Feminista? Eu? Claro que sim! | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
47547 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> TDEZESSEIS
>>> Curso de direção de palco é gratuito nos dias 16 e 17/12
>>> Ultima apresentação da peça (A) Dor (A)
>>> ABERTURA DA EXPOSIÇÃO “O CAMINHO DAS PEDRAS'
>>> Residência Artística FAAP São Paulo realiza Open Studio neste sábado
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
>>> Sem chance
>>> Imcomparável
>>> Saudade indomável
>>> Às avessas
>>> Amigo do tempo
>>> Desapega, só um pouquinho.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Píramo e Tisbe
>>> Pela estrada afora
>>> Jorge Amado universal
>>> Aquele que por via de regra se sai mal
>>> Duas crises: a nossa e a deles
>>> Samba Meu, o show de Maria Rita
>>> Cores Paulistas e os Quatro Anos da IQ Art Gallery
>>> As pessoas estão revoltadas
>>> Teatro no interior
>>> A Queda
Mais Recentes
>>> Como Falar Com Um Viúvo - Romance de Jonathan Tropper pela Sextante (2010)
>>> Box as Crônicas de Gelo e Fogo - Edição de Bolso de George R. R. Martin pela Leya (2012)
>>> A Bíblia Ilustrada - 125 Famosos Quadros Bíblicos - Edição Bilíngue de Gustave Doré pela Sinai (1962)
>>> The Great Gatsby de F. Scott Fritzgerald pela Helbling Languages (2011)
>>> Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus: Um guia prático para melhorar a comunicação e conseguir o que você quer nos seus relacionamentos de John Gray pela Rocco (1997)
>>> Um Livro para Curar o Coração e a Alma de Joan Borysenko pela Cultrix (1999)
>>> Simplesmente acontece de Cecelia Ahren pela Novo Conceito (2014)
>>> Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister de Goethe pela Ensaio (1994)
>>> Episódio Humano - Prosa 1929 - 1930 de Cecília Meireles pela Batel (2022)
>>> A sexta mulher de Suzannah Dunn pela Record (2010)
>>> Competência Social - Mais que Etiqueta uma Questão de Atitude de Lícia Egger Moellwald e Hugo Egger Moellwald pela Totalidade (2009)
>>> Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa de Antônio Geraldo da Cunha pela Nova Fronteira (1982)
>>> [email protected] de Therese Fowler pela Novo Conceito (2013)
>>> O Caminho da Autotransformação de Eva Pierrakos pela Cultrix (2007)
>>> Como eu era antes de você de Jojo Moyes pela Intrinseca (2013)
>>> Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant pela José Olympio (1990)
>>> Key Philosophical Writings de Descartes pela Wordsworth (1997)
>>> Roteiro para um Narrador: Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca de Ariovaldo José Vidal pela Ateliê Editorial (2000)
>>> Um Amor, Um Café & Nova York de Augusto Alvarenga pela D'Plácido (2014)
>>> À primeira vista de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2016)
>>> Friedrich Nietzsche: 1. Infancia y Juventud de Curt Paul Janz pela Alianza Universidad (1981)
>>> Deuses Animais de Elizabeth Loibl pela Edicon (1984)
>>> Sobre Nietzsche Voluntad de Suerte de Georges Bataille pela Taurus (1986)
>>> Um longo caminho de Sebastian Barry pela Bertrand Brasil (2014)
>>> Magnevist - Monograph de R. Felix e outros pela Blackwell (1994)
COLUNAS

Sexta-feira, 14/9/2012
Feminista? Eu? Claro que sim!
Marta Barcellos

+ de 3200 Acessos

Em época de campanha para prefeitos e julgamento do mensalão, se posicionar politicamente se tornou tão natural nestes dias quanto comentar a novela das nove. Mesmo aqueles que dizem desprezar a política são capazes de engrenar uma conversa fiada sobre o seu provável voto, o candidato menos pior, talvez o melhor, ou comentar a votação no Supremo Tribunal Federal. Por que então, em meio ao saudável debate sobre o noticiário, sinto que minha frase gera algum desconforto?

─ ... é por essas e outras que sou feminista.

As mulheres não me endossam, como seria de esperar. Os homens parecem tentar imaginar a que tipo de feminismo eu me refiro. É curioso notar que, dependendo da roda, um homem se declarar feminista parece mais apropriado do que uma mulher.

Mas vamos ao contexto. O "essas e outras" que motivou a ratificação da minha condição feminista foi uma daquelas notícias que de tempos em tempos refletem a precariedade da situação da mulher no mundo. Não, a história em questão não dizia respeito a uma vítima de chibatadas em plena primavera árabe, mas se referia às estúpidas declarações de um deputado republicano. Todd Akin afirmou que casos de gravidez depois de estupros são muito raros, porque as mulheres teriam defesas biológicas para evitar a gravidez quando se trata de um "estupro legítimo" (legitimate rape, em inglês).

