Capitalismo sob fogo cerrado | Evandro Ferreira | Digestivo Cultural

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Terça-feira, 17/9/2002
Capitalismo sob fogo cerrado
Evandro Ferreira

+ de 2900 Acessos
+ 14 Comentário(s)

Os sebos são curiosos. Quanto melhor o livro, mais barato ele costuma ser nesses lugares. O critério de valoração do preço é, como não poderia deixar de ser, a oferta e a procura. Portanto, se o número de pessoas que procuram um determinado tipo de livro é pequeno, então o preço será baixo, independentemente da qualidade do mesmo. De fato, constantemente me consolo nesses lugares, quando vejo que as "pérolas" que encontro estão sendo vendidas por um preço quase módico. É sinal de que não estou com a maioria. Não estou procurando "O mundo de Sofia", os livros da coleção "Zero à esquerda" ou os maravilhosos intelectuais neo-esquerdistas da Companhia das Letras, como Edward Said e Susan Sontag.

Recentemente me deparei com "Economia numa única lição", de Henry Hazlitt. O preço era 4 reais. O livro da escola austríaca de economia, se aqui no Brasil pode ser encontrado empoeirado numa estante de sebo, cheirando a óleo de cozinha da lanchonete do primeiro andar de um prédio do centro da cidade, no exterior é re-editado com todas as honras, edição comemorativa de 50 anos.

O sortudo naquele sebo fui eu. E o azarado foi o Brasil, que esqueceu tudo que ali está escrito, ou melhor, nunca sequer tomou conhecimento, senão através de indivíduos isolados e sem voz, abafados pelos sons da multidão barulhenta a gritar por intervencionismo estatal. Do Barão de Mauá ao World Trade Center, a iniciativa privada sempre levou a pior. E como se isso não bastasse, ainda leva a fama de ser a culpada de tudo. Mais ainda em um país desmemoriado, que chama de neoliberalismo a economia mainstream. Pensei nisso quando encontrei por acaso, nos arquivos do Estado de S. Paulo, uma sugestiva matéria com Pedro Malan, intitulada Nunca fui um liberal ou neoliberal. Um trecho: "o ministro da Fazenda, Pedro Malan, se define como um social-democrata". Logicamente que a esquerda interpretou tudo como um joguete político. Afinal, Pedro Malan é neoliberal e ponto final. E, para entender o motivo pelo qual as esquerdas brasileiras não sabem nem o que é neoliberalismo, basta resgatar o outro comentário de Malan: "rejeita o rótulo de neoliberal e cobra da esquerda brasileira uma reciclagem que a sintonize com o século XXI e a capacite ao eventual exercício do poder no Brasil. 'Faria um bem enorme ao País a existência de uma esquerda não-anacrônica'". Um bem enorme eu não sei se faria, mas ao menos as pessoas saberiam que existem esquerdistas que querem uma espécie de URSS brasileira e esquerdistas que querem o governo mundial da ONU.

A entrevista evidencia um fato curioso. No Brasil de hoje, o debate entre a esquerda anacrônica e a nova esquerda é vendido pela mídia e pelos protagonistas como o debate entre, respectivamente, os arautos do futuro e os "neoliberais". Neoliberal aqui é FHC. E nova esquerda é Lula. E os estrangeiros devem ficar rindo de nós quando vêem nossos jornais "de direita" veicularem matérias compradas do New York Times, jornal "liberal" - em inglês - termo que significa "esquerdista" em português.

A lição a ser tirada de tudo isso é que, se no mundo inteiro o capitalismo está sob fogo cerrado, no Brasil ele mal existe e está sob ataque ainda mais forte.

Como bem observou Lew Rockwell em recente artigo, "os comerciantes, como classe social, estão sob fogo cerrado, exatamente como estiveram ao longo da história, durante períodos de queda da economia". Se isso acontece nos EUA, imagine aqui. Nas torres do World Trade Center estavam dezenas de empresas que tiveram de arcar com os prejuízos sozinhas. Os comerciantes, bem como os contribuintes, sempre têm de arcar com os prejuízos sozinhos. E o Estado nunca deixa de recolher os lucros. As pessoas que morreram no 11 de setembro eram, em sua grande maioria, comerciantes, empresários, pessoas que trabalhavam no ramo dos negócios, na iniciativa privada. E essas pessoas, como observa Lew, não tiveram suas profissões homenageadas, ao contrário dos bombeiros e policiais envolvidos na tragédia. Moral da história: o Estado sabe homenagear os seus. Aos demais, encargos de todo tipo. É verdade que todas as famílias das vítimas foram auxiliadas com pensões gordas. Mas as vítimas foram homenageadas como cidadãos norte-americanos, nunca como executivos ou empresários, profissões que hoje em dia são estigmatizadas como símbolo de ganância e poder.

