Digestivo nº 216 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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>>> Berlitz: Portuguese English - Inglês Português de Berlitz pela Berlitz (1982)
>>> Pequeno Dicionário de Sociologia de Clovis Pansani pela Copola (1998)
>>> Pensamento e a Vida - Ditado pelo Espírito Emmanuel de Francisco Cândido Xavier pela Feb (1998)
>>> Série Prisma - Previsão do Tempo e Clima de A. G. Forsdyke pela Melhoramentos (1975)
>>> Mitos e Lendas da Roma Antiga - Coleção Prisma de Vários Autores pela Melhoramentos (1976)
>>> Meditação: A Arte do Êxtase de Bhagwan Shree Rajneesh pela Cultrix (1976)
>>> Bola de Sebo e Outras Narrativas de Guy de Maupassant pela Expressão Popular (2013)
>>> Dieta Mediterrânea de Dr. Fernando Lucchese e Outro pela L&PM (2005)
>>> Psicologia e Literatura de Dante Moreira Leite pela Editora Nacional (1967)
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>>> Semiologia Médica Vol. 1 de Vieira Romeiro pela Científica (1948)
DIGESTIVOS

Quarta-feira, 2/3/2005
Digestivo nº 216
Julio Daio Borges

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+ 4 Comentário(s)




Música >>> Aviso aos Navegantes
Foi Zuza Homem de Mello ou foi Nelson Motta quem disse que Elis Regina era a nossa única cantora completa? E que as cantoras atuais tinham algumas qualidades, mas, não, todas – como ela? O fato é que, por mais que haja intérpretes, faltam interpretações que dêem conta dela... Elis Regina Carvalho Costa. É a sensação que fica (de novo) depois de assistir ao MPB Especial de 1973, vulgo Ensaio de Fernando Faro, lançado em DVD graças a uma parceria entre a TV Cultura e a gravadora Trama. Lá está Elis Regina, acompanhada de César Camargo Mariano, Paulinho Braga e Luisão, dominando o tempo como só, talvez, João Gilberto. Contando histórias de uma outra época. De um outro Gil, de um outro Caetano, de um outro Milton, de um outro Chico, de um outro Edu. Articulada como poucas: usando gírias mas, ao mesmo tempo, fazendo questão do português correto. Sem papas na língua, revelando intimidades sobre a família, expondo pontos de vista sobre seus colegas, relembrando episódios dolorosos sem falsificação. Nua e crua... As armações contemporâneas são tantas, as maquinações, tão constantes, as empulhações, quase regra geral, que fica difícil acreditar no surgimento de outra artista, ou de outra geração de artistas, que – nesta mídia que aí está – rompa com o que quer que seja. Ou, mesmo sem romper, produza algo de novo ou de minimamente autêntico. Hoje, as arestas são aparadas por uma “produção” que pasteuriza qualquer coisa (afinal, os “produtores” são sempre os mesmos). Hoje, o cânone musical é tão violento (e a exigência comercial, tão eminente) que o grau de liberdade para lançar compositores inéditos é praticamente zero. Hoje, a audiência está tão estupidificada (e o mass media, tão comprometido com esse esquema) que se uma nova Elis Regina surgisse agora, talvez se condenasse ao anonimato ou talvez se limitasse à mediocridade da trilha sonora de novela. E por mais que se fale em Maria Rita – e por mais que ela seja filha dela –, o DVD lamentavelmente comprova que estamos a anos-luz de distância e que não existe base de comparação entre elas. [Comente esta Nota]
>>> MPB Especial/Ensaio - Elis Regina - Trama
 



