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Segunda-feira, 14/4/2008
Arte eletrônica? Se liga!
Paula Mastroberti
+ de 6500 Acessos
+ 5 Comentário(s)

O movimento "art pour l'art", a partir do século XIX, teve o mérito de questionar a função social da arte e, ao voltar-se para uma avaliação de si mesma, refletir sobre as próprias ferramentas e sobre como explorá-las livremente, até a implosão. O custo foi alto, embora necessário, tendo rendido, de qualquer forma, excelentes frutos na modernidade.

Porém nem o artista concretizou o sonho de desagrilhoar-se dos seus entornos (eu diria, aliás, que nunca a relação entre o artista e o sistema social e econômico foi tão tensa e intrincada como a partir do século XIX), nem a sociedade engoliu assim, com tanta facilidade ― e prazer ― o livre-arbítrio estético. Acho que eu posso afirmar sem risco que os tempos da pós-modernidade (embora conceituar um artista como pós-moderno seja o mesmo que chamar Você-Sabe-Quem de Lord Voldemort) mostram, sobretudo, uma preocupação em re-estabelecer o elo perdido entre objeto artístico e sujeito ― ok, entre arte e público.

Chega de bancar o autista, dizia a turma dos anos 80. Gradualmente, queiram ou não os pessimistas, os saudosistas e até mesmo alguns críticos cujo olhar permanece vinculado à proposta romântico-modernista, os artistas voltaram a trocar o "u" pelo "r" e as mostras de arte estão, cada vez mais, comprometidas com idéias e conceitos antes considerados incompatíveis, tais como: entretenimento; contato físico (lembrando que antigamente se dizia: não se toca em obra de arte!); jogo; comunicação; e até mesmo ― oh! ― pedagogia da arte!

Nesse exato instante, temos um belo exemplo bombando, aqui em Porto Alegre, no Santander Cultural: o FILE ― Feira Internacional de Arte Eletrônica. Net-art, instalações, filmes interativos, realidade virtual, vídeos, games e web-art, tudo misturado esperando não só pelo seu click no mouse, mas por sua entrega de corpo inteiro. Coragem: passe ridículo, dance, olhe, toque, ouça: afinal, você é um espectador contemporâneo, e não são apenas os seus olhos que estão literalmente em jogo, mas toda a sua capacidade cognitiva e motora. Divirta-se, mas preste atenção.

Algo está acontecendo com aquilo que chamamos ― ou costumávamos chamar de arte. Esqueça as tradicionais definições, elas não cabem nesse caso. Mais do que uma exposição lúdica e, em alguns casos, reflexiva, a FILE quer nos propor a derrubada de fronteiras há muito destituídas de sentido. Por que essa assimetria entre função estética e função comunicativa? Por que priorizar estesia em detrimento da diversão? Por que, aliás, queimar fosfato tentando diferenciar o que é arte daquilo que não é?

Essas questões não implicam de forma alguma propor o fim da arte como conceito, mas o seu deslocamento, numa reorganização inclusiva do saber estético. Gosto muito de uma frase de Gérard Genette ― teórico mais conhecido pela tribo literária, mas que tem um livrinho fantástico chamado A Obra de Arte: Imanência e Transcendência ― onde ele afirma que definir um objeto como obra de arte não passa de uma convenção útil, quando desejamos situar esse objeto em seu contexto sócio-cultural e econômico; contudo, essa definição é, não só hipotética, mas provisória, requerendo uma previsão de intencionalidade ― é preciso que esse artefato tenha sua função estética reconhecida tanto por quem o produz, como para quem o percebe. Esse raciocínio fica bastante claro para mim toda vez que penso em Duchamp como um exemplo de manipulação desses conceitos. Porém, deixemos Duchamp em paz, nesse momento.

Na FILE, tudo pode ser, alguma coisa deve ser, ou nada daquilo é ― arte. Depende muito da intenção autoral de tal objeto (se ele foi concebido para exercer essa função), mas também dependerá do modo como ela será veiculada ou compreendida ― o fato de ela estar inserida num espaço institucional concebido para expor obras de arte faz muita diferença. Ou não faz?

E se a Feira tivesse ocupado o estacionamento de um shopping center, tal como fazem as feiras de design, ou de informática? E se você pudesse acessar cada trabalho (como é o caso de alguns) pela internet? Será que isso mudaria alguma coisa para você, meu caro sujeito interagente? Será que isso mudaria a função ― ou o caráter ontológico ― do objeto artístico?