Não que eu morra de amores pelos executivos. Mas, afinal, que classe não tem seus imbecis? A imbecilidade é um fenômeno humano. E somente ela mesma é capaz de fazer as pessoas acreditarem que as classes letradas também não estão dominadas por imbecis. O militante petista que olha, com ar de superioridade, para um boyzinho engravatado mal sabe o quanto se parece moralmente com ele, embora esteticamente seja tão diferente.

E o livro de Hazlitt? Onde entra?

Desmistifica assuntos tão atuais, que até assusta pensar que foi escrito há mais de 50 anos. Alguns exemplos: o mito de que obras e iniciativas públicas geram mais emprego do que a iniciativa privada geraria caso não tivesse de bancar os gastos do Estado com tais obras; a ilusão de que uma lei instituindo um salário mínimo aumenta necessariamente o bem-estar social; o fetiche do pleno emprego; a crença de que estimular o consumo faz a economia crescer; o mito de que se pode aumentar as exportações sem aumentar as importações.

Não vou analisar aqui cada um desses assuntos. O mais importante é ressaltar a lição do livro, que tem aplicações práticas que passam longe da cabeça de muita gente. A lição é a seguinte: "a arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qualquer ato ou política, mas também os mais remotos; está em descobrir as consequências dessa política não somente para um único grupo, mas para todos eles". Um belo exemplo disso é a defesa da reforma agrária nos moldes do MST, beneficiando a criação de pequenas propriedades e da agricultura de subsistência. Bom para algumas centenas de famílias que vivem no campo? Sim. E ruim para alguns milhares que vivem nas cidades. A ação do Estado na economia é algo que, no Brasil, só tem defensores e nenhum opositor. E os limites que ainda existem estão caindo rapidamente. E quando caírem definitivamente, muita gente vai ficar feliz achando que o Estado pode consertar "aqui" todas as bobagens que faz "ali". Mas a complexidade da economia, como ação humana que é, é tão grande quanto numerosas são as almas que vivem sobre a face da terra. Pois cada uma delas possui um fator de imprevisibilidade que é óbvio preço a se pagar pelo livre-arbítrio. E, conforme lembra o próprio Hazlitt, nenhum aparato burocrático é capaz de gerí-la melhor do que o livre-mercado. Ainda que este não seja perfeito, possui mecanismos muito mais eficientes do que a duvidosa capacidade dos burocratas de prever e planejar o que vai acontecer em todos os lugares e a todo momento. Mas a mentalidade anti-capitalista se funda sempre no mito da perfeição. E por isso acredita ser possível simplesmente abolir a economia. Afinal de contas, quem disse que o homem precisa de produtos e de dinheiro? Se os índios não precisam, por que nós precisaríamos? Raciocínios como esse passam pela cabeça de "economistas" brasileiros. E se baseiam na pressuposição de que temos o direito de mudar a vida de bilhões de pessoas simplesmente para salvar a de outras. E o livro de Hazlitt é sobre as falácias que foram criadas ao longo do tempo e que servem para justificar como luta pela erradicação da pobreza e do desemprego aquilo que, na verdade, é a intensificação desses dois problemas cruciais da sociedade moderna.

E cada vez mais pessoas hoje estão esquecendo o importante papel que o comércio desempenhou ao longo de milênios na história da humanidade. E cada vez mais indivíduos, iludidos pelas facilidades do mundo moderno (possibilitadas pelo próprio comércio), são incapazes de perceber o tamanho da liberdade que perderam em relação a seus ancestrais que podiam abrir um negócio onde bem entendessem e vender livremente seus produtos sem ter de pagar nada a ninguém e nem dar satisfação a ninguém.

Mas, infelizmente, para a mente maliciosa, todos os argumentos que reuní aqui em favor dos empresários caem facilmente diante da simples afirmação preconceituosa de que "empresário é tudo safado", ou "empresário quer sempre mais lucro". E esse é o grande desafio da ciência econômica: estudar a ação humana de forma neutra e responsável. Ser capaz de considerar que, assim como há empresários canalhas, há trabalhadores canalhas. Ser capaz de ver que a causa da pobreza de uns não é a riqueza de outros.

