As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
35013 visitas/dia
947 mil/mês
Mais Recentes
>>> Companhia de Danças de Diadema leva "por+vir" ao palco do Teatro Clara Nunes
>>> 38ª Edição da Feira da Comunidade acontece no domingo, 29 de outubro, na A Hebraica
>>> Alex Flemming inaugura intervenção "Anaconda" na Casa-Museu Ema Klabin
>>> Fundação Ema Klabin abre Festival Internacional de Música Judaica
>>> Projeto Jardim Imaginário inaugura a instalação "Penetra" de Marcius Galan
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Vegetativo
>>> Açaí com granola
>>> Em suspenso
>>> Nesse mundo de anjos e demônios
>>> A lâmpada
>>> Irredentismo
>>> Tabela periódica
>>> Insone
>>> Entre Súcubos e Íncubos
>>> Aonde eu quero chegar
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Hellbox
>>> Sexo e luxúria na antiguidade
>>> A mitologia original de Prometheus
>>> Bio de Paulo Francis em vídeo
>>> Literatura engajada
>>> Entre o sertão e a biblioteca
>>> Prevendo o previsível
>>> O do contra
>>> Adiós, muchachos
>>> Bang bang: tiroteio de clichês
Mais Recentes
>>> O Contexto Social da Arte
>>> Histoire de Peinture en Italie I (1929)
>>> As Aventuras de Robín Hood
>>> A Ilha do Tesouro
>>> Como manipular Pessoas para uso exclusivo de pessoas de bem
>>> Sinopse dos Quatro Evangelhos
>>> Os Sonhos - o que são e quais as suas causas
>>> Matemática Paiva3
>>> Matemática Paiva2
>>> Matemática Paiva1
>>> Fundamento de Neurologia da Visão
>>> Neuropsicologia da Linguagem
>>> Terapia Bioprogressiva
>>> Manual de Iniciação em Neurocirurgia
>>> Fonoaudiologia e Ortopedia Maxilar na Reabilitação Orofacial
>>> Tratado de Audiologia
>>> Refratometria Ocular e a Arte da Prescrição Medica- 2ª ed.
>>> Conversação Linguagem e Possibilidades-Enforque pós-moderno da Terapia
>>> Hipnose para o Clinico-Uso da Hipnose na Odontologia
>>> Respirometria- A Tecnica
>>> Prevenção e Tratamento da Doença Periodontal Baseado em Evidencias
>>> Caderno de Enfermagem-18 Reanimação
>>> Como educar seus pais////// Obrigado esparro
>>> Os Dois Corpos do Presidente e outros Ensaios
>>> Cristo para Humanidade de hoje Científico, Social e Político
>>> Dias não esquecidos versos soltos-contos-crônicas
>>> A História está Errada
>>> Eram os Deuses Astronautas?
>>> Os Olhos da Esfinge
>>> Elementos de bibliologia volume 1
>>> Gigantes do Futebol Brasileiro
>>> O Dia em que os Deuses Chegaram
>>> Projeto Majestic - A Nave Perdida
>>> Ovni e as Civilizações Extraterrestres
>>> No Começo Eram os Deuses
>>> Avenida Nievski e Notas de Petersburgo de 1836
>>> O Universo em suas Mãos
>>> Antonio Nobre Correspondência autores portugueses
>>> O Mistério de Cygnus - Desvendando o antigo segredo das origens da vida no universo
>>> Dobras no tempo
>>> Administração De Marketing
>>> Meus Enigmas Favoritos
>>> Manual de Reanimação Neonatal
>>> O Enviado
>>> Ovnis S.O.S. à Humanidade
>>> Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
>>> Patologia do Trato Genital Iferior
>>> Kris lundaard ( o mal que habita em mim )
>>> Os Astronautas de Yaveh
>>> Doenças Hepaticas e do Sistema Biliar em Crianças
COLUNAS >>> Especial Melhores de 2006

Quinta-feira, 14/12/2006
As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues
Paulo Polzonoff Jr

+ de 5200 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Fiz uma entrevista há muito tempo com Olavo de Carvalho, na qual ele dizia que "o otimismo é a ideologia dos assassinos". Nunca me esqueci da frase de efeito. Acho até que ele deve ter razão, num sentido político, que aqui não cabe. O otimismo pequeno e individual é que me interessa. Aquele que faz meus olhos brilharem não porque o Paraíso se aproxima, mas porque reconheço que felicidade é algo possível - sempre num contexto individual, minúsculo, restritíssimo. Este otimismo, defitivamente, não faz assassinos.

Passei os últimos três ou quatro anos da minha vida mergulhado num pessimismo macabro. Curiosamente, foi o reconhecimento da derrota que me libertou do sofrimento. Reconhecer-se derrotado no campo das idéias foi libertador. Já usei mais de uma vez a imagem militar, mas não me ocorre outra: recolhi as armas, retirei os exércitos, contei os feridos, enterrei os mortos - e voltei à vida. Anotem: lição de Montaigne.