Hans Belting e Arthur Danto, não por nada, ao discorrerem sobre o fim da história da arte, querem dizer do fim de um determinado approach do objeto auto-reflexivo estético, cuja validade encontra-se com os dias contados, se é que já não venceu.

Porém, a meu ver, não se trata somente de um modo de aproximação desse objeto; tudo indica (sintoma e diagnóstico tão provisórios quanto quaisquer outros, não esqueçam) que as fronteiras entre linguagens estéticas e suas aplicações, sejam elas puramente poéticas, utilitárias, educativas ou lúdicas, por enquanto e para o pensamento contemporâneo, estejam caminhando para uma espécie de pulverização, o que não quer dizer que tudo o que se faça ou se intencione produzir como arte, preencha de forma adequada ou bem-sucedida essa função.

Por enquanto, ligue-se e verifique por si mesmo: pense, enquanto se diverte. E vice-versa.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pela autora. Originalmente publicado no site Artistas Gaúchos.


Paula Mastroberti
Porto Alegre, 14/4/2008
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01. Dialogando com o público leitor de João Ubaldo Ribeiro


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/4/2008
13h42min
A teoria da arte é cheia de confusões porque a arte é um negócio meio inefável. No entanto é muito fácil perceber a arte, onde quer que ela se encontre. A arte sinaliza através de uma ressonância que provoca no interior de cada um. Não importa que o objeto seja tradicionalmente considerado uma "obra de arte". Não importa sequer que seja um objeto. Pode ser um salto, um som, uma ultrapassagem numa corrida de F1. Se a arte estiver presente, ela vai sinalizar e causar a tal ressonância interior que permite que ela seja percebida. Nem todo mundo consegue perceber a arte e há vários níveis, hierárquicos mesmo, nessa capacidade de perceber. Às vezes, jogando Play Station, eu parava no meio do jogo para observar algumas construções gráficas no cenário ou nos personagens. Alguns designs são soberbos. E essa é a única interatividade possível com a arte. Não importa que você toque em alguma coisa, experimente outra coisa, ou apenas observe. Há que haver ressonância. Muito bom o artigo.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
24/4/2008
12h47min
É isso aí.
[Leia outros Comentários de Paula Mastroberti]
28/4/2008
12h17min
Claro que não se pode enterrar o passado, seja nas artes ou em qualquer outro aspecto. O que nos cabe é compreender os movimentos da ESTÉTICA, quem sabe com um pouco mais de ÉTICA. Nessa compreensão ainda nos cabe apreciar o BELO. Dentro desse conceito é que temos a ARTE. E isso pode diferenciar desde os que glorificam o Penico de Duchamp aos que trabalham com a TECNOLOGIA de nossos TEMPOS, abrigando conceitos modernos e outras FERRAMENTAS. E, nestas, qualquer área das artes do passado, do futuro, já no PRESENTE, se fazem notar... pelos INOVADORES. Muito bom seu texto neste contexto.
[Leia outros Comentários de Celito Medeiros]
28/4/2008
12h29min
A arte do futuro já no presente! A inovação com a tecnologia aplicada às Artes, especialmente na pintura por computador, como o caso do brasileiro que recentemente obteve a premiação da Academia de Ciências, Letras e Artes de Paris, em seguida convidado para expor em dezembro passado no museu do Louvre em Paris. De similar modo na área musical a arte eletrônica e outras áreas estão mostrando o BELO, expressão máxima das artes em qualquer setor. Sabemos que é uma questão de valores subjetivos, mas na concordância chegamos aos valores de grupo e, neste caso, sou fã da tecnologia aplicada como foi com a internet, o celular e tudo o que virá. O que funciona, fica! E ficam para trás os conservadores que não aplaudiram o sucesso de seu próprio tempo.
[Leia outros Comentários de Clarice]
13/6/2008
15h48min
Museu e arte são coisas distintas, já diria o Duchamp. Claro que o FILE só vai ter irrelevâncias. É uma exposição comercial, patrocinada e cuja finalidade é dar desconto de imposto de renda pra alguém. Está sempre defasado do que o pessoal que realmente faz arte está fazendo em pelo menos dez anos, vai atrás de "famosos" e não de "relevantes" e não reflete (nunca refletiu, aliás) o que está realmente sendo feito de interessante no mundo artístico. Arte real permanece e sempre toca a pessoa. As estátuas de Rodin não envelheceram nem foram esquecidas e nem podem ser tocadas por questões de preservação. O toque não é sensorial, é mental. O que é exibido no FILE ninguém mais lembra depois que a exposição fecha. FILE é só "pegação".
[Leia outros Comentários de DaniCast]
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