Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
40155 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> A novilíngua petista
>>> O Trovador, romance de Rodrigo Garcia Lopes
>>> O começo do fim da hegemonia 'de esquerda'
>>> Portas se abrindo
>>> Um menino à solta na Odisseia
>>> O que aconteceu com a Folha de S. Paulo?
>>> Uma noite de julho
>>> A difícil arte de saber mais um pouco
>>> O anoitecer da flor-da-lua
>>> Hosana na Sarjeta, de Marcelo Mirisola
Colunistas
Mais Recentes
>>> O Digestivo nas Copas
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
Últimos Posts
>>> Paulo Francis e a Petrobras
>>> A lei é para todos
>>> Jornal da Cultura - 18/11/2014
>>> 100% elite branca
>>> Jornal da Cultura - 17/11/2014
>>> Petrobras virou bodega
>>> O avanço do petrolão
>>> Deu na CNN
>>> Amantes de velhas pedras
>>> Um governo que nasceu morto
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> Momento cívico
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
>>> 2 Milhões de Pageviews
Mais Recentes
>>> Vinho Argentino
>>> Minicódigo Penal e Constituição Federal
>>> Marcuse e o Brasil
>>> O Sol é Para Todos
>>> Whitesnake, 1987
>>> A Literatura na poltrona
>>> As Falações de Flávio
>>> Doces bárbaros
>>> Freakonomics
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
LIVROS
Mais Recentes
>>> Um tal Lucas
>>> O Outono do Patriarca
>>> Um Corpo na Neve
>>> Cinquenta Anos Esta Noite
>>> Pedagogia dos Sonhos Possíveis
>>> Enquanto Deus não Está Olhando
>>> O Sopro dos Deuses
>>> A Viagem Iniciática ou Os 33 Graus de Sabedoria
>>> The Rolling Stones - A Biografia Definitiva
>>> O Legado
>>> O Trovador
>>> Prisioneiro da Sorte
>>> O Pergaminho Sagrado
>>> Pergunte a Deepak Chopra Sobre Amor e Relacionamentos
>>> Amor até debaixo d'água
>>> Viagem à Calábria
>>> English Is Not Easy
>>> Quase Casados
>>> Ter e não ter
>>> A Lei do Triunfo
>>> Panteão
>>> O Guerreiro do Oeste
>>> Katherine
>>> A Vingança da Amante
>>> Em Nome do Mal
>>> Por onde você anda?
>>> Os 13 Segredos
>>> Herança de Sangue
>>> O Mistério dos Deuses
>>> Quartos Fechados
>>> Ossos Perdidos
>>> Três Macacos
>>> Quebrando Regras
>>> Êxodo
>>> A Bíblia do Estilo
>>> A Espada de Medina
>>> Cidade das Almas Perdidas
>>> Um Passarinho me Contou
>>> A Árvore Do Halloween
>>> 826 Notas de Amor Para Emma
>>> 50 Ícones Que Inspiraram a Moda: 1990
>>> 50 Ícones Que Inspiraram a Moda: 1980
>>> 5 Seconds Of Summer
>>> 365 dias de inspirações filosóficas
>>> 360 Dias de Sucesso
>>> 200 Receitas de Quitutes Assados
>>> 200 Receitas de Geleias e Conservas
>>> 200 Receitas de Comidinhas Sem Glúten
>>> Maonomics
>>> Diablo III - Livro de Tyrael
COLUNAS

Quinta-feira, 6/3/2008
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Marcelo Spalding

+ de 13500 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Quem esteve na praia, quem pulou carnaval ou deixou o rádio sintonizado nas FMs da hora, certamente ouviu neste verão a música 3 do mais recente CD de Seu Jorge, "Burguesinha". Sambinha gostoso, com sonoridade muito semelhante ao seu sucesso anterior, "Carolina", tornou-se em pouco tempo hit do verão.