Mas esta é uma lição difícil de ser aprendida hoje em dia.



Evandro Ferreira
Belo Horizonte, 17/9/2002


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/9/2002
09h46min
Coincidentemente, Evandro, acabou de chegar aqui em casa a edição comemorativa do livro de Hazlitt, que encomendei pela Amazon. Estou ansioso para começar a lê-lo. Abração,
Eduardo
[Leia outros Comentários de Eduardo]
17/9/2002
10h10min
Hahaha....neoliberais defendendo o lucro justo e trocando figurinhas...só podia ser entre esses colunistas mesmo!
[Leia outros Comentários de cassia]
17/9/2002
23h21min
Prezado Evandro: Com o "Digestivo", acende-se mais uma luz na noite escura do Brasil. Gostei dos textos e espero outros. Quanto ao excelente livro de Henry Hazlitt, "Economia numa unica licao" (espero que seja uma traducao corrigida, pois a antiga estava fora de foco e sem o estilo enxuto do autor), foi lah que comecei minha educacao em economia, no ingles original. Mas a obra principal de Hazlitt eh sem duvida "The Foundations of Morality". Em junho de 1986, ao visitar a Foundation for Economic Education, em Irvington-on-Hudson, Nova Iorque, tive a sorte de encontrar o autor, jah com 90 anos, na cafeteria da instituicao. Quando lhe disse quanto admirava seu "Foundations of Morality", ele me disse, surpreso, "Eh mesmo? Puxa! Voce eh uma das poucas pessoas que mostrou interesse nessa obra minha." Essa obra, que soh agora estah sendo estudada nos EUA, eh fundamental e deve ser traduzida para o portugues. Um abraco, Jose Stelle
[Leia outros Comentários de Jose Stelle]
18/9/2002
11h02min
Parabéns pelo texto. Vim pela indicação do Alceu Garcia em sua última nota e fico muito feliz por conhecer este grande site e este também grande escritor. Vou passar a visitá-los sempre.
[Leia outros Comentários de Gustavo Peres]
18/9/2002
19h00min
[Leia outros Comentários de Marcelo Arantes]
18/9/2002
21h36min
Obrigado a todos. José, valeu pela indicação. Vou procurar o livro. Sinto dizer que minha tradução é a antiga mesmo. Realmente dá pra perceber que não é grandes coisas. Mas, ao menos existe, não é? Nesse país em que só se traduzem livros "vermelhinhos", já é alguma coisa. Realmente você foi de sorte em encontrar o Hazlitt pessoalmente. Eduardo, sabia que você já é o segundo que me diz que acabou de comprar o livro? Estou até começando a ficar esperançoso! Gustavo, que bom que você não se decepcionou! Entre, sente, a casa é sua!
[Leia outros Comentários de Evandro Ferreira]
20/9/2002
11h22min
Evandro,vou discordar um pouquinho de vc principalmente sobre o cebo nas grandes cidades. Se um livro tem um custo baixo não quer dizer que esteja desvalorizado o que acontece é que os brasileiros não tem o habito da leitura por isso dependendo do livro será mais barato e economico comprar no cebo. Também entendo a sua preocupação em relação a qualidade de uma leitura. Você vai me desculpar, mas compensa e muito comprar livros no cebo ainda mais se o escritor for brasileiro! beijos para você.
[Leia outros Comentários de Simone]
21/9/2002
11h14min
Evandro, espero que o Digestivo Cultural continue tratando de questões cruciais, assim, dentro de uma linha editorial isenta, s/ contaminações ideológicas, muito comuns em n/ mídia. Seus artigos são sempre lógicos e esclarecedores, oportunos e inteligentes. Leio-os aqui, no Digestivo, e, também, no Mídia Sem Máscara, do Prof. Olavo (http://www.midiasemmascara.org/arquivo.asp), onde é, igualmente, um grande e prestigioso colunista. A nossa esperança é, honestamente, a de neutralizar a escuridão, acendendo n/ velas pequenas, dentro dela. Um grande e fraterno abraço. Conte sempre c/ a companhia deste leitor: José Pereira (SP).
[Leia outros Comentários de JOSÉ PEREIRA]
21/9/2002
11h35min