Imprensa >>> A revolução antiindustrial
Existe um único consenso entre a imprensa de esquerda e a imprensa de direita: o consenso de que a imprensa vai mal. Todos reclamam de pensamento único, todos reclamam de interesses em jogo, todos reclamam de manipulação da informação. E todos, nesse ponto, têm razão. Engrossando o coro dos descontentes, está Bernardo Kucinski, autor do chomskiano Jornalismo na era virtual, professor da ECA e integrante do atual governo desde 2003. Apesar do título, que sugeria um auspicioso volume sobre jornalismo na internet, com referendo de Alberto Dines, a obra, publicada pela editora da Unesp, divide-se em três capítulos com pequenos ensaios cada, dois ou três deles apenas sobre a atividade jornalística na Web. Kucinski é um otimista, no sentido de que compara a sua formação em redação, ou melhor, o modus operandi de seus colegas de então, com os recursos tecnológicos de agora e conclui que não poderíamos estar melhor. Ao contrário de seus colegas de ideologia, combate fortemente a noção de “exclusão digital”, dizendo que seria o mesmo que excluir os analfabetos da invenção de Gutenberg (justamente, a imprensa). Sim, a internet não muda o mundo, porque exclui grande parte dele hoje (os sem-computador); mas, não, essa não é uma realidade permanente, na medida em que se investe no barateamento do computador pessoal e na dita “inclusão digital”. Esse é o pensamento de Kucinski; e, nesse ponto, está alinhado com o futuro. Já não está quando procura ressuscitar o que ele mesmo chama de “jornalismo romântico”; e não está, também, quando atribui à universidade um papel superdimensionado na formação ética do jovem foca. Afinal, o próprio Kucinski reconhece que fala para as paredes quando se dirige a profissionais na ativa (alunos de seus cursos de pós-graduação) e procura introduzir uma certa “razão ética”; e o mesmo autor da complexa expressão reconhece o corporativismo e a explosão das faculdades de jornalismo, que em nada contribuíram para a qualidade do produto final (o jornal). Compensam, ainda, suas conhecidas análises do atual jornalismo econômico (embora ele implique um pouco com a era neoliberal). No fim, os insights valem pela aparente falta de estrutura no pensamento nas quase 150 páginas de Jornalismo na era digital. [Comente esta Nota]
>>> Jornalismo na era virtual - Bernardo Kucinski - 143 págs. - Unesp
 



Literatura >>> Onde está todo mundo?
Yury Hermuche é desta nova geração eletrônica. Quando se formou, multimídia, em jornalismo, arquitetura e tocando guitarra numa banda, perguntaram-lhe: “Yury, o que vai ser?” Na época, ele estava perto de lançar Perigondas (1999), seu primeiro livro de contos. Hoje, continua se esparramando em múltiplas direções, densamente envolvido com internet, como convém, e lançando agora seu segundo livro de contos, Sobre Viagens e Fugas, mais uma vez de forma independente. Corre à boca pequena que ele é o webmaster dos webmasters (ou o webdesigner dos webdesigners) lá na editora Abril, mas, enquanto isso, continua tocando guitarra numa banda que rigorosamente não se apresenta (com colegas da FAU/USP) e segue na admiração forte por Julio Cortázar (uma vez, num bar, já há alguns anos, disse que sua missão na Terra era divulgar Todos os fogos o fogo)... Essa mistura de vivências está refletida no pequeno volume de nove narrativas curtas. Mais uma grande influência do cinema (aliás, comum a muita gente). Talvez por trabalhar com imagens, entre outras coisas, Yury escreva como se filmasse – descrevendo cenas pontuais, saltando de uma situação a outra, encerrando tomadas e clicks, mais do que parágrafos ou frases. Talvez, também, seja essa sua ambição secreta. Há poucas semanas, deixou escapar que uma citação na Playboy se havia convertido numa possibilidade de realizar um curta (a partir de um conto seu). Claro que o olhar de arquiteto está igualmente presente. A voz, por trás dos textos, é de um urbanóide confesso. Mas, aparentemente de maneira paradoxal, os melhores momentos de Sobre Viagens e Fugas não são os instantes ou até os instantâneos, mas a prosa caudalosa onde Yury se solta, se arrisca e se perde – como em “Ao redor do corpo”, uma história metalingüística e autobiográfica em que o autor fala de sua saga para a publicação e de uma gravidez indesejada. Podia tranqüilamente constar de qualquer coletânea badalada de autores novos... E é uma pena que a geração internet não absorva de papel tanto quanto absorve de tela. Seria uma verdadeira revolução nas letras. [Comente esta Nota]
>>> Sobre Viagens e Fugas - Yury Hermuche - 157 págs.
 
