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Segunda-feira, 10/11/2014
O começo do fim da hegemonia 'de esquerda'
Julio Daio Borges

+ de 3200 Acessos

Desde o século XX que a Europa tem uma referência para o mal, é o nazismo. E o fascismo. Por causa das guerras. Por causa da destruição. Por causa do genocídio.

Talvez por serem ditaduras de esquerda, Stálin, na "Eurásia", e Mao, na Ásia, perdem para Hitler e Mussolini na comparação. Embora tenham matado mais gente. E governado por mais tempo, causando diferentes estragos.

No Brasil da metade do século XX pra cá, a ditadura militar é o mal. E a direita. Por isso qualquer pessoa que se identifique, minimamente, com a direita é logo chamada de "fascista".

Nesse contexto, desde 1964, ser "de esquerda" ficou, automaticamente, associado a ser "do bem". A querer o bem do Brasil. O bem do povo, o bem de todos...

A direita ficou identificada com a ditadura, com a censura, com a perseguição, com a tortura. Já a esquerda ficou associada à democracia, à liberdade, tanto de imprensa quanto de expressão, à "intelligentsia" e ao "progressismo".

Como partido do governo militar, a Arena ficou consequentemente associada à direita, e o partido de *oposição* ao governo militar ficou associado à esquerda - era o MDB, ou Movimento *Democrático* Brasileiro.

Tancredo, Montoro, Quércia, FHC, Covas, Lula e Pedro Simon foram alguns dos principais líderes do movimento Diretas Já - que, justamente, reivindicava eleições diretas para presidente, no Brasil, quando o regime militar estava nos seus estertores. PMDB, PSDB e PT são imediatamente associados a eles. Todos partidos, originalmente, de esquerda.

Na eleição indireta para presidente, de 1985, o candidato do governo militar era Paulo Maluf, para sempre associado à direita, e o candidato do PMDB, apoiado pela Frente Liberal (futuro PFL, hoje DEM), era Tancredo Neves, apoiado por Ulysses Guimarães, ambos considerados heróis da "redemocratização".

O último candidato assumidamente de direita que tivemos foi Fernando Collor de Mello (1989). Eternamente associado ao impeachment. Itamar Franco, seu sucessor, não teve outra opção a não ser convocar a esquerda para governar. O PT não aceitou, mas Fernando Henrique aceitou: foi ministro da Fazenda e se consagrou com o Plano Real (1994).

De lá pra cá, todos os presidentes foram, oficialmente, de esquerda, alguns mais, outros menos. FHC em 1994 e 1998, Lula em 2002 e 2006 e Dilma em 2010 e, agora, em 2014.

Como a esquerda não é santa, mas, sim, humana, começaram a surgir contradições. Uma delas é que o partido que se colocava como bastião da "ética" na política, o PT, protagonizou o maior escândalo de corrupção desde Collor e PC, o mensalão (2005).

Como conciliar uma esquerda que sempre foi santificada, pelos intelectuais e pelos artistas, com os ataques que o PT fez à democracia, "comprando" apoio político no Congresso Nacional, e com o julgamento, a condenação e a prisão dos outrora "heróis da resistência" à ditadura, José Dirceu (ex-ministro-chefe da Casa Civil) e José Genoíno (ex-presidente do partido)?

Fernando Henrique Cardoso, como se sabe, segurou o PSDB para que não se instalasse um processo de impeachment, contra Lula, em 2005. FHC achava que se instalaria uma crise institucional no Brasil (mais um presidente "impedido", em pouco mais de uma década). E Fernando Henrique ainda acreditava romanticamente na esquerda brasileira. E no PT.

Aconteceu que o Partido dos Trabalhadores, supostamente, replicou o mesmo esquema do mensalão, transladando-o para a Petrobras a partir de 2006, daí o "petrolão". Além do desvio de recursos para o caixa do partido (os tais 3%), o objetivo continuava sendo o mesmo do mensalão: comprar apoio político no Congresso Nacional, para viabilizar os projetos de interesse do PT.

Entre esses "projetos", claro, a "hegemonia" - explicitamente revelada no documento intitulado "Resolução Política", que o PT soltou oficialmente agora, após a reeleição de Dilma. Não uma simples hegemonia de esquerda, mas uma hegemonia do Partido dos Trabalhadores.

E uma hegemonia que não é apenas política. Para enfraquecer de vez o Congresso, o PT quer aprovar os "conselhos populares", que seriam, na prática, dominados por "coletivos" e "movimentos sociais". Para silenciar os críticos, o PT quer calar a imprensa, através da "democratização da mídia", atacando nominalmente os "oligopólios", mas, no fim, interferindo em "conteúdos". E para derrotar de vez os opositores, a revisitada "luta de classes", a nova "divisão do País", o "ódio", a "intolerância" e a "nostalgia"... de quê, mesmo?

Afinal, o que é essa "hegemonia" senão uma ditadura? Se o PT quer ser o partido hegemônico, quer ser, então, o partido único? Se o PT quer controlar o Congresso, o Supremo, a Polícia Federal e o Banco Central, fora o IBGE e o Ipea, quer controlar as leis, a Justiça, a polícia, a economia e os dados oficiais? Se o PT quer "regular" a mídia - se a presidente, inclusive, disse que a imprensa só deve "informar" -, e se o PT quer avançar sobre as "redes sociais", como na Venezuela, então, o que é isso? A que se parece essa "hegemonia"?

O Brasil começou a descobrir que de santa essa esquerda não tem nada...

Existe um projeto ditatorial claro, no horizonte. Totalitário, para usar o termo técnico. Só que, desta vez, é de esquerda. Uma ditadura de esquerda, para falar com todas as letras.

E agora? Esquerda não era sinônimo de democracia, de liberdade, de "tolerância"? Que esquerda é essa que fala em "hegemonia", "controle", em, literalmente, "nós contra eles" (como no discurso do ex-presidente Lula, durante a campanha de Dilma, atacando William Bonner e Miriam Leitão)?

Será que não precisamos rever os nossos conceitos de "esquerda" e "direita"? Será que a esquerda é sempre "o bem", e quem se opõe à esquerda - no caso, a este governo - é sempre "o mal"?

Ficamos presos na armadilha de, ao criticar o governo, sermos automaticamente identificados como "fascistas", a favor da "intervenção militar" e/ou "nostálgicos da ditadura"?

Uma ditadura de esquerda bate à porta e temos de aceitar calados para não sermos demonizados como "de direita"?

Será que não chegou a hora de concluir que pode existir um outro tipo de direita que não seja a *extrema* direita?


Julio Daio Borges
São Paulo, 10/11/2014


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