Caro Evandro, Sou engenheiro agrônomo e professor da Unesp - Medicina Veterinária (Araçatuba - SP). Não sei sua formação acadêmica e nem conheço o livro que você cita na sua crônica, no entanto acredito que você está certo em alguns pontos que aborda e equivocado em outros, da mesma forma que cita que existe pessoas imbecis e aquelas não imbecis. Não consegui entender onde quer chegar com algumas colocaçoes como a de que a reforma agrária seria boa para algumas centenas de famílias que vivem no campo e ruim para alguns milhares que vivem nas cidades. Em primeiro lugar, nos assentamentos que visitei notei que as famílias assentadas (milhares e não centenas), de maneira geral, não estavam anteriormente morando na zona rural e muitas delas nem tinham origem no campo. Acredito que a transferência de pessoas das cidades (com inúmeros problemas sociais, etc) para o campo acabam reduzindo a população urbana e seus problemas. Normalmente os produtos oriundos da agricultura familiar são alimentos básicos, e não soja, o que deveria resultar em redução maior ainda dos preços dos alimentos (já bastante reduzidos) para aqueles que permanecem na cidade (lei da oferta e procura), beneficiando a população urbana. Além disso, a atividade agropecuária apresenta baixa lucratividade e baixo retorno sobre o capital investido (os preços dos produtos agrícolas são muito reduzidos nos mercados interno e externo - commodities, enquanto os custos de produção são crescentes - determinado pelas multinacionais), o que resulta em muitas dificuldades para o setor agrícola empresarial. Assim, imagine a situação da agricultura familiar, além do fato do trabalho na área rural ser muito mais árduo e duro. Desta forma, existem assentamentos com resultados muito bons e outros com resultados ruins, como tudo na vida. Outro ponto que gostaria que me respondesse é se você conhece algum empresário que não vise obter mais lucro com seu negócio. Se isto estiver acontecendo deve ter algo errado ou o sistema econômico parece não ser mais o capitalismo. Por último, quando você diz: "Ser capaz de ver que a causa da pobreza de uns não é a riqueza de outros", eu gostaria que me apresentasse uma fórmula para todos crescerem economicamente (ou enriquecerem) sem a transferência de dinheiro, e seu acúmulo, entre os setores da economia. No meu entender, toda vez que alguém acumula capital este foi transferido de outro alguém. Ou dinheiro "da cria"? Assim, acho que realmente a riquesa de determinada pessoa pode não ser a causa direta da pobreza de outra (existem diversos fatores determinantes: capacidade, sorte, inteligência, oportunidade, etc., que variam entre as pessoas). Mas, quando consideramos a sociedade, normalmente aquelas pessoas mais ricas tem maiores facilidades (por exemplo: para ganhar dinheiro é necessário o investimento e, quem já tem o dinheiro pode investir e ganhar mais dinheiro e assim acumular cada vez mais capital)para se tornarem mais ricas ainda, de distanciando dos mais pobres e gerando a enorme desigualdade social reinante no Brasil e no mundo e responsável pelos maiores problemas mundiais (terrorismo, violência, fome, poluição, etc). Assim, para que todos vivam harmonicamente sobre a terra, acredito que a eliminação da desigualdade econômica-social reinante no mundo é a única solução. Talvez por isso o capitalismo esteja sendo notado e discutido nos dias atuais. Atenciosamente, Hamilton Caetano
[Leia outros Comentários de Hamilton Caetano]
21/9/2002
15h52min
Caro Hamilton. Sobre a reforma agrária (nos moldes do MST), eu quis dizer apenas o que o Hazlitt diz em seu livro sobre toda e qualquer política econômica: beneficia alguns e prejudica outros. E quase sempre beneficia menos gente e prejudica mais gente. Sugiro a você que estude mais economia, que é o que eu estou fazendo, para poder se libertar do que Hazlitt chama de "economia emocional", que é, por exemplo, a faculdade de olhar para as famílias de assentados e ficar com pena. E, a partir dessa pena, lutar por políticas econômicas. Sobre a agricultura familiar, ela é incapaz de abastecer as cidades (exceto pelos cinturões mais próximos dos centros urbanos), por seu baixo volume de produção e baixo custo-benefício do transporte, e causará provavelmente uma escassez de alimentos que aumentará os preços. Quanto aos empresários visarem mais lucros, minha observacão foi um pouco infeliz, porque não ficou clara. Eu quis apenas expor um preconceito da sociedade que vê o empresário como um ser humano vil e ganacioso. A condenação do lucro