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Segunda-feira, 1/2/2016
Lira da resistência ao futebol gourmet
Luís Fernando Amâncio

+ de 3400 Acessos

Apesar de certo constrangimento, provocado pelas investigações do FBI que vão revirando todo um lamaçal de corrupção na FIFA, no último dia 11 de janeiro aconteceu a Bola de Ouro. O evento, promovido pela entidade máxima do futebol, premia os melhores profissionais do ano. Na celebração, em meio ao glamour das grandes marcas do futebol – sim, a palavra é esta, marca – dois nomes brasileiros entraram de gaiatos: Wendell Lira e o Goianésia Esporte Clube. E levaram dignidade ao evento.

Porque o futebol moderno, a cada dia que passa, vai virando uma cópia esforçada dos jogos de videogames. Deveria ser o contrário. O esporte está se pasteurizando sob nossos narizes e nós assistimos a tudo tomando a cerveja sem álcool que nos vendem nos campos. Os fãs atuais estão preocupados em saber se seu time tem mais sócios do que os rivais, se está internacionalizando sua marca, se vendeu o naming rights do estádio... Opa, estádio não, agora é Arena (leia-se “arina”, por favor). Nos colégios, adolescentes ostentam camisas do Paris Saint-Germain, do Manchester City ou de seja qual for o clube food truck do momento. Na geografia do futebolês, a juventude encontra mais fácil no globo o Stamford Brigde do que o Mundão do Arruda.

O futebol vai se gourmetizando e a festa da Bola de Ouro é um ícone desse processo. Por isso, o gol de Wendell Lira (e, justiça seja feita, também de Nonato e Da Matta, coautores da bela jogada) receber o Prêmio Puskás como o mais bonito de 2015 é um alento. Ele nos faz celebrar o esporte praticado fora dos grandes centros. Pois, raro leitor e rara leitora, o futebol ainda pulsa nas periferias, onde os astros não tem telão para ajeitarem o penteado durante as partidas, nos campos onde o torcedor vê jogo de pé, colado na grade. O esporte bretão não está playstationificado nas pelejas onde se luta pela bola com a gana de quem disputa um prato de comida – pois, de certa forma, é o que está em jogo.

A realidade da grande maioria dos futebolistas pelo mundo afora é semelhante à saga de Wendell até fazer seu fatídico gol: perambular por equipes modestas com contratos curtos, conviver com lesões insistentes e estar, a todo momento, repensando se vale a pena insistir na carreira. A realidade, amigas e amigos, não é de triunfos na Champions League, mas de batalhas inglórias contra rebaixamentos, em equipes sem petrodólares de xeiques ou magnatas russos bancando salários estelares.

Nada contra admirar a habilidade de atletas predestinados como Messi e Neymar, ou gostar de ver confrontos entre as grandes agremiações do futebol europeu. Mas não dá para tomá-los como parâmetro e desvalorizar o que não se enquadra nesse padrão. É muito fácil acostumar nossos olhos ao esteticamente bonito – que, convenhamos, também não passa de uma convenção. É preciso ver para além do Photoshop. Pois é ali que o futebol resiste. Sem trajes de gala. Sem naming rights. Sem negócios milionários da China. Mas, como diria Nelson Rodrigues, “com o coração na ponta da chuteira”. E do que mais o espetáculo precisa?


Luís Fernando Amâncio
Belo Horizonte, 1/2/2016


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