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Sexta-feira, 9/12/2011
Todo mundo é bonito
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3900 Acessos

Não é bem assim, eu sei. O que é bonito para você? Não sei. Não me perguntem o que vejo em todo mundo que me parece prazeroso, mas eu vejo. Melhor: eu tenho visto. Não é sempre assim. Talvez eu não tenha me apercebido de que os detalhes costumam ser melhores do que o conjunto da obra. Às vezes o contrário: o todo é melhor do que as partes, sem ser sequer a soma delas. Não é. E isso sem falar no jeito, no charme ou na ginga, na aura ou no clima, que fazem com que a beleza aumente ou diminua. Isso sem falar que a trilha sonora melhora muita cena. Que o título amplia o sentido do texto. Que a qualidade da tinta nem sempre sustenta o quadro.

Dia desses falávamos, em dois ou três num conversê à toa, dentro de um carro ou numa mesa de bar, não me recordo, sobre o padrão. Não, não era nada disso. Era um almoço pós-trabalho, num restaurante comum em Brasília, quando tivemos tempo de falar de coisas cotidianas. E ali estávamos dois mineiros, um carioca, um paulista e um paraibano falando da beleza, das pessoas e dos delírios de lindeza. Na diversidade de nós mesmos, ali, naquela mesa tão improvável, já fazíamos parte da amostragem propensa aos gostos e às modalizações mais outras. Um paraibano de olhos claros, um carioca muito magro, um paulista de cabelos lisos, um mineiro forte e uma mineira Frida Kahlo. E dizíamos do que a publicidade reforça que a cultura não deixa. Neste mundo de imprudentes padrões A ou B, a nossa existência genotípica desobediente ajuda a atrapalhar as campanhas para que sejamos mais ou menos iguais. Quem não levou uma foto da atriz ao cabeleireiro? Faça assim, por favor? Meus resultados foram sempre trágicos porque meu cabelo é brasileiro, enquanto a atriz era europeia. Quem não invejou um braço, uma perna ou um peito? Mas quem é que traz essas sensações de que o que eu tenho não serve de modelo? Que o digam estas sobrancelhas atípicas, que às vezes querem que eu desbaste... mas só quando não estão na moda. Minha alegria mais sossegada é quando Malu Mader, Patrícia França ou Marisa Monte estão na moda, saem nas capas e dão entrevistas. As sobrancelhas cheias podem dormir em paz, até a próxima novela.

É dizer que bonita é a lourona peituda. É dizer que bacana é o macho polígamo. É dizer que magrelas são preferíveis a gorduchas. É dizer que cabelos lisos são o sonho de consumo de um país inteiro de encaracoladas. É dizer que homens altos estão em falta. É dizer que não gosto de artifícios e mal uso batom. É dizer que homens preferem as carnes aos ossos. E assim fomos tecendo uma tarde inteira de recomeços sobre a beleza.

Se a publicidade reforça um estilo Juliana Paes ou Carolina Dieckman, nossas vidas vão nos ensinando as rechonchudas que comem hambúrguer com batata frita. É na estria que a mulher se confirma? Não. É na celulite, muito desconhecida dos rapazes, que não sabiam nem diferenciar coisa de outra. São aquelas rajadas ou aquelas bolinhas? Eu quero é pegar.

E lá íamos nós atravessando as bonitezas todas, quando chegamos à negação do padrão publicitário. Sentimos muito, Gisele, mas a minoria é só no banheiro. Aqui pra nós só vemos coxas que balançam e peitos de todos os tamanhos e jeitos. Caímos na gargalhada ao lembrar que sobrancelhas, cílios e bocas têm seus afetos e delícias. Todos.

De presente, dias depois, assisti a um evento em que várias pessoas, dos mais variados tipos, apresentavam trabalhos diante de mim. A belíssima diversidade deles, todos jovens, me dava esperanças de um conceito menos único no mundo das verdades, das pessoas palpáveis, das relações possíveis. Lá estavam rapazes e moças de todos os tamanhos, corpos e jeitos. Gaguejavam quando estavam nervosos e fugiam do meu olhar quando podiam. Exibiam ali, a despeito de suas roupas quase iguais, sua singularidade. De meu proveito era reparar-lhes as mãos (que sempre olhei em todo mundo, sem exigir que fossem tratadas), os narizes e os cabelos. Cores e modos, espáduas e gestos. Esse reparo me lembrava a Carta de Caminha ao rei, quando o escrivão descrevia as índias, com suas vergonhas saradinhas e seus cabelos pretos. O nariz adunco de uma moça atraiu meus olhos mais do que o resto, enquanto o pescoço da outra parecia feito de cera. O rapaz de largos ombros contrastava com o amigo de ralos cabelos muito pretos, penteados à moda do mais recente cantor famoso ou ator estreante, não sei ao certo. Enquanto os dois falavam, a moça de boca fina fazia comentários ao rapaz de lábios perfeitos.

Nem só de jovens vive a beleza. E se isso fosse reforçado, talvez tivéssemos mais educação para envelhecer bem (e deixar os outros envelhecerem em paz). Das mais belas mulheres que vi de perto na vida consta uma, uma única, que sustenta (imagino que a alto custo moral) jeitosíssimos cabelos brancos. Brancos e cinzas. Sem tintas e sem retoques. Belíssima. A mais bela mulher que já testemunhei. E não apenas porque não seja mais jovem e nem porque tenha os cabelos cuidadosamente brancos, mas porque é de um charme avassalador. Nada dos vestidos segunda pele, nada da vulgaridade que se expõe em toda festa, nada da máscara para atrair pequenos contentamentos meio falsos, nada. Apenas um corpo que vive e uma mente brilhante. Daí o brilho dela transbordar daquele jeito, a despeito de as propagandas só nos bombardearem com o que é apenas efeito.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 9/12/2011


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01. O Natal do velho Dickens de Celso A. Uequed Pitol
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