Proust, rugas e colesterol | Wellington Machado | Digestivo Cultural

busca | avançada
61941 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS >>> Especial Idade

Quarta-feira, 9/4/2014
Proust, rugas e colesterol
Wellington Machado

+ de 4100 Acessos

Em certas horas de marasmo cultural, penso que eu poderia ter nascido no ano de 1955, por aí. Fosse assim, teria acompanhado na adolescência a melhor fase dos Beatles, os movimentos de contracultura, o movimento estudantil na França de 1968, Woodstock, Bob Dylan. Certamente teria sido hippie, cabeludo, numa comunidade alternativa vegetariana. Sempre achava que eram uns sortudos, os que acompanharam a efervescência cultural, as mudanças e conquistas sociais ocorridas neste período. Por outro lado, eu teria vivenciado o pior da ditadura militar no Brasil. Certamente teria sido preso, levado umas pauladas e, com muita sorte, sobreviveria para contar alguma história. Melhor não. Mas eu bati na trave na aproximação com esse período negro. Calhou de eu nascer no fim do ano de 1968, ali, pertinho do fatídico AI-5. Cheguei por aqui em péssima hora.

Isso quer dizer que eu já passei dos 40 anos - e já avisto os 50 se delineando em minhas retinas. Passar dos 40, para mim - ao contrário dos traumas simbólicos estigmatizados pela nossa cultura -, não foi nada além do que uma simples transposição do ponteiro de segundos de 23:59:59 para 0:00:01, no relógio de parede do meu quarto. A lenda de que "a vida começa aos 40" é uma falácia. A vida começa mesmo, creio, quando nascemos - e é quando começa a contagem regressiva para a morte, com interstícios de 70, 80, 90 anos, se a sorte andar ao lado.

Mas a morte não existe para nós; ela existe apenas para os outros. Como dizia Saramago, "se estou vivo, sou; se morto, não sou mais". Pode parecer excesso de otimismo, mas no que menos penso é na morte - hoje. Isso tem a ver com Proust, Joyce, colesterol, rugas e manchas. Explico.

Sobre colesterol e manchas
O colesterol mudou minha vida. "Colesterol" é modo de falar. As minhas taxas de colesterol, aos 35 anos, estavam uma bagunça. Eu estava fazendo tudo errado, na alimentação e no sedentarismo. Quando o médico me falou dos exames, tive a primeira sensação de que eu começava o processo de morrer. E eu não tinha lido Proust (Em busca do tempo perdido) ou Joyce (Ulisses) ainda.

"Essas manchas na sua mão são da idade; não saem mais. Quanto às rugas, o que temos a fazer é tentar amenizá-las", disse-me a dermatologista de 20 anos, sem que eu lhe perguntasse absolutamente nada. O engraçado de passar dos 40 anos é perceber a visão que os mais novos têm da gente. É comum ouvirmos algo como "ele 'já' tem 40 anos", como se a distância entre o referente e o referido fosse abissal. Lembrei de uma frase interessante (acho que do Veríssimo), que diz que a gente percebe que está ficando velho quando começa a ganhar meias de aniversário. Ainda não cheguei a este ponto, mas é interessante ver as pessoas me chamarem de "moço", palavra que curiosamente ganhou um sentido inverso da sua semântica.

Tentando prolongar um pouco a minha passagem pela Terra, comecei a comer salada e a andar cerca quatro quilômetros por dia, na esperança de encarar os sete volumes de Proust e, "por fim", me debruçar no tijolo indigesto (para muitos) do Joyce. Fiz, então, um projeto: viver até os 70 anos - se o destino não avacalhar com a brincadeira (o que vier além disto, estarei lucrando). Fui, portanto, caminhando, caminhando... cada vez mais rápido. De tanto caminhar, passei a correr. E não mais quatro quilômetros. Viciei. Passei pra cinco, seis, até chegar a sete quilômetros. Passei dos 38, colesterol ok, salada, bicicleta, corrida. Passei dos 40, sete quilômetros, corridas, saladas. Tudo se intensificou no mesmo ritmo: leituras, filmes, museus etc. Tudo ganhou ritmo de corrida: questões existenciais, reflexões sobre relacionamentos, filhos, longevidade. Menos Proust e Joyce, que me aguardam na estante.

O indivíduo no mosaico
Não existe vida estável. De repente, um homem se vê sozinho depois dos 40. Ela, para um lado; ele, para outro. Sem filhos - de certa forma até melhor. Não mais filhos agora, já passou da idade, pensa. Na verdade nunca soube ao certo se os queria. Pensa, lê, pensa, ouve. O amor acaba - em alguns casos; noutros é eterno. Pensa. Ouve. [Você não vai se casar novamente?] O que queremos nós, contemporâneos: estarmos juntos querendo ficar sós; ou estarmos sós querendo ficar juntos? Pensa, lê, dorme. Trabalho, chateação, supermercado, corrida, museus, saladas. Colesterol ok. Pensa. Vê. Andar a pé, não de carro. [Você não vai ter filhos? Vai se arrepender quando ficar mais velho...] Vai de metrô. Ouve. Traçar mapas imaginários, desenhá-los e percorrer ruas. Beber água.

A vida é um mosaico. Salada com bastantes folhas verdes. Fibras facilitam a digestão e eliminam impurezas. Lê. Pensa. Cenoura é bom para a pele, retarda as manchas e as rugas ampliadas na lupa da dermatologista de 20 anos. Tomar água. [Como é que você consegue viver sozinho?...] Colesterol ok. Sete quilômetros de madrugada. A vida contemporânea é solitária; diferente de solidão - diz um psicólogo famoso no jornal. Vida pocket, agilidade, mobilidade. A arte (estética) é a mais alta forma de sublimação humana. Vida "vivida" é um somatório de sensações. Sensações são como carimbos. "Carimbar" a vida de experiências. Todo janeiro: ler Proust e Joyce, anota na agenda.

