O nome da águia | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
34579 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Yoga é tema de série de atividades no Sesc Belenzinho, entre 24 e 27 de agosto
>>> Grupo Palimpsesto homenageia Violeta Parra
>>> Exposição Asas Na Arte - Artista Henrique Vieira Filho
>>> Michael Wesely e Gilvan Barreto abrem individuais hoje em SP
>>> Romance aposta em protagonistas maduros e enredo real
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
>>> Da varanda, este mundo
>>> Estevão Azevedo e os homens em seus limites
>>> Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá?
>>> A fotografia é um produto ou um serviço?
>>> A noite iluminada da literatura de Pedro Maciel
>>> Apontamentos de inverno
>>> Literatura, quatro de julho e pertencimento
>>> O Abismo e a Riqueza da Coadjuvância
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 4. Museu Paleológico
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Jerry Lewis, um verdadeiro louco
>>> Se está ruim para todos, seja melhor que os outros
>>> The game of Prones
>>> Pétalas neon
>>> À Lígia
>>> Um biombo oscila entre o côncavo e o convexo
>>> Síndrome da desesperança
>>> Simbiose
>>> Grafologia
>>> Premiadas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A Teoria Hipodérmica da Mídia
>>> Um conselho: não leia Germinal
>>> Os 25 anos do SBT
>>> The rock'n'roll of our time
>>> Sobre o Jabá
>>> O que é crítica, afinal?
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Hells Angels
>>> Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica
>>> Farinhas fundidas
Mais Recentes
>>> Empresas feitas para vencer
>>> Casamento Blindado
>>> O Que é Questão Agrária
>>> Iniciando uma Pequena Empresa Com Sucesso
>>> Redes Locais - o Estudo de Seus Elementos
>>> Introdução À Macroeconomia
>>> Introdução À Psicologia
>>> Morcegos Negros
>>> Programação e Métodos Computacionais Volume 1
>>> Hepatite C - Guia Prático para o Convívio Diário Com a Doença
>>> Memórias Anapolino de Faria - Histórias e Estórias
>>> Aventura Poética 1987-1988
>>> Que Nome Darei ao Meu Filho?
>>> Duas Opções - a Vida de um Pequeno Fazendeiro Num País Subdesenvolvido
>>> Até Que a Morte nos Separe
>>> O Fim dos Tempos
>>> Vito Grandam
>>> Beleza Negra (autobiografia de um Cavalo)
>>> Os Computadores! da Mesa de Areia ao Cérebro Eletrônico
>>> Parece Que foi Ontem - Global Juvenil
>>> Haidi - a Filha das Montanhas
>>> Filho da Liberdade
>>> Sigismundo do Mundo Amarelo - 8ª Edição
>>> Os Sete Ladrões de Bagdá/a Bela e a Fera/...
>>> Caçadas na África
>>> Ben-hur
>>> Encanto e Verdade
>>> Paraíso Infantil - Em 3 Volumes -1ª Edição
>>> A Verdade por Trás de o Código da Vinci
>>> Servir sem Medir
>>> Contos e Encontros
>>> Já Estava Escrito
>>> Um Santo, Esculpido pela Vida, Lapidado pela Dor
>>> A Sombra de Schumann
>>> Cinco Anos sem Chover
>>> Um Gosto de Quero Mais - 2ª Edição
>>> Minha Vida Como um Burrito Amassado Com Molho Extra de Pimenta
>>> Taras Bulba
>>> O Velho Carro e o Sonho
>>> Glorinha e o Mar - Coleção Jovens do Mundo Todo
>>> Filho da Rua
>>> Histórias do País de Ali-babá
>>> Álbum das Crianças
>>> Álbum das Crianças
>>> Uma Aventura na Idade Média (ficção:usos e Costumes de uma Época)
>>> O Guarany
>>> Reino Infantil - Volume Terceiro
>>> As Minas do Rei Salomão
>>> Ben-hur
>>> Mulherzinhas
COLUNAS >>> Especial Machado de Assis

