busca | avançada
29037 visitas hoje
64 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> Coleção MPBaby, pela MCD
Temas
Mais Recentes
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
>>> Nasce um imortal: José Saramago
>>> Nas redes do sexo
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> O elogio da narrativa
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
>>> João Moreira Salles e o fim
>>> Tim Ferriss e a autopublicação
>>> O sertão do tamanho do mundo
>>> 3 perguntas: Bumblefoot
>>> Economist matando os blogs
Mais Recentes
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Vendi meus livros, mas doeu (Walter Luiz Cid do N)
>>> Nossa esquecida finitude (Gabriel Marques)
>>> O mercado do jabá (carlos roberto rocha)
>>> O interesse na alienação (Débora Carvalho )
>>> Já não estamos vacinados? (wellvis)
>>> Vigiar os políticos (Carla Ceres)
>>> Meu novo ídolo! (Alberto de C Freitas)
>>> Necessidade de pensar (Manoel Messias Perei)
>>> Nossos livros de bolso (Rafael Rodrigues)
>>> E se fosse psicografado? (José Frid)
Mais Recentes
>>> Quem tem medo do Besteirol?
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Dos amores possíveis
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
COLUNAS

Sexta-feira, 7/12/2007
Os dois lados da cerca
Rafael Rodrigues
+ de 8900 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Diversos livros foram escritos sobre o Holocausto. Alguns foram escritos por pessoas que sobreviveram a ele, outros por descendentes de pessoas que morreram nos campos de concentração e outros foram escritos por historiadores. E não são poucos os escritores de ficção que escreveram sobre o tema ou o utilizaram em suas histórias. Misturando ficção com realidade, muitos conseguem dar uma pequena amostra do que foi e do quão terrível foi o Holocausto.

É o que faz o escritor irlandês John Boyne, através dos olhos de um garoto de nove anos de idade, no romance O menino do pijama listrado (Companhia das Letras, 2007, 186 págs.).

Bruno, o garoto, mora em Berlim com os pais e a irmã. Um belo dia, depara-se com a governanta da família fazendo suas malas. Instantes depois recebe a notícia de que em breve terá um novo lar, pois seu pai fora designado para desenvolver um trabalho em outra cidade, a mando de seu chefe, o Fúria. Uma péssima notícia para Bruno, que deixará para trás seus amigos, sua escola e a casa que tanto gosta.

Ao chegar à casa nova, em Haja-Vista, os olhos de Bruno “se arregalaram, a boca fez o formato de um O, e os braços penderam estendidos ao lado do corpo novamente. Tudo nela parecia ser o oposto da casa antiga, e ele não podia acreditar que eles iriam de fato morar lá.” A casa de Berlim era espaçosa, tinha uma vizinhança movimentada e garotos com quem Bruno podia brincar. “A casa nova, no entanto, ficava isolada num lugar vazio e desolado, e não havia nenhuma outra casa à vista, o que significava que não haveria outras famílias por perto nem meninos com quem brincar...”

No mesmo dia em que chegam a Haja-Vista, Bruno vê pela janela do quarto centenas de pessoas vestidas com as mesmas roupas: “um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça”. Ele não entende o que significa aquilo, nem sabe quem são, de onde vieram e para onde vão aquelas pessoas. Bruno e sua irmã, Gretel, tentam encontrar uma explicação, mas sequer se aproximam da verdade. Os dois não se dão bem, como quase nunca se dão bem irmãos de sexos diferentes, nessas idades (Gretel tem 12 anos), mas a mudança os deixa mais próximos, já que Gretel não tem com quem conversar. Bruno ao menos tem Maria, a governanta, com quem fala francamente sobre sua tristeza e revolta com a mudança. Seu pai, um dos homens de confiança do Fúria, não passa muito tempo em casa. E sua mãe parece ficar cada dia mais triste com a situação: marido distante e filhos descontentes e solitários, assim como ela.

Como acontece na vida real, com o passar do tempo Bruno e sua família se adaptam à nova realidade. Não se conformam, mas se acostumam, cada um com sua própria rotina e afazeres. Certo dia, Bruno resolve caminhar, conhecer os arredores de seu novo lar. Era algo que ele gostava muito de fazer em Berlim: explorar. Assim ele descobria coisas e lugares. Nessa caminhada em Haja-Vista, Bruno descobre que uma cerca enorme separa sua casa do local para onde estavam indo as pessoas de pijama listrado, e descobre também uma pessoa: um garoto chamado Shmuel.

“O garoto era menor do que Bruno e estava sentado no chão com uma expressão de desamparo. Ele vestia o mesmo pijama listrado que todas as outras pessoas daquele lado da cerca, e um boné listrado de pano.”

Separados pela cerca, os dois iniciam uma conversa, que por sua vez dá início a uma grande amizade. A partir daquele dia, Bruno e Shmuel conversarão praticamente todos os dias. E é aí que o livro de John Boyne parece se diferenciar de todas as histórias sobre o Holocausto.