>>> EVENTOS QUE O DIGESTIVO RECOMENDA



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* Cultura brasileira: O jeito de ser e viver de um povo - Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo
(Seg., 28/2, 19h30, VL)

>>> Noites de Autógrafos
* A fôrma e a forma: as palavras e as imagens do design -
Claudio Ferlauto
(Qua., 2/3, 18h30., CN)
* A herânca escultória da tipografia - Norberto Gaudêncio Junior
(Qua., 2/3, 18h30, CN)
* Tipografia comparada: 108 fontes clássicas analisadas e comentadas - Cláudio Rocha
(Qua., 2/3, 18h30, CN)
* Media training: melhorando as relações da empresa com jornalistas - Nemércio Nogueira
(Qui., 3/3, 18h30., CN)

>>> Exposições
* Exposição de Guillermo von Plocki
(De 1º a 15 de março, de Seg. a Sáb, CN)

>>> Shows
* New York, Broadway, Paris - Traditional Jazz Band
(Sex., 4/3, 20hrs., VL)
* Espaço Aberto - Olivia
(Dom., 6/3, 18hrs., VL)

* Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos (VL): Av. Nações Unidas, nº 4777
** Livraria Cultura Conjunto Nacional (CN): Av. Paulista, nº 2073
*** a Livraria Cultura é parceira do Digestivo Cultural

 
Julio Daio Borges
Editor

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
2/3/2005
09h40min
Realmente o apelo comercial hoje em dia, esta cada' vez mais exigindo certas posturas... por exemplo, depreciar qualquer outro artista ou cantora brasileira e exaltar exageradamente Elis Regina... Não quero colocar aqui em questão o potencial de uma cantora como Elis Regina. Meu caro, a MPB atual esta' um pouco escondida, mas é só prestar um pouco de atenção. Temos excelentes cantoras e porque não dizer completas!!! Não esqueça que tivemos, que tivemos não!, que temos a Nara Leão, que é absolutamente indiscutível, Maria Bethânia, que sempre produziu trabalhos impecáveis, hoje independente contínua mostrando a que veio! E Maisa? E Dolores Duran? Silvia Telles? Etc... Hein? Será que você saberia me dizer qual dessas não é completa? Você teria coragem? Isso porque não fui mais além para falar de outras como Araci de Almeida e até mesmo Ângela Maria, tão pouco apreciada e tão pouco respeitada hoje em dia, a qual Elis nesse mesmo “Ensaio” elege como a sua maior referencia... Acho que apelo comercial tem limite! Você deve concordar comigo!! Obrigado
[Leia outros Comentários de Marcos]
2/3/2005
18h04min
Julio, sabemos que Maria Rita não tem a estatura da mãe Elis Regina, mas não seria ela, ainda assim, uma luz no fim do tunel na caverna cada vez mais tenebrosa do vazio musical brasileiro ou mesmo mundial (nos termos que voce coloca)?
[Leia outros Comentários de jardel]
2/3/2005
21h46min
Concordo totalmente com o texto do Julio. Como a Elis é autêntica e sincera! Como a Maria Rita é um produto que pode ser retirado de uma prateleira, de tão massificada e pasteurizada que é. Além disso o repertório da MRita é bem medíocre e inferior ao da Marisa Monte, por exemplo. Hoje em dia virou moda gostar da MR, especialmente entre os "yuppies" e classe média alta. Sem dúvida há outras excelentes cantoras, como Araci de Almeida, Elizeth Cardoso, Marisa Monte, Rosa Passos, Nara Leão etc. Agora fica a questão: se Elis vivesse no século XXI, possivelmente seria tão "marqueteada" quanto outras cantoras atuais...o mercado é que muitas vezes dita o gosto popular...
[Leia outros Comentários de Carlos]
9/3/2005
15h14min
O mercado se tornou uma entidade abstrata, quase metafísica de tão impalpável, mas não devemos esquecer que quem sustenta o mercado somos nós, criaruras autômatas que assistem televisão e por consequência "compram" marias-ritas, enlatadas, pasteurizadas e até mastigadas... Elis Regina é insuperável para a MPB assim como Louis para o jazz, por serem únicos. Completo é um termo apropriado para quem acredita que a MPB vai ressurgir das cinzas e a que a Rede Record vai voltar a transmitir os grandes festivais de antigamente... Existe música boa acontecendo, bem como ótimas cantoras... e essas certamentes não estão sentadas ao lado das filhas dos sertanejos nos programas de variedades da TV.
[Leia outros Comentários de Ana ]

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