O medo como tática em disputa eleitoral | Humberto Pereira da Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
58188 visitas/dia
2,0 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Unil oferece abordagem diferenciada da gramática a preparadores e revisores de texto
>>> Conversas no MAB com Sergio Vidal e Ana Paula Lopes
>>> Escola francesa de Design, Artes e Comunicação Visual inaugura campus em São Paulo
>>> TEATRO & PODCAST_'Acervo e Memória', do Célia Helena, relembra entrevista com Nydia Licia_
>>> Projeto Cultural Samba do Caxinha cria arrecadação virtual para gravação de seu primeiro EP
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Aos nossos olhos (e aos de Ernesto)
>>> Carol Sanches, poesia na ratoeira do mundo
>>> O fim dos livros físicos?
>>> A sujeira embaixo do tapete
>>> Moro no Morumbi, mas voto em Moema
>>> É breve a rosa alvorada
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
Colunistas
Últimos Posts
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
Últimos Posts
>>> O poder da história
>>> Caraminholas
>>> ETC. E TAL
>>> Acalanto para a alma
>>> Desde que o mundo é mundo
>>> O velho suborno
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> Delicado, vulnerável, sensível
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> Aquele apoio
>>> A forca de cascavel — Angústia (Fuvest)
>>> Pouca gente sabe
>>> O chilique do cabeleireiro diante da modelo
>>> Paradiso por Metheny
>>> A nova propaganda anda ruim
Mais Recentes
>>> Anatomia Humana -tomo 3 [ idioma espanhol]Angiologia -Neurologia - Estesiologia de M.Prive N. Lisenkov V.Bushkovich pela Mir Moscou (1986)
>>> Servidão Humana de W. Somerset Maugham pela Círculo do Livro (1986)
>>> 4. A Ditadura Encurralada: O Sacerdote e o Feiticeiro de Elio Gaspari pela Intrínseca (2014)
>>> 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer de Steven Jay Schneider pela Sextante (2010)
>>> Bush na Babilônia: A Recolonização do Iraque de Tariq Ali pela Record (2003)
>>> Espionologia: O Livro Completo da Espionagem de Ian Andrew; Anne Yvonne Gilbert; Outros pela Brinque Book (2010)
>>> Barão de Mauá: O Empreendedor de Gilberto Maringoni pela Aori (2007)
>>> El Mejor Medicamento Eres Tú: La Salud Está En Tus Manos de Frédéric Saldmann pela Aguilar (2014)
>>> O presidente Campos Salles na Europa de Tobias Monteiro pela F. Briguiet & Cia. (1928)
>>> As ideias de Alberto Torres de Alcides Gentil pela Companhia Ed. Nacional (1932)
>>> Recueil de discours prononcés au Parlement d'Angleterre de William Pitt & Charles James Fox pela Chez Le Normant (1819)
>>> Antidepresivos Naturales: Una Solución Alternativa al Gran Problema de Este Tiempo de Lucía Oliveira pela Ediciones Lea (2008)
>>> A Verdadeira Dieta Anticâncer de David Khayat pela Lua de Papel (2012)
