A História de Alice no País das Maravilhas | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
30430 visitas/dia
586 mil/mês
Mais Recentes
>>> Encontro de Improvisação Livre BRA - NOR _SESC POMPEIA
>>> Cia de Danças de Diadema apresenta-se na CAIXA Cultural Rio de Janeiro
>>> Confraria do Vinil chega ao Cachaça Social Club na Lapa
>>> Windsor Marapendi apresenta Companhia Estadual de Jazz
>>> CarnaRock KISS FOR KIDS
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Imprimam - e repensem - suas fotografias
>>> Um Cântico para Rimbaud, de Lúcia Bettencourt
>>> Longa vida à fotografia
>>> Oswald de Andrade e o
>>> Nuvem Negra*
>>> Em defesa da arte urbana nos muros
>>> Vocês, que não os verei mais
>>> Em nome dos filhos
>>> O Que Podemos Desejar; ou: 'Hope'
>>> Píramo e Tisbe
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
Últimos Posts
>>> Humanidade, dúvidas constantes
>>> Sonho de carnaval
>>> Como nascer em vulcões inventados
>>> Fotógrafa da Amazônia é destaque na Europa
>>> Matiz carmim (série: Sonetos)
>>> Gente que corre
>>> Inventário de provas
>>> Escrever, escrever, escrever...
>>> Políticos e suas politicagens
>>> Marceneiro
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Melhores Podcasts
>>> Festa da Cerejeira
>>> Plantar bananeira, assoviar e chupar cana
>>> Star Wars
>>> Macworld San Francisco 2006
>>> Aula de Violão com Lenine
>>> Allegremente
>>> Reflexões a respeito de uma poça d´água
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Há vida inteligente fora da internet?
Mais Recentes
>>> Há Poder em Suas Palavras
>>> O Filho do Homem
>>> Homemade Gifts
>>> A Ciência Econômica e o Método Austríaco
>>> Lições do texto: leitura e redação
>>> Estudo-Vida Romanos 1
>>> Contos de arrepiar
>>> O caso do filho do encanador ´romance da vida de um romancista
>>> O universo do indistinto
>>> Machado de Assis desconhecido
>>> A Rússia dos Sovietes - Impasses de um projeto socialista
>>> Negócios e ócios - Histórias da imigração
>>> A Filosofia no Ensino Médio - limites, avanços e possibilidades
>>> As profecias de Tutankhamon
>>> O livro do amor- o legado de Maria Madalena
>>> A Biblioteca de Machado de Assis
>>> Bim-Bom- A contradição sem conflitos de João Gilberto
>>> Grafias que geram dúvidas
>>> Manual de Redação
>>> Técnicas de Redação
>>> Laboratório de Redação ( Manual do Professor para o)
>>> Anjos e Demônios
>>> 111 Poemas para crianças
>>> O Senhor dos Ladrões
>>> O menino narigudo
>>> Os miseráveis
>>> Otelo
>>> Inverno na Manhã
>>> A outra face - História de uma garota afegã
>>> A nuvem
>>> Buracos
>>> O fazedor de velhos
>>> Vida de droga
>>> O ingles sem auxílio do professor - vol.2
>>> Amazônia Reino da Fantasia
>>> É fácil matar
>>> Assassinato na casa do pastor - Miss Marple
>>> Por que não pediram a Evans?
>>> Ouse Dançar com Deus
>>> Exposição sintética da Filosofia Teosófica- a Sabedoria Antiga
>>> 20 Poemas de Amor e uma canção desesperada
>>> Cartas de Amor a LIlja Brik
>>> A droga da obediência
>>> A droga do amor
>>> Anjo da morte
>>> Anjo da morte
>>> Robin Hood
>>> A marca de uma lágrima
>>> Rick e a girafa
>>> Julinho, o sapo
COLUNAS

Sexta-feira, 29/7/2011
A História de Alice no País das Maravilhas
Marcelo Spalding

+ de 4400 Acessos

Esses dias estava perambulando pela Livraria Saraiva, aqui em Porto Alegre, quando encontrei o belo livro Contos que a Vovó Lê Pra Mim, da Disney. O livro, de 2009, tem 320 páginas e custa R$ 59,00. A edição tem as bordas douradas e traz na capa inconfundíveis personagens ilustrados no traço da Disney, como Dumbo, Pequena Sereia, Nemo e Bambi. Abri o exemplar e, primeiro, me surpreendi com a mistura de histórias, pois temos desde clássicos como Branca de Neve até histórias contemporâneas como Rei Leão e Toy Story. Até aí, tudo bem, sinal dos tempos. O que me surpreendeu e provocou esta resenha foi chegar na página de Alice no País das Maravilhas e perceber que não havia nenhuma referência ao nome de Carroll, o autor do livro! Procurei nas páginas iniciais, nas finais, no rodapé, mas nada, Alice no País das Maravilhas estava ali incorporado como um conto clássico, sem autoria, apenas a menção do nome de quem o adaptou.