é um fenômeo milenar e não pode ser esquecido ou ignorado. Precisa ser exposta como preconceito que é. Não quis dizer que o empresário não busca sempre o lucro. Minha visão é a de que essa busca de lucro pode ser usada a favor do mundo ou contra ele. E está sendo usada contra, por causa da crença de que a redistribuição de renda é função do Estado. Enfim, eu não acho que para que o mundo seja um lugar melhor é preciso que todas as pessoas tenham a mesma quantidade de dinheiro ou riquezas. Eu, por exemplo, não sou rico e nem sinto necessidade disso. E não tenho inveja e despeito por uma pessoa rica. Um empresário gera empregos e eu não. Logicamente que eu não estou satisfeito com nossa situação atual. Aliás, sempre que alguém escreve sobre esses temas, fora dos clichês usuais, aparecem muitas pessoas achando que esse alguém está satisfeito. Pelo contrário, eu estou duplamente insatisfeito, mais insatisfeito que os esquerdistas defensores da reforma agrária (nos moldes deles). Eu estou insatisfeito, como todos, porque existem pessoas com fome no campo e na cidade. E também estou insatisfeito porque subsídios, programas de governo, enfim, intervencionismo e assitencialismo de todas as formas não vão resolver nada. Aliás, foram justamente esses fatores que criaram os problemas que aí estão, inclusive os monopólios das mega-empresas e as enormes possibilidades e oportunidades de um mega-empresário ser desonesto e explorador. Estou insatisfeito com o fato de que o MST pega pessoas ignorantes e sofredoras e os transforma em robôs imbecilizados, repetidores de slogans leninistas do mais baixo nível. Estou insatisfeito porque essa coisa toda não está sendo conduzida de forma séria, por governantes e economistas sensatos e inteligentes, nem de um lado nem de outro. De um lado, temos figuras anacrônicas (alguns deles se intitulam até economistas) que pensam que transformar o Brasil numa URSS agrária vai resolver o problema. De outro, temos economistas incompetentes que não sabem o que fazer. Eu não sei qual é a solução exata, Hamilton. E não tenho vergonha de dizer isso. Só sei que o que está acontecendo não pode dar certo. Senão pelas várias teorias econômicas que tenho aos poucos estudado, ao menos pela extrema semelhança que se pode ver com o que ocorreu em países comunistas ao longo desse século. Desigualdade econômica não resume os problemas do mundo, que são infinitamente mais complexos. E mesmo que resumisse, ainda resta o problema de que existem várias propstas de como eliminá-la. Digamos que eu sou a favor dos ricos e dos pobres. Dos ricos porque eles geram mais riqueza (ao menos quando o Estado deixa). E dos pobres porque seriam favorecidos por essas riquezas, caso o mercado fosse um pouco mais livre. Mas essa é uma história que não tem fim. E ainda estou no início do caminho. Ainda estou na fase de esclarecimentos básicos sobre, por exemplo, o que é neoliberalismo. E já posso te dizer que o que está acontecendo no mundo não é neoliberalismo. É o contrário, inclusive. Então, para saber onde quero chegar, é só prestar um pouco mais de atenção e ver que o texto foi apenas uma divulgação de teorias que não são estudadas no Brasil, por causa do viés esquerdista da intelectualidade latino-americana. Por isso é que elas soam estranhas. Aquilo de que a gente nunca ouviu falar sempre soa estranho.
[Leia outros Comentários de Evandro Ferreira]
24/9/2002
12h02min
Querido Evandro às vezes escrevemos aquilo que pensamos e entendemos, mas as outras pessoas que não tem a mesma facilidade para entender fica confusa. Você tem que destrinchar seu texto de uma forma mais objetiva para que todos possam entender como por exemplo uma pessoa que não é da área de economia fica realmente perdido ao ler um texto como o seu. É a penas uma opinião.
[Leia outros Comentários de Simone]
24/9/2002
12h30min
Cara Simone. Eu sei que certas pessoas "fica confusa", e que uma pessoa que não é da área de economia "fica confuso"! Bem, mas o texto que eu escrevi é "a penas" uma coluna de site. Agora, cuidado, porque à medida que você for lendo mais delas, pode acabar entendendo alguma, mesmo "não sendo da área".