>>> En Un Abrir y Cerrar de Boca: Historias de Problemas Gordos de Máximo Ravenna pela Ediciones B (2010)
>>> Grandes Católicos de Rev. Pe. Claude Williamson pela Globo (1943)
>>> Curso Básico de Teologia de Antônio Mesquita Galvão pela Pão e Vinho (2003)
>>> Guia politicamente incorreto da História do Mundo de Leandro Narloch pela Leya (2013)
>>> Síndrome do Estrangeiro de Málu Balona pela Editares (2006)
>>> Geographia Sentimental de Plínio Salgado pela José Olympio (1937)
>>> Chama Crística de Norberto Peixoto pela Do Conhecimento (2001)
>>> Obra Escolhida de Descartes pela Difusão Europeia do Livro (1962)
>>> O Lado Difícil Das Situações Difíceis de Ben Horowitz pela WMF Martins Fontes (2020)
>>> Medida provisória 1 6 1 de Ademir Antonio Bacca pela Toazza (1990)
>>> Autenticidade Consciencial de Tony Musskopf pela Editares (2012)
>>> Perdão: Opção Cosmoética de Seguir em Frente de Vera Tanuri pela Editares (2016)
>>> Criação de Delores Pires pela Do autor (1989)
>>> O castelo nos Pirineus de Jostein Gaarder pela Companhia das Letras (2010)
>>> Um Caso Muito Sujo de Shirley Souza pela Paulus (2011)
>>> Astronauta de Brinquedo de Marcelo Miguel pela Paulista (1995)
>>> A Vida Cética de Pirro de Gabriela G. Gazzinelli pela Loyola (2009)
>>> Karl Marx - Biografia de P. N. Fedosseiev (e outros) pela Avante (Lisboa) e Progresso (Moscou) (1983)
>>> Meus devaneios poéticos de Darcy Arruda Miranda pela Do Autor (1984)
>>> Poeta, mostra a tua cara de Berecil Garay pela Toazza (1992)
>>> Nós Nus de Ione França pela Do autor (1989)
>>> Evolução de Alejandro Roldán pela Editorial Atlântida S. A. (1958)
>>> O bom filho a casa torra de Leila Miccolis pela Edicon (1992)
>>> Grandes Frases (Pocket) de Zibia Gasparetto pela Evd/ Vida e Consciência (2017)
>>> Sexo das Flores de Pedro Jofre Marodin pela Ermitagem (1989)
>>> O Brazil em face do Prata de Gustavo Barroso pela Imprensa Nacional (1930)
>>> Coreto de papel de Noel Nascimento pela Vicentina (2003)
>>> Projeto de Ensino de Geografia: Geografia Geral de Demétrio Magnoli; Regina Araujo pela Moderna (2004)
>>> A Serpente de Nelson Rodrigues pela Nova Fronteira (1980)
>>> Reencontro com Voce - Psicologia Aplicada de Julia Blanque pela Romero Santiago (2010)
>>> Ontem Agora = Poemas inéditos de Helena Kolody pela Regina Benitez (1991)
>>> Contabilidade Aplicada ao Setor Público de Francisco Glauber Lima Mota pela Brasília (2009)
>>> Mentes Perigosas o psicopata mora ao lado - Psicologia de Ana beatriz Barbosa Silva pela Fontanar (2008)
>>> Código Penal Comentado de Guilherme de Souza Nucci pela Revista dos Tribunais (2008)
>>> Asas de Jaime Vieira pela Edicon (1989)
>>> "Pássaro sem Asas" de Maria do Karmo Santos pela Tudo Novo
>>> Privatize Já: Pare de Acreditar em Intrigas Eleitorais e Entenda Como a Privatização Fará do Brasil um País Melhor de Rodrigo Constantino pela Leya (2012)
COLUNAS

