E a Turma da Mônica cresceu | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
31119 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Inauguração da Spazeo com show do Circuladô de Fulô - 28/07
>>> CONFRARIA COMEDY SE APRESENTA EM OSASCO, NESTE SÁBADO, TRAZENDO DIVERSOS CONVIDADOS
>>> Maite Proença em A MULHER DE BATH
>>> Chico Amaral celebra parcerias de sua carreira
>>> Viralizando reflete sobre as videoaulas como plataforma de ensino pela internet
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
>>> O Brasil que eu quero
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Mão única
>>> A passos de peregrinos ll
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES IV
>>> Shomin-Geki, vidas comuns no cinema japonês
>>> Con(fusões)
>>> A passos de peregrinos l
>>> Ocaso
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES I
>>> Sob o mesmo teto
>>> O alívio das vias aéreas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Sobre palavras mal ditas
>>> Animismo
>>> Detached
>>> Direita, volver!
>>> Simpatia pelo Demônio, de Bernardo Carvalho
>>> Alguns poemas traduzidos, de Manuel Bandeira
>>> Um Furto
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
>>> Onde os fracos não têm vez, de Joel e Ethan Coen
>>> Mais outro cais
Mais Recentes
>>> A Geometria Maçônica - Rito Escocês Antigo e Aceito
>>> Os Protocolos dos Sábios do Sião - Edições Eliseo
>>> Os Chakras e os Campos de Energia Humanos
>>> São Cipriano - O Legítimo Capa Preta
>>> Inglês para Concursos - uma abordagem prática (6ª ed.)
>>> Projeção do Corpo Astral
>>> Arquétipos da Alma - Um Guia para se Reconhecer a Matriz dos Padrões
>>> O Poder do Pentagrama
>>> O Ciclo de Lunação - Uma chave para a compreensão da personalidade
>>> Radiestesia e Saúde - Como melhorar a sua saúde através da radiestesia
>>> Religião e Ética - Cadernos Ceap
>>> Deutsch Perfekt- revista 5/2012
>>> Psicopedagogia Clínica- caminhos teóricos e práticos
>>> Do luxo ao fardo - Um estudo histórico sobre o tédio
>>> Leyendo a Euclides
>>> Buda - O templo de Jetavana Vol. XIII
>>> Buda- O retorno ao reino de Magadha Vol. XI
>>> Transmissões Cristalinas - Uma Síntese de Luz
>>> Buda- O início da jornada Vol. V
>>> Conceito Rosacruz do Cosmos
>>> Buda- Em Busca da iluminação Vol. IV
>>> Buda - O nascimento de Siddhartha Vol. II
>>> Serial Killers A anatomia do mal
>>> Bom dia Veronica
>>> Millennium 3 A Rainha do castelo de ar
>>> Millennium 2 A menina que brincava com fogo
>>> Deutsch Perfekt- 9/2012- revista
>>> A Época brasileira de Vilém Flusser
>>> Sobre o óbvio
>>> Deutsch Perfekt 4/2012- revista
>>> A Estrutura da Magia
>>> Cultura Escrita, Literatura e História
>>> Animal de estimação 1ª ed.
>>> Os Essênios e os manuscritos do mar morto
>>> Blecaute
>>> Alice - Coleção Clássicos Zahar (livro de Bolso Capa Dura)
>>> Preparados para o fim?
>>> Discipulado
>>> Vem senhor Jesus
>>> Breve História da Maçonaria
>>> Astrologia para Leigos
>>> Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial, 7: Fim de Século
>>> Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial, 6: Caminhos Cruzados
>>> Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial, 5: o Realismo
>>> Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial, 4: do Romantismo ao Realismo
>>> Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial, 3: O Romantismo
>>> A Bíblia Sagrada: Velho e Novo Testamento
>>> Como Conhecer a Deus: um Plano de 5 Dias
>>> De Belém ao Calvário
>>> O Reaparecimento do Cristo
COLUNAS

Quinta-feira, 15/1/2009
E a Turma da Mônica cresceu
Marcelo Spalding

+ de 8200 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Quando em 1959 o jornalista policial Mauricio de Sousa ofereceu aos seus redatores uma tira em quadrinhos sobre um cãozinho e seu dono, Bidu e Franjinha, não imaginava o sucesso que sua turma de personagens alcançaria no Brasil. Dos anos sessenta pra cá, pelo menos três ou quatro gerações conhecem os gibis, tirinhas, filmes e brinquedos com a marca da Mônica. E isso não é pouca coisa! Num tempo de avalanche norte-americana, de Mickey, Pateta e Pato Donald a todo vapor, a Mônica resistiu, e depois resistiu aos Jaspions e Power Rangers, ao Chaves, ao Shrek, firmando-se como a única referência cultural brasileira para crianças.

