O físico que era médico | Eduardo Mineo | Digestivo Cultural

busca | avançada
30533 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Show com grupo Tambora faz um mergulho na obra de compositoras de diversos países da América Latina
>>> Pianista revelação, Juliana D'agostini mostra seu talento no Natal Musical do VillaLobos
>>> Ana Marson lança livro de crônicas em São Paulo
>>> Música, dança e boa conversa na "Semana Preta" do Centro de Referência da Dança
>>> Vila Cultural Cora Coralina recebe exposição 'Tempos Líquidos'
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Rios inversos
>>> Você pertence a um não lugar
>>> Olho d'água
>>> A música da corrida
>>> Retalhos da vida
>>> Limbo
>>> Transmutações invisíveis
>>> Quem te leu, quem te lê
>>> Bom dia e paz
>>> O que sei do tempo II
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A alma boa de Setsuan e a bondade
>>> Steve Jobs sobre o mundo
>>> O Presidente Negro, de Monteiro Lobato
>>> Sobre o gênio que é Harold Pinter
>>> Gente que corre
>>> Caso Richthofen: uma história de amor
>>> Sem lero-lero
>>> A droga da felicidade
>>> Hilda Hilst, o IPTU e a Chave da Cidade
>>> Símbolos e Identidade Nacional
Mais Recentes
>>> Pensamento Complexo: suas aplicações à liderança, à aprendizagem e ao desenvolvimento sustentável
>>> Dictionnaire D'Analyse du Discours (1ª ed.)
>>> Defenda seus direitos
>>> O momento da sua virada
>>> Uma Viagem Aos Reinos
>>> Trilha para os Jovens
>>> Titan - O mundo de aventuras fantásticas
>>> Sonhos Lúcidos
>>> Raiva. Seu Bem, Seu Mal
>>> O Shadowdale Vale Das Sombras
>>> O perdedor
>>> O livro secreto da maçonaria
>>> O livro da quituteira
>>> O caso Schreber
>>> O Caminho do mago
>>> Lobisomem O - Apocalipse - Rpg
>>> Livro do Mestre - Advanced Dungeons e Dragons
>>> Gurps. Modulo Básico
>>> Francisco de Assis e Francisco de Roma: Uma Nova Primavera na Igreja
>>> Forgotten Realms 3 Guia De Campanha Para Undermontain
>>> Cinema: O Divã e a Tela
>>> Até os Felizes Sofrem
>>> Assessoria de Imprensa
>>> As Virtudes da Casa
>>> Além do bem e do mal
>>> Aleister Crowley - A Biografia de um Mago
>>> A realização espontânea do desejo
>>> Belo Desastre
>>> Nao deixe para depois o que voce pode fazer agora
>>> Ecos Dos Mortos
>>> O pai sessenta minutos
>>> A Noite dos Quatro Furacões
>>> Caixa de Pássaros
>>> Qualidade em Serviços
>>> O Quarto Poder - Uma Outra História - 1ª Edição
>>> Sem Vestígios - Revelações de um Agente Secreto da Ditadura
>>> O Arroz de Palma - Edição Comemorativa
>>> Cisnes Selvagens - Três Filhas da China
>>> Sobre o Céu e a Terra - As Ideias do Papa Francisco
>>> Sobre Heróis e Tumbas - 2002
>>> O Homem de Beijing - 1ª Edição
>>> Compêndio de Análise Institucional e Outras Correntes - Teoria e Prática
>>> As Cartas Ácidas da Campanha de Lula de 1998 - 1ª Edição
>>> A Igreja Universal e Seus Demônios - Um Estudo Etnográfico
>>> Eugene H peterson ( o caminho de Jesus e os atalhos da igreja)
>>> Cadernos do nosso tempo Cinema Brasileiro
>>> Ciência Contemplativa
>>> O Absurdo e a Graça
>>> Farra no Formigueiro
>>> Picasso - Coleção Crianças Famosas
COLUNAS

Segunda-feira, 23/4/2007
O físico que era médico
Eduardo Mineo

+ de 13700 Acessos
+ 6 Comentário(s)

Qualquer livro que tenha pelo menos umas seiscentas páginas merece ser lido. Sou fiel a esta idéia simplesmente porque acho muito improvável que alguém tenha a habilidade de escrever besteiras durante tantas páginas seguidas. Mais cedo ou mais tarde, por mais que o autor lute contra isso, sai alguma coisa aproveitável dali, é impossível não sair.