Não é para sair empunhando a bandeira do feminismo, se houvesse uma à mão? Pode ser que o termo feminista tenha ficado um tanto institucionalizado, como se pressupusesse a ligação com algum movimento formal, ou então que tenha simplesmente envelhecido - daí o preconceito. Mas não tem jeito: as mulheres ainda são vítimas de muitas desigualdades, não por culpa de nossos bem intencionados colegas de trabalho, namorados ou maridos - que se dizem sinceramente feministas na mesa do bar -, mas de uma condição histórica e cultural. Se simplesmente ligarmos o "automático", se deixarmos que nossas opiniões e atitudes se influenciem por um suposto "bom senso" relacionado à convivência em sociedade, corremos o sério risco de endossar ingenuamente desigualdades que serviram a séculos de dominação.

Assim como os direitos da criança precisam ser defendidos - a relação de poder dos adultos (inclusive dos maus pais) sobre elas é óbvia -, também é preciso ficar atento aos direitos da mulher, em função dessa dominação histórica. Não é difícil achar mulheres que trabalham, se sustentam, se julgam bem informadas e sensatas e no entanto aceitam injustiças e violências relacionadas à condição feminina. Não conheço, é verdade, nenhuma capaz de desconfiar da "legitimidade" de um estupro porque a vítima engravidou - isso parece mesmo o auge da ignorância. Mas não é difícil encontrar quem, diante da constatação de que uma mulher foi atacada, critique a roupa que ela usava. "Também, né, com aquela minissaia..."

Por isso, além de defender "o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade" (feminismo segundo o Houaiss), eu também apoio iniciativas como a recente "Marcha das vadias". Do ponto de vista de estratégia política, nem sei se o termo "vadia" é o melhor para angariar simpatias mais conservadoras, mas talvez somente o choque sacoleje mentes e dissolva os últimos resquícios da cultura machista entranhada em todos nós.

Pois a mulher tem todo o direito de ser uma "vadia", ou seja lá o que se entenda por isso em atitudes e vestimentas. Pode ser mesmo uma prostituta. Nada disso a torna culpada de sofrer um estupro. E ponto. Esse é o espírito do movimento que surgiu no Canadá, e se espalhou em passeatas pelo mundo, depois que um policial de Toronto pediu que as mulheres não se vestissem como vadias para não serem estupradas.

Talvez estejamos precisando de imagens assim - jovens seminuas exigindo respeito pelas ruas -, semelhantes às dos movimentos de contracultura dos anos 1960, para fazer frente às cruzadas moralistas que espocam pelo mundo. Como se não bastasse os absurdos "científicos" pregados pelos líderes do Tea Party americano, da Rússia e dos países árabes também chegam notícias de retrocessos. Parece que os políticos, na falta de ideologias ou saídas econômicas para a crise global, decidiram defender "a família". Caramba, qual "família"? Vamos combinar assim: se você vir algum candidato, nessas eleições de outubro, defender os "valores da família", saia correndo e vote em seu adversário!

A tal família, à moda antiga, não era boa coisa para a mulher. Ainda hoje, não precisamos ir muito longe (talvez exista um exemplo bem a seu lado) para encontrar algum tipo de violência doméstica tolerada em nome do "bem estar da família". Mulheres humilhadas, mulheres que se submetem, mulheres que acham que é assim mesmo. Pegue as estatísticas - qualquer uma, incluindo as brasileiras - para verificar que as mulheres ainda têm remuneração bem menor que a dos homens, exercendo as mesmas funções.

No seu ambiente de trabalho e na sua casa não é assim? Ao contrário, as mulheres estão dominando? Que ótimo. Tomara que um dia essas exceções se tornem regra, e não precisemos mais ficar tão vigilantes. Enquanto isso, mantenha-se desconfiado, inclusive quando alguém repetir algo do "senso comum", como "feministas eram aquelas mulheres que queimavam sutiãs".



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 14/9/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Pokémon Go, você foi pego de Luís Fernando Amâncio
02. Eu não sou jornalista! de Rafael Rodrigues
03. Dobradinha pernambucana de Luiz Rebinski Junior


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2012
01. A Paris de Chico Buarque - 19/10/2012
02. O fim do livro, não do mundo - 20/4/2012
03. Esquecendo de mim - 25/5/2012
04. O Facebook e a Alta Cultura - 17/8/2012
05. O direito autoral vai sobreviver à internet? - 27/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Um Presente para Cláudia
Sulema Mendes
Edi Jovem
(1977)



Um Concerto em Tom de Conversa
Agustina Bessa-Luís, Manoel De Oliveira
UFMG
(2007)



Mar Morto
Jorge Amado
Companhia das Letras
(2008)



Avaliando o Desempenho da Universidade
Adriane Cavalieri
puc rio loyola
(2004)



Almas em Progresso
Adeilson Salles
ceac
(2009)



O Que é Deputado
Francisco Weffort
Brasiliense
(1986)



101 Viagens Com Crianças
Ediouro
Ediouro
(2007)



Manual Prático do Advogado: Prática Forense Civil
Jônatas Milhomens, Geraldo Magela Alves
Forense
(1994)



Matemática Financeira
Luís Geraldo Mendonça e Outros
fgv
(2007)



Simples Verdades - um Guia Amoroso Sobre Grandes Temas da Vida
Kent Nerburn
Sextante
(2007)





busca | avançada
47547 visitas/dia
1,6 milhão/mês