Claro que os adultos que um dia leram a Turma da Mônica, e por vezes se alfabetizaram lendo a Turma da Mônica, guardam carinho e saudade pelos personagens. Quem já não se identificou com Cascão, Mônica, Cebolinha, Magali, Franjinha, Chico Bento? Quem já não chamou algum cachorro de Floquinho por causa dos pelos, algum menino de Cascão pela falta de banho, alguma menina de Mônica pelo vestido vermelho, ou pelos dentões, ou pela brabeza? Quem não lembra da Magali ao comer melancia, do Cebolinha ao falar elado, da Rosinha ao ver alguém de tranças? Prova de que a maior qualidade de Mauricio de Sousa é a de criar tipos, personagens simples, carismáticos, transpostos do dia a dia das famílias brasileiras e reproduzindo, de certa forma, seus valores e preocupações.

Mas não quero aqui voltar aos quadrinhos de minha infância, nem antecipar as comemorações de 50 anos da primeira publicação da Turma. A novidade do momento é a Turma da Mônica Jovem. Na nova série, "eles cresceram", como anuncia a capa, mas não tanto quanto a idade da criação, e sim uns 10, 12 anos, o suficiente para atingir a idade de um grupo de leitores que continuou lendo quadrinhos. Sim, de uma geração para cá as crianças não substituem necessariamente quadrinhos por livros, muitas seguem na leitura de quadrinhos e prova disso são as edições de luxo dos quadrinhos de heróis e a onda de publicações japonesas que chegam por aqui. E é essa a geração que convenceu Mauricio de Sousa a entrar em novo mercado, mexer nas consagradas figuras de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.

Confesso que não achei o número 1 para comentar nesta resenha, até porque segundo comunicado do próprio Mauricio, publicado no número 2, "a editora teve de religar a impressora várias vezes para atender à demanda explosiva, e de uma previsão que ia pelos 50, 60 mil exemplares, saltamos para mais de 200 mil". Mas o número 2 de certa forma continua uma história iniciada no primeiro, retoma a apresentação das quatro personagens principais e nos dá uma boa noção do projeto.

Em geral, minha principal curiosidade era como adaptar aquelas crianças tão politicamente incorretas para os dias de hoje. Uma coisa é um cartunista em busca de espaço criando suas personagens, outra é um megaempresário de sucesso pensando num novo nicho de mercado em um tempo de consciência ecológica, pacificista, nutricional, social e assim por diante. Tinha certeza que a Magali não seria uma adolescente obesa, apesar de existirem tantas. Que o Cebolinha não falaria elado e nem arrumaria briga com os vizinhos, apesar de tantos o fazerem. Que o Cascão não continuaria fugindo da água, nem fedendo. E, principalmente, que a Mônica não bateria mais nos amigos com ou sem coelho, fosse ou não dentuça. O que, convenhamos, tiraria toda a graça da história.

Mas a solução encontrada pela equipe de Mauricio de Sousa foi engenhosa e pode se tornar bastante produtiva. A Mônica ainda é a líder da turma, um tanto nervosa, mas cresceu, ganhou corpo, altura e o Sansão fica guardado na cama do quarto. A Magali segue esfomeada, mas se cuida, busca uma alimentação saudável e tem um corpão. O Cebolinha foi numa fonoaudióloga e só fala elado quando está nervoso (grande sacada!). Virou namorado da Mônica. E do Cascão foi ampliado o lado moderno, de skatista, das gírias, e mesmo que não goste, agora toma banho sem dramas. Em suma, numa linguagem teórica pode-se dizer que os personagens se tornaram menos planos e mais esféricos, menos simples e mais complexos, sem perderem a essência construída ao longo de 50 anos.

A estética dos gibis, como se tem comentado muito, é mangá, o estilo anime japonês que saltou dos quadrinhos para os desenhos de televisão até quase a exaustão. Mais alinhado ao público jovem, traz ilustrações grandes (algumas de página inteira), cenários mais elaborados, impressão em preto e branco e mais de uma centena de páginas. Esteticamente a adaptação não foi traumática, pelo contrário, atualizou a linguagem simples da Turma da Mônica para uma geração muito acostumada a imagens. A dúvida é se esse alinhamento com o mangá irá provocar também uma mudança de conteúdo.

Se tomarmos como exemplo o número 2, que tenho em mãos, o conteúdo das histórias mudou muito mais do que as personagens, num claro rompimento entre uma e outra geração. As primeiras histórias da Turma da Mônica Jovem nos levam para um mundo de fantasia, com unicórnios, monstrengos, dragões e feiticeiras que precisam ser destruídos. Para combatê-los a Mônica se torna arqueira; o Cebolinha vira guerreiro; a Magali, feiticeira; e o Cascão, ladino (numa clara referência aos RPGs). Os quatro são transportados para outra dimensão e lá precisam resgatar cinco chaves, lutando contra monstros tão feios e perigosos quanto fáceis de serem vencidos.