Vida portátil. Mosaico. "Carimbar a vida": Kafka, Borges, Bach; um jantar com duas amigas, bate-papo no skype com um amigo distante. Miles Davis, Tarantino. Beber água irriga as células, aumentando a longevidade - para se chegar aos 70 anos. [Você não vai voltar para a sua ex? Tem se encontrado com ela?] Pesquisa aponta que os relacionamentos em que as pessoas vivem em casas separadas têm mais chance de serem bem-sucedidos. Pensa, lê. Cada um faz seu supermercado. [O que você acha da solidão?] Cada um tem seu carro. Ele corre; ela dorme. Os dois comem salada em suas casas. Eles se encontram no cinema. Dormem juntos. Mosaico. Lê. Ela viaja a negócios. Trânsito caótico. Separação, "solidão contemporânea". Lê no jornal que cresce o número de relacionamentos abertos, onde é comum a troca de parceiros dentro de um grupo fechado. Colesterol ok. [Você tem filhos?] Proust e Joyce na estante.

Solidão lúdica
Existe um consenso de que, após os 40 anos, a gente fica mais seletivo. Concordo com a tese, mas a encaro de outro ângulo. Sinto que passei a ter uma relação diferente com o tempo, uma necessidade de otimizá-lo em meio a esse mosaico que se nos apresenta. Para tanto, fiz da minha vida a mais minimalista possível: descartei e doei os excessos. Vida portátil, na sua essência.

Para dar conta dos meus "carimbos", tomei algumas medidas. A primeira decisão foi não acompanhar mais política. Passo batido nos jornais, sites e no noticiário na TV. É pura perda de tempo: os personagens são os mesmos, as práticas seculares não mudam. Abandonar essa corja me proporcionou um ganho de pelo menos uma hora por dia para, por exemplo, ler um clássico da literatura. Não me interesso mais. Voto nulo. Aliás, voto no voto facultativo.

A minha segunda decisão foi abandonar as redes sociais. Estava perdendo uma, duas horas por dia lendo muitas coisas que não me acrescentavam muito. A opção de ficar desconectado me isolou um pouco. Mas acho difícil ler Proust se estou perdendo duas horas lendo fragmentos nas redes sociais.

Woody Allen, numa das últimas cenas do filme Manhattan, aponta algumas coisas pelas quais vale a pena viver. Ele cita Groucho Marx, Luis Armstrong, Flaubert, Marlon Brando, Cézanne. É meio por aí. O tempo escoa pelos dedos como no relógio de Dalí. A vida após os 40, 50, 60 anos é exatamente o que se faz dela - e não o que ela nos apresenta. O mesmo Woody Allen, aos 79 anos, diz que trabalha (arduamente) para enganar a morte. Proust e Joyce ainda estão lá, dormindo na minha estante. Mas são projetos. Tratar a vida com uma pitada lúdica me fez acompanhar a transposição do ponteiro do relógio para os meus 40 anos de forma asséptica. Uma coisa eu posso afirmar: desconheço o tédio. Colesterol ok.


Wellington Machado
Belo Horizonte, 9/4/2014


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Gerald Thomas: cidadão do mundo (parte II) de Jardel Dias Cavalcanti
02. A Casa de Ramos de Elisa Andrade Buzzo
03. Elesbão: escravo, enforcado, esquartejado de Jardel Dias Cavalcanti
04. Sombras Persas (I) de Arcano9
05. Ausência de espírito: presença de corpo de Julio Daio Borges


Mais Wellington Machado
Mais Acessadas de Wellington Machado em 2014
01. Marcador de página inteligente - 3/9/2014
02. Gullar X Nunos Ramos: o dilema da arte - 6/8/2014
03. Proust, rugas e colesterol - 9/4/2014
04. Ninfomaníaca: um ensaio sob forma de cinema - 12/2/2014
05. O luto e o luto de Valter Hugo Mãe - 2/7/2014


Mais Especial Idade
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PRÉCIS DE PATHOLOGIE MÉDICALE TOME 2
F. BEZANÇON MARCEL LABBÉ LÉON BERNARD
MASSON
(1923)
R$ 105,05



O SENHOR DE SÁNDARA
CARLOS BERNARDO GONZÁLEZ PECOTCH
LOGOSÓFICA
(2009)
R$ 5,00



O ANO 2000
HERMAN KAHN E ANTHONY J WIENER
MELHORAMENTOS
(2000)
R$ 31,92



O DILEMA POPULACIONAL NA AMÉRICA LATINA
EDITORES R. DELGADO GARCIA/J. MAYONE STYCOS/JORGE
EDIÇÕES O CRUZEIRO
(1968)
R$ 11,00



TUTELA CAUTELAR E TUTELA ANTECIPADA:TUTELAS SUMÁRIAS DE URGÊNCIA 8599
JOSE ROBERTO DOS SANTOS BEDAQUE
MALHEIROS
(2003)
R$ 60,00



A NOVA MULHER
MARINA COLASANTI
NORDICA
(1980)
R$ 6,90



LIVRO O VERMELHO E O NEGRO
STENDHAL
PUBLIFOLHA
(1998)
R$ 9,00



ROTEIRO TURÍSTICO DE MINAS GERAIS AUTOGRAFADO
LOURIVAL BRASIL FILHO
EDIÇÃO DO AUTOR
(1973)
R$ 21,01



NOSSO CÃES
ALBERTO APFEL
MELHORAMENTOS
R$ 25,90



PAIXÃO ÍNDIA
JAVIER MORO
PLANETA
(2010)
R$ 11,00





busca | avançada
61941 visitas/dia
1,8 milhão/mês