Terça-feira, 24/6/2008
O nome da águia
Gian Danton

+ de 4100 Acessos

Um dos males de Machado de Assis foi ter, com sua obra de incontestável qualidade, a idéia de que um romance só vale pela análise psicológica dos personagens, ou pela construção sociológica da história. A predominância de Machado em nossa literatura fez com que o modelo literário brasileiro passasse a ser uma marcha lenta constante, como diz Guga Schultze em seu texto no aqui no Digestivo. No Brasil, autores como Isaac Asimov, que sempre centraram suas obras na trama, seriam relegados pela crítica ao ostracismo. Claro que isso tem relação direta com diferença entre Brasil e EUA. A literatura norte-americana se formou em meio ao fenômeno da massificação e da industrialização. De repente, uma enorme massa de pessoas alfabetizadas e com dinheiro estava interessada em diversão e comprava tudo que saía, de jornais aos famosos pulp fiction, passado pelos gibis. Embora, evidentemente, houvesse autores que centrassem sua atenção mais na psicologia dos personagens, ou nas questões estilísticas, havia uma boa tradição de obras escritas com pé na trama. Uma tradição que vem de Edgar Allan Poe. No Brasil, o guia literário sempre foi Machado, um funcionário público que escrevia livros, com ritmo de uma vela que queima, para um público aristocrático.

O único gênero em que a ênfase sobre a história pareceu sobreviver foram os livros juvenis e infantis. Foram neles que surgiram grandes autores, tais como Monteiro Lobato e Marcos Rey, que deliciaram gerações de leitores. Lobato, aliás, costumava dizer que não fazia literatura, para diferenciar sua obra dos "acadêmicos".

Mas essas crianças e jovens, que moravam nos livros de Lobato ou de Marcos Rey, quando ficam adultos, ou se acostumam com a literatura brasileira em marcha lenta, ou buscam autores estrangeiros. São poucos os escritores que se dedicam a gêneros mais populares.

Essa longa introdução é, na verdade, para falar de O Nome da Águia (Novo Século, 2008, 320 págs.), de autoria de Alexandre Lobão. O livro não tem nada do que se tem visto como qualidade nos autores nacionais: não há longas análises de personagens, nem preocupações sociológicas. Também não há um estilo rebuscado. Há apenas uma história intrigante e bem amarrada, que poderia dar um bom seriado ou (melhor) uma história em quadrinhos.

Lobão, que é roteirista de cinema e quadrinhos, aposta todas as suas fichas na ação e no suspense causado pelos vários ganchos jogados ao longo da história. Além disso, o livro apresenta narrativas alternadas, um capítulo no presente e outro no passado, mostrando encarnações passadas dos personagens. Lembra os bons quadrinhos da década de 1980, período em que os artistas exploraram ao máximo as potencialidades narrativas da nona arte, em histórias pouco convencionais e não lineares.

A história de O Nome da Águia começa em 3497 antes de Cristo, numa pequena tribo de hebreus. Sete personagens recebem dons especiais. Entre eles, dois se destacam: Hebel encarna o amor de Yahweh; Qnah, a paixão.

A narrativa, em seguida, pula para o ano de 2012 depois de Cristo, quando um arqueólogo alemão descobre um documento em hebraico nos restos do bunker de Hitler e comunica a um amigo.

A partir daí, vamos acompanhando as descobertas dos dois cientistas e a perseguição sofrida por eles, alternadas com a narrativa das várias encarnações pelas quais vão passando Qnah e Hebel, que tomam rumos completamente diferentes. Enquanto Hebel difunde a palavra de Deus através de exemplos e da bondade, Qnah tenta fazê-lo através de impérios. Nesse sentido, a trama é um tanto óbvia. Torna-se evidente que Qnah irá encarnar reis, como Alexandre, O Grande e Alexandre Janeu, rei da Judéia ou mesmo Átila. Por outro lado, Hebel irá encarnar Buda e mesmo Jesus. O interessante aí é não só adivinhar que personagens eles personificarão, mas perceber como o autor irá explicar as inevitáveis incoerências, como o fato de Qnah encarnar Herodes, que manda matar o menino Jesus, e depois irá encarnar papas ferrenhos defensores do cristianismo. Ou como esse personagem, sendo originalmente hebreu, virá a ser Hitler, o maior perseguidor dos judeus.

