Redes e protestos: paradoxos e incertezas | Guilherme Mendes Pereira | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 2/8/2013
Redes e protestos: paradoxos e incertezas
Guilherme Mendes Pereira

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Ciberativismo e redes sociais são coisas que viraram moda e parecem ter caído na vala da banalização do espetacular.

Hoje, experenciando o viver digital e a vertiginosa possibilidade de alcance de uma "democracia de fato", fala-se do ativismo de cadeira e do anseio mágico de poder intervir de forma revoluvionária em factualidades por intermédio de comandos confortavelmente acionados via interfaces homem-máquina amigáveis, que desencadeariam soluções concatenadas de forma quase que autorregulada. Vide petições on-line que circulam diariamente e invadem nossas caixas de entrada de e-mails, prometendo mudanças pontuais a partir do preenchimento de formulários e da coleta de um montante mínimo de assinaturas; ou conforme ações propagandisticamente sedutoras, como vídeos no YouTube ou na timeline do Facebook que convidam ao compartilhamento de informações ou à realização de doações via rede em prol de soluções quase que "auto-realizáveis". O ato de participar dessas ações "ativistas" parece incutir assim em seus adeptos a sensação de ter feito algo "moralmente correto" ou "útil à humanidade" com o mínimo de esforço comum.

Na contramão dessas proposições miraculosas e da ingenuidade de alguns "ativistas on-line", muitos grupos ciberativistas têm demonstrado que as práticas de cidadania através do ciberespaço podem ser fenômenos sociais bem mais complexos. Essas ações ciberativistas — leia-se manifestações contra-hegemônicas — e jogos sociopolíticos têm sido travadas no plano discursivo, e tendo como suporte principal as redes sociais on-line, o que tem propiciado uma aparente "redemocratização da participação política".

Os movimentos contra o neocapitalismo na década de 1990 e a rede Independent Media Center (Indymediad); o Movimento Zapatista; a rede Wikileaks; os movimentos sociais e políticos da Primavera Árabe; o hacktivismo anarquista dos grupos Anonymous e LulzSec; o movimento Occupy; as intervenções videoativistas do grupo feminista Pussy Riot; e os recentes protestos que insurgiram no Brasil, na segunda metade de 2013, são mostras da crença no poder das redes on-line e da força do coletivo engendrada através dos aparatos cibernéticos no que tange a práticas ativistas. Em alguns dessas causas o ciberativismo pareceu servir como meio para estabelecimento de elos e o agendamento de protestos nas ruas. Em outras o espectro de ações ficou circunscrito principalmente a atuação no ciberespaço. Todos esses movimentos, bastante diversos em causas, ações e objetivos, tomaram proporções mundiais via grupos descentralizados — conectados através de redes telemáticas — e também pela cobertura de suas ações off-line pelas mídias de massa tracionais.

Em Enemy of state?, episódio da série documentário da British Broadcasting Corporation (BBC), intitulada The virtual Revolution, pontuou-se que agora, através das redes telemáticas, temos a oportunidade de usar o poder da comunicação e da informação para inspirar resistência e fomentar o desenvolvimento massivo da consciência política. Novas estratégias de ação são assim possíveis. Com a internet, a organização de grupos pode acontecer além da jurisdição de um país, e, desse modo, torna-se possível, aparentemente, operar contra a centralização política e de poder. Todavia, conforme se argumentou no referido documentário, a apropriação do ciberespaço para propósitos contra-hegemônicos é de certa forma paradoxal, tendo em vista que a internet foi criada com finalidades de militarização e de controle político.

No início da década de 1960, período da guerra fria, momento no qual pairava uma constante tensão principalmente entre a então União Soviética e os Estados Unidos em função do poderio militar nuclear descomunal desses estados e da possibilidade de um holocausto mundial, cientistas estadunidenses desenvolveram o programa financiado pelo exército que ficou conhecido como Advanced Research Projects Agency Network (ARPANET). O ARPANET foi precursor na criação de redes operacionais para trocas informacionais. Inicialmente conectava universidades por intermédio de uma rede baseada em protocolos tecnológicos. O fundamento desse projeto de comunicação era que um sistema descentralizado serveria como uma medida de segurança. Em um sistema centralizado, quando a base é destruída tudo rui. Já em um sistema complexo e difuso, com várias centrais, o aniquilamento de uma destas pouco afetaria no funcionamento do todo.

Nas décadas seguintes a sua criação o projeto foi sendo complexificado e aperfeiçoado. Por volta de 1990 foi elaborado o primeiro web browser que tornou mais sofistificados os protocolos e softwares de compartilhamento via internet, popularizando e facilitando o acesso à informação e às redes. O ARPANET inicialmente conectava algumas universidades dos Estados Unidos, hoje a internet conecta cerca de 25% da população mundial, segundo dados apresentados no documentário Enemy of state?. De um projeto científico científico e militar, o ARPANET acabou servindo como base para o desenvolvimento de sistemas de comunicação, informação, econômicos, de controle político e de entretenimento mais amplos e intrincados. Nesse interim, alguns grupos conseguiram subverter as ferramentas cibernéticas e propostas iniciais de uso dessas máquinas, e, assim, passaram a poder operar de forma alheia a regulações governamentais, transgredindo-as. Um exemplo atual é a rede Wikileaks, por meio da qual anônimos — que mantém seus próprios servidores em localizações secretas, e se valem de um tipo de encriptação para se protegerem — conseguem obter informações confidenciais sobre organizações e governos, e publicá-las abertamente na internet, em uma tentativa — utópica — de democratizar a informação e oportunizar a fiscalização popular de ações dos estados.

O mundo pré-internet, politicamente regulado por legislações pétreas, burocracias morosas e servidores públicos, muitas vezes, ineficientes, parece estar sendo gradualmente fagocitado por um mundo ansioso e impaciente, um mundo de micro-ações diretas e heterogêneas, no qual as políticas governamentais ortodoxas parecem estar se tornado obsoletas, pois as pessoas podem — em tese — ultrapassá-las de forma mais rápida e — espera-se — mais eficiente. Nesse cenário, onde autoridades e políticos não conseguem mais representar os ensejos cada vez mais plurais, dinâmicos e incertos dos cidadãos comuns, parece crescer a busca por novos fóruns, meios para expressar publicamente reinvindicações e anseios, alheios a amarras político-ideológicas. Talvez esse seja um dos motivos do sucesso massivo das redes sociais da internet e de muitas ações ciberativistas que tem surgido através delas.

Assim sendo, inseridos forçosamente no contexto das redes, esse turbilhão caótico de paradoxos e potencializador de incertezas, lançamos aqui mais um dilema, com o intuito de atiçar a reflexão e o pensamento crítico dos ciberleitores: seria o ciberativismo uma maneira mais eficiente para posicionar-se de forma contra-hegêmonica na esfera política, para se exercer a cidadania e para se conquistar formas de gestão pública mais éticas, democráticas e eficientes de fato? Ou — considerando que o ciberativismo prima pela capilarização do poder político, e, para tal, proporciona uma ágora na qual todos podem participar e parecem querer opinar —, seria o ativismo cibermediado um promotor do anarquismo social e de uma cacofonia de discursos que acaba por gerar mais confusão e desinformação?


Guilherme Mendes Pereira
São Paulo, 2/8/2013


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