O exemplo que interessa aqui: eu costumava pensar que a literatura brasileira estava fadada ao mais retumbante e assustador fracasso. Não temos autores que prestem, eu dizia, para quem quisesse ouvir. Nossos melhores escritores estão na casa dos oitenta anos - e não há quem os possa substituir, eu decretava, num tom sempre interpretado como raiva, mas, caramba, era só tristeza mesmo.

E, percebo agora, um tanto de cegueira.

Abri um longo e redentor sorriso ao terminar de ler As sementes de Flowerville (Objetiva, 2006, 136 págs.), de Sérgio Rodrigues. O livro me fez perceber que, apesar do ninho de cobras que é o mercado editorial brasileiro, apesar da falta de profissionalismo, apesar das desonestidades, apesar de necessidade de auto-afirmação, apesar de tudo (e de mim), a literatura brasileira continua a nos dar momentos únicos de realização. Garimpá-los pode ser penoso e desestimulante. Mas também pode ser recompensador.

As sementes de Flowerville é apenas um dos bons livros nacionais que li em 2006. Ana Maria Gonçalves nos brindou com um épico como há muito tempo não se via na nossa literatura, Um defeito de cor. Daniel Galera nos fez acreditar que há talento numa geração marcada pela transgressão estéril, com seu Mãos de cavalo. Antônio Fernando Borges concluiu sua trilogia metalingüística com Memorial de Buenos Aires. Fernando Molica encontrou amor em meio à violência em Bandeira Negra, Amor.

E deve haver outros, que não li por preguiça ou preconceito.

O grande problema, em relação a todos estes livros, continua a ser o despreparo do leitor médio. É o caso de Memorial de Buenos Aires, de Antônio Fernando Borges, lido apenas como um exercício de referências a Machado de Assis e Jorge Luis Borges. Não li um só comentário a respeito do livro que se aprofundasse nas relações do tempo, de que o livro tanto trata. O mesmo acontecerá, acredito, com As sementes de Flowerville. A simplicidade enganadora, entre a maioria dos leitores brasileiros, sempre sai ganhando.

Perdão. Não se trata de um insulto. É apenas um jeito trôpego de ressaltar a maior das qualidades de As sementes de Flowerville, isto é, a tal da simplicidade enganadora. Tudo ali é feito para enganar - e engana. A começar por quem se arrisca a localizar o livro no tempo. Todo mundo está dizendo que é futuro. Mas há algo de passado e mais um tanto de presente. O que é? Ou melhor, quando é? A estas perguntas eu retruco com outra, mais enfática: importa?

Também não é o caso de recorrer ao expediente acadêmico e dizer que As sementes de Flowerville é um romance atemporal. Não: o tempo existe. Só que a ambigüidade (antrigüidade?) proposital deve ser entendida como ela é: ambígua. Reduzi-lo a passado ou presente ou futuro é fazer com que a confusão se perca. E, com ela, uma das belezas do livro.

Não quero, com isso, dizer que o livro é confuso. A confusão, aliás, tem sido a marca de uma literatura que não me agrada. Livros que não vão e nem ficam, que não dizem nem se calam. Deles continuo mantendo distância. As sementes de Flowerville não é um livro confuso. Apenas não é reto e, em não sendo reto, não é torto. Confuso?

Eu realmente me impressiono com a capacidade que as pessoas têm de fazer sinopses de livros como As sementes de Flowerville. Não consigo. Qualquer coisa que eu escrevesse seria reduzir demais o romance. Fica aqui o pedido: compre, leia e depois tente dizer para si mesmo sobre o que é o livro. Se conseguir, se pergunte se não está esquecendo de alguma coisa. Estava, viu?

Claro que o fio condutor da história é Victorino Peçanha. E é claro que existe um mistério a ser resolvido nas páginas finais. Mas como me ater apenas à obviedade e deixar de falar sobre os personagens secundários, cujos nomes, veja só, sequer recordo? As histórias destes personagens secundários vão ficando pelo caminho. Mas que caminho? Ah, sim, como caminhos de biscoito que, na floresta da minha história de fada, levam a lugar nenhum.

Eu gosto desta sensação cada vez mais rara na literatura moderna: a de se sentir completamente fascinado por um detalhe da história que parece não interessar a mais ninguém, nem ao autor. E que, nem por isso, perde a força.

Para mim, o grande personagem de As sementes de Flowerville é Neumani, o matemático contratado, logo nas primeiras páginas do livro, para desenvolver um algoritmo que possibilitasse uma espécie de democracia na qual o meu voto teria mais valor do que o de um analfabeto, por exemplo. Neumani é um perdedor clássico, mas sem a violência dos romances juvenis. Eu percebo nele uma honra triste, daqueles que nadaram e perderam a medalha de ouro por um centésimo de segundo.