Hits do verão, aliás, costumam nos deixar de cabelos em pé. Quem não lembra do Netinho, do É o Tchan, do Terra Samba? Ou da terrível "Hoje é festa lá no meu Apê", do glorioso Latino? Músicas cantadas ou dançadas por pseudocelebridades, não por músicos, e com letras rasas e apelativas, apesar do tom infantil de termos como bundalelê (para mim, nada mais, nada menos que orgia, bacanal). Pois é por isso mesmo que ouvi com certa surpresa e até alegria o povo todo cantarolando e se rebolando com "Burguesinha" nas festas mais populares aqui do nosso litoral gaúcho.

A música faz parte do quarto CD solo de Seu Jorge, América Brasil, composto de onze faixas de muito samba rock e que tem recebido algumas críticas dos entendidos de música. O jornalista carioca Mauro Ferreira, por exemplo, acha que o CD "pouco oferece além das levadas, com versos-clichês sobre a falta de dinheiro e o duro cotidiano do povo brasileiro". O próprio Seu Jorge teria dito que se trata de um disco doméstico, para tocar no churrasco, no computador. Mas como não pretendo comparar Seu Jorge com ele mesmo, e sim Seu Jorge com hits de verões passados, me parece que há espaço para certo otimismo.

Em apenas 16 versos, quatro estrofes, sem contar o refrão, a letra da música composta por Seu Jorge, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha esbanja ironia, não a ironia cáustica de um Machado de Assis, mas a ironia acomodada e "boa praça" do samba, da bossa nova. Ao mesmo tempo em que saúda a burguesinha, um filé de moça, critica com certa veemência o capricho das nossas elites, sempre virada de costas para a realidade da população em geral, lembrando que a população não apenas não come croissant como sequer saca dinheiro, sequer faz o cabelo, espremida entre a rotina estafante e a falta de dinheiro.

No refrão, a repetição da palavra burguesinha soa como a repetição de uma condição, a burguesinha sempre será burguesinha, geração a geração terá seus caprichos satisfeitos. O que muda, de tempos em tempos, é o objeto do capricho, sendo hoje croissant ou suquinho de maçã; ontem, passeio de moto; no tempo da minha avó, meias de nylon.

É possível, admito, que as meninas de salto alto que rebolavam ao som da música na beira de uma rica praia aqui do Sul não tenham percebido essa ironia ou, até mais provável, se orgulhem de comer filé, suquinho de maçã, malhar todos os dias e ir pra casa de praia no fim de semana. Ocorre que essa geração, a minha geração, não tem lá muitas ilusões ideológicas e antes de se envergonhar pelo rótulo de "burguesa", envergonhar-se-ia com o rótulo de "trabalhadora", pois é uma geração contaminada pela lógica fácil do individualismo e seduzida pelas promessas de felicidade capitalista.

Nesse sentido, "Burguesinha" celebra o bem viver, o american way of life, sintetizando em alguns ícones o que marca a pequena burguesia, essa necessidade de mostrar-se diferenciada, consumir o que há de melhor, estar na moda, malhada, o que a torna quase um hino debochado daqueles que perseguem exatamente esse modo de vida. Mas o faz ambiguamente, e aí a beleza de qualquer arte, pois narra do ponto de vista da própria classe favorecida, estratégia formal que um crítico, falando sobre Brás Cubas, chama de "delação de classe": é evidente que se a música adota o ponto de vista da burguesinha é para ironizar sua superficialidade, revelar sua pobreza intelectual ― ainda que ironize e revele sem acusar, sem protestar ― e não realmente bajular aquelas que enfeitam os calçadões.

Decerto se comparada a outros hits de abordagem social, como algumas canções do Chico, do Legião Urbana, dos Titãs, a música parecerá própria a um passageiro hit de verão, pois tira de uma problemática profunda meia dúzia de situações, não proporcionando reflexão ou crítica. Não chega perto de um "Marvin" ou de um "Faroeste Caboclo", e nem se fale de "Gente Humilde", "Saudosa Maloca", mas talvez seja o máximo que uma canção que se quer mercadológica consiga fazer nos tempos de hoje, quando política virou motivo de chacota da imprensa e Marx uma personagem restrita aos livros de história. Não por acaso o melhor Chico de hoje está nos romances, o funk desceu os morros só com o lado chulo, o cinema transformou a história de Olga numa história de amor.