[Leia outros Comentários de Evandro]
28/9/2002
23h07min
Evandro Sou uma prova viva de toda essa discussão. Fui empregado e empregador. Vivi os dois lados da mesma moeda. O fato concreto é que no Brasil se fala de capitalismo, mas esse nunca por aqui foi praticado. Quem é de esquerda, é, mas não é muito... têm desejos e práticas burguesas e quando estão no poder revelam-se mais tiranos que os antigos capatazes. Aliás, Gilberto Freyre conseguiu captar essa nossa ambiguidade(brasileira) em Casa Grande e Senzala - ou seja, fomos escravistas, mas não muito... de repente, lá estava o senhor dos escravos paternalisticamente adotando os negros... Além do problema cultural, tudo isto demonstra que a educação brasileira - aquela que formou a classe "pensante" permaneceu na ideologia da ambiguidade e não promoveu o livre pensar. Ficou no maniqueísmo do certo e do errado. E, lógico, nossos professores universitários continuam sonhando no esquerdismo e praticando ocorporativismo. Sugiro que as pessoas mudem sempre de posição, para ter uma dose de realidade. No nosso país é dificil ser empregado e quase impossível ser empresário.
[Leia outros Comentários de Graça Evangelista]
8/10/2002
09h56min
Evandro, também entrei e fiquei muito esperançoso com a aparência da sala. É muito legal ver interpretações sobre a Escola Austríaca, ainda mais por R$ 4. A questão de o Malan ser ou não ser neoliberal (eis a questão) não é muito relevante: Penso que ações respondem por si. Fico feliz pelo entusiasmo que imprime no seu texto, certamente gostou do que leu. É bom ver idéias circulando tal qual as mercadorias. E se idéias não circulam no ano 2002, não é culpa do Estado. E isso me decepcionou um pouco, pois não vi profundidade nos comentários e, sinceramente, acho que para reafirmar uma idéia não é necessário atacar o caráter do outro: como uma metralhadora de adjetivos infundados e cartuchos de afirmações levianas. Não me agradou a intervenção de Cássia (n. 02), a qual não acrescentou à discussão, mas também se mostrou depreciativa e pessoal (não sei se é algo entre vocês). Gostei do Hamilton Caetano (n. 09) que mesmo discordando em pontos, apresentou fundamento e não o atacou pessoalmente [fez uma questão legítima!]. E, a Simone (n. 11) não deve estar adorando entrar na discussão para, como você diz, "entender" alguma coisa de economia. Apenas acho que ao invés de bater no tal "Estado arcaico" que impede a circulação de mercadorias, você também poderia ajudar [como de fato fez no início] na circulação de idéias para todas as pessoas, iniciadas ou não, sem arrogância. Agora, após 1929, diversas sociedades desenvolveram maneiras de enfrentar a crise, e nestas estava lá o Estado. Acho interessante pensar se o problema é do Estado em geral ou, em nosso caso particular, o Estado brasileiro. Qual a estrutura dele? É interessante aos sustentadores do Estado brasileiro existir liberdade de iniciativa comercial a qualquer um? Por que os camelôs dos grandes centros, em geral, não pertencem à economia formal? A prioridade comercial não espontânea sempre foi o exterior. Logo, o Estado se organizou pra isso, os que não podem pagam a conta. Por isso, concordo com Graça. Ela foi a peça que faltava. Obrigado, Graça. Não elevo nenhuma teoria econômica ao cargo de Deus, pois a realidade é muito mais complexa e todas as contribuições sérias são oportunas. Aliás, não penso que a resolução desses problemas citados origina-se na economia; estou convicto (com 23 anos e posso mudar ainda, há tempo) de que a questão é política. Nós, como pessoas "letradas" e "pensantes", deveríamos acompanhar com mais cuidado o que ocorre nos bastidores das câmaras municipais, nas regiões administrativas, nas assembléias das unidades federativas a fim de interferirmos mais incisivamente no tal "Estado arcaico". Não é o "Estado arcaico" que impede o comércio? Então, mudemos o "Estado arcaico". Depois disso, a economia surge como instrumento para atingirmos nossas metas políticas mesmo que sejam conflitantes. Por enquanto... Simone, volte! E Liberdade de idéias! Alisson Ramos
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