Mas cada um há de encontrar o que há de mais fascinante em As sementes de Flowerville: a estrutura de falsas pistas, a prosa cheia de efeitos metalingüísticos, a violência, a ambigüidade temporal, o sexo - e, por fim, o fim. Sim, porque, ao contrário dos livros que eu costumava, nos meus tempos de pessimismo, entender como representativos da literatura brasileira contemporânea, As sementes de Flowerville tem um fim que você, leitor, vai querer alcançar com ansiedade.

As sementes de Flowerville é a primeira aventura de Sérgio Rodrigues pelo romance, seis anos depois de publicar a coletânea de contos O homem que matou o escritor. Corre à boca pequena, porém, o boato de que o autor vai desistir da ficção. Sinceramente, não estou preocupado. Eu não me importo se o escritor demorar mais seis anos para publicar um livro, depois de muitas ponderações. Valem a pena tanto a angústia do autor (no final das contas, sempre produtiva) quanto a ansiedade do leitor.

Ah, sim. Só para não dizer que não falei das flores, há outros bons nomes a serem descobertos pelo leitor brasileiro. Dos mais novos cito Alexandre Soares Silva, que infelizmente só encontrou espaço em editoras pequenas e despreparadas. De uma geração intermediária, vale a pena lembrar o nome de Ruy Tapioca, que deve lançar um novo romance ano que vem.

Para ir além






Paulo Polzonoff Jr
Nova York, 14/12/2006


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O experimento de J. K. Rowling de Marta Barcellos
02. Viver para contar - parte 1 de Marcelo Barbão


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr em 2006
01. Grande Sertão: Veredas (uma aventura) - 13/4/2006
02. As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues - 14/12/2006
03. Orkut: terra de ninguém - 9/2/2006
04. Não existem autores novos - 8/5/2006
05. Relativismos literários - 9/6/2006


Mais Especial Melhores de 2006
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
14/12/2006
03h24min
É bom saber que talvez tenha um livro novo e bom na praça. Fui lá no Todoprosa checar o Sérgio Rodrigues (que não conheço), li os textos e, de cara, nota-se inteligência e cultura (muita). Esbarrei numas coisas: a ressalva que ele faz ao Norman Mailer (que é pretensioso; mas no caso de Mailer, é melhor que ele seja assim mesmo); uma defesa da "literatura que se dobra sobre si mesma" ("metalinguagem" e outros babados) e o fato dele (Sergio Rodrigues) me parecer meio machadiano num conto que tem lá. Já o Polzonoff, num outro texto (publicado aqui no Digestivo), diz que o Francis, como romancista, é "sofrível". Bem, na minha singela opinião, Machado é sofrível e poucos romances brasileiros chegam perto das duas cabeças de Francis. Acho que vou ter de ler o Sergio Rodrigues - vamos ver. Torço, sinceramente, pra ele ser mesmo um ótimo autor. Mesmo que eu não goste, sei que isso não quer dizer nada. Nesse caso, apenas não consigo ler inteiro. Mas torço pro autor.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
14/12/2006
17h50min
Que bom ler novamente um texto seu, Paulo! Bom ver que você ainda continua com seu olhar atento que realça qualidades de um livro que normalmente não são vistas!
[Leia outros Comentários de Leandro Oliveira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




MARAVILHOSA GRAÇA- UMA ANÁLISE CONTUNDENTE E INSTIGANTE DA GRAÇA DE DEUS.
PHILLIP YANCEY
VIDA
(2000)
R$ 9,90



DONA MARIA JOSE - RETRATO DE UMA CIDADÃ BRASILEIRA
ANA ARRUDA CALLADO E DENILDE LEITÃO
RELUME DUMARÁ
(1995)
R$ 12,00



MILT RODRIGUEZ ( O SACERDOCIO DE TODOS OS CRENTES )
MILT RODRIGUEZ
RE
(2013)
R$ 30,00
+ frete grátis



O APOCALIPSE EM PERGUNTAS E RESPOSTAS
JUAN IGNACIO ALFARO
LOYOLA
(1995)
R$ 34,99
+ frete grátis



O PODER DA AUTO-ESTIMA
NATHANAEL BRANDEN
SARAIVA
(1995)
R$ 18,90



O SENTIMENTO DE IDENTIDADE
NICOLE BERRY
ESCUTA
(1991)
R$ 21,10



ROMEU E JULIETA - WILLIAM SHAKESPEARE (LITERATURA INFANTO-JUVENIL)
WILLIAM SHAKESPEARE - ADAPTAÇÃO DE LEONARDO CHIANCA
SCIPIONE
(1997)
R$ 5,00



O FORTE
ADONIAS FILHO
BERTRAND BRASIL/BIBLIOTECA NACIONAL
(2002)
R$ 12,00



AMERICAN ILLUSTRATION SHOWCASE
STANISLAW FERNANDES
AMERICAN SHOWCASE
(1983)
R$ 40,00



O OLHO DA COR - JOSÉ ENDOENÇA MARTINS (TEATRO CATARINENSE)
JOSÉ ENDOENÇA MARTINS
ED. DO AUTOR
(2003)
R$ 14,00





busca | avançada
35013 visitas/dia
947 mil/mês