Curioso é uma música dessas ser acolhida pela própria "burguesia" como seu hit de verão, tocar em caras festas de carnaval, sofisticados luaus à beira mar, festivais adolescentes, carros importados. Alguns mais otimistas dirão que é fruto de uma gradual tomada de consciência, o que pode ser um pouco verdade, mas pode apostar que verão que vem, ou no outro, volta um hit da Kelly Key, do Leonardo, do Latino. E cantaremos sem culpa tal qual a neta do Gerdau há de estar cantarolando "burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha"...


Marcelo Spalding
Porto Alegre, 6/3/2008

Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2008
01. O melhor de Dalton Trevisan - 27/3/2008
02. Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha - 6/3/2008
03. Cartas a um jovem escritor - 31/1/2008
04. Nossa classe média é culturalmente pobre - 21/8/2008
05. Ideia acordou sem acento! - 13/11/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/3/2008
10h16min
Muito boa a análise; percepção fina da realidade. Parabéns.
[Leia outros Comentários de Roberta Resende]
8/3/2008
10h51min
Abordagem bem real a respeito de um fenômeno que ocorre no Brasil, de norte a sul. Lembrei-de de uma época em que "Vai Passar" foi a música do momento. Tocava nos mais diversos ambientes: desde a burguesia mais característica ao habitante da favela. Pena que isso é igual a cometas, só ocorre de tempos em tempos, muito distantes. Bom texto.
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy]
11/3/2008
19h39min
Gostei do texto do senhor Spalding. Essa dissecação desta canção do seu Jorge está repleta de boas referências, não só musicais como também histórico-culturais. A ironia mencionada também passa a ser recurso no derradeiro parágrafo. Com essa estrutura de texto, utilizando-se desses recursos, fica um gosto de quero-mais, de se aprofundar talvez por um assunto como luta de classes, ou qualquer outro grande tema: mas isso caberia melhor num livro.
[Leia outros Comentários de Thiago L. Pierroni]
12/4/2009
11h36min
Concordo com a Adriana. Também lembrei do período ditatorial, pois todos cantam, inclusive as patricinhas (burguesinhas). Seu Jorge apenas expôs o cotidiano das "filhinhas de papai", sem precisar dizer que são fúteis de forma explícita... Cabe ao ouvinte compreender.
[Leia outros Comentários de Joelma Aragão]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




>>> Papo de Mãe analisa as dificuldades de aprendizagem das crianças
>>> Janela Janelinha traz o conto "O blues da princesa descabelada" de Hans Christian Andersen
>>> Um campinho de futebol e outras ideias
>>> Paratodos celebra a Consciência Negra na TV Brasil
>>> Evento Cultural Arena das Artes - Mixx Cultural
>>> Moda e literatura em movimento na Ciranda Literária de Macaé
* clique para encaminhar

Editora Record
Globo Livros
José Olympio
Hedra
Companhia das Letras
Editora Perspectiva
Cortez Editora
Bertrand Brasil
Civilização Brasileira
WMF Martins Fontes
Arquipélago Editorial
Intrínseca
Nova Fronteira
Primavera Editorial
Editora Conteúdo
Best Seller
Busca Sebos
LIVROS


ANGRY BIRDS STAR WARS II THE PORK SIDE
Por R$ 24,95
+ frete grátis



ANGRY BIRDS STAR WARS II BRAVE BIRDS
Por R$ 24,95
+ frete grátis



O LEGADO
De R$ 45,00
Por R$ 26,77
Economize R$ 18,23



PALMEIRAS, 100 ANOS DE ACADEMIA
Por R$ 158,95
+ frete grátis



ASSIM É COMO TERMINA
Por R$ 38,95
+ frete grátis



A LISTA
Por R$ 39,95
+ frete grátis



LUIGI PIRANDELLO - UM TEATRO PARA MARTA ABBA
De R$ 52,00
Por R$ 40,95
Economize R$ 11,05



AGUARDO SUA RESPOSTA
Por R$ 44,95
+ frete grátis



ALTO E BOM SOM
Por R$ 59,95
+ frete grátis



COMO SER SOLTEIRA
De R$ 48,00
Por R$ 40,95
Economize R$ 7,05



busca | avançada
40155 visitas/dia
1,3 milhão/mês