Para nós, acostumados aos conflitos realistas e cotidianos dos gibis, essa "harrypotterização" da Mônica desagrada, quase ofende. Pode ser que seja apenas um começo, que em breve vejamos a Turma com conflitos de adolescentes, sem pirotecnias e sem apelar para a batida luta entre Bem e Mal, para clichês como fuga em montanha russa, para cenas de lutinha que lembram os desenhos japoneses exaustivamente repetidos na televisão.

E isso não porque a Turma de antes era melhor que a de agora ou porque os adolescentes precisam de algumas lições. Não! Apenas porque um grupo de personagens que sobreviveu a Mickey, Pateta, Pato Donald, Jaspion, Power Rangers, Chaves, Shrek não pode levar surra do Pokémon, não pode se transformar sob o risco de perder a essência que o trouxe até os anos 2000.

Nesse sentido me preocupa um trecho da já citada carta de Mauricio de Sousa na edição nº 2: "vai ser um bom trabalho, com ramificações pra todo lado, desde publicações especiais com a turminha, licenciamento, desenhos animados, a turma da escola, no celular, na música, em shows, como produto de exportação...". Está bem, não sejamos ingênuos, é claro que a Turma da Mônica só sobreviveu a Walt Disney pela visão comercial de Mauricio, mas será mesmo preciso pensar nesse passo importante, nesse novo momento como um novo produto? Será preciso mencionar licenciamentos e porcarias para celular, que certamente farão as crianças obrigarem os pais a gastar? Não haverá bandeiras mais dignas do tamanho da Turma da Mônica, como incentivo a leitura, valorização do nacional, conscientização de problemas sociais que não aparecem na televisão? Espero que sim, espero que aos poucos a turma seja menos Quarteto Fantástico, menos Harry Potter e mais Shrek, Toy Story, Madagascar, bons exemplos de "produtos" para criança capazes de entreter, fazer pensar e ainda divertir os pais que estão acompanhando os filhos.

Porque os leitores cresceram, é verdade. Mas nem todos ficaram altos, bonitos, fortes, atraentes e felizes.


Marcelo Spalding
Porto Alegre, 15/1/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Nobel, novo romance de Jacques Fux de Jardel Dias Cavalcanti
02. 40 anos sem Carpeaux de Celso A. Uequed Pitol
03. Existem vários modos de vencer de Fabio Gomes
04. Saudade de ser 'professor' de Filosofia de Cassionei Niches Petry
05. Uma suposta I.C. de Elisa Andrade Buzzo


Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2009
01. Quanto custa rechear seu Currículo Lattes - 5/3/2009
02. O melhor da década na literatura brasileira: prosa - 31/12/2009
03. Literatura para quê? - 17/12/2009
04. Era uma vez o conto de fadas - 2/4/2009
05. Aranhas e missangas na Moçambique de Mia Couto - 6/8/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/1/2009
10h09min
Texto bacana, concordo com o ponto de vista sobre a Turma da Mônica (marcou época, de fato), mas sobre ela ser a "única referência cultural brasileira para crianças"(?)... Já ouviu falar em Sítio do Pica-Pau Amarelo ou em Menino Maluquinho?
[Leia outros Comentários de eder]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A REVOLUÇÃO DOS BICHOS
GEORGE ORWELL
COMPANHIA DAS LETRAS
(2012)
R$ 30,00



FITA AZUL DE MARIA ANO VII JANEIRO Nº80
FEDERAÇÃO MARIANAS
FEDERAÇÃO MARIANAS
R$ 12,00



LA PIERRE DU ROYAUME, VERSION POUR EUROPÉENS ET BRÉSILIENS DE BON SENS
ARIANO SUASSUNA
METAILIÉ
(1996)
R$ 47,90



A PAIXÃO ENTRE MULHERES
LINDSEY ELDER
LGS
(1998)
R$ 15,00



MANGÁ TARAREBA - CONTOS DE PASSADO E FUTURO
KYO HATSUKI
SAMPA ARTE / LAZER
(2011)
R$ 9,99



OS QUATRO HOMENS JUSTOS
EDGAR WALLACE
CULTRIX
(1969)
R$ 4,90



DIÁRIO DE UM REPÓRTER
FLÁVIO ALCARAZ GOMES
MERCADO ABERTO
(1995)
R$ 8,00



OS FILÓSOFOS E AS MÁQUINAS
PAOLO ROSSI
COMPANHIA DAS LETRAS
(1989)
R$ 80,00



RACISMO EM PORTUGUÊS
JOANA GORJAO HENRIQUES
TINTA DA CHINA
(2017)
R$ 45,00



OS PARTIDOS POLÍTICOS
BRANDÃO MONTEIRO & CARLOS ALBERTO P. DE OLIVEIRA
GLOBAL
(1989)
R$ 10,00





busca | avançada
31119 visitas/dia
1,1 milhão/mês