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Quinta-feira, 5/1/2006
O melhor de 2005: não ter uma lista
Ram Rajagopal

+ de 3200 Acessos

Vou ser bem sincero: não sou muito fã de listas de fim de ano. Uma das razões é justamente porque todos tem que ter sua lista. Uma espécie de declaração anual de tudo que se fez, ouviu, leu, e transformou no ano que passou. Sim, tenho um desgosto especial por aquelas listas que incluem transformações pessoais como "consegui mudar meu hábito de compras inveterado" ou "mudei meu eu interior para conectar mais com o ying-yang exterior". Para aqueles que pensam que se trata de turrice pós-natalina, se enganam. Já ouvi estas coisas de pessoas de carne e osso.

O que me incomoda nestas listas de fim de ano, é justamente o potencial para se transformar um determinado ano em "ano perdido". E se você não salvou o mundo dezenove vezes, enquanto namorava ao pôr do sol com a Gisele Bundchen? 2005 foi um ano perdido? E se você não tirou uma medalha tripla em auto-ajuda, enquanto descobria sua vocação para profeta de padaria? 2005 teria sido um anno horribilis? Estas listas são mais uma oportunidade para cada indivíduo deste admirável mundo novo se certificar de que sua vida andou valendo a pena.

As listas de cada ano me surpreendem. Porque raramente vejo críticos, escritores, engenheiros e todos mais listando o que verdadeiramente descobriram no ano morto. Não. Em geral, escolhem meia dúzia de novidades, algumas de qualidade e outras de qualidade duvidosa, e denunciam o ano como bom ou ruim. Para mim isto é propaganda enganosa. Afinal, será que somente aquela nova banda neozelandesa que usa riffs dodecafônicos baseados nos solos dos Stones marcou presença no ano daquele indivíduo?

Em geral, nestas listas esquecemos de tudo que verdadeiramente importou num ano. Como as dez vezes por dia que ouvimos o mesmo disco. Ou os vários beijos gostosos daquela mesma e conhecida boca. Ou ainda, as várias vezes que lemos as mesmas páginas de um mesmo livro, velho, conhecido e batido. Apesar da sociedade, e dos ditos cidadãos modernos, insinuarem o contrário, não há nada de errado com o reconhecido, bom e confiável. Por isso suspeito destas listas que nunca incluem Beatles, Dostoiévski, uma tarde na praia com amigos, ser como sempre se foi, etc., etc.

Adoro surpresas. Adoro descobertas. Mas muitas supresas podem envolver o conhecido. O bem-conhecido. Uma grande surpresa para mim, em 2005, foi redescobrir os Beatles, e mais especificamente o álbum Rubber Soul. A música dos Beatles parece ser cada vez mais reproduzida, e ao mesmo tempo cada vez menos comentada. Foi gostoso redescobrir o disco, que eu tenho mas não ouvia há um tempinho. E também serviu para me mostrar que quase tudo de "novo" que aconteceu no rock nestes últimos dois anos deve muito a este disco. Prestem atenção que as linhas de harmonia estão lá, a melancolia "pos-modernista" também está por ali, acordes inesperados e os vocais sincronizados. Me surpreendi porque não era muito fã deste disco em particular, e talvez o tempo, a mudança de ares, tenha me revelado um lado inesperado desta linda obra.

Pois é. Outras coisas muito boas aconteceram em 2005, como o crescimento e amadurecimento do Digestivo Cultural, o novo livro do Luis Eduardo Matta, 120 horas, que eu li em pouco mais de 36 horas seguidas sentado no sofá da sala, alguns filmes aqui e ali, resenhas do Paulo Polzonoff finalmente aparecendo num jornal carioca e o entronamento de Ronaldinho Gaúcho.

Mas para lhes ser sincero, as melhores coisas de 2005, para mim são todas repetições do que de melhor aconteceu em 2004. Em 2003, em 2002, até chegar a mais ou menos a oitenta e poucos, quando minha memória já não lembra com detalhes claros o que aconteceu (lembro de ter chorado quando vi Zico perder o pênalti em 1986). Para mim, o melhor de 2005 foram pequenas reuniões com amigos ao som do violão e vinho de dois dólares, idas a Confeitaria Colombo no fim de tarde, descobrir um lugar como Bonito e conhecer uma menina como a Thaís, escrever artigos de pesquisa com os meus vários colaboradores de 2005, ler Camus pela primeira vez, O Conde de Monte Cristo pela segunda, e O Idiota pela enésima, descobrir o prazer de meditar, perder a fobia de escrever, colocar um template novo para o meu blog - o Cataplum! - e me esbaldar com os papos e infindáveis risadas do grupo formalmente conhecido como Estertores da Razão. Não vou deixar de fora ir nadar no mar diariamente durante as minhas estadias de verão no Rio.

2005 foi também o ano que recomeçei a cozinhar com regularidade - o que significa fazer jantar diariamente, e almoço alguns dias da semana - e descobri a conveniência e o sabor de receitas rápidas e de como fazer um arroz com feijão e salada em menos de 20 minutos (segredo). Para quem mora em casa, com os pais, isto não representa muita coisa. Mas para os menos dotados de tais dádivas olímpicas, um arrozinho com feijão pode ser o elixir dos Deuses. Sim, cozinhar ouvindo minha coleção dos Beatles ou Eric Clapton foi uma das atividades mais repetidas durante 2005.

A melhor coisa mesmo deste ano foi descobrir que nem a passagem do tempo, nem as mudanças internas e externas, conseguem deixar a vida entediante. Na verdade só morre de tédio quem procura novidades. Afinal, muitas vezes o velho é novo, ou ao menos o velho é sublime. Como diz um grande amigo meu, e colunista do Digestivo, para que comprar um aparelho de DVD novo só porque tem uma tecla que você nunca vai apertar? Eu acrescento, o melhor de um DVD não está num aparelho ou num disquinho, ou em listinha de terceiros, está é na nossa própria cabeça.

P.S. - E para todos que fazem listas, abandonem-nas em casa, ou deixem a cargo de algum crítico que ganha para fazer isto, e aproveitem o dia bonito para uma caminhada no Jardim Botânico, que sem dúvida pode vir a ser uma das melhores coisas que você fez este ano.

Ram Rajagopal
Rio de Janeiro, 5/1/2006



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