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Quinta-feira, 19/1/2012
White Blues Boys
Vicente Escudero

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Uma das coisas mais importantes para julgar a qualidade de um álbum é a capacidade do seu autor -banda ou artista- desenvolver seu estilo e encontrar o caminho desejado; analisar se o destino alcançado depois do percurso entre o estúdio e o produto final corresponde a algo capaz de escapar do limo exigido pelas grandes gravadoras, que produzem o pântano musical habitado pelo crocodilo da repetição exaustiva de Lady Gaga e a tartaruga do saudosismo insuportável de Adele.

As listas de melhores álbuns de 2011 publicadas até agora contrariam esse critério. Embora este ano não tenha sido bom para a música e todas as listas sofram dos mesmos problemas de subjetividade e preferências, a maioria das primeiras posições escolhidas pelas grandes publicações varia entre os álbuns 21 (Adele), Watch the Throne (Jay-Z e Kanye West) e Born this Way (Lady Gaga). Todos têm em comum os mesmos defeitos: são descartáveis, repetem fórmulas desgastadas e representam os extremos da despersonalização da música pop, a limpeza de qualquer traço autoral ou de estilo que não atenda aos interesses da histeria do grande público.

Os três também são péssimos ao vivo. Os shows de Adele são tecnicamente perfeitos, mas sem soul. É como assistir a uma cover de churrascaria da Amy Winehouse durante o almoço de domingo, enfastiada depois de servida a sobremesa. Lady Gaga no palco não passa de uma combinação saída da Ilha do Dr. Moreau com cabeça de Madonna, voz de Britney Spears e figurino de Marilyn Manson. Já Jay-Z e Kanye West ainda não entenderam que shows de rap em grandes estádios se assemelham a intermináveis passagens de som.

Mesmo com todos esses defeitos, os três estão no topo. E Amy Winehouse morreu. Talvez este tenha sido o fato musical mais importante de 2011: seu relançamento após a morte. A grande promessa -que certamente se concretizaria- deixou algumas lições aos aspirantes sobre como lidar com as influências musicais. A maior delas, talvez, a de que o sucesso pode ser alcançado sem a destruição da criatividade. Ninguém confunde Amy Winehouse com Céline Dion, Dr. Dre com Lil Wayne ou Madonna com Christina Aguilera, okay?

Contrariando os prospectos desses três acidentes musicais e considerando que Amy Winehouse não lançou nenhum material inédito neste ano, o ano de 2011 talvez tenha sido indicativo de uma mudança definitiva: o retorno do eixo de produção musical das grandes gravadoras para os pequenos estúdios. E nada representa melhor esta transformação do que a consagração de anos de estrada do The Black Keys.

Formado em Akron, Ohio, no ano de 2001, o power duo de blues rock composto pelo vocalista e guitarrista Dan Auerbach e o baterista e produtor Patrick Carney surgiu no mesmo momento da ascensão de outra dupla -bem menos musical- o White Stripes. Contrariando esse hipster rock, de muito hype e pouca música, o The Black Keys também fugiu desde o primeiro álbum do estereótipo do pós-grunge urbaninho do The Strokes, numa viagem de volta às raízes do rock, no blues do Delta do Mississipi de gênios como Son House e John Lee Hooker.

Depois de passar por outras três bandas antes de formar o The Black Keys, Dan Auerbach investiu todas as fichas na produção doméstica e improvisada- o porão da casa de Patrick e um gravador de fita cassete- dos dois primeiros álbuns The Big Come Up (2001) e Thickfreakness (2003). Sem o baixo, os dois álbuns valorizam o peso do compasso da bateria e solos de guitarra entre o blues e o punk rock do fim dos anos 60 do The Stooges. Em The Big Come Up, destacam-se as faixas Heavy Soul e o cover dos Beatles, She Said, She Said.





Thickfreakness é mais elaborado, Set You Free tem a sujeira da guitarra e o vocal rasgado que lembram a fúria dos melhores momentos do MC5.



Em 2004, a dupla gravou o terceiro álbum, Rubber Factory,nas instalações abandonadas de uma usina térmica de carvão na cidade natal da banda, Akron, em Ohio, ainda usando o mesmo processo amador dos dois primeiros álbuns, mas com algumas melhorias, como o uso de mais microfones e algumas mãos amigas. O estilo é uma evolução dos álbuns anteriores, com arranjos menos pesados e fortes traços da influência do Rolling Stones dos primeiros álbuns, como Out of Our Heads, de 1965. O resultado é um blues rock mais pop, o surgimento da identidade musical da banda: um guitarrista e um baterista com influências das raízes do blues e do rock dos anos 60 e 70, buscando produzir no palco a divisão por dois dessas influências musicais sem perder a força do rock e cair no ritmo de bandinha de coreto do White Stripes. Um bom exemplo desse resultado é a ótima faixa Girl Is On My Mind, com riffs de blues e bateria hard rock.



Depois de muito tempo perambulando sem gravadora em turnês pelos EUA, a dupla foi contratada pelo selo Nonesuch Records -casamento que permanece- e gravou seu primeiro álbum de estúdio, Magic Potion, em 2006, ainda com a formação guitarra/bateria, mas desta vez gravando apenas composições próprias. As letras começam a perder a amargura do blues e ganham a ironia do soul, que também influencia o ritmo, como na faixa You're The One.



Your Touch é a primeira faixa com a cara do novo The Black Keys, mais California e menos Ohio.



A parceria com a gravadora começou a render frutos maduros a partir de 2008, com o lançamento do álbum Attack & Release, produzido pelo cultuado produtor Danger Mouse, conhecido pelos álbuns de Gnarls Barkley (um dueto com Cee Lo Green) e pelo segundo álbum da banda Gorillaz. O álbum é uma evolução a partir da do estilo alcançado na faixa Your Touch em Magic Potion, com forte influência do hard rock. I Got Mine poderia ser uma ideia do Foo Fighters, sem maiores ajustes.



Atualmente, a banda colhe os resultados dos dois últimos álbuns, Brothers, de 2010, e El Camino, do final de 2011, ótimas continuações da fórmula com um pouco de blues, muito rock e algum pop. A partir destes dois lançamentos, toda a discografia da banda passou a ser revisada e várias músicas foram vendidas para comerciais e seriados de televisão, além de ligas esportivas como as Ligas Profissionais de Beisebol e Hockey dos EUA. Daí surgiu o rótulo hipster da banda, levantado pelo jornalista Stephen Colbert, num quadro onde discutia qual seria a banda mais hipster dos EUA, que venceria a categoria de melhor banda de rock alternativo do Grammy, na premiação de 2010. Para Colbert, o vencedor seria o grupo com mais músicas usadas em comerciais de televisão. E o The Black Keys acabou empatando nesse quesito com o Vampire Weekend. Daí as comparações com o descartável rock de brechó indie. Só que o The Black Keys é maior do que seus companheiros de festivais. É o retorno do rock ao estilo que o consagrou como espetáculo de palco, mesmo com a formação em miniatura de guitarrista e baterista da banda (hoje, a dupla já conta com o apoio de baixista e tecladista). Também agrada bastante a valorização da bateria, sempre na frente do palco, ao lado da guitarra. E a energia dos shows.

Se alguém tem dúvida disso, deveria perguntar a opinião do dançarino solitário do clipe abaixo, que transformou o primeiro single do álbum El Camino em meme no Youtube. Dance, Lonely Boy, Dance!





Vicente Escudero
Campinas, 19/1/2012


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