Os dois garotos têm a mesma idade, mas Bruno nada sabe sobre o que ocorre do outro lado da cerca. Shmuel, apesar de viver lá, parece não saber de tudo, mas tem uma noção. Por não saber, e por ter aquela ingenuidade que garotos de sua idade e condição financeira têm, Bruno pensa que o outro lado da cerca é mais alegre. Pensa que lá Shmuel brinca, se diverte e tem amigos. Shmuel, para não perder o novo amigo, que além de companhia lhe traz também, às vezes, alguma iguaria, ou por realmente não saber o que de fato está acontecendo com as pessoas de pijama listrado, não faz comentários detalhados sobre o seu lado da cerca. De tanto perguntar sobre como é a vida do lado de lá, num dia nada belo Bruno passa para o outro lado da cerca e, vestido em um pijama listrado providenciado por Shmuel, realiza sua maior aventura desde que chegou em Haja-Vista. Aventura essa que mudará destino de ambos.

Ao escolher um garoto de nove anos de idade para protagonizar um livro sobre o Holocausto, John Boyne correu um grande risco: ele poderia acabar escrevendo um livro bobo sobre um tema grandioso (no sentido de importante). Mas felizmente isso não aconteceu. Boyne transformou Führer em Fúria, Auschwitz em Haja-Vista e os prisioneiros em pessoas de pijama listrado, e isso deu ao livro o tom correto de ingenuidade, não sendo de maneira alguma piegas.

O menino do pijama listrado é um bom início para um leigo no assunto Holocausto – como eu –, até porque não se atém aos campos de concentração nem narra explicitamente os sofrimentos dos prisioneiros. Então, para quem quer ter um primeiro contato ou ler uma história que tenha o tema como pano de fundo, o romance de John Boyne é leitura obrigatória. Além de ser um livro emocionante e divertido, apesar de triste.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 7/12/2007

Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2007
01. Os dois lados da cerca - 7/12/2007
02. História dos Estados Unidos - 29/6/2007
03. O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues - 2/11/2007
04. O nome da morte - 16/2/2007
05. O homem que não gostava de beijos - 9/3/2007


Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/12/2007
10h41min
A idéia é interessante, até mesmo poética. Embora não goste do tema, pode ser que que leia esse livro nas férias, já que não há uma clara exposição do sofrimento ou tortura (pelo menos assim entendi). Boa resenha. Valeu a dica. Adriana
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy ]
26/7/2008
14h32min
Ótimo o livro... Narra com perfeição a inocência de uma criança em plena guerra desumana e completamente estúpida.
[Leia outros Comentários de Fernanda Chamas]
1/10/2009
20h00min
Li o livro e vi o filme. Confesso que fiquei chocada, apesar de ler e ver tanto sobre o nazifascismo. O tema e o livro fazem uma "chamada", afinal, o pai do Bruno acabou por sentir na pele o que os seus "serviços" causavam às pessoas. No filme, a mãe vê a roupinha do garoto, mas é a situação do pai que amarga, e muito - afinal ele soube exatamente o que acontecera. Os garotos eram inocentes e puros, nem sabiam o que estava acontecendo no momento final. Os holocaustos sempre existiram na história da humanidade, nem sei se podemos chamar pessoas cruéis de humanas, mas o fato é que sempre existiram guerras e sofrimentos. Provavelmente o preço que se paga pelo "progresso" vai muito além daquilo que os nossos afetos conseguem trabalhar. Indico o filme e o livro para as pessoas de um modo geral, e especialmente àqueles que gostam de história e filosofia.
[Leia outros Comentários de Rita de Cássia]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Campus-Elsevier
AIC
Submarino
Editora Paz e Terra
Editora Record
Conrad Editora
Editora Globo
Hedra
Cosac Naify
Intrínseca
Livraria Cultura
Editora Planeta
Editora Unicamp
KindleBookBr
Companhia das Letras
Editora Objetiva
PROMOÇÕES
Campus-Elsevier

Viral Loop
Adam Penenberg
por R$ 66,00


Profissão: Investidor
Jason Zweig
por R$ 77,00


Cobiçado
David Freemantle
por R$ 59,90


Criação e Inovação no Caos
Jeremy Gutsche
por R$ 89,90


Formação de Traders
Rodrigo Puga
Márcio Rodrigues

por R$ 45,00


Inspire-se!
Jim Champy
por R$ 49,90


Design Thinking
Tim Brown
por R$ 69,90


A Geração Y no trabalho
Nicole Lipkin
April Perrymore

por R$ 59,90


Destaque-se
Jim Champy
por R$ 29,90


Previsivelmente Irracional
Dan Ariely
por R$ 55,90


Criação de novos negócios
José C.A. Dornelas
Jeffry A. Timmons

por R$ 149,90


O Legado de Peter Drucker
Bruce Rosenstein
por R$ 39,90


Positivamente Irracional
Dan Ariely
por R$ 69,90


As grandes religiões do mundo
Stephen Prothero
por R$ 79,90


A Era do Twitter
Shel Israel
por R$ 69,90

busca | avançada
29037 visitas hoje
64 mil no mês