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Quinta-feira, 8/6/2006
Amilcar de Castro, o (também) artista gráfico
Adriana Baggio

+ de 6400 Acessos


Capa da edição de A Metamorfose, de Franz Kafka
(acrílico sobre tela, 1997, 50 x 50 cm, coleção particular)

Não são raros os casos de pessoas para as quais emprego e trabalho representam coisas distintas. Trabalham no que gostam mas têm um emprego para sobreviver. Às vezes, até conseguem utilizar as mesmas técnicas e o mesmo conhecimento nas duas atividades. Quando trabalham, são autônomas, seguem seus instintos, fazem as coisas do seu jeito. No emprego, adaptam essas técnicas a outros objetivos menos "nobres", que normalmente não combinam com os seus.

Essa situação é bastante comum nas artes em geral, e especificamente nas artes plásticas. Se os objetos utilitários do mundo também podem ser belos e agradáveis, isso se deve, em grande parte, aos muitos artistas que aplicam o talento não apenas nos seus trabalhos, mas também em seus empregos. Normalmente, os artistas mantêm o emprego até seu trabalho ser reconhecido e começar a render não apenas satisfação, mas um pouco de dinheiro para pagar as contas no final do mês.

Divagando um pouco, com Andy Warhol, o ícone da pop art, foi diferente: ele já ganhava dinheiro aplicando seu talento na publicidade, mas queria ser reconhecido como artista, não como desenhista de produtos e anúncios para revistas. Então, inverteu o processo: passou a aplicar seu talento publicitário nas artes plásticas e, assim, conquistou o respeito da comunidade artística. Conseguiu ganhar ainda mais dinheiro do que antes.

Já o escultor Amilcar de Castro é um exemplo de alguém que tinha um trabalho, mas também precisava de um emprego. Por isso, tornou-se diagramador do Jornal do Brasil no final dos anos 1950. Dessa convergência entre trabalho e emprego resultaram duas coisas boas para nós, brasileiros: ganhamos jornais mais bonitos, leves e agradáveis de ler (porque a reforma gráfica do JB influenciou os outros jornais a fazerem o mesmo) e tivemos a oportunidade de conhecer uma outra faceta sua - a de artista gráfico. Ele, ao invés de "abandonar" o emprego, descobriu nos projetos visuais para jornais, revistas e capas de livro uma nova vertente para sua arte.

Este aspecto da obra do artista mineiro é considerada "menor" e, talvez por isso, seja pouco conhecida. Ou melhor, diria "pouco estudada", porque alguns de seus trabalhos gráficos tiveram mais circulação do que as celebradas esculturas. Claro, fica difícil andar por aí com peças imensas forjadas em ferro, aço ou cobre. No entanto, mesmo quem nunca tenha visto uma escultura de Amilcar de Castro, pode ter uma idéia de sua temática ao observar as formas desenhadas no papel. Ambas mantêm o mesmo estilo, refletem a mesma maneira estrutural de trabalhar, respeitam um limite (que é visível no papel, mas não deixa de existir por ser imaginário no caso da escultura), desvendam processos de cortes, dobras e vincos.

É complicado explicar o visual em palavras, principalmente quando se trata de uma abstração. Pois bem, você tem várias maneiras de visualizar o que acaba de ler. Uma delas é visitando a mostra itinerante Amilcar de Castro - Programador Visual e Ilustrador de Publicações, que contém alguns dos trabalhos gráficos do artista. A exposição fez parte da 5ª Bienal do Mercosul, que aconteceu em 2005, em Porto Alegre, e teve o escultor mineiro como homenageado. Depois, circulou por Belo Horizonte, esteve aqui em Curitiba e agora encerra seu percurso em São Paulo, no Centro Universitário MariAntonia da Universidade de São Paulo (USP), de 8 de junho a 20 de agosto.

Fazem parte da mostra trabalhos realizados entre 1956 e 2002, como os tais projetos gráficos para o Jornal do Brasil. É possível verificar o "antes e depois" do processo e perceber o quanto algo que parece normal hoje, acabou representando uma verdadeira inovação em diagramação de jornal. Neste conjunto de obras, uma curiosidade: a capa da edição de 21 de abril de 1960 do JB, que anunciava a inauguração de Brasília, tem uma concepção gráfica muito parecida com a página de um suplemento dominical do mesmo jornal, cujo conteúdo é o Manifesto Neoconcreto, veiculado em 22 de março do ano anterior. Amilcar foi um dos integrantes deste movimento e teve a oportunidade de aplicar os fundamentos desta poética em objetos muito mais acessíveis do que as obras de arte - como é o caso do jornal. Utilizar os referenciais neoconcretos na diagramação de textos e fotos sobre Brasília representa uma convergência total de signos para transmitir um mesmo significado.

Esta convergência entre o discurso e a prática, entre as esculturas e os desenhos, e mesmo entre a arte e o produto de massa, representa o que o curador da Bienal do Mercosul, Paulo Sergio Duarte, chama de "aventura da coerência". Segundo ele, trata-se de um verdadeiro ensinamento na história da arte no Brasil. Poucos artistas, como Amilcar, conseguiram desenvolver uma vasta produção artística mantendo "reduzidos elementos formais em seu léxico", uma sintaxe econômica (baseada nas regras da dobra e do deslocamento), e uma "disciplina estética muito rara".

É fácil perceber esta coerência, mesmo entre planos diversos como o bi e o tridimensional, quando se interpreta os projetos gráficos a partir dos postulados teóricos das esculturas. Para chegar a esse ponto, o espectador da exposição pode buscar informações e comparar as obras a partir do livro Amilcar de Castro - uma retrospectiva (Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, 2005, 270 págs.), de José Francisco Alves, curador das mostras de Amilcar na bienal citada. Um dos capítulos do volume aborda a produção gráfica do artista e mostra os trabalhos que compõem a mostra itinerante - os originais e fac-símiles de projetos visuais elaborados para jornais, capas de livros, revistas, cartazes e outros.

O traço livre do Amilcar desenhista e pintor, deixando claro a materialidade do pincel, da tinta e do papel, e seu respeito aos limites do quadro, são suas características marcantes e inconfundíveis. Tudo isso pode dar pano para altas reflexões sobre os desafios das artes plásticas, especialmente da pintura, nestes dias de poéticas tão diversas. Para quem deseja conhecer ou rever a obra de um dos maiores artistas brasileiros do século XX, a mostra de seus trabalhos gráficos é uma excelente oportunidade para constatar o quanto a simplicidade pode ser encantadora. Ah! E também para ver que, mesmo quando o artista junta o trabalho com o emprego, ainda não assim não deixa de ser coerente com sua arte.

Para ir além
Centro Universitário MariAntonia


Adriana Baggio
Curitiba, 8/6/2006


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