Surpreendentemente, Lobão consegue atar os fios soltos da trama, explicando até mesmo as incoerências. Essas incoerências, aliás, acabam se tornando, na narrativa, uma forma de ironia.

Algo interessante em O Nome da Águia é o uso da reencarnação. Num país em que há uma parcela considerável da população que acredita no espiritismo, é surpreendente que outros escritores não usem esses preceitos em seus escritos. Na verdade, os livros que falam sobre o assunto são exclusivamente religiosos. Lobão percebeu a possibilidade narrativa que a reencarnação oferece, ao mostrar como a atuação dos personagens no presente está calcada em suas vidas passadas. E faz isso sem dogmatismo. Ele não quer converter o leitor, quer apenas usar um artifício narrativo pouco usual.

A edição da Novo Século contribui para o bom resultado da obra. Diagramação correta, papel de encorpado, capa com ilustrações em alto relevo. Só faltou uma maior preocupação com a revisão, especialmente com o tempo verbal, que oscila do passado para o presente, às vezes no mesmo parágrafo, como no trecho a seguir: "A multidão abriu espaço enquanto o grupo se encaminhava ao centro da aldeia. Lá chegando, Hebel e Qnah sobem em um pequeno palco no canto da área central". Não é o fim do mundo, mas essa ida e volta dos tempos verbais incomoda o leitor mais atento.

De resto, O Nome da Águia acaba sendo um bom thriller de ação num mercado que carece desse tipo de obra.

Para ir além






Gian Danton
Macapá, 24/6/2008


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O que te move? de Fabio Gomes
02. As crianças do coração do Brasil de Elisa Andrade Buzzo
03. Alice in Chains, por David De Sola de Luís Fernando Amâncio
04. Carles Camps Mundó e a poética da desolação de Jardel Dias Cavalcanti
05. A coerência de Mauricio Macri de Celso A. Uequed Pitol


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2008
01. Autobiografia teológica - 12/3/2008
02. Histórias de robôs - 3/3/2008
03. Em defesa dos roteiristas de quadrinhos - 7/4/2008
04. Coisas Frágeis - 4/8/2008
05. O nome da águia - 24/6/2008


Mais Especial Machado de Assis
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DE SAGA EM SAGA - PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA DE 1909
SELMA LAGERLÖF
OPERA MUNDI
(1973)
R$ 25,90



MUITAS VIDAS, MUITOS MESTRES
BRIAN L. WEISS, M.D
SEXTANTE
R$ 10,00



O ENSINAMENTO DE IESCHUA DE NAZARÉ
CLAUDE TRESMONTANT
PAULINAS
(1972)
R$ 39,90



O DUPLO ETÉRICO
ARTHUR POWELL
PENSAMENTO
(1980)
R$ 47,80
+ frete grátis



DESDE QUE O SAMBA É SAMBA
PAULO LINS
PLANETA
(2012)
R$ 26,00



MARKET GARDEN PARA-QUEDISTAS EM AÇÃO
ANTHONY FARRAR - HOCKLEY
RENES
(1977)
R$ 10,00



HARRY POTTER E A ORDEM DA FENIX - LIVRO 5
J.K.ROWLING
ROCCO
(2003)
R$ 10,00



FUTURO PRESENTE - DEZOITO FICÇÕES SOBRE O FUTURO
NELSON DE OLIVEIRA
RECORD
(2009)
R$ 9,60



PACHAMAMA - MISSÃO TERRA 2 - AÇÕES PARA SALVAR O PLANETA
VÁRIOS AUTORES
MELHORAMENTOS
(2011)
R$ 49,00



AS CONSEQUÊNCIAS MORAIS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO
BENJAMIN M. FRIEDMAN
RECORD
(2009)
R$ 24,90





busca | avançada
34579 visitas/dia
1,1 milhão/mês