Curioso, fui até a seção de livros infantis e reparei que há outros casos em que o livro Alice no País das Maravilhas não traz referência ao autor, como na Coleção "Livros Sonoros de Contos Clássicos", da Editora Ciranda Cultural. Aqui a história de Carroll é reduzida a seis páginas, com ilustrações de tela inteira e o texto, em caixa alta, resumido em um parágrafo. O grande diferencial é que o "leitor", clicando em botões na lateral do livro, poderá ouvir a narração da história.

Sei que Barthes já escreveu sobre a morte do autor em meados do século passado, que muito se tem discutido sobre Creative Commons nessa era digital, mas a mim pareceu que omitir a autoria de um romance como Alice é criminoso, algo como adaptar Hamlet sem citar Shakespeare (ainda que haja dúvidas sobre a existência real de Shakespeare) ou adaptar Dom Quixote sem mencionar Cervantes. Não são edições amadoras, são edições de grandes grupos editoriais vendidas em uma mega-livraria com ação em Bolsa de Valores, e ainda que a omissão da autoria original esteja protegida pela lei, já que o texto caiu em domínio público, atribuo esse descaso ao fato de tratar-se de literatura infanto-juvenil, pois desafio alguém a encontrar edição de Hamlet sem menção a Shakespeare e de Quixote sem o nome de Cervantes.

Alice no País das Maravilhas (em inglês, Alice's Adventures in Wonderland, frequentemente abreviado para Alice in Wonderland) foi publicado em 4 de julho de 1865 por Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, com ilustrações de John Tenniel. Carroll, segundo o polêmico e exigente crítico norte-americano Harold Bloom, foi o grande mestre da literatura fantástica (ou de fantasia).

A estória (como diria Guimarães Rosa) surgiu em 1862, num passeio de barco pelo rio Tâmisa, quando Charles Dodgson a conta de improviso para entreter as irmãs Lorina, Edith e Alice Liddell. Dois anos mais tarde, Dodgson presenteia Alice com o manuscrito Alice Debaixo da Terra (em inglês, Alice Adventures Under Ground), manuscrito que continha 37 ilustrações feitas pelo próprio autor.

Anos mais tarde, em 1886, este manuscrito seria publicado e hoje está disponível na internet em http://www.gutenberg.org/files/19002/19002-h/19002-h.htm. A edição é primorosa, pois revela todo o trabalho manual de redação e ilustração das páginas. Ao final, há uma fotografia da menina Alice Liddell e um posfacio de Charles Dodgson em que diz jamais ter pensado na publicação do livro quando o escreveu, mas que o incentivo dos amigos para publicá-lo foi de grande valia, em especial pela alegria que o livro leva às crianças, mesmo que doentes. Ele reproduz, inclusive, uma carta que inicia assim: "Gostaria que você enviasse uma felicitação de Páscoa para uma criança muito querida que está morrendo em nossa casa. Ela está enfraquecendo, e Alice iluminou algumas das desgastantes horas de sua doença. Sei que sua carta seria um deleite para ela, especialmente se você escrever 'Minnie' no cabeçalho".

Para a publicação do livro, em 1865, Dodgson ampliou a história de seu manuscrito, mudou o título para o que hoje conhecemos e trocou seus desenhos pelas 42 ilustrações enviadas por John Tenniel. O trabalho completo pode ser acessado em http://ebooks.adelaide.edu.au/c/carroll/lewis/alice/ num e-book produzido pela Universidade de Adelaide. Anos mais tarde, em 1871, Dodgson publica, novamente sob o pseudônimo de Carroll, Alice Através do Espelho e o que encontrou por lá (em inglês, Through the Looking-Glass and What Alice Found There).