O físico (Rocco, 1996, 596 págs., The physician), de Noah Gordon, por exemplo, merece bastante ser lido. Devo admitir que li suas primeiras páginas com o mesmo receio que eu teria ao folhear qualquer publicação de J.J.Benítez, porque tive a sensação - ok, o preconceito raivoso, melhorou? - de que O físico se tratava dessas coisas que as pessoas usam para simular leitura nos metrôs, mas mudei logo de opinião e me convenci de que este era realmente um bom livro.

É sim, um bom livro, mas se eu fosse o autor, eu evitaria bastante o uso do verbo "fuder" nas flexões mais impressionantes que já li na minha vida. E a tradução ruinzinha não me ajuda muito a falar bem do livro, a começar pelo título erradíssimo ("physicist" é físico; "physician" é médico). Não foi um erro tão primário, mas foi um erro feio. De qualquer forma, como isto não chegou a prejudicar a história, evitarei este assunto porque o tradutor já foi ridicularizado o suficiente pelos comentários no site da Livraria Cultura. Vamos guardar as nossas cintas por enquanto.

Mas enfim, a história. A história do livro acontece por volta do século XI (ou X? 1100, 1000 mais um...sei lá, por aí). Um menino inglês perde os pais e é adotado por um barbeiro-cirurgião, que é um sujeito que tem alguma noção de enfermagem e ganha a vida vagando pelas cidades inglesas e tratando das pessoas em troca de dinheiro e comida. Com o tempo, Rob Cole, o menino, aprende a profissão e passa a ajudar seu tutor até atingir a idade adulta.

Um dia Rob Cole conhece um judeu, um médico, um médico de verdade, formado na grande faculdade de medicina da Pérsia e a partir daí, o objetivo de Cole é se formar nesta faculdade. Começa, então, sua viagem que duraria dois anos. Esta é a melhor parte do livro, pois Noah Gordon descreve muito bem todo o trajeto, desde os vilarejos alemães até os desertos traiçoeiros do Oriente Médio. É uma boa experiência de leitura.

Evidentemente há uma grande questão aí, senão o livro não teria muita graça. A questão é que a faculdade de medicina não aceita cristãos; apenas mulçumanos e judeus. E Rob Cole, convencido de que seu destino era se formar na Pérsia, passa a estudar os judeus que encontra pelo caminho de sua viagem, seus costumes e sua língua para se passar por um deles e ser admitido na faculdade. Aqui é outro ponto com muita informação, muitos detalhes sobre a cultura judaica, assim como, a partir da chegada de Rob Cole à Pérsia, de muitos detalhes sobre a cultura mulçumana. E claro, uma boa discussão sobre fidelidade religiosa e fé que acompanha o personagem até o final do livro.

Em muitos momentos parece que Noah Gordon tende para o lado dos judeus, principalmente por causa de algumas implicâncias com os mulçumanos durante o livro - que no começo são engraçadas e que vão ficando irritantes com o tempo -, mas até alcançar a última página eu mudei totalmente minha opinião porque ele vai nos mostrando que em cada tipo, em cada religião, em cada país, em cada profissão, há os nobres e os imbecis. E claro, estes últimos em sufocante maioria.

