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Quinta-feira, 20/7/2017
Literatura, quatro de julho e pertencimento
Guilherme Carvalhal

+ de 1600 Acessos

Uma lista divulgada pelo site Nexo com base de dados do PublishNews, indica os livros mais vendidos do Brasil nos últimos anos. O campeão de vendas, Edir Macedo, seguido por Marcelo Rossi e um livro de colorir. Nenhum livro de poesia na lista. Quanto a ficção, nenhuma obra escrita por brasileiros, apenas ficção de língua inglesa (apesar de O Pequeno Príncipe costumar figurar nessas listas). Li essa lista em um 4 de julho, e coincidiu de ver comentários de brasileiros enaltecendo o Dia da Independência dos Estados Unidos pelo Twitter, desde uns dando parabéns pela data até outros afirmando que gostariam de comemorá-la presencialmente nesse país.

Não há como desassociar um fato do outro. Literatura é um forte formador de senso de pertencimento. Ela define padrões de linguagem, e linguagem foi um dos principais delimitadores do senso de pertencimento que originou os estados atuais. Ela remete a uma série de valores próprios de cada sociedade, algo que apenas um país ou uma determinada sociedade possui. Balzac mostrou em seus livros o que era a França burguesa, Kawabata nos mostra uma série de hábitos japoneses, Os Lusíadas remete ao pioneirismo naval português. O livro cria senso de nacionalidade e fortalece a cultura da nação.

A ausência de contato de grande parte do público brasileiro com a literatura nacional mostra o quanto processar a realidade de nosso país — e falamos de um dos maiores países em dimensões territoriais e com a quinta maior população do planeta — é algo que não passa pelos textos de alta qualidade. Essa interpretação se dá por meios diferenciados, principalmente pelo audiovisual, e nem sempre de forma eficiente. A própria TV Globo alegou que sua série Os dias eram assim teve baixa audiência por desconhecimento popular do que foi a Ditadura Militar. E olha que são eventos de memória recente e de repercussão viva.

O Brasil é formado por muitos povos diversificados, que se instalaram em ambientes também distintos. Nosso passado e presente é de multiplicidade cultural. E absorver uma parcela considerável desse universo tem por urgência a literatura. Deveríamos possuir uma capacidade de criação e de publicação de obras que abarquem essas realidades com maior abrangência, junto a um público leitor interessado. E não é isso o que ocorre.

Uma população tão ampla sem ter uma formação de consciência através da literatura será alvo fácil para a enxurrada de conteúdo que recebe dos Estados Unidos. E isso se reflete em percepções muitas vezes distorcidas, como a de enaltecer a Independência de um país estrangeiro. Não é de hoje que esse processo ocorre (em 1987 a Legião Urbana lançava a música Geração Coca-Cola, que tratava desse assunto), mas as gerações nascidas e criadas em um ambiente plenamente globalizado correm o risco de cada vez se enxergar menos enquanto brasileiro, e isso pode prejudicar ainda mais uma sociedade sempre marcada pela falta de senso de pertencimento.

Essa observação engloba ainda outros dois pontos: o quanto o contato com literatura de qualquer país que não seja de língua inglesa ainda é bastante restrito para o grosso da população e o quanto textos que causem mais exigência por parte do leitor são pouco absorvidos.

Quanto ao primeiro caso, temos o fator indústria cultural. Recebemos enxurrada de conteúdo dos Estados Unidos, e da Inglaterra por tabela. Um livro que se torna filme facilmente galga ao padrão de mais vendido — basta ver que após o Oscar os livros que foram adaptados têm alta vendagem. E, como consequência, o contato com obra que abordem realidades diferenciadas dificilmente serão lidos.

No segundo, vemos um dos resultados do déficit educacional. Arte, infelizmente, é para o alcance de poucos. A imensa maioria, em qualquer expressão, tende a optar pelo conteúdo massificado, seja em música, cinema, literatura, etc. Apreciar uma poesia com maior grau de complexidade se encontra fora da órbita de muitos, e isso é uma grave perda para todos.

Essa série de problemas se demonstra no dia a dia. Pessoas com baixo pensamento crítico, visão de mundo limitada, dificuldade para aceitar o outro e pontos de vista diferentes do seu. A alienação territorial aumenta e um brasileiro acaba mais identificado com valores, usos e costumes dos Estados Unidos do que com os do solo onde pisa. Problemas como alto grau de corrupção e a baixa capacidade de inovação tecnológica se associam à ausência da elevação da visão de mundo e do senso criativo que a literatura pode suprir.

A globalização tem colocado todos perante um processo de poucos globalizadores e muitos globalizados. O Brasil, na condição de periferia, entra na roda como um daqueles que são atropelados por conteúdo estrangeiro sem que sua representatividade possa ser compartilhada em outros países. Assim, vamos olhar para os Estados Unidos impressionados com suas festas de independência enquanto eles continuarão nos olhando como o país das bundas.


Guilherme Carvalhal
Itaperuna, 20/7/2017


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