Consta que Alice no País das Maravilhas tornou-se mais popular apenas depois do lançamento de sua continuação, que teria vendido mais que o primeiro, mas chama atenção a rapidez com que o livro foi traduzido pela Europa: em 1869 foram lançadas traduções em alemão e francês; em 1870, em sueco; em 1872, em italiano. No Brasil, a primeira tradução é de Monteiro Lobato, publicada em 1938. O prefácio de Lobato para a edição, aliás, é muito curioso: "(.) Ficou famoso o livro entre os povos de língua inglesa. Foi traduzido por toda a parte. Seu autor imortalizou-se. Hoje aparecem em português. Traduzir é sempre difícil. Traduzir uma obra como a de Lewis Carrol, mais que difícil, é dificílimo. Trata-se do sonho duma menina travessa - sonho em inglês, de coisas inglesas, com palavras, referências, citações, alusões, versos, humorismo, trocadilhos, tudo inglês, - isto é, especial, feito exclusivamente para a mentalidade dos inglesinhos".

Dodgson ainda publicaria, em 1890, The Nursery "Alice", uma adaptação feita por ele próprio com vinte das ilustrações originais de Tenniel, coloridas e ampliadas, e uma nova capa ilustrada por E. Gertrude Thomson. No prefácio dirigido a "qualquer mãe", Dodgson afirma ter razões para acreditar que "Alice no País das Maravilhas tem sido lido por centenas de crianças inglesas, entre cinco e quinze, também por crianças entre quinze e vinte e cinco, e ainda por crianças entre vinte e cinco e trinta e cinto (.) Minha ambição agora é ser lido por crianças de zero a cinco". A edição está disponível na web em http://www.aliang.net/literature/the_nursery_alice/.

Em 1898, aos 65 anos, Charles Lutwidge Dodgson, ou simplesmente Lewis Carroll, morre na casa de sua irmã, em Londres. Provavelmente sem imaginar que cinco anos depois seria produzido o primeiro filme baseado em Alice, que cinquenta anos depois seria lançada a primeira animação de Alice, que dois anos depois uma empresa que sequer existia quando do seu falecimento, a Disney, levaria a história para todos os lares, que mais de cem anos após sua morte um grande diretor de Hollywood faria uma versão em 3D de sua história e que centenas de adaptações e versões seriam escritas e publicadas, algumas sequer mencionando seu nome.



Marcelo Spalding
Porto Alegre, 29/7/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Transformação de Lúcifer, obra de Egas Francisco de Jardel Dias Cavalcanti
02. Livrarias de Ricardo de Mattos
03. Os novos filmes de Iñárritu de Guilherme Carvalhal
04. Morrer, na literatura de Marta Barcellos
05. 'A Imaginação Liberal', de Lionel Trilling de Celso A. Uequed Pitol


Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2011
01. História da leitura (I): as tábuas da lei e o rolo - 25/2/2011
02. História da leitura (II): o códice medieval - 18/3/2011
03. História da leitura (III): a imprensa de Gutenberg - 1/4/2011
04. O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa - 3/6/2011
05. A revista Veredas e os mil minicontos - 23/9/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




VIDA ROUBADA
NERO BLANC
EDIOURO
(2004)
R$ 9,90



NA DOR E NA ALEGRIA
JIM E SALLY CONWAY
CULTURA CRISTÃ
(2003)
R$ 20,00



O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA
THOMAS BULFINCH
EDIOURO
(2011)
R$ 18,00



A ÚLTIMA ESPERANÇAA
FRANK G. SLAUGHTER
CIRCULO DO LIVRO
R$ 3,00



A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO (TEORIA DA DRAMATURGIA)
ERIC BENTLEY
ZAHAR
(1967)
R$ 48,00



CONFISSÕES
SANTO AGOSTINHO
APOSTOLADO DA IMPRENSA
(1958)
R$ 9,40



COMPROMISSOS ILUMINATIVOS
DIVALDO PEREIRA FRANCO
LEAL
(1998)
R$ 7,00



TURMINHA DA FÉ BIA E A MANSIDÃO
VÁRIOS AUTORES
VALE DAS LETRAS
R$ 5,00



O PROFETA
GIBRAN KHALIL GIBRAN
ACIGI
(1972)
R$ 9,90



MICROECONOMICS AN INTUITIVE APPROACH WITH CALCULUS
THOMAS J NECHYBA
SOUTH-WESTERN
(2011)
R$ 90,00
+ frete grátis





busca | avançada
30430 visitas/dia
586 mil/mês