Sendo um médico, era de se esperar que Noah Gordon desse ênfase aos detalhes da história da medicina e de suas grandes questões, como o debate sobre a utilização de cadáveres humanos para pesquisas, o teste de novos medicamentos em pacientes, etc. E o assunto no livro é ainda mais intenso pois era uma época de forte atuação da igreja, onde os médicos eram freqüentemente acusados de serem bruxos - se bem que alguns deveriam ser mesmo; já me consultei com cada tipo que não entendo como foram proibir a igreja de queimá-los. Portanto Rob Cole carrega sempre esta preocupação em controlar sua busca pela cura, que é a forma pela qual Noah Gordon discute o conflito entre a ética e o progresso.

Há ainda algumas passagens de sexo que eu estou pensando numa forma de comentar sem muito moralismo, mas não sei como fazer isso. Tudo bem, deve haver algo ali de sublime, de artístico, mas eu não consigo ler este tipo de coisa sem me sentir como uma velhinha da década de 60 que quebrava discos dos Beatles. Eu vejo a leitura como um contato muito direto, como se um estranho me abordasse na rua e me contasse uma história. E imagino que seria terrível ser abordado, digamos, tomando café na padaria, por alguém falando "Vixi, aí ela subiu na mesa, tirou a roupa e foi u-hu!, U-HUUUUUU!!!" com todas as devidas gesticulações e interpretações. Muito constrangedor. Evidentemente, eu não posso dizer que é errado escrever sobre sexo, assim como eu não poderia dizer que é errado comer com os pés, mas eu aconselharia, do fundo do meu coração, as pessoas a evitarem este tipo de coisa. É tão mais fácil.

Mas são apenas detalhes perto do que este livro tem a oferecer. Sua leitura é mesmo como tomar um café na padaria. Pode eventualmente espirrar sangue em você, ou sentar um elefante ao seu lado, mas na maior parte do tempo, é uma experiência agradável. Se puder, leia o original. Aliás, sempre leia os originais. Eles também merecem ser lidos.

Para ir além






Eduardo Mineo
São Paulo, 23/4/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. A noite iluminada da literatura de Pedro Maciel de Jardel Dias Cavalcanti
02. O Abismo e a Riqueza da Coadjuvância de Duanne Ribeiro
03. Notas confessionais de um angustiado (VI) de Cassionei Niches Petry
04. Em defesa da arte urbana nos muros de Fabio Gomes
05. Meshugá, a loucura judaica, de Jacques Fux de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Eduardo Mineo
Mais Acessadas de Eduardo Mineo em 2007
01. O físico que era médico - 23/4/2007
02. A comédia de um solteiro - 3/12/2007
03. A propósito de Chapolin e Chaves - 24/9/2007
04. Eduardo Mineo, muito prazer - 9/4/2007
05. My fair opinion - 30/4/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/4/2007
10h49min
Se o tradutor errou feia e grotescamente no TÍTULO, não quero imaginar o estrago que fez com o resto da história!!! Revoltante...
[Leia outros Comentários de AnnA]
25/4/2007
07h15min
Foi fidedigno. A terminologia é registrada nos bons dicionários como alternativa de sinonímia para medico. Aliás memsmo não se dando ao trabalho da busca vernacular seria o caso de se indagar sobre os radicais para Physician/Physicist no idíoma inglês. Cylene Gama
[Leia outros Comentários de Cylene Dantas d Gama]
26/4/2007
11h03min
Sim, o original não é tão ruim. The Last Jew é milhorzinho, menos pretensioso e tal, creio eu. O que me derrubou da cadeira, n"O Phísico", foi o cara ser circuncisado (circuncidado?) por um cavalo. Damn, nunca pensei que eqüinos tivessem uma quedinha por prepúcios. Agora sempre que passo perto de um (cavalo, não prepúcio; sempre evito passar perto de prepúcios), faço que nem jogador na barreira. É por isso que digo - sempre há conselhos práticos, mesmo nos mais fantasiosos romances. ;o)
[Leia outros Comentários de mauro]
27/4/2007
15h02min
A afirmacao do seu primeiro paragrafo e' desmentida por obras-primas como Ulisses (ninguem merece ler isso!), ou os calhamacos do Tom Clancy...
[Leia outros Comentários de Ram]
21/12/2008
17h58min
Sr. Eduardo Mineo, sou um fã de Noah Gordom e, pelo fato de já ter lido o livro "O Físico", cheguei à triste conclusão que o senhor NÃO leu o livro, ou não estamos falando do mesmo, pois, lendo a coluna (muito bem escrita) acima encontrei inúmeros erros a respeito da verdadeira história de Robert Jeremy Cole. Para sua informação, já foi provado que o tradutor não cometeu gafe nenhuma, pois na época em que é passada a história os médicos também eram chamados de físicos. A respeito das cenas de sexo, não as achei assim tão detalhadas como diz, mas sim inevitáveis, pois, como viu, o livro é um romance também. O primeiro médico que Rob conheceu não tinha se formado na Pérsia, e sim tinha sido aprendiz de outro médico inglês. Espero que, se não leu o livro, leia, em vez de fazer críticas sem fundamentos. E, se leu, leia de novo, com mais atenção. Um abraço.
[Leia outros Comentários de luan hadi massud Kad]
21/12/2008
19h13min
Primeiro: Quando um americano bate o olho no título "The physician", ele sabe que ali está escrito "O médico". A função do tradutor não é apenas interpretar, mas transmitir a mesma sensação que os leitores dos originais teriam. Um brasileiro que lê "O físico" vai pensar que ali está embutido o sentido arcaico de médico? Não vai e a tradução está errada. Segundo, não tenho mais o livro para transcrever o que afirmei no texto, mas transcrevo o que está na Amazon, confirmando o que eu disse: "Though apprenticed to an itinerant barber surgeon, it is the dazzling surgery of a Jewish physician trained by the legendary Persian physician Avicenna that inspires him to accept his gift and to commit his life to healing by studying at Avicenna's school." Em terceiro, se você achou as cenas de sexo inevitáveis, é um problema seu, é uma opinião sua e isto não me torna errado. E já que é para ser implicante, realmente não lemos o mesmo livro, pq quem escreveu o meu foi Noah Gordon, com N.
[Leia outros Comentários de Eduardo Mineo]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




