemsworth nasceu para ser o Thor da Marvel.

Os demais atores do elenco não fazem feio, mas também não brilham. Talvez Tom Hiddleston, a quem eu não conhecia, mereça um cafuné e um pirulito pelo Loki que incorporou. Foi divertido vê-lo exibindo aquele tanto de momices afetadas e as estampando, sem o menor pudor, na cara do seu personagem ardiloso e dissimulado. Achei essa atuação muito apropriada e quero acreditar que Branagh teve papel decisivo nisso. Como é de se esperar, o capitalizante Anthony Hopkins fez um trabalho eficiente como Odin. A beleza de Rene Russo foi perfeita para Friga. Já a oscarizada e trabalhadora Natalie Portman, depois deste filme, deveria pensar se tem mesmo traquejo para papéis light, desses sem dores ou conflitos existenciais. O personagem de Stellan Skarsgard foi um mero remendo. O "núcleo" dele precisava de um homem, só isso. E Colm Feore serviu bem como modelo aos jotuns digitalizados, embora o crédito seja dos animadores. (Produziram excelentes efeitos. A concepção arquitetônica de Asgard ficou maravilhosa).

Em suma, Thor tinha tudo para ser um bom filme de super-heróis. Personagens, elenco, roteiristas, diretor. Cenários, efeitos, figurinos. Mas é um filme ruim.

Thor não é medonho como são Demolidor, Elektra e Wolverine - Origem, mas é ruim. Aparentemente, deve ter sofrido uma série de mutilações no roteiro para agradar a produtores (aquele lugar-comum de sempre). Também parece ter sido submetido àqueles testes de audiência para se adequar ao paladar do cinéfilo pipoca-e-refrigerante. O roteiro é mais atabalhoado que o de G.I. Joe e é cheio de falhas, como o primeiro atentado dos jotuns, que é extremamente mal explicado no decorrer da narrativa. Algumas cenas de ação são sofríveis e desnecessárias, como a briga na lama de Thor contra um militar, com câmera lenta e trilha apoteótica, uma cena digna de Elektra. O próprio Thor se comporta como um retardado enquanto está na Terra: se ele sabe que está na Terra, por que se comporta como se não estivesse ou como se não soubesse onde está?

Resposta: porque o filme foi feito para quem acha Friends engraçado (muita gente). Rechearam o filme de piadas de sitcom, muitas delas óbvias. Quase todas. Como aquelas de The New Adventures of Old Christine. Exceto pela piadinha que os agentes da S.H.I.E.L.D. fazem sobre o grupinho que vem resgatar Thor no interior do Novo México, todas as demais piadas do filme só ficaram adequadas na boca da personagem de Kat Dennings, a estagiária Darcy.

Achei interessante uma fala do personagem Fandral, na qual ficava subentendido o quão bobos são os terráqueos aos olhos dos asgardianos, porque bastava lançar um raio sobre eles "para eles nos tratar como deuses". (A propósito, Thor, na Terra, se comporta como Joey Tribbiani). No universo do filme, terráqueos, mortais e humanos são a mesma coisa. Nós somos mesmo. Mas isto sugere o seguinte: Asgard e seus habitantes são antes alienígenas que divindades.

Dependendo do seu credo e do que você acha dos geóglifos de Nasca, deuses e alienígenas podem ser a mesma coisa. O próprio Thor tenta explicar a Jane (Portman) que ciência e magia são a mesma coisa. Mas o interessante nessa fala de Fandral, que revela a concepção do universo da película, é que ela isenta o filme de algumas escolhas de elenco. Os personagens Heimdall e Hogun são interpretados, respectivamente, por Idris Elba, um negro, e Tadanobu Asado, um asiático. Estas escolhas motivaram manifestações de conservadores norte-americanos contra o filme, por terem feito um negro personificar um deus nórdico. O argumento seria válido. Seria correto se houvesse manifestações contra um Oxóssi interpretado por Brad Pitt, ou um Ares/Marte interpretado por Lou Diamond Phillips. Estas divindades são a própria etnia a que estão ligadas.

Contudo, Thor tem uma Asgard multirracial. Não me atrai muito os critérios políticos que embasaram esta escolha, mas o técnico. Os asgardeanos do filme são alienígenas e a mitologia nórdica usada no filme é não é um retrato fiel, mas apenas inspirativo. Na verdade, nem nos quadrinhos seria um retrato fiel, porque Tór (assim mesmo, a grafia portuguesa do deus nórdico, não do personagem da Marvel), o autêntico deus do trovão, nunca se juntou a gente como Tony Stark para conversar bobagem, até porque Tór não saberia falar inglês. Este filme é sobre Thor, o herói escandinavo da Marvel, e não Tór, o deus da mitologia escandinava.

Enfim, deus ou herói, eu esperava um bom entretenimento quando fui ao cinema assistir Thor. Sabia que não assistiria a um bom filme com super-herói, como são os filmes recentes da franquia Batman, mas esperava um bom filme de super-herói, como Homem-de-Ferro. Não foi dessa vez.


Guilherme Pontes Coelho
Brasília, 18/5/2011


Mais Guilherme Pontes Coelho
Mais Acessadas de Guilherme Pontes Coelho em 2011
01. A sordidez de Alessandro Garcia - 9/2/2011
02. Churchill, de Paul Johnson - 2/2/2011
03. Pequenos combustíveis para leitores e escritores. - 7/9/2011
04. Cisne Negro - 16/2/2011
05. Derrotado - 2/3/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




MITOLOGIA 2 - VÊNUS
EDITORA ABRIL CULTURAL
ABRIL CULTURAL
(1976)
R$ 7,00



HISTÓRIA DE ROMA
MÁRIO CURTIS GIORDANI
VOZES
(1972)
R$ 28,00



A VAGA DE CALOR
URBANO TAVARES RODRIGUES
PUBLICAÇÕES EUROPA - AMÉRICA
(1986)
R$ 15,63



O BARBEIRO DE SEVILHA
GIOACCHINO ROSSINI
ALTEA
(2008)
R$ 30,00



O PENSAMENTO VIVO DE EINSTEIN
EDITORA MARTIN CLARET
MARTIN CLARET
(1990)
R$ 7,19



BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA
ALCÂNTARA MACHADO
MODERNA
(1997)
R$ 5,00



MÉTODO COMPLETO PARA DIVISÃO EXPRESSAMENTE COMPOSTO PARA OS DISCÍPU...
P. BONA
IRMÃOS VITALE
R$ 17,00



INSTITUIÇÕES DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO
NELSON GODOY BASSIL DOWER
NELPA
(1995)
R$ 5,00



HISTÓRIA DO BRASIL 2º GRAU
ANTONIO PEDRO
FTD
(1987)
R$ 10,00



A MULHER OS RAPAZES (DA HISTÓRIA DA SEXUALIDADE)
MICHEL FOUCAULT
PAZ E TERRA
(1997)
R$ 8,91





busca | avançada
32715 visitas/dia
1,4 milhão/mês