Quarta-feira, 8/10/2014
O medo como tática em disputa eleitoral
Humberto Pereira da Silva

+ de 12200 Acessos

1
Em 1651 o filósofo inglês Thomas Hobbes publicou o Leviatã. O livro, que se tornou referência obrigatória no contexto de legitimação do Estado Absolutista na Europa, gerou e gera infindas discussões. Seu autor defende a ideia de um estado forte, com o poder centralizado na figura do monarca.

Mas o Estado forte defendido por Hobbes resultaria da concordância dos súditos. Expostos a toda sorte de violência, numa eterna luta de todos contra todos, eles se submeteriam por meio de um contrato a um único homem, que garantiria a segurança de todos.

A ideia básica que permeia o pensamento de Hobbes é o medo. Este seria resultado da situação em que cada homem é um lobo para o outro. Isso, por sua vez, colocaria todos diante de situação de violência sem fim: uma guerra de todos contra todos.

Em certo aspecto é descabido pensar a política hoje, especificamente no Brasil, a partir do estigma do medo, concentrando o poder de decisão numa pessoa, que teria o dever de garantir a segurança coletiva. Claro, em certo aspecto, pois a atemorização não deixa de ser um elemento pregnante em nossa política, mesmo que o contexto no qual vivemos seja tão distinto do que Hobbes viveu.

Ora, se Hobbes hoje não seria exatamente um nome a ser evocado quando tratamos de política, não convém tampouco que um dos temas capitais de seu pensamento, o medo, seja subestimado. Tanto a fim de que ponderemos sobre o que está em jogo numa disputa eleitoral, como, com a eleição presidencial deste ano, para realçarmos que um grande pensador nunca perde a atualidade. Daí, em grande parte, a força de seu pensamento.

2
Uma das discussões mais frequentes da disputa eleitoral deste ano é a de que o partido que está no poder nos últimos doze anos, o PT, faz uso de procedimentos de atemorização para mantê-lo. Para a oposição, a candidata à reeleição pelo partido, Dilma Rousseff, faz propaganda pautada pelo medo, ao acusar seus concorrentes de colocar em risco conquistas sociais de seu governo, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida etc.

Os beneficiários destes programas, intimidados, votariam com a pressão de eventual perda. A ameaça de perda de benefícios, de que uma vitória da oposição traria insegurança, tem sido uma constante em praticamente todos os debates eleitorais.

No contexto de disputa eleitoral, o PT e Dilma Rousseff são acusados de fazer uma campanha suja, renhida, sórdida, que ao fim e ao cabo, usaria dos meios mais espúrios para vencer a eleição. Em tom de exagero, há quem afirme ser esta a eleição de nível mais baixo que já houve no país.

Bem entendido, a temperatura de uma eleição desperta paixões. Muita coisa é dita sem o devido cuidado, sem as devidas considerações que permitem entender o porquê de uma disputa que joga com interesses e matizes ideológicos conflitantes.

A esse respeito, não se pode esquecer uma dado importante, quando se fala do agitado clima político atual: as manifestações de junho do ano passado anteciparam o clima de animosidade que contamina o sentimento de necessidade de mudança pelas urnas.

3
As manifestações do ano passado, que expressaram a insatisfação com a forma de condução da política, dão a senha para se considerar as razões de uma disputa pautada pelo medo. Mas, convenhamos, nisso nada de novo em nossa política. O medo incutido pelo PT, hoje, não difere do de 1989, na eleição vencida por Fernando Collor. Assim como não difere do das eleições presidenciais que ocorreram entre 1945 e 1960.

Sem estas lembranças históricas, as discussões se confinam ao mero clima de exaltação de paixões. Agora, a questão é: o medo, a intimidação de eleitores, é um elemento a ser simplesmente ignorado numa disputa eleitoral no Brasil?

Sim, ele não é um ingrediente necessário. Ou não deveria sê-lo, se pensarmos numa sociedade coesa, sem as disparidades sociais da brasileira, num momento em que mudar, para muitos, é uma situação de risco.

O tema do medo traz à baila a relação delicada entre ética e política. Não conviria, convenhamos, como tática a ser empregada numa eleição, digamos, limpa. Acontece que a política, o poder, não é exatamente um exercício entre crianças bem educadas. Basta olharmos nossa própria história. Com exceção em certa medida ao período que teve início com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que se deu num clima de razoável normalidade, as eleições no Brasil foram invariavelmente tensas, violentas, por baixo do verniz de nossa cordialidade.

Isso em grande parte porque os contrastes sociais no Brasil são maiores do que conviria a um papel do bom mocismo. Para o bem ou para o mal, o que acontece nesta eleição reflete como quem está no poder, com um projeto político definido programaticamente por trás, faz de tudo para mantê-lo.

Em 2002 o PT alçou ao poder com seu projeto de país bem definido na "Carta ao povo brasileiro". E nesta eleição, que coloca em risco esse projeto, não mede esforços e joga com o medo. Mas, alguém imagina que seria diferente se não fosse o PT? Assim, a era Vargas durou quinze anos e a dos militares vinte e um. O medo, então, é tão somente um ingrediente num jogo em que desconsiderá-lo tem seu preço.

Ao adotar a tática do medo, Dilma Rousseff tem consciência de que se assim não o fizer não sairá vencedora da eleição. Sim, Lula venceu José Serra em 2002 com o slogan "Lulinha paz e amor". Sim, uma das maiores fraquezas políticas de FHC foi não ter controle do PSDB e assim emplacado um sucessor com seu aval.

Ainda, Serra é o mesmo que dias atrás disse que o "PSDB não quer colocar fogo no Brasil...". Mas em evidente contraste com essa postura de Serra, Dilma, que na abertura da Copa do Mundo foi hostilizada por segmentos da elite paulistana fiéis ao PSDB, respondeu: "eu perdoo, mas não esqueço...".

Disputa eleitoral é uma arena. Se se quiser de outro modo: nas palavras de Carl von Clausewitz, "a guerra é uma extensão da política por outros meios..."

4
Só um esclarecimento talvez oportuno: tática é qualquer elemento componente de uma estratégia; assim, enquanto estratégia busca uma visão "macro", de conjunto, portanto, tática ocupa-se de visão "micro", e assim sendo particular em relação ao todo. O medo, nesse sentido, é tão somente uma tática de campanha eleitoral.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 8/10/2014


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os Templários de Gian Danton


Mais Humberto Pereira da Silva
Mais Acessadas de Humberto Pereira da Silva em 2014
01. Tectônicas por Georgia Kyriakakis - 13/8/2014
02. O medo como tática em disputa eleitoral - 8/10/2014
03. Gustavo Rezende: uno... duplo... - 22/1/2014
04. Monticelli e a pintura Provençal no Oitocentos - 5/2/2014
05. O momento do cinema latino-americano - 11/6/2014


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CADERNO DE ATIVIDADES GEOGRAFIA 7 ANO BNCC
MARCELO MORAES
FTD
(2019)
R$ 54,90



PORTUGAL E O NEOCOLONIALISMO, CADERNOS LIVRES Nº 5
EDUARDO DE SOUSA FERREIRA
SÁ DA COSTA
(1975)
R$ 8,93



OS ECONOMISTAS - MYRDAL - ASPECTOS POLÍTICOS DA TEORIA ECONOMICA
GUNNAR MYRDAL
NOVA CULTURAL
(1988)
R$ 15,00



MANUAL DE NORMAS E CONDUTAS
ICAVC
ROCA
(2002)
R$ 12,00



TUNICO VIEIRA - TRILHANDO CAMINHOS
ERICA GARRIDO
AAM
(2008)
R$ 5,00



1984: O SUPREMO, CONTRA AS DIRETAS, EMENDA A CONSTITUIÇÃO
JOSÉ PAULO CAVALCANTI
AUTOR
(1988)
R$ 25,82



CARTAS A UM JOVEM TERAPEUTA
CONTARDO CALLIGARIS
CAMPUS
(2008)
R$ 35,00



A BÍBLIA SEGUNDO O GATO
PHILIPPE GELUCK; FERNANDO SCHEIBE
NEMO
(2014)
R$ 43,00



FILHOS DA MAE GENTIL
GARCIA JOSÉ RIBAMAR
LITTERIS
(2011)
R$ 6,90



GERAÇÃO SAUDE RESPOSTA PARA AS DUVIDAS MAIS FREGUENTES SOBRE SAUDE
ANA CRISTINA
GERAÇÃO SAUDE
(1998)
R$ 5,00





busca | avançada
58188 visitas/dia
2,0 milhões/mês