TRUCS DE CUISINIER- BERNARD LOISEAU E GÉRARD GILBERT - IMPORTADO
BERNARD LOISEAU - GÉRARD GILBERT
MARABOUT
(1996)
R$ 22,90



COLEÇÃO CIEE 12 - AS ALTERNATIVAS DE EMPREGO PARA O MERCADO TRABALHO
WALTER BARELLI
CIEE
(1998)
R$ 10,00



A MALDIÇÃO DE ÉDIPO
LUIZ GALDINO
FTD
(1998)
R$ 20,00



OS HOMENS E A HERANÇA NO MEDITERRÂNEO
BRAUDEL
MARTINS FONTES
(1988)
R$ 30,00



VIVENDO COM A CONTRADIÇÃO - REFLEXÕES SOBRE A REGRA DE SÃO BENTO
ESTHER DE WAAL
MOSTEIRO DE STA CRUZ
(1998)
R$ 25,90



THE SEAT OF THE SOUL
GARY ZUKAV
SIMON & SCHUSTER
(1990)
R$ 10,00



THE ACTS OF THE APOSTLES
WILLIAM BARCLAY
THE SAINTANDREW PRESS
(1969)
R$ 29,00



PAVANA PARA UM MACACO DEFUNTO - ANTÔNIO GALVÃO NACLÉRIO NOVAES (TEATRO BRASILEIRO)
ANTÔNIO GALVÃO NACLÉRIO NOVAES
SNT/MEC
(1967)
R$ 25,00



CH'I ENERGIA VITAL
MICHAEL PAGE
PENSAMENTO
(1995)
R$ 8,00



O HEREGE DE SOANA - GERHART HAUPTMANN (LITERATURA ALEMÃ)
GERHART HAUPTMANN
DELTA
(1965)
R$ 8,00





busca | avançada
30533 visitas